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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Consciência Expandida por Flavio Siqueria

Oi gente,

Nesse vídeo vocês vão encontrar explicações sobre o que é consciência expandida e Flavio comenta sobre Ayahuasca também.

Adoro ver o ponto de vistas de todos os professores e mestres espirituais a respeito da Ayahuasca, acho legal refletir sobre esse assunto e olhar todos os ângulos.

Beijos no coração

Namastê





quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Como saber se o caminho que queremos é o correto?



“Como saber se o caminho que queremos é o correto e que não iremos nos arrepender logo adiante?”
A primeira coisa que precisa saber é: Não há garantias. Nunca há.
Ainda que tenha certeza que determinado caminho levará à algum lugar, como saber o que vai acontecer no percurso?
Não temos o controle, por mais que tentemos, ainda que queiramos, nenhum de nós pode ver cada variável, cada curva chamada de aleatoriedade, as mudanças do vento, do clima, dos cenários, das estações, ora frias, ora quentes, nada é fixo, tudo está em constante movimento.
Nossa tendência é tentar a “segurança” de fixarmos nossas vidas exatamente naquele ponto onde tudo parece perfeito. Mas isso é ilusão. Seria trágico, afinal, não estamos aqui para o conforto da estagnação, mas para o exercício do movimento, da mudança, da transformação. É assim em todas as dinâmicas da natureza, por que seria diferente conosco?
O fato é que nenhum passo é garantido, pelo menos em relação ao desfecho que lhe motivou determinada escolha. Você caminha achando que será de um jeito, então tudo muda, o céu se encobre por nuvens pesadas e a paisagem de sol se transforma em temporal.
Você não irá sempre para onde quer, mas, se estiver atento, se não ficar lamentando, adulando o passado, projetando o futuro, sentindo pena de si mesmo, perceberá que está exatamente onde precisa hoje.
Pode ser que escolha um caminho mais longo, talvez faça algumas voltas a mais, mas elas também são necessárias.
Atalhos geram almas imaturas.
Estamos expostos ao que precisamos e toda inquietude é fruto de nossa resistência ao que contribuirá para forjar maturidade e consciência.
Quer saber se seu desejo é o “correto” ou não?
Pare de sofrer por isso, acalme sua mente e ouça o que seu coração diz. Pacifique-se apesar dos cenários e não condicione sua paz a determinado acontecimento, apenas acalme-se e perceba que viver o que está vivendo faz-se absolutamente necessário hoje. Sua própria resistência é prova disso.
Caminhe conforme sua consciência, preste atenção no caminho, no hoje, no agora.
Pode ser que não chegue onde pretende, pode ser que adiante uma curva, algo que modifique a direção, as intenções, as necessidades e você prossiga feliz para outro lugar que só viu porque estava caminhando.
Não há garantias, apenas a certeza de que nossa caminhada jamais será vã.
Mas isso você só saberá se caminhar.
Siga em paz, não tenha medo e, enquanto anda, as explicações virão. Caminhemos juntos.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Não há santos que resistam ao cotidiano

Oi gente,


Pra complementar os vídeos dessa semana, o post de hoje mostra exatamente como eu penso:

"...que na lente ninguém é totalmente do bem ou do mal,
que conhecemos e julgamos as pessoas de um modo muito superficial,
que somos pequenas partes de uma coisa só que com reflexos de nossas escolhas,
que todo diabo um dia já foi santo para alguém e que todo santo é ou já foi diabo,
e que na lente ninguém é totalmente do bem, nem do mal..."


Santo dos seus by Flavio Siqueira

novembro 21, 2014


Quanto mais enxergo de perto, mais complexidade vejo. Na lente ninguém é totalmente do bem, nem do mal. Não há santos que resistam ao cotidiano, aos dias quentes, as filas longas, as noites insones ou manhãs de mal humor. Os “maus”, aqueles que gostamos de apontar e dizer “mata, mata”, olhando de perto, demonstram traços de humanidade que espantaria a maioria de nós. Muitos são capazes de cuidar dos filhos, do amigo talvez, com dedicação e amor, contrariando nossa impressão simplista e apressada em dizer é “bom” ou é “mau”. São santos para os seus.

Examine o branco com a lupa, a mais potente que tiver, e verá uma mistura de cores. Não há branco. Aproxime-se do laranja, do verde, do vermelho, do azul e verá que cada uma delas representa a soma de tantas outras.

Um anônimo que cruza seu caminho em uma tarde qualquer. Um entre tantos rostos desconhecidos, gente que você nunca viu, no entanto, aproxime-se, olhe, converse, ouça, conheça os hábitos e na próxima vez que se cruzarem não será mais um anônimo, será o Sebastião, um conhecido seu.

Assim são as pessoas, assim é a vida.  Você jamais conhecerá alguém em sua complexidade de pensamentos, jamais terá acesso aos poços interiores, às sombras, aos processos que refletem no corpo, no jeito, nos atos que não entendemos. Temos vislumbres, sabemos em parte, porque tudo o que temos são os avessos.

O avesso é o lado de fora. É a casca, a superfície onde a vida é apenas reflexo. Aproxime-se um pouco mais. Veja de perto, enxergue os movimentos da vida e se espantará, não apenas por conta das inevitáveis descobertas, mas, sobretudo, por enxergar-se.

Sustentamos nossas reputações, alimentamos a imagem que a maioria faz, seja para o bem, seja para o mal, mas nada disso resiste quando os filtros dos olhos caem. Sem preconceito, sem nenhum tipo de juízo de valor, nenhuma pretensão em saber alguma coisa, veremos o outro e, no outro, veremos quem somos. Somos o outro também.

Pequenas partes de uma coisa só com reflexos de nossas escolhas, seja no que chamamos de bem ou de mal.  Nessas partes refletem nossa cegueira, nossos medos que se expressam aqui e ali, de um jeito ou de outro, em gente que você odiaria admitir que, apesar dos pesares. essencialmente se parece contigo.

Todo diabo é santo para alguém, todo santo é ou já foi diabo, de modo que só me resta a consciência de que não há santos que resistam ao cotidiano, afinal, quanto mais enxergo de perto, mais complexidade vejo. Na lente ninguém é totalmente do bem, nem do mal. Somos nós expostos no outro para que não haja outro, para que não haja nós.

Ron-Mueck-8
*foto:*obra hiper realista do artista australiano Ron Mueck

Blog do Flavio Siqueira