Galera, nesse vídeo o Profº Horácio menciona o estado alterado de consciência na qual entramos quando ingerimos Ayahuasca.
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terça-feira, 17 de julho de 2018
segunda-feira, 2 de julho de 2018
VÍDEO DA SEMANA: a experiência psicodélia
Oi gente!
Despertar da Consciência
Expansão da Consciência
Percepção de universos paralelos e outras realidades...
Isso tudo parece papo de drogado não é mesmo?
Se você disse SIM, informo que vc. está cego pelo
preconceito e julgamentos.
Está preso na etimologia equivocada de uma simples palavra
chamada: PSICODÉLICOS
Nesse vídeo explico um pouquinho sobre essa incrível
experiência.
Beijos no coração
Namastê
terça-feira, 19 de junho de 2018
PROFº HORÁCIO FRAZÃO: A GLÂNDULA PINEAL
Galera, recomendo vcs. assistirem logo essa palestra pq. a qualquer momento ela poderá sair do ar.
Recebi essa palestra de um amigo pq. ela já não se encontra mais no canal do Profº Horácio.
Beijos no coração
Namastê
Recebi essa palestra de um amigo pq. ela já não se encontra mais no canal do Profº Horácio.
Beijos no coração
Namastê
sexta-feira, 8 de junho de 2018
OZZIE PENA: O Sistema tirou seu Canal do AR!!!!!!
Pessoalllll vou te contar viu?!
Essa semana reparei que vários dos vídeos que postei aqui do Ozzi no blog sumiram, ai fui verificar quando soube que tiraram seu canal do ar!!!!
Pois é minha gente, esse sistema escroto deve estar odiando esses papos de despertar e a mira dessa vez foi o Ozzie que sempre falou a verdade nua e crua pra nós...
Assistam esse vídeo para vcs. entenderem melhor:
Essa semana reparei que vários dos vídeos que postei aqui do Ozzi no blog sumiram, ai fui verificar quando soube que tiraram seu canal do ar!!!!
Pois é minha gente, esse sistema escroto deve estar odiando esses papos de despertar e a mira dessa vez foi o Ozzie que sempre falou a verdade nua e crua pra nós...
Assistam esse vídeo para vcs. entenderem melhor:
WAKE UP NEO!!!
Beijos no coração,
Namastê
quinta-feira, 17 de maio de 2018
DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA: Como as pessoas que estão entrando na quinta dimensão estão agindo?
1 — Querem questionar suas existências. Querem buscar o
autoconhecimento e já estão com coragem para acessar suas essências espirituais
e descobrir quem realmente são.
2 — Não têm medo do autoenfrentamento e preferem sair da
zona de conforto ao invés de continuarem presas aos velhos condicionamentos
doentios como o medo, o sofrimento e a desesperança.
3 — Não aceitam mais a esperança como padrão para as suas
vidas. Estão trocando os sentimentos de esperança pelos sentimentos de
confiança, pois já descobriram que esperança é somente um maneira bonita de
esperar por eternos amanhãs que nunca chegam.
4 — Querem agir ao invés de apenas aguardar que outras
pessoas façam o que precisa ser feito. São responsáveis e querem mudar suas
vidas.
5 — Não esperam mais que os milagres caiam do céu pela força
do acaso, como se fosse possível o Universo dar algo sem querer nada em troca.
6 — Não pedem nada de graça, querem retribuir as pessoas e o
mundo, e não apenas receber.
7 — Já descobriram que não têm controle sobre as outras
pessoas e já desistiu de mudá-las. No entanto, lutam para que seus exemplos
mudem as outras pessoas.
8 — Não querem mais tudo na hora que desejam como se fossem
crianças mimadas. Estão compreendendo que a paciência no fundo é a prática da
paz de espírito mas com consciência. Têm plena certeza que tudo virá no momento
certo e adequado. Trabalham insistentemente e com convicção para realizar
aquilo que desejam, porém, não tentam mais controlar o tempo e as pessoas, pois
sabem que não têm poder para isso.
9 — Não brigam mais, preferem dialogar. É impossível entrar
na quinta dimensão, por exemplo, um casal que discute constantemente por
motivos fúteis como ciúmes e medo. Sabem que a traição não é um problema do
traído, mas sim daquele que trai, pois este sim está com um sério problema para
ser resolvido em sua vida.
10 — Se posicionam perante as dificuldades e não
potencializam mais o problemas. Potencializam sim as soluções. Sempre as
soluções.
11— Trocaram os sentimentos de inveja pelos sentimentos de
admiração.
12 — Têm certeza que tudo o que for para ser, já é. Estão
começando a acessar seus propósitos de vida, decretados antes dos seus
nascimentos. Sendo assim sabem que há vida após a morte, há vida antes do
nascimento e há vida o tempo todo. Sabem que a vida não cessa jamais.
13 — Já descobriram que as pessoas não mudam, elas apenas
vão se transformando naquilo que elas realmente são e sempre quiseram ser.
14 — Não querem mais perder tempo reclamando. Seus pontos de
vistas estão mudando gradativamente e estão começando a enxergar que este mundo
é repleto de coisas possíveis para um agradecimento diário.
15 — Não querem apenas sobreviver, querem viver intensamente
as suas vidas, pois sabem exatamente o valor espiritual que elas possuem.
16 — Estão começando a compreender que a gratidão é o
sentimento mais poderoso que existe, e que este sentimento possui uma vibração
altíssima capaz de transmutar todos os sofrimentos existentes em cura, e todas
as mazelas em concórdias e elevações.
17 — Já entendem que a felicidade não está no futuro como
disseram para elas desde criança. Sabem que a felicidade verdadeira está no
agora e se chama gratidão. Não buscam mais a felicidade, pois sabem que quem
está em busca da felicidade no fundo está decretando para si mesmo que é uma
pessoa infeliz. Sentem-se felizes porque sabem que é dentro do presente
dinâmico que tudo acontece.
