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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

AS 4 NOBRES VERDADES


Oi gente!

Sei que já posteri aqui as 04 nobres verdades, mas esse é o tipo de lição que precisamos estudar pararelembrar sempre!

beijos no coração

Namastê


Buda: as Quatro Nobres Verdades e o Caminho
Óctuplo para a Libertação Humana!


Ao atingir a Iluminação, Buda conheceu a Verdade e soube que a condição
humana é Suprema em si mesma. Para Ele, o Homem é o seu próprio
Mestre e cada um é responsável por sua felicidade ou infelicidade.
Buda ensina que o Ser Humano pode superar o ciclo das causas e efeitos,
“quebrando o círculo”, libertando-se enquanto Expande a Consciência e
chega à iluminação!
As Quatro Nobres Verdades é a mensagem essencial de Buda, e permeia
todos os seus Ensinamentos.
Para compreender melhor este tema, leia também:
Qual é a origem da dor e do sofrimento? Gautama, o Buda

BUDA E AS QUATRO NOBRES VERDADES

 O Ser Humano sofre: a 1ª. Nobre verdade
A vida do Ser Humano está “fora de eixo”!
Buda diz que a vida humana está fora do
equilíbrio natural, gerando todo tipo de
sofrimento, sejam eles físicos, emocionais
ou mentais.
O verdadeiro equilíbrio é o sintonizar-se
com os movimentos do Universo (Tao), onde
tudo se movimenta, nada é estático e
parado.
Buda ensina que interromper o livre fluxo do
Universo coloca o Ser Humano em dor e
sofrimento, levando-o a apegar-se a
situações e a estados – internos e/ou
externos, desejando ou acreditando que os mesmos devem “durar para
sempre.
Mas no Universo tudo se movimenta, lembra?


A causa do sofrimento: a 2ª. Nobre Verdade

Buda ensina que ao interromper o livre fluxo do
Universo, o Ser Humano não está no “aqui e agora”,
ou seja: não está seguindo o fluxo natural do
Universo.
Buda dizia que quando o Ser Humano não aceita a
“impermanência” (o fluxo natural) do Universo, ou apega-se ao passado –
que já se foi – ou se liga ao futuro – que ainda não é.
Assim, o Ser Humano foge do momento presente e, através do desejo de
estar sempre em outro lugar, vivendo outra situação, gera para si mesmo
uma grande frustração, acompanhada de dores e sofrimentos em diversos
níveis.
A causa do sofrimento é, então, o desejo de permanência, um desejo
totalmente fora de sintonia com as Leis naturais do Universo.
O momento presente é o único que liberta o Ser Humano destes desejos
infrutíferos e traz o equilíbrio perfeito, através da sintonia com o movimento
natural do Universo (Tao).

Cessar o sofrimento: a 3ª. Nobre Verdade

Buda ensinava:
“Esteja com este momento“.
O momento presente é o único que liberta o
Ser Humano dos desejos infrutíferos e traz o
equilíbrio perfeito, através da sintonia com o
movimento natural do Universo (Tao).
Quando o Ser Humano se sintoniza com o
momento presente, cessam os desejos e as
consequentes frustrações, aprende que a
Perfeição está contida nas experiências
vividas e compreende que Deus está em
tudo e em todos.
Buda ensinava que o Ser Humano que está
“no momento”, não sofre, pois está livre para
seguir, sem estar preso no ‘eu quero’ ou ‘eu não quero’.
E assim, a Ordem Divina se estabelece minuto a minuto, através da soltura
no movimento e da abertura para a sincronicidade (geradora de milagres).
Ao cessar os desejos infrutíferos, o Ser Humano se liberta das rodas da
matéria, e sua consciência se expande, posicionando-o no Comando de sua
existência.

Transcendência do ego: a 4ª. Nobre Verdade
Transcender o “eu – ego” é o caminho, dizia
Buddha.
Sugeriu “O Caminho do Meio” como um método
eficiente para assumir o controle do ego e assim
atingir a Iluminação.
Neste “Caminho do Meio” está contido um dos maiores Ensinamentos de
Buda: “O Nobre Caminho Óctuplo”.

