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terça-feira, 23 de maio de 2017

Superinteressante MEDITAÇÃO: Brincadeira da Mente


Oi genteeeeee,

Hoje trago o último post da Revista Superinteressantes Especial MEDITAÇÃO, foram meses especiais postando todas as Terça-Feira artigos dessa Edição tão bacana!

Bom, então para fecharmos com chave de ouro, coloco abaixo o último post e no final um vídeo especial falando sobre como a meditação vem ajudando a lidar com meu filho.

Um beijo enorme no coração de todos vocês.

Namastê
  ॐ



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terça-feira, 16 de maio de 2017

Superinteressante MEDITAÇÃO: Lição de Transcendência



O horário do recreio transcorria normalmente numa escola de ensino fundamental dos Estados Unidos. De repente, duas garotas começaram uma discussão nos corredores. Uma delas sofria bullying por causa de suas roupas - e costumava reagir às brincadeiras de mau gosto socando a cara do piadista da vez. 

Ela ergueu a colega pelo colarinho e parecia prestes a quebrar lhe os dentes. A menina, então, olhou no fundo dos olhos da rival e disse: "Para a sua sorte, eu faço meditação". Em seguida, soltou a colega, sentou -se na escada. fechou os olhos e iniciou um exercício de respiração. A cena parece tirada de um filme da Sessão da Tarde, mas aconteceu de fato na escola Robert W. Colleman, de Baltirnore, no Estado de Maryland. Lá, a rede de ensino público implemento programas de meditação para aprimorar a mente dos alunos. A técnica também é utilizada como ferramenta de acolhimento em casos de mau comportamento.

Algumas das escolas locais chegaram a abolir as salas de detenção, onde alunos são enviados quando matam aula, brigam e perturbam o ambiente, e as substituíram por espaços reservados ao mindfulness.

O projeto foi idealizado pela Holistic Life Foundation (HLF) , uma instituição sem fins lucrativos dedicada a incrementar a qualidade de vida por meio de ioga e meditação. Chamado de Holistic Me After Séhool ("Me torne holístico depois da escola"), o programa existe há 15 anos e abrange diversas atividades, como música, artes e esportes, embora os exercícios de relaxamento e respiração sejam o item fundamental. "Notamos uma transformação em nossas vidas a partir da meditação e queríamos levar esses benefícios a outras pessoas" , explica Andres Gonzalez, diretor de marketing e cofundador da HLF. "Então. pensamos em começar com os mais jovens."
O objetivo da ação é tornar as crianças mais conscientes dos seus pensamentos e emoções. Assim, elas podem gerir o stress e a raiva de um jeito saudável.

“É a minha história favorita”, confessa Gonzales, que testemunhou a cena em 2009. A proposta contempla, em sua maioria, estudantes entre 5 e 11 anos, faixa etária que tende a provocar um pequeno caos em aula.

É difícil imaginá-los quietos por alguns minutos para se concentrar na própria respiração. Mas, os pequenos surpreendem. “ As crianças são naturalmente presentes. Suas mentes não oscilam tanto entre o passado e o futuro”, diz Alexandre Lopes, instrutor de yoga e meditação da Arte de Viver, uma organização internacional que já ministrou cursos sobre técnicas em mais de 60 escolas brasileiras.

A escola Robert W Colleman, por exemplo, coloca a meninada para meditar duas vezes por dia. É o chamado Mindfull Moment. Às 08he às 14h, uma gravação é emitida pelos alto- falantes e induz os alunos a observarem os seus próprios pensamentos. "Utilizamos principalmente exercícios de respiração e de incentivo ao afeto mútuo", conta Gonzalez. As sessões de mindfulness duram 15 minutos e são monitoradas pela equipe da HLF. Há até uma competição entre as salas para saber quem medita com mais afinco. Os professores dão notas pelo engajamento na atividade, e a escola premia as melhores classes com um troféu.

Alguns dos alunos mais destacados se tornam "embaixadores" da prática. "Eles se voluntariam para ajudar a envolver os colegas durante os exercícios", relata Gonzalez. Além das pílulas de meditação, a Robert W Colleman oferece três aulas de ioga por dia na biblioteca. Cada uma das 15 turmas frequenta uma dessas sessões por semana.

SALINHA DA CONSCIÊNCIA        A abordagem adotada pela escola também inclui a meditação sem hora marcada, realizada no Mindfull Moment Room, a antiga sala de detenção da escola. Depois de uma briga ou de uma discussão acalorada, as crianças são recepcionadas por um profissional treinado pela HLF e passam por uma sessão de terapia meditativa de aproximadamente 20 minutos.
Elas são orientadas a pensar no fato ou na emoção que as levou até ali e realizam exercícios de respiração e relaxamento - uma espécie de reset mental para continuar o dia.

Os próprios estudantes podem procurar o "Quartinho da Calma" caso não se sintam bem.
Para otirnizar o processo, os mentores da HLF realizam uma ronda pelas salas no início do dia
e conferem se algum aluno está apresentando alterações de comportamento ou necessita de
apoio. A parceria da HLF com a escola começou em 2008, mas a introdução da sala de meditação ocorreu em 2013. De lá para cá, a Instituição registrou cerca de 400 atendimentos no local. Essa nova abordagem derrubou a incidência de suspensões: de quatro por ano para zero.

Já na Patterson High School, outra das escolas de Baltimore que adotaram o Mindfull Moment Room, o número de alunos afastados devido ao envolvimento em brigas diminuiu de 49
para 23 entre 2013 e 2014. No mesmo período, as punições para estudantes pegos perambulando pelos corredores em horário de aula passaram de 62 para 35. "A introspecção e o diálogo interior permitem fazer melhores escolhas e influenciam o processo decisório, refletindo no comportamento", justifica a especialista em neuropsicologia Regina Migliori, idealizadora do MindEduca. Aplicado em escolas de Campinas Belo Horizonte e Vitória, o programa associa o mindfulness a conhecimentos neurocientíficos e técnicas de desenvolvimento humano.

TENDÊNCIA MUNDIAL  Nos últimos anos, os Estados Unidos têm presenciado um crescimento das práticas de meditação nas escolas.
E com bons resultados. A  Visitacion Valley Middle School, de San Francisco, introduziu o programa Quiet Time para alunos da 5a à 12" séries em 2007. O projeto é coordenado pelo Centro para o Bem - EStar e Desempenho Educacional (CWAE, na sigla em inglês). urna organização sem fins lucrativos da Califórnia.

Até então, o colégio convivia com altos índices de abstenção e episódios de violência entre os estudantes. Logo no primeiro ano da iniciativa a Visit Valley viu sua média de suspensões despencar 45%. Esse percentual recuou 79% desde então. Os alunos também apareceram entre os mais felizes de San Francisco na pesquisa anual de saúde infantil da Califórnia, desenvolvida pelo instituto WeStEd. De acordo com um levantamento feito pela CWAE os benefícios também atingem professores e administradores escolares envolvidos em programas de meditação estudantil: os níveis de depressão, ansiedade e raiva nesses profissionais são menores.

O trabalho de instituições dedicadas à meditação para crianças também tem crescido em outros países, como no Reino Unido, onde o Mindfullness in Schools Projeét busca disseminar a prática entre pais e professores desde 2009. No Brasil, o movimento igualmente vem ganhando força. Uma das principais organizações voltadas a esse fim é a Mahatma Meditação Paz, fundada pela psiquiatra indiana Anmol Mora.

MUITO ALÉM DOS TEMPLOS     Inspirada nos mantras da meditação transcendental, Anmol criou um programa pautado pela repetição de sete afirmações positivas