18 — Sabem que podem criar suas realidades a partir do poder
das suas intenções. Não desejam coisas a esmo, desejam sinceramente, com
potência e intensidade, pois somente assim conseguirão dialogar com a natureza
e manifestar os milagres sobre a Terra. Conhecem a física quântica, mas o que é
importa mesmo é encontrar seu propósito de vida e desejar sinceramente.
19 — Não querem perder tempo com fofocas e conversas que não
levam a lugar algum. Conseguem inverter as vibrações dos ambientes e
neutralizar as energias negativas das pessoas de forma consciente e eficaz. São
aprendizes de magos.
20 — Estão optando por valorizar mais as pessoas do que as
coisas. Sabem que as coisas materiais têm preço e que as coisas imateriais como
as amizades verdadeiras e o amor, têm valor.
21 — Não querem mais viver num mundo de acúmulos de coisas e
envoltos por um processo de consumo desenfreado e doentio. Querem compreender o
que é o compartilhamento mútuo e desejam viver em harmonia com o mundo. Querem
dividir para somar e não apenas acumular para juntar e ficar eternamente com
medos dos amanhãs.
22 — Não querem perder tanta energia tentando se equilibrar.
Preferem se harmonizar, pois sabem que todos aqueles que tentam se equilibrar
uma hora caem, pois estão vivendo o tempo todo em cima de uma espécie de corda
bamba.
23 — Querem resolver os problemas o mais rápido possível e
só atraem pessoas que pensam da mesma forma. Detestam trabalhar com pessoas
enroladas que não gostam de decidir e estão sempre tentando controlar mental e
psiquicamente as outras pessoas.
24 — Estão completamente salvas das mazelas da
procrastinação. Querem ir adiante e agir assertivamente.
25 — Estão se sentindo diferentes das outras pessoas, mas
sabem que não são melhores que os outros. Sabem que não são pessoas especiais,
mas ao mesmo tempo sabem que possuem mais responsabilidades perante a
sociedade.
26 — Estão isentas de qualquer tipo de preconceito e
julgamento alheio, pois sabem que um dia já foram em vidas passadas ou poderão
ser em vidas futuras. Há somente respeito para com o outro.
27 — As religiões estão ficando em segundo plano. O que
importa é a sua ligação direta com Deus e o Universo Natural. Sem
intermediários. Não crê mais naquela imagem antiga de Deus como sendo um velho
sentado numa nuvem em cima de um trono e pronto para castigar as pessoas.
28-Estão tendo sonhos lúcidos e projeções fora do corpo que
elucidam suas vidas passadas e também suas vidas futuras.
29 — Estão tendo acesso aos seus mentores espirituais
através da intuição e da clarividência.
30 — Querem e creem em um mundo melhor. Não aceitam a ideia
das catástrofes e da falta de amor na humanidade. Têm absoluta certeza que a
luz vencerá a escuridão.
31 — Não estão mais conseguindo assistir televisão.
32 -Para eles competir não faz mais sentido. Ao invés de
competir preferem compartilhar e se divertir.
33 — Sabem que a quinta dimensão não é um lugar, mas sim uma
frequência, um estado vibracional.
34 — Não têm mais medo do desconhecido. Sabem que o mundo
extrafísico faz parte da Natureza e a paranormalidade deve ser encarada como
algo natural e não como algo amedrontador e assombrado.
35 — Sabem que o diabo não existe. O que existe é uma imensa
egrégora alimentada pelo orgulho, o egoísmo, a ganância, os medos e as ilusões.
36 -Querem ficar sós, mas ao mesmo tempo quando estão com
outras pessoas, querem estar com elas por inteiro e intensamente.
37- Sentem que possuem um propósito de vida e querem
encontrá-lo, mas precisam se render e parar de controlar suas vidas, pois já
estão perceberam que quanto mais querem controlar, mais atrapalham a
manifestação de milagres em suas vidas.
38-Já compreenderam que vencer na vida não significa morrer
rico e muito menos vencer os outros para mostrar que é melhor e mais combativo.
Sabem que vencer na vida é vencer seus limites e medos e chegar no fim da vida
com o coração vibrando em gratidão por saber que, se não conseguiram cumprir
tudo o que vieram cumprir, pelo menos tentaram.
39–Já estão compreedendo que a saudades não é um sentimento
ruim e de perda, mas sim um sentimento que traz a certeza que um dia reencontrará
todas as pessoas que amaram e um dia passaram em sua vida.
40-Querem ajudar a alma do mundo e estão prontas para isso,
pois é um dos propósitos que veio cumprir nesta passagem terrena atual. Sabe
que não veio aqui somente como turista espiritual.
Sobre o Autor:
Carlos Torres é autor de vários livros Best Sellers no
Brasil e Portugal com mais de 220.000 exemplares vendidos. Tem 43 anos de
idade, é escritor e mensageiro, pai, pacifista e já palestrou para mais de
30.000 pessoas. É casado com Sueli Zanquim, também escritora e locutora. Seus
livros possuem uma linguagem profunda e simples, e por este motivo seus
ensinamentos já despertarem milhares de pessoas ao redor do mundo. Ensinamentos
baseados no livro A Era de Ouro da Humanidade. 566 pág.
https://medium.com/carlos-torres/como-as-pessoas-que-est%C3%A3o-entrando-na-quinta-dimens%C3%A3o-est%C3%A3o-agindo-438d9923d53b
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
DROGAS X ESPIRITUALIDADE por Profº Laércio Fonseca
Oi gente!
Encontrei esse vídeo do Profº Laércio Fonseca falando sobre drogas x espiritualidade e achei bem pertinente essa discussão aqui no meu blog e canal por ser um espaço onde trato do assunto Ayahuasca.
Sem querer polemizar, fazer apologias ou julgamentos, acho bem sadio a gente buscar informações e ponto de vistas para podermos tirar as nossas próprias conclusões a respeito do assunto.
Afirmações do Profº Laércio:
1- nenhuma droga traz projeção astral consciente e nem controle da experiência "acontece o que tem que acontecer";
2- ele comparar as experiencias com alucinógenos como sonhos loucos e sem controle;
3- que existe resquícios químicos dias após o uso;
4- em uma única vez você pode "não volta mais das viagens" e ficar louco;
...particularmente eu Viviane não concordo com isso não...