O Caminho Óctuplo:

1. Atenção plena à Visão (compreensão)
2. Atenção plena à Emoção (intenção)
3. Atenção plena ao Discurso (palavra)
4. Atenção plena à Ação
5. Atenção plena ao Modo de Vida
6. Atenção plena ao Esforço (disciplina)
7. Atenção plena aos Pensamentos (mente)
8. Atenção plena à Contemplação (Samadhi – meditação)
Faça sua conexão com Buda

E envolva-se em Luz!



Créditos:
http://animamundhy.com.br/blog/buda-4-nobres-verdades-caminho-octuplo-libertacao-humana

quinta-feira, 16 de março de 2017

PARTE 2: O que é a mente e qual a diferença entre a ilusão e o estado iluminado do ser?





Oi gente!

Dando continuidade na matéria sobre O QUE É A MENTE retirado do blog 

https://budismopetropolis.wordpress.com/2015/07/21/o-que-e-a-mente/

vamos abordar hoje a diferença entre ilusão (maya) e o estado iluminado do ser.


COMO DIZ UM ANTIGO CONTO ZEN:

"O monge perguntou ao Mestre:

“Como posso sair do Samsara (a Roda de renascimentos e mortes)?”
O Mestre respondeu:
“Quem te colocou nele?“



Vamos refletir sobre isso durante a semana, ok?

Beijos no coração

Namastê
ॐ




A natureza da mente


A verdadeira experiência da natureza essencial da mente está além das palavras. Querer descrevê-la é como a situação de um mudo que quer descrever o sabor de um doce em sua boca: ele não tem um meio adequado de se exprimir. Mesmo assim, gostaria de oferecer algumas ideias que ajudem a esta experiência.

Podemos pensar que a natureza da mente pura tem três aspectos essenciais, complementares e simultâneos: a abertura, a claridade e a sensitividade.

A abertura

A mente é o que pensa, “Eu sou”, “Eu quero”, “Eu não quero”; é o pensador, o observador, o sujeito de todas as experiências. Eu sou a mente. De um ponto de vista, esta mente existe, já que eu sou e eu tenho a capacidade de ação. Se eu quero ver, eu posso ver; se eu quero ouvir, eu posso ouvir; se eu decido fazer algo com minhas mãos, eu posso comandar meu corpo, e assim por diante. Neste sentido, a mente e suas faculdades parecem existir.

Mas se buscarmos por ela, não podemos encontrar qualquer parte dela em nós, nem em nossa cabeça, em nosso corpo ou em qualquer outro lugar. Então, desta outra perspectiva, ela parece não existir. Portanto, de outro lado a mente parece existir, mas por outro lado não é algo que verdadeiramente existe.

Por mais exaustivas que sejam nossas investigações, nunca seremos capazes de encontrar quaisquer características formais da mente: não tem dimensão, nem cor, forma ou qualquer qualidade tangível. É neste sentido que ela é chamada de aberta, porque é essencialmente indeterminada, desqualificada, além do conceito e, assim, comparável ao espaço. Esta natureza indefinível é a abertura que nos faz experienciar a mente como um “Eu” que possui as características que habitualmente atribuímos a nós mesmos.

Mas devemos ter cuidado aqui! Dizer que a mente é aberta como o espaço não é reduzi-la a algo não-existente, no sentido de ser não-funcional. Como o espaço, a mente pura não pode ser localizada, mas é onipresente e permeia tudo; ela abraça e permeia todas as coisas. Acima de tudo, ela está além da mudança e sua natureza aberta é indescritível e atemporal.

A claridade

Apesar da mente ser essencialmente vazia no sentido explicado acima, ela não é apenas aberta ou vazia, porque se fosse, a mente seria inerte e não iria experienciar ou conhecer qualquer coisa, nem sensações, nem alegria ou sofrimento. A mente não é apenas vazia — ela possui uma segunda qualidade essencial, que é a sua capacidade de experiências, de cognição. Esta qualidade dinâmica é chamada de claridade. Ela é tanto a lucidez da inteligência da mente quanto à luminosidade destas experiências.

Para melhorar nossa compreensão da claridade, podemos comparar a abertura da mente ao espaço da sala onde estamos. Este espaço sem forma permite que aconteçam nossas experiências; ele contém a experiência em sua totalidade. É onde a nossa experiência toma o seu lugar. A claridade, então, seria a luz que ilumina a sala e que nos permite reconhecer diferentes coisas. Se houvesse apenas o inerte espaço vazio, não haveria possibilidade de haver consciência. Isto é apenas um exemplo, porque a claridade da mente não é como a luz comum do sol, da lua ou da eletricidade. É a claridade mente que faz possível toda cognição e experiência.

A natureza aberta e luminosa da mente é o que chamamos de “clara luz”; é uma claridade aberta que, no nível da mente pura, está consciente em e por si mesma; é por isso que a chamamos de cognição auto-luminosa ou claridade.

Não há um exemplo verdadeiramente adequado para ilustrar esta claridade no nível puro, mas no nível comum, que podemos relatar mais facilmente, podemos ter uma ideia de alguns de seus aspectos, ao compreender uma das manifestações da mente — o estado do sonho. Vamos dizer que é uma noite escura, e que nesta escuridão estamos sonhando, ou experienciando um mundo do sonho. O espaço mental onde o sonho acontece, independente do lugar físico onde estamos, poderia ser comparado à abertura da mente, enquanto sua capacidade de experienciar, apesar da escuridão externa, corresponde à sua claridade. Esta lucidez abarca todo conhecimento da mente e é a claridade inerente nestas experiências. É também a lucidez do que ou quem as experiência; o conhecedor e o conhecido, a lucidez e a claridade, nada mais são do que duas facetas da mesma qualidade. A inteligência que experiência o sonho é a lucidez, e a claridade presente em suas experiências é a sua luminosidade; mas no nível não-dual da mente pura, é apenas uma e mesma qualidade, a “claridade”, chamada de prabhasvara em sânscrito, ou de selwa em tibetano. Este exemplo pode ser útil para o entendimento, mas tenha em mente que isto é apenas uma ilustração, mostrando um nível manifestação particular da claridade em um nível habitual. 

No exemplo, há uma diferença entre a lucidez o conhecedor e a luminosidade das experiências do sujeito, porque o sonho é uma experiência dualista, diferenciada em termos de sujeito e objeto, na qual a claridade se manifesta de uma vez, na consciência ou lucidez do sujeito e na luminosidade de seus objetos. De fato, o exemplo é limitado, pois fundamentalmente não há dualidade nas mentes puras: é a mesma qualidade da claridade que é essencialmente não-dual.

Sensitividade

Para uma descrição completa da mente pura, um terceiro aspecto deve ser adicionado às duas primeiras qualidades já discutidas; é a sensitividade, ou desimpedimento. A claridade da mente é a sua capacidade de experienciar; tudo pode surgir na mente, então suas possibilidades de consciência ou inteligência são ilimitadas. O termo tibetano que designa esta qualidade literalmente significa “ausência de impedimento”. Esta é a liberdade da mente experienciar sem obstrução. No nível puro, estas experiências têm as qualidades da iluminação. No nível condicionado, elas são as percepções da mente de cada coisa como sendo isto ou aquilo; ou seja, é a habilidade de distinguir, perceber e conceber todas as coisas.

Voltando ao exemplo do sonho, a qualidade inerente de sensitividade da mente seria, por causa de sua abertura e claridade, a sua habilidade de experienciar a multiplicidade de aspectos do sonho, tanto as percepções do sujeito sonhador quanto as experiências do mundo sonhado. A claridade é o que permite surgir as experiências, enquanto a sensitividade é a totalidade de todos os aspectos distintamente experienciados.