Em contra partida, achei bem legal o esclarecimento que ele faz pq. aborda o lance das drogas x espiritualidade desde o auge do movimento hippie.
Acho que é super válido a gente nesse caminho, buscar informações para saber qual rumos devemos buscar.
Acho válido lembrar aqui que nem sempre o que é bom pra gente será bom para o outro, ok? Então, vamos agir com consciência para assumir a responsabilidade por todos os nossos atos.
Vale lembrar que aqui no meu espaço, não faço apologia a nenhuma doutrina e muito menos "meto o pau" no caminho do outro, pra mim TUDO é válido quando a intenção é verdadeira e desde que assumimos a responsabilidade dos nossos atos.
Então se você utiliza drogas para expansão da consciência tá tudo certo.
Se você faz uso de enteógênos, está tudo certo, agora se vc. é contra os psicoativos, está tudo certo também!!!
A polêmica da Ayahuasca como alucinógeno x enteógeno continuará existindo, mas esclareço aqui que mesmo que seja considerada uma DROGA não retiro os méritos dessa planta sagrada que tanto me ajudou na minha busca espiritual.
Mesmo não fazendo mais uso do chá, continuo sim trazendo tanto aqui quanto no Canal do Youtube informações sobre essa Planta de Poder tão mal interpretada e julgada.
O mais interessante aqui é que vou deixar o link para vocês da Palestra que recentemente o Professor Laércio Fonseca deu lá no Espaço Monte Líbano em Araraquara (local onde consagrava Ayahuasca).
Laércio remonta a década de sessenta onde o consumo de
drogas pelo movimento hippie no mundo levou muitos jovens ao caos e a mortes
prematuras.
Na conquista por uma liberdade e para experimentar novos
estados de consciência muitos perderam suas vidas e seu total equilíbrio.
Muitos acreditavam que as drogas poderiam fornecer estados
elevados de consciência e até promover a iluminação e a transcendência, mas a
experiência mostrou que esse uso conduziu apenas a auto-destruição física e
psíquica dos usuários.
Laércio também nos fala das novas seitas que usam de drogas
alucinógenas em seus cultos espirituais alegando que o uso dessas drogas
promoveria o despertar de faculdades psíquicas superiores.
Ver Mais:
Ver Mais:
PALESTRA "MEDITAÇÃO EM MOVIMENTO" COM PROF.
LAERCIO FONSECA
Espaço Xamânico Monte Líbano
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
AYAHUASCA: é uma porta para o inferno? ...é coisa do capeta???
Oi gente!
Primeiramente quero pedir mil desculpas por minha ausência.
Gente, minha vida está uma loucura só! Muita correria nesse finalzinho de ano e por esse motivo não estou conseguindo dar conta das atividades do canal e do blog, sorry!!!!
Daqui 1 semana estarei de férias e prometo que assim que tiver um sinalzinho de wi-fi na minha viagem irei ir respondendo todos os comentários do YT, ok?
Postarei o último vídeo do ano agora dia 18/Dez (seg) e as atividades voltarão só dia 15/01/18.
Bom, vamos para o vídeo da semana!
AYAHUASCA
...abre as portas do inferno???
...é coisa do capeta???
...é procurar "sarna pra se coçar"???
...pq. não tenho mirações???
Só pra adiantar e dar uma "temperada" aqui já antecipo:
SIMMMMMMM
AYAHUASCA ABRE SIM A PORTA DO INFERNO!!!!
..pra saber o por quê, assistam esse vídeo!!!

Beijos no coração
Namastê
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA x RELACIONAMENTOS AFETIVOS
Oi gente,
Quem nunca nesse caminho do despertar já se pegou numa situação de querer a todo custo "convencer" quem a gente ama a seguir o mesmo caminho, não é mesmo???
...pois é, no caso do vídeo de hoje respondo a pergunta da Flá que comenta que seu namorado fica insistindo para ela seguir o caminho, mas ela confessa que não está nem um pouco afim, e agora???
Beijos no coração,
Quem nunca nesse caminho do despertar já se pegou numa situação de querer a todo custo "convencer" quem a gente ama a seguir o mesmo caminho, não é mesmo???
...pois é, no caso do vídeo de hoje respondo a pergunta da Flá que comenta que seu namorado fica insistindo para ela seguir o caminho, mas ela confessa que não está nem um pouco afim, e agora???
Beijos no coração,
Namastê,
Ver Mais:
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
terça-feira, 31 de outubro de 2017
EGO ESPIRITUAL
Oi gente!
Hoje iremos fazer uma reflexão sobre o Ego Espiritual. Isso
veio depois do artigo abaixo que li semana passada.
Acho bem interessante
vocês darem uma lida também, segue o link:
Vamos sair da superficialidade dos julgamentos e finalmente
olhar os fatos sobre uma outra perspectiva pq. só assim estaremos indo na
direção do despertar.
Beijos no coração,
Namastê
_______________________________________________________________________
Acho importante primeiro vocês lerem esse artigo para depois assistirem o vídeo, ok?
Alienados Espiritualistas
Fuma
maconha, sabe tudo de astrologia, se torna vegetariano, lê dois livros do Sri
Prem Baba, vai a Machu Picchu, participa de um ritual de Ayahuasca num final de
semana e tem certeza de que é “super energizado”
Cada vez mais tenho conhecido pessoas que se dizem
espiritualizadas. Não são adeptas a nenhuma religião, seu conceito de Deus é
bem abstrato — isso quando não se julgam ateias — e sua espiritualidade, grosso
modo, é adquirida e exercida através de hábitos e comportamentos estritamente
ligados ao consumo e à adesão a algum grupo.
A maioria se considera muito mais do que realmente é, se
colocando numa posição acima que os demais, meros mortais, e carregam muito
mais certezas do que dúvidas. Pegam um pouco dos conceitos básicos das
principais religiões orientais aqui, sintetizam os ensinamentos de alguns
profetas e gurus ali, compilam algumas mensagens de filosofia prática e de
autoajuda acolá, e, nessa miscelânea de ideias, formam sua própria
espiritualidade; por fim, concluem: tudo é energia.
Seria esse fenômeno a ressaca eminente das filosofias dos
movimentos da contracultura de cinquenta anos atrás que ainda sentimos bater
nas costas? Não sei dizer. E também não quero pagar de chato da semântica e da
etimologia que vai propor dissecar o significado real da palavra
espiritualidade para depois tecer críticas sobre nossa atual concepção.
Quero ser simples e pontual: neste louco início de século,
arrisco dizer que o significado de espiritualidade nunca foi tão deturpado em
relação a qualquer outra época. Não apenas deturpado, mas da mesma forma que
fizemos com qualquer valor moral de outrora, com a espiritualidade não foi diferente:
seu sentido foi esgarçado, pulverizado, relativizado e, principalmente,
mercantilizado. Sobre tais mudanças, falo já. Antes, me deixa continuar com
mais algumas críticas e insultos aos espiritualizados pós-modernos.
Vamos imaginar um caso. Uma pessoa que se diz
espiritualizada e uma outra que se vê como problemática, desorientada,
perturbada ou que então não se diz nada. Se fosse para escolher uma delas como
amiga, provavelmente eu preferiria o segundo exemplo. Pois, repito: se alguns
se dizem despertos, super conscientizados e se sentem elevados e energizados,
prefiro considera-los, quase em todo caso, como presunçosos, vaidosos,
imodestos. Vou ainda mais além: os problemáticos, os desorientados, os
perturbados, estão mais próximos de Deus dos que aqueles que têm a certeza de
serem “seres evoluídos”. Provável que evoluído seja só o tamanho do orgulho e
da presunção do cidadão. Transcendência, no caso dessa galera, é a
transcendência da pretensão. Pois o evoluído (pela primeira e única vez sem
aspas neste texto), para mim, muito antes de se considerar santo, se vê, mais
que tudo, como humano, demasiadamente falho e igual a todo o resto.
Pelo pouco que sei da história dos profetas, dos santos e
das religiões, a coisa nunca fugiu muito do padrão: atingir a espiritualidade
demandava um processo contínuo e árduo, sempre passando por uma longa e difícil
jornada de autoconhecimento da qual, muitas vezes, só era possível através do
isolamento e da renúncia ao mundo.
A penitência dos monges que se isolavam no deserto durante
anos, décadas, às vezes toda a vida, para enfrentar seus próprios demônios e ir
em busca da purificação e da realização dos desígnios sagrados.
Ascetas que
praticavam mortificações e seguiam dietas rigorosas à base de água e algumas
folhas por dia. Faquires que viviam na mendicância e se autoflagelavam, em
alguns casos ateando fogo no próprio corpo, com o propósito de atingir a
perfeição espiritual e provar o triunfo da alma. Iogues obstinados que, por
meio de rigorosa disciplina, transformaram a própria estrutura física depois de
forçar posições sobre-humanas para dar continuidade à busca do alcance de um
despertar maior da consciência.
E, agora que descrevi alguns ‘espiritualistas raiz’, vamos,
a título de comparação, caricaturar os ‘espiritualizados nutella’ da nossa
geração.
1. A madame de floral que só come orgânicos, tem seis gatos,
mora na Vila Madalena, vai trabalhar de bicicleta, sua bíblia é um manual de
medicina ayurveda, mas que não dá bom dia para o porteiro e, se percebe que
está atrasada para a aula de ioga, faz chilique no restaurante e destrata o
garçom se o prato vegano que pediu está demorando para chegar.
2. As paquitas namastê e os zé droguinhas gratidão que se
entopem de tudo, misturam tudo — ácido, ecstasy, MDma, vodca, haxixe — no
festival de música eletrônica e, depois, mesmo sem se lembrar de nada, juram
ter passado por uma “experiência mística”. Avaliam a humanidade e a
personalidade de cada um levando em conta apenas um único critério, um critério
absoluto: a astrologia.
3. O empreendedor — esse que é o novo santo
contemporâneo — que leu o Monge e o Executivo e, como os antigos judeus ou os
atuais evangélicos, acredita que bem-aventurança e glória divina provém de
recompensas materiais, como conseguir subir de cargo no trabalho e
consequentemente melhorar o salário, reformar o apartamento, comprar o carro do
ano, financiar uma casa na praia etc. Mistura Espiritismo, cases de sucesso de
empresários norte-americanos, física quântica e lei da atração e faz da sua
espiritualidade um manual otimista e bem-sucedido.
Não me interprete mal; isso foi apenas uma abstração a
título de comparação. Claro que não acredito que a ‘espiritualidade raiz’ dos
monges e ascetas seja o único caminho real. Pelo contrário; não querendo
descontextualizar a época nem ofender os gurus e santos de muitos, mas essas
figuras místicas e loucas também tinham seu quê de pretensão exacerbada. E seus
exemplos de renúncia ao mundo sempre me incomodou.
Minha intenção, aqui, é alertar sobre a discrepância da
diferença de quem acreditou se espiritualizar milhares ou centenas de anos
atrás e quem acredita se espiritualizar hoje em dia. Alertar, mais que tudo,
que o caminho da espiritualidade, seja ele qual for, é a escolha mais árdua e
corajosa que alguém pode tomar para si; que ela não é alcançada simplesmente
pelo fato de fumar maconha, saber tudo sobre astrologia, se tornar vegetariano,
ler dois livros do Sri Prem Baba, ir a Machu Picchu, participar de um ritual de
Ayahuasca num final de semana com uma galera New Age cujo slogan é “o expandir
da consciência” e, depois de tudo isso, ter a certeza de que se tornou “super
energizado”.
Espiritualidade como marca — ou, para parecer engajado,
espiritualidade como branded
A lógica de mercado atingiu até mesmo os temas, as práticas
e os costumes mais caros à humanidade. Expandiu os setores e modelou personas
ideais para tipos de consumo específicos.
O setor da espiritualidade é o expoente maior do esforço que
o marketing e a publicidade fazem para não mais vender somente produtos aos
seus consumidores, mas vender experiências. Fazem acreditar que, para se
atingir a plenitude da consciência é necessário gastar dinheiro e pertencer a
determinado nicho.