Esta sensitividade corresponde, no nível habitual e dualista, a todos os tipos de pensamentos e emoções que surgem na mente e, no nível puro da mente de um buddha, à sabedoria ou qualidades iluminadas colocadas em prática para ajudar os seres.

Então, a mente pura pode ser compreendida assim: em essência, é aberta; em natureza, é clara; e em todos os seus aspectos, é uma sensitividade desimpedida. 

Estas três facetas, a abertura, a claridade e a sensitividade, não estão separadas, mas são concomitantes. Elas são as qualidades simultâneas e complementares da mente desperta.

No nível puro, estas qualidades são o estado de buddha; no nível impuro da ignorância e da ilusão, eles se tornam todos os estados da consciência condicionada, todas as experiências do samsara. Mas não importa se a mente é iluminada ou iludida, nada há além dela, e ela é essencialmente a mesma em todos os seres, humanos ou não-humanos.

 A natureza de buddha, com todos os seus poderes e qualidades iluminadas, está presente em cada ser. Todas as qualidades do buddha estão em nossas mentes, porém veladas e obscurecidas, assim como uma vidraça é naturalmente transparente e translúcida, mas fica opaca pela densa camada de sujeira.

A purificação, ou remoção destas impurezas, permite que todas as qualidades iluminadas presentes na mente sejam reveladas. Realmente, nossa mente tem pouca liberdade e poucas qualidades positivas porque ela é condicionada pelo nosso karma, pelas marcas habituais do passado. Pouco a pouco, porém, as práticas do Dharma e de meditação livram a mente e a desperta para todas as qualidades de um buddha.

Uma breve meditação

Neste ponto, provavelmente ajudaria fazer uma curta prática experimental, uma meditação para tentar melhorar nossa compreensão sobre tudo isso.

A PRATICA:

Sentando confortavelmente, vamos deixar a mente descansar em seu estado natural. Relaxamos a nós mesmos, nossas tensões, e permanecemos sem tensão, sem qualquer intenção em particular, sem artifícios… Soltamos nossa mente e permitimos que ela fique aberta, como o espaço… Espaçosa, a mente permanece clara e lúcida… Relaxada, solta, a mente permanece transparente e luminosa… Não mantemos nossa mente encerrada em nós mesmos… Ela não está confinada em nossa cabeça, em nosso corpo, no ambiente ou em qualquer lugar. Relaxada, ela é vasta como o espaço que abarca tudo… Ela abarca tudo, todo o mundo e todo o universo. Ela permeia nosso mundo inteiro. Permanecemos descansados, relaxados, neste estado de abertura, ilimitado, totalmente lúcido e transparente.

A abertura e a transparência da mente, similares ao espaço infinito, são sinais do que temos chamado de abertura. Sua consciência livre e clara é o que temos chamado de claridade.

Há também a sua sensitividade, que é a capacidade da mente experienciar tudo em uma desimpedida consciência de pessoas, de lugares e de todas as outras coisas. A mente pode conhecer todas estas coisas e pode reconhecê-las distintamente.

Mais uma vez, sem orientar “a mente” — o sujeito-conhecedor — para fora nem para dentro, permanecemos como estivermos, à vontade e relaxados… Sem afundar num estado de indiferença ou estagnação mental, nossa mente permanece alerta e vigilante… 

Neste estado,a mente é aberta e desengajada. Isto é a abertura… Na consciência lúcida está a sua claridade… Todos os aspectos que conhece, distinta e desimpedidamente, são a sua sensitividade.

Um obstáculo importante surge como resultado de habitualmente confinarmos a mente ao corpo, que percebemos como sendo o nosso corpo; nos identificamos com este corpo, nos fixamos nele e nos encerramos nele. Para neutralizar isto, é importante relaxar toda tensão, toda inquietação. Tensa e inquieta, a mente fica presa. Estas tensões terminarão causando dores físicas e de cabeça.

Deixe a mente permanecer descansada em sua vastidão lúcida, aberta e relaxada.