Esgarçamos, pulverizamos e relativizamos porque
mercantilizamos o sentido da espiritualidade.
A dor da
jornada espiritual é a dor do retiro
Nada contra às pessoas que se identificam com os perfis que
citei há pouco — paquita namastê, zé droguinha gratidão, empreendedor. Homem do
tempo em que vivo, vítima e ao mesmo tempo algoz de nossa época, também sou eu
um dos exemplos. Portanto, não interprete uma possível arrogância (ou
interprete); mas saiba: este texto também é uma autocrítica.
Me incomodo, sim, com a confusão de significados e
identificações deturpadas. Me incomodo, principalmente, com a soberba e a
ilusão.
Sobre associar o uso de drogas com jornada espiritual, gostaria
de fazer um parêntese.
Digo por experiência: uma solidão profunda, rica em
reflexões e avaliações sobre si mesmo e o mundo, solidão que vem acompanhada de
uma contemplação sóbria da vida, é capaz de expandir a consciência muito mais
que qualquer LSD. Drogas são apenas drogas. Podem ser divertidas, prazerosas,
mas raramente irão te presentear com autoconhecimento, sabedoria, despertar de
consciência, que seja, se, intrínseca e naturalmente, você não pressupor em si
uma busca por conhecimento. Ou seja, se no seu estado normal você não toma o
mundo com fascínio e curiosidade, não vai ser uma trip psicodélica que, como
mágica, te concederá sabedoria e plenitude.
Igualmente difícil é crer que um “ser de luz” é aquele que
não come carne, acende incenso toda manhã, faz ioga e compra um monte de
quinquilharia importada do oriente.
Se as práticas não vêm acompanhadas de um sentido profundo,
as práticas são somente máscaras.
Afinal, o que já deveria ser dito: no geral, todos esses
exemplos carregam consigo uma falha, um desfalque em comum: para atingirem a
própria iluminação, não querem pagar o preço principal que esse ofício
demanda — o preço da dor. Pois, amigo, independente se você é um asceta, um New
Age ou um Hare Krishna, a jornada espiritual, para qualquer época, sempre
demandou e sempre vai demandar um profundo e necessário estado de dor. E dor,
neste caso, é a dor do retiro, a dor da solidão, do isolamento em si mesmo.
Conheci um senhor, com seus lá sessenta anos. Disse ter
atravessado, na meia-idade, uma crise existencial que lhe custou oito anos de
vida. Durante o longo período, viveu isolado numa pequena cidade do interior.
Homem de grande espanto pelo mundo, foi buscar conhecimento esmiuçando
obsessivamente a Bíblia, o Corão e os sagrados livros indianos. Leu, de cabo a
rabo, toda a obra de Dostoiévski, Tolstoi e Nietzsche. Passou por experiências
trágicas e se embrenhou na vida das pessoas pobres e simples.
Enfim, depois de quase uma década, quando sua consciência o
alertou de que a longa jornada sabática tinha sido cumprida, só havia adquirido
uma grande certeza — mesmo depois de ter ambicionado toda imersão para dentro
de si e para dentro e fora do mundo (da matéria à metafísica), ele não
necessariamente era mais sábio que sua avó, que nunca tinha saído da cidade
onde nasceu e que morreu analfabeta. Disse, ainda, que o valor que levava
consigo não era diferente, muito menos melhor, do que de qualquer outro ser.
Esse senhor levou oito anos para aprender o valor da
humildade. Me garantiu que, desde então, esse era seu único tesouro. Sempre me
repetia: “humildade, meu jovem, humildade! Humildade é o primeiro e último
sinal de alguém evoluído. Sem ela, não se perde apenas a espiritualidade — se
perde tudo.”
COMO SE TORNAR
ULTRAESPIRITUAL:
FONTE:
quarta-feira, 21 de junho de 2017
10 documentários fantásticos que vai expandir sua mente
Livros, artigos, peças teatrais, filmes e documentários são
ricas fontes de informação, conhecimento e até de fuga da realidade.
É inegável como a arte nos propicia, a cada nova obra
lançada, novas perspectivas de mundo.
Nesse contexto, o poder cinematográfico, especialmente, é
capaz de trazer uma luz de consciência a ideias emergentes e desafiar visões de
mundo padronizadas há séculos por meio de seus conteúdos aliados a imagens
dinâmicas e envolventes.
Sabendo da capacidade de expansão de consciência que muitos
documentários têm, trazemos uma lista desafiadora, proposta pelo site
livelearnevolve.com.
Aí vamos nós:
1- Life of a cell
“Life of a cell” (A vida de uma célula, em português), é a
verdadeira guerra nas estrelas.
Este documentário nos mostra uma incrível batalha que está
acontecendo no seu organismo neste exato momento, entre corpos e anticorpos.
O enredo se desenrola na história de uma infecção viral por
conta da qual se inicia a batalha pela vida de uma célula.
É uma obra-prima no quesito animação que nos leva a uma
viagem para dentro das células do nosso próprio corpo.
2- Human
Da minúscula célula para o globo terrestre.
Enquanto “Life of a cell” trava uma guerra
interna, em “Human” (Humano, em português), a câmera nos leva a uma viagem ao
redor da Terra para descobrir as verdades essenciais sobre o que significa ser
humano.
Através de uma série de mais de 2000
entrevistas realizadas em 60 países, o diretor Yann Arthus-Bertrand expressa
com êxito a experiência humana coletiva em todas as suas formas.
Isso inclui desde histórias profundamente
pessoais de pobreza, abuso doméstico e angústia, até histórias de amor, e
alegria por estar vivo.
2- The transcendental object at the end
of time
O objeto transcendental do fim do tempo – esta é a tradução
livre deste documentário dirigido pelo autor, conferencista, filósofo e
explorador xamânico Terence McKenna.
Ele falou e escreveu sobre uma variedade de assuntos,
incluindo a metafísica, a alquimia, a linguagem, a cultura, a tecnologia e as
origens teóricas da consciência humana.
Ele divide opiniões desde a: “tão distante… ninguém sabe o
que ele está falando” até : “o pensador mais inovador dos nossos tempos“.
Para sacudir-nos do nosso torpor perceptivo, McKenna
empurrou nossos olhos às mais exóticas e escandalosas invenções da ciência e da
tecnologia moderna.
O que o elevou acima da maioria dos outros profetas foi que
ele entregou suas profecias ao reconhecimento de que a realidade é mais
estranha do que podemos supor.
3- Planetary
Esta é uma obra-prima fascinante sobre a dinâmica social e
econômica dos dias de hoje, em comparação com antigas civilizações poderosas
que caíram.
A obra explora os problemas cada vez maiores que enfrentamos
em nossa cultura e explora soluções tecnológicas ponderadas que podem ser
colocadas em prática imediatamente se trabalharmos em conjunto.
4- NOVA: The Fabric of the Cosmos. The
illusion of Time
Albert Einstein, um dos maiores gênios cientistas que já
existiu afirmava que “o tempo é uma ilusão“.
“NOVA: a fábrica do cosmos. A ilusão do tempo” é um chocante
documentário que desafia nossas perguntas tradicionais sobre o tempo tais como:
‘ele flui em uma direção ou flui em tudo?‘; ‘todo mundo experimenta o mesmo
agora?‘; ‘é possível viajar no tempo?‘; ‘o tempo chegará ao fim?‘.
Eintein certamente ficaria entusiasmado!
5-Samadhi
A separação é uma ilusão? Qual é a fonte da consciência que
está lendo estas palavras?
Este documentário é um mergulho incrivelmente profundo na
filosofia da meditação explorando o conceito de Samadhi – a experiência direta
de unidade com o universo.
Grande parte da obra se baseia na compreensão básica da
não-dualidade, da kundalini e da espiral primordial (também conhecida como
fibonacci).
Conceitos explorados pelo cineasta Daniel Schimidt em outros
trabalhos podem ser acessados no site Innerworldsmovie.com.
6- Ashes and snow
O filme Ashes and Snow (Cinzas e neve, em
português) captura momentos extraordinários de contato entre pessoas e animais,
vistos através das lentes da câmera do artista em mais de trinta expedições a
alguns dos lugares mais remotos da Terra.
Escrito, dirigido, produzido e filmado por
Gregory Colbert, trata-se de um estudo de campo poético que descreve o mundo
não como ele é, mas como poderia ser – um mundo no qual as fronteiras naturais
e artificiais que separam os humanos de outras espécies não existem.
7- Kymatica
Podemos ser rápidos em culpar organizações secretas,
corporações gananciosas e políticos corruptos pelo estado do meio ambiente e da
economia.
A dura verdade é que o mundo está em seu estado atual porque
a humanidade, como uma população mundial, está evoluindo e levando o mundo com
ele.
Todos nós agora estamos no precipício do maior desastre que
a humanidade já conheceu, mas esse pode ser um grande momento de despertar em
massa.
Das lendas das antigas tribos xamânicas através dos anais da
religião organizada, pistas sutis de nossa salvação foram deixadas para nós
descobrirmos.
A ciência quântica e a metafísica estão confirmando o que
esses antigos sabiam, e esses segredos para a salvação da humanidade estão
apenas começando a ser revelados.
9- Cowspiracy
As maiores organizações ambientais do mundo estão falhando
em abordar a única força mais destrutiva que o planeta enfrenta hoje.
“Cowspiracy” – uma brincadeira com as palavras “cow” (vaca,
em português) e “conspiracy” (conspiração).
É uma viagem chocante, mas bem-humorada, de um ambientalista
que busca a solução real para as questões ambientais mais urgentes e o
verdadeiro caminho para a sustentabilidade.
Este documentário está disponível na Netflix.
10- The Dhamma Brothers
O Oriente encontra Ocidente no Sul Profundo.
Uma prisão de segurança máxima superlotada – o fim da linha
no sistema correcional do Alabama – é dramaticamente alterada pela influência
de um antigo programa de meditação.
Por trás de torres de alta segurança e uma linha dupla de
arame farpado e cerca elétrica, habita uma série de condenados que nunca vai
ver a luz do dia.
Mas para alguns desses homens, uma faísca é acesa quando
realizam um retiro Vipassana, um curso emocional e fisicamente exigente de
meditação silenciosa que dura dez dias.
“Os Irmãos Dhamma” (em português) conta o drama humano e
transformador por meio das histórias dos prisioneiros entram neste programa
árduo e intensivo.
Bônus: Innsæi
“Innsæi” é uma palavra islandesa de múltiplos significados,
cuja interpretação se concentra no “olhar para dentro“.
Este documentário discorre de maneira leve, inspiradora e
encantadora sobre o poder da intuição e sobre a arte de se conectar no mundo
distraído, separado e estressante de hoje.
Eu já assisti ao Innsæi cinco vezes!
Este documentário está disponível na Netflix.
Você já assistiu algum desses documentários?
Divida sua experiência com a gente. Depois de assistir a
algum deles, volte aqui pra conversarmos. :)
Fonte: livelearnevolve.com
Artigo Retirado do Site:
quinta-feira, 16 de março de 2017
PARTE 2: O que é a mente e qual a diferença entre a ilusão e o estado iluminado do ser?
Oi gente!
Dando continuidade na matéria sobre O QUE É A MENTE retirado do blog
https://budismopetropolis.wordpress.com/2015/07/21/o-que-e-a-mente/
vamos abordar hoje a diferença entre ilusão (maya) e o estado iluminado do ser.
COMO DIZ UM ANTIGO CONTO ZEN:"O monge perguntou ao Mestre:
“Como posso sair do Samsara (a Roda de renascimentos e mortes)?”
O Mestre respondeu:
“Quem te colocou nele?“
Vamos refletir sobre isso durante a semana, ok?
Beijos no coração
Namastê
ॐ
A verdadeira experiência da natureza essencial da mente está
além das palavras. Querer descrevê-la é como a situação de um mudo que quer
descrever o sabor de um doce em sua boca: ele não tem um meio adequado de se
exprimir. Mesmo assim, gostaria de oferecer algumas ideias que ajudem a esta
experiência.