Podemos começar a meditar deste modo, mas é fundamental continuar a prática sob a direção de um guia qualificado, que nos conduzirá no caminho correto. Com a ajuda dele ou dela, podemos realizar a vacuidade da mente, dos pensamentos e das emoções, o que é o melhor de todos os métodos de nos livrarmos da ilusão e do sofrimento.

Reconhecer a natureza das emoções negativas permite que elas sejam liberadas; é portanto essencial aprender a reconhecer sua vacuidade assim que elas surgirem. Se permanecermos ignorantes de sua natureza vazia, elas nos carregarão em sua torrente, nos escravizando e subjugando. Elas têm controle sobre nós porque atribuímos a elas uma realidade que, na verdade, elas não têm. Se realizarmos sua vacuidade, então o seu poder alienador e o sofrimento que eles causam irão desaparecer.

Esta habilidade de reconhecer a natureza aberta e vazia da mente e de todas as suas produções, projeções, pensamentos e emoções é a panacéia, o remédio universal que, em e por si mesmo, cura toda ilusão, toda emoção negativa e todo sofrimento.

Nossa mente pode ser comparada a uma mão que está atada ou amarrada; neste caso, a mente está presa pela representação de nosso “eu”, “ego” ou “self”, assim como pelos conceitos e fixações que pertencem a esta ideia. Pouco a pouco, a prática do Dharma elimina estas fixações e conceitos auto-estimadores e, assim como uma mão desatada pode se abrir, a mente se abre e ganha todos os tipos de possibilidades de atividade. Ela então descobre muitas qualidades e habilidades, como a mão livre de suas amarras. As qualidades que são reveladas são aquelas da iluminação, da mente pura.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Superinteressante Meditação: O REBELDE INTROSPECTIVO



Oi gente!

Não morri não rs...é que tive muito trabalho e alguns contratempos essa semana, o que gerou todo esse atraso, ok? Dando continuidade aos posts das Terças, hoje iremos falar um pouco da história do príncipe Sidharta Gautama - o BUDA, aquele que despertou.

Pessoal, digo com toda convicção que é quase um "dever" sabermos de sua história, até mesmo por que, a partir dela iremos entender muitas das coisas desse longo caminho do auto conhecimento, da meditação e do yoga.

Bom, mas não vou falar mais não e vou deixar vocês tirarem suas próprias conclusões ao lerem mais um tópico dessa edição top da revista.

Beijos no coração,

Namastê

_____ॐ_____

O REBELDE INTROSPECTIVO
Uma rigorosa rotina de meditação
transformou o príncipe Sidarta em BUDA,
dando origem a uma das quatro maiores religiões do mundo



A personalidade do filho tirava o sono do rei dos Sakyas. O rajá Sudodana temia que o príncipe Sidarta Gautama fosse seduzido por outro rumo que não a sucessão do trono. Por isso, proibiu o filho de deixar o castelo. Um dia, porém, Sidarta descumpriu a ordem e foi até a cidade acompanhado pelo amigo e fiel escudeiro Chandaka. Em Kapilavatsu, capital do reino, localizada entre a Índia e o Nepal, ele se deparou com imagens chocantes - os budistas as chamam de Os Quatro Sinais. Primeiro Sidarta viu um velho corcunda, de pele encarquilhada, arrastando-se pela rua. Em seguida, ele encontrou um homem doente, com o rosto crivado por úlceras. O terceiro sinal foi um cortejo fúnebre, seguido por uma multidão chorosa.

As três cenas introduziram Sidarta, respectivamente, à velhice, à doença e à morte - chagas inevitáveis da condição humana. Por fim, no quarto sinal, o príncipe avistou um sadhu, espécie de monge mendicante, pedindo comida. Apesar de maltrapilho, o indigente emanava tranquilidade e possuía um raro brilho no olhar. Sidarta foi acometido por uma epifania.

Aquele homem não possuía casa, comida ou dinheiro e ostentava um rosto tomado por um tipo de alegria que o príncipe não identificava em ninguém à sua volta.

Da revelação, Sidarta depreendeu que o antídoto para as vicissitudes dos seres não estava nos prazeres materiais, mas, sim, no desapego aos desejos e sensações físicas. Foi quando o pesadelo do pai virou realidade.

O impacto daquela experiência fez Sidarta abdicar da realeza e abraçar o caminho espiritual, partindo para a floresta onde os sadhus costumavam viver. O príncipe despiu-se de suas vestes e as entregou a Chandaka, pedindo-lhe que as devolvesse ao pai. Depois, raspou a cabeça e se cobriu com uma túnica amarela, a indumentária característica dos monges eremitas da Índia antiga. O herdeiro do trono dos Sakyas tinha 29 anos quando decidiu deixar para trás a mulher, o filho recém - nascido e os luxos da corte para se tornar peregrino na floresta de Kapilavatsu em busca de aprimoramento espiritual.

O rajá Sudodana sempre suspeitou que seu filho fosse aprontar. Quando o príncipe nasceu, em 563 a.C., o vidente e astrólogo Asita compareceu às festividades realizadas no palácio de Lumbini, no sul do Nepal. Ao avistar o menino, Asita se comoveu: a criança teria a aura característica de quem encarna com potencial para tornar-se um ser iluminado - buddha, em sânscrito, a língua ancestral falada no sudeste da Ásia. O termo Buda não se refere exatamente a um deus, mas a um estado de consciência. Quem atinge essa condição superior compreende a verdadeira essência da vida - e, portanto pode ensiná-la aos homens. Segundo algumas correntes dessa filosofia, os Budas surgem para ensinar o dharma em sânscrito, algo como Lei ou Ética Universa quando esse conceito já parece esquecido.


Reza a lenda que Asita chorou porque havia esperado desde sempre pelo aparecimento de alguém com essa capacidade, mas não viveria o suficiente para vé-lo em ação. O velho místico, então, profetizou dois destinos possíveis para o príncipe. Se ficasse no palácio após a juventude, Sidarta se transformaria num soberano perfeito e governaria o mundo. 

Mas, caso optasse pela senda espiritual, ele viraria um homem santo e libertaria a humanidade do sofrimento. A previsão era, ao mesmo tempo fantástica e perigosa para Sudodana. Ou o filho colocaria o clã dos Sakyas no comando do planeta ou abdicaria do trono e sairia perambulando por aí. A mente do monarca logo maquinou as providências necessárias para que a primeira opção fosse a única viável. Isso significava moldar o gosto do príncipe pela vida palaciana e, acima de tudo, mantê-lo alheio à dor e às penúrias das pessoas comuns. Mesmo com todo o esforço de Sudodana, Sidarta não ficou imune aos desgostos da existência. A começar pela morte da mãe, Mahamaya, uma semana após o seu nascimento. Quem o criou foi Mahaprajapati, irmã mais nova de Maya e também esposa do rei. Mas o pai fez o possível para afastar o filho do sofrimento

Os Sakyas possuíam três castelos, e Sidarta passou a maior parte da infância e da juventude dentro dessas fortalezas. Além disso, quando saía de lá, era apresentado a um mundo cenográfico. Antes das raras incursões públicas da família real, o rajá ordenava a retirada de velhos,  mendigos e doentes das ruas. Tudo deveria ser limpo, festivo e perfeito aos olhos do príncipe. Mais tarde, a adolescência de Sidarta foi marcada  por  uma maratona de orgias, jogos e delícias mundanas. Ornamentado com peças de arte erótica, o quarto do garoto recebia uma romaria  interminável de beldades arregimentadas pelo rei para entreter o filho. Aos 16 anos,Sidarta casou-se com sua prima, a bela Yasodhara, com quem  teve seu único filho, Rahula.
MERGULHO NA FLORESTA Apesar dos inúmeros prazeres e facilidades, as escrituras budistas dizem que o príncipe era um jovem introspetivo. Vem daí a alcunha Sakyamuni - o sábio silencioso dos Sakyas -, uma das formas como Sidarta ficou conhecido. Por isso, a revelação espiritual do príncipe não foi uma surpresa.