Podemos pensar que a natureza da mente pura tem três
aspectos essenciais, complementares e simultâneos: a abertura, a claridade e a
sensitividade.
A abertura
A mente é o que pensa, “Eu sou”, “Eu quero”, “Eu não quero”;
é o pensador, o observador, o sujeito de todas as experiências. Eu sou a mente.
De um ponto de vista, esta mente existe, já que eu sou e eu tenho a capacidade
de ação. Se eu quero ver, eu posso ver; se eu quero ouvir, eu posso ouvir; se
eu decido fazer algo com minhas mãos, eu posso comandar meu corpo, e assim por
diante. Neste sentido, a mente e suas faculdades parecem existir.
Mas se buscarmos por ela, não podemos encontrar qualquer
parte dela em nós, nem em nossa cabeça, em nosso corpo ou em qualquer outro
lugar. Então, desta outra perspectiva, ela parece não existir. Portanto, de
outro lado a mente parece existir, mas por outro lado não é algo que
verdadeiramente existe.
Por mais exaustivas que sejam nossas investigações, nunca
seremos capazes de encontrar quaisquer características formais da mente: não
tem dimensão, nem cor, forma ou qualquer qualidade tangível. É neste sentido
que ela é chamada de aberta, porque é essencialmente indeterminada, desqualificada, além do conceito e, assim,
comparável ao espaço. Esta natureza indefinível é a abertura que nos faz
experienciar a mente como um “Eu” que possui as características que
habitualmente atribuímos a nós mesmos.
Mas devemos ter cuidado aqui! Dizer que a mente é aberta
como o espaço não é reduzi-la a algo não-existente, no sentido de ser
não-funcional. Como o espaço, a mente pura não pode ser localizada, mas é
onipresente e permeia tudo; ela abraça e permeia todas as coisas. Acima de
tudo, ela está além da mudança e sua natureza aberta é indescritível e
atemporal.
A claridade
Apesar da mente ser essencialmente vazia no sentido
explicado acima, ela não é apenas aberta ou vazia, porque se fosse, a mente
seria inerte e não iria experienciar ou conhecer qualquer coisa, nem sensações,
nem alegria ou sofrimento. A mente não é apenas vazia — ela possui uma segunda
qualidade essencial, que é a sua capacidade de experiências, de cognição. Esta
qualidade dinâmica é chamada de claridade. Ela é tanto a lucidez da
inteligência da mente quanto à luminosidade destas experiências.
Para melhorar nossa compreensão da claridade, podemos
comparar a abertura da mente ao espaço da sala onde estamos. Este espaço sem
forma permite que aconteçam nossas experiências; ele contém a experiência em
sua totalidade. É onde a nossa experiência toma o seu lugar. A claridade,
então, seria a luz que ilumina a sala e que nos permite reconhecer diferentes
coisas. Se houvesse apenas o inerte espaço vazio, não haveria possibilidade de
haver consciência. Isto é apenas um exemplo, porque a claridade da mente não é
como a luz comum do sol, da lua ou da eletricidade. É a claridade mente
que faz possível toda cognição e experiência.
A natureza aberta e luminosa da mente é o que chamamos de
“clara luz”; é uma claridade aberta que, no nível da mente pura, está
consciente em e por si mesma; é por isso que a chamamos de cognição
auto-luminosa ou claridade.
Não há um exemplo verdadeiramente adequado para ilustrar
esta claridade no nível puro, mas no nível comum, que podemos relatar mais
facilmente, podemos ter uma ideia de alguns de seus aspectos, ao compreender
uma das manifestações da mente — o estado do sonho. Vamos dizer que é uma noite
escura, e que nesta escuridão estamos sonhando, ou experienciando um mundo do
sonho. O espaço mental onde o sonho acontece, independente do lugar físico onde
estamos, poderia ser comparado à abertura da mente, enquanto sua capacidade de
experienciar, apesar da escuridão externa, corresponde à sua claridade. Esta
lucidez abarca todo conhecimento da mente e é a claridade inerente nestas
experiências. É também a lucidez do que ou quem as experiência; o conhecedor e
o conhecido, a lucidez e a claridade, nada mais são do que duas facetas da
mesma qualidade. A inteligência que experiência o sonho é a lucidez, e a
claridade presente em suas experiências é a sua luminosidade; mas no nível
não-dual da mente pura, é apenas uma e mesma qualidade, a “claridade”, chamada
de prabhasvara em sânscrito, ou de selwa em tibetano. Este exemplo pode ser
útil para o entendimento, mas tenha em mente que isto é apenas uma ilustração,
mostrando um nível manifestação particular da claridade em um nível habitual.
No exemplo, há uma diferença entre a lucidez o conhecedor e a luminosidade das
experiências do sujeito, porque o sonho é uma experiência dualista,
diferenciada em termos de sujeito e objeto, na qual a claridade se manifesta de
uma vez, na consciência ou lucidez do sujeito e na luminosidade de seus
objetos. De fato, o exemplo é limitado, pois fundamentalmente não há dualidade
nas mentes puras: é a mesma qualidade da claridade que é essencialmente
não-dual.
Sensitividade
Para uma descrição completa da mente pura, um terceiro
aspecto deve ser adicionado às duas primeiras qualidades já discutidas; é a
sensitividade, ou desimpedimento. A claridade da mente é a sua capacidade de
experienciar; tudo pode surgir na mente, então suas possibilidades de
consciência ou inteligência são ilimitadas. O termo tibetano que designa esta
qualidade literalmente significa “ausência de impedimento”. Esta é a liberdade
da mente experienciar sem obstrução. No nível puro, estas experiências têm as
qualidades da iluminação. No nível condicionado, elas são as percepções da
mente de cada coisa como sendo isto ou aquilo; ou seja, é a habilidade de
distinguir, perceber e conceber todas as coisas.