Depois de enxergar Os Quatro Sinais, viver a epifania e fugir do palácio, Sidarta caminhou  pelas florestas e adquiriu os hábitos dos gurus que viviam na periferia da capital. O principal deles era a meditação. 
A NOBRE CARTILHA
DA ILUMINAÇÃO
INSPIRADO NOS ENSINAMENTOS DO PRÍNCIPE INDIANO SIDARTA GAUTAMA (563A.C. - 483 A.C.), O BUDISMO É UMA MESCLA DE RELIGIÃO E FILOSOFIA
DE VIDA QUE BUSCA NOS LIBERTAR DO SOFRIMENTO HUMANO POR MEIO DA ELEVAÇÃO DA CONSCIÊNCIA.
E A MEDITAÇÃO TEM TUDO A VER COM ISSO

É aqui que a prática e o praticante - no caso, Sidarta - passam a se confundir. O príncipe recebeu ensinamentos de dois mestres iogues. Com eles, aprendeu que a meditação pretende pacificar as turbulências da mente e, assim, permitir um ancoramento do ser num ponto cada vez mais central e inabalável de seu interior, onde reside a sapiência completa que o livrará da ignorância imunizará de qualquer influência externa. Por meio das técnicas, alcançou avançados estágios de consciência - mas não chegou à iluminação. Ainda lhe faltava ir mais longe e estabelecer domínio total dos sentidos.

TRONCO SAGRADO
A figueira onde Sidarta Gautama atingiu o estágio superior de consciência passou a ser conhecida como árvore bodhi - ou árvore da iluminação. Uma de suas mudas deu origem à árvore que hoje está plantada em frente ao templo Mahabodhi, na cidade indiana de Bodhigaya - um dos principais pontos de peregrinação dos budistas
Os ascetas, místicos que optam pela abstenção dos prazeres físicos, pregam a automortificação para conseguir isso. Além de meditarem de modo intermitente, eles se dedicam a prolongados jejuns, a fim de purificar o corpo para facilitar a elevação da alma. Sidarta uniu-se a um grupo de ascetas hindus e, com eles, permaneceu durante seis anos, adotando uma dieta rígida - a ponto de comer a cada duas semanas e se alimentar com apenas um grão de arroz por dia.
 O resultado? Esquálido, Sidarta não conseguia evoluir em suas práticas meditativas devido à inanição. No auge da fraqueza, ele viu um barqueiro passando pelo rio Nairanjana.
O homem possuía um alaúde em mãos e explicava a melhor maneira de afinar o instrumento:

"Se apertarmos muito a corda, ela arrebentará. Se a afrouxarmos demais, ela não tocará". Os estados mentais elevados, conferidos pela meditação, haviam despertado em Sidarta um senso
de compreensão superior sobre as coisas. Essa condição é éhamada de vipashyana e refere-se
aos insights advindos do processo de introspecção (como veremos entre as páginas 40 e 41).

A frase do barqueiro fez Sidarta identificar o seu erro. Na busca pela ascensão espiritual, o príncipe fora de um extremo ao outro: saíra da opulência dos castelos para a completa abstenção
de recursos, sem éhegar aonde queria. A postura correta, ele percebeu, não estava nos opostos, mas na moderação. É o que os budistas definem como o Caminho do Meio. Depois de entender isso, Sidarta aceitou um pote de leite oferecido por uma menina e abandonou os ascetas.

INTENSIVÃO Em caminhada pelas margens do rio Nairanjana, no nordeste da Índia, o príncipe peregrino avistou uma figueira e se recostou para meditar. Sentado sob a copa da árvore, ele
prometia não se mover até encontrar a Suprema Sabedoria - praj1'ia, em sânscrito. O conceito de prajna não deriva dos conhecimentos adquiridos por alguém em livros nem se refere a um exercício lógico ou racional. Esse é um saber que ultrapassa as capacidades da mente comum e está ligado à Mente Universal - algo como o princípio criador de tudo, a Alma Cósmica, a fonte primordial ou, vá lá, Deus. Quem compreende prajna torna-se único com essa força geradora das coisas e conhece a verdade fundamental da vida. A tradição budista éhama a isso de nirvana - uma condição de máxima liberdade, na qual os sofrimentos (dukkha) se extinguem, e o adepto atinge a iluminação. Por isso, prajnaé considerada a mãe de todos os Budas.

Aos 35 anos, ele ainda não havia alcançado tal nível, mas carregava em seu íntimo a ânsia incontida de obtê-Io. A origem dessa persistência continha a principal coordenada para que ele chegasse lá. Assim, cruzou as pernas em posição de lótus, fechou os olhos e iniciou uma
viagem silenciosa com destino às profundezas de si mesmo. O ano era 528 a.C.

Na mitologia do Sudeste Asiático, há um inimigo ferrenho de todo o candidato à iluminação: Mara Devaputra, o demônio que governa o reino das ilusões. Para chegar à sabedoria plena é necessário abandonar os territórios de Mara, mas esse demônio não costuma nos deixar escalar os seus muros com facilidade. Durante os 49 dias em que ficou meditando no tronco da árvore - algumas fontes falam em sete dias e sete noites -, Sidarta Gautama travou uma árdua batalha com os enviados de Mara. Esse exército é formado por medos, tentações, dúvidas, cobiças, ignorância, entre outras imperfeições.

A rigor, Mara é parecido com o conceito de Ego, descrito pelo psicanalista Sigmund Freud como a parte consciente da mente. Para os budistas, o apego à personalidade e ao conceito de Eu senhor e escravo da mente, pavimenta o sofrimento humano e leva uma alma a criar os karmas (ações) que a mantêm presa à Roda de Samsara (ciclo de reencarnações)
até serem expiados por completo. Ao mergulhar rumo ao cerne da consciência, por meio da
meditação e de uma conduta de vida correta, o praticante pode reconhecer o seu eu imutável - a tal Mente Suprema - e aprender a lidar com os truques de sua identidade impermanente e superficial. Em maio de 528 a.C., numa noite de lua Cheia, Sidarta Gautama conseguiu isso.

O DESPERTO Algumas fontes dizem que, ao transcender a própria mente, Sidarta atingiu um estado de onisciência, compreendendo todas as tramas que sustentam a existência humana. Ele também teria descoberto as suas encarnações anteriores e se reconhecido como a continuação de uma linhagem de iluminados.

A partir de então, Sidarta passou a se apresentar como Buda - O Desperto - e iniciou sua senda de ensinamentos.

Ele não foi o primeiro. Mesmo antes de existir uma religião budista, outros Budas cruzaram a Terra - as versões variam de seis a 1002, mas a origem e as identidades deles se perderam no tempo. Ao contrário dos outros, Sidarta teve o talento para cravar seu nome da história.


Nos 45 anos seguintes, o Buda Gautama dedicou -se a disseminar uma filosofia que contrastava com as religiões vigentes na sociedade hinduísta, cujos saberes espirituais cabiam apenas à casta dos sacerdotes (brâmanes) - um conceito ainda hoje em voga na Índia, embora o sistema
de divisões tenha sido oficialmente abolido pelo país em 1950. Ele pregou uma humildade espantosa: foi o único líder espiritual das grandes religiões que se dizia um homem 100% comum. Alcançou a sabedoria apenas por esforço pessoal, e não porque tivesse superpoderes, como cacife para falar com Deus. Aos 80 anos, morreu vítima de uma disenteria, em Kushinagar, no NepaI. "Que cada um seja uma lâmpada de si mesmo" , disse Sidarta antes de falecer.

A frase resume um dos principais ensinamentos do budismo, a quarta maior religião do mundo, com 500 milhões de adeptos: E essa luz interna começa a se acender justamente quando
fechamos os olhos e respiramos fundo.

Ver Mais:

Buda - Superação do Ego e a Iluminação