Voltando ao exemplo do sonho, a qualidade inerente de
sensitividade da mente seria, por causa de sua abertura e claridade, a sua
habilidade de experienciar a multiplicidade de aspectos do sonho, tanto as
percepções do sujeito sonhador quanto as experiências do mundo sonhado. A
claridade é o que permite surgir as experiências, enquanto a sensitividade é a
totalidade de todos os aspectos distintamente experienciados.
Esta sensitividade corresponde, no nível habitual e
dualista, a todos os tipos de pensamentos e emoções que surgem na mente e, no
nível puro da mente de um buddha, à sabedoria ou qualidades iluminadas
colocadas em prática para ajudar os seres.
Então, a mente pura pode ser compreendida assim: em
essência, é aberta; em natureza, é clara; e em todos os seus aspectos, é uma
sensitividade desimpedida.
Estas três facetas, a abertura, a claridade e a
sensitividade, não estão separadas, mas são concomitantes. Elas são as
qualidades simultâneas e complementares da mente desperta.
No nível puro, estas qualidades são o estado de buddha; no
nível impuro da ignorância e da ilusão, eles se tornam todos os estados da
consciência condicionada, todas as experiências do samsara. Mas não importa se
a mente é iluminada ou iludida, nada há além dela, e ela é essencialmente a
mesma em todos os seres, humanos ou não-humanos.
A natureza de buddha, com
todos os seus poderes e qualidades iluminadas, está presente em cada ser. Todas
as qualidades do buddha estão em nossas mentes, porém veladas e obscurecidas,
assim como uma vidraça é naturalmente transparente e translúcida, mas fica
opaca pela densa camada de sujeira.
A purificação, ou remoção destas impurezas, permite que
todas as qualidades iluminadas presentes na mente sejam reveladas. Realmente,
nossa mente tem pouca liberdade e poucas qualidades positivas porque ela é
condicionada pelo nosso karma, pelas marcas habituais do passado. Pouco a pouco, porém, as práticas do Dharma e de meditação
livram a mente e a desperta para todas as qualidades de um buddha.
Uma breve meditação
Neste ponto, provavelmente ajudaria fazer uma curta prática
experimental, uma meditação para tentar melhorar nossa compreensão sobre tudo
isso.
A PRATICA:
Sentando confortavelmente, vamos deixar a mente descansar em
seu estado natural. Relaxamos a nós mesmos, nossas tensões, e permanecemos sem
tensão, sem qualquer intenção em particular, sem artifícios… Soltamos nossa
mente e permitimos que ela fique aberta, como o espaço… Espaçosa, a mente
permanece clara e lúcida… Relaxada, solta, a mente permanece transparente e
luminosa… Não mantemos nossa mente encerrada em nós mesmos… Ela não está
confinada em nossa cabeça, em nosso corpo, no ambiente ou em qualquer lugar.
Relaxada, ela é vasta como o espaço que abarca tudo… Ela abarca tudo, todo o
mundo e todo o universo. Ela permeia nosso mundo inteiro. Permanecemos
descansados, relaxados, neste estado de abertura, ilimitado, totalmente lúcido
e transparente.
A abertura e a transparência da mente, similares ao espaço
infinito, são sinais do que temos chamado de abertura. Sua consciência livre e
clara é o que temos chamado de claridade.
Há também a sua sensitividade, que é a capacidade da mente
experienciar tudo em uma desimpedida consciência de pessoas, de lugares e de
todas as outras coisas. A mente pode conhecer todas estas coisas e pode
reconhecê-las distintamente.
Mais uma vez, sem orientar “a mente” — o sujeito-conhecedor
— para fora nem para dentro, permanecemos como estivermos, à vontade e
relaxados… Sem afundar num estado de indiferença ou estagnação mental, nossa
mente permanece alerta e vigilante…
Neste estado,a mente é aberta e
desengajada. Isto é a abertura… Na consciência lúcida está a sua claridade…
Todos os aspectos que conhece, distinta e desimpedidamente, são a sua
sensitividade.
Um obstáculo importante surge como resultado de
habitualmente confinarmos a mente ao corpo, que percebemos como sendo o nosso
corpo; nos identificamos com este corpo, nos fixamos nele e nos encerramos
nele. Para neutralizar isto, é importante relaxar toda tensão, toda
inquietação. Tensa e inquieta, a mente fica presa. Estas tensões terminarão
causando dores físicas e de cabeça.
Deixe a mente permanecer descansada em sua vastidão lúcida,
aberta e relaxada.
Podemos começar a meditar deste modo, mas é fundamental
continuar a prática sob a direção de um guia qualificado, que nos conduzirá no
caminho correto. Com a ajuda dele ou dela, podemos realizar a vacuidade da
mente, dos pensamentos e das emoções, o que é o melhor de todos os métodos de
nos livrarmos da ilusão e do sofrimento.
Reconhecer a natureza das emoções negativas permite que elas
sejam liberadas; é portanto essencial aprender a reconhecer sua vacuidade assim
que elas surgirem. Se permanecermos ignorantes de sua natureza vazia, elas nos
carregarão em sua torrente, nos escravizando e subjugando. Elas têm controle
sobre nós porque atribuímos a elas uma realidade que, na verdade, elas não têm.
Se realizarmos sua vacuidade, então o seu poder alienador e o sofrimento que
eles causam irão desaparecer.
Esta habilidade de reconhecer a natureza aberta e vazia da
mente e de todas as suas produções, projeções, pensamentos e emoções é a
panacéia, o remédio universal que, em e por si mesmo, cura toda ilusão, toda
emoção negativa e todo sofrimento.
Nossa mente pode ser comparada a uma mão que está atada ou
amarrada; neste caso, a mente está presa pela representação de nosso “eu”,
“ego” ou “self”, assim como pelos conceitos e fixações que pertencem a esta
ideia. Pouco a pouco, a prática do Dharma elimina estas fixações e conceitos
auto-estimadores e, assim como uma mão desatada pode se abrir, a mente se abre
e ganha todos os tipos de possibilidades de atividade. Ela então descobre
muitas qualidades e habilidades, como a mão livre de suas amarras. As qualidades
que são reveladas são aquelas da iluminação, da mente
pura.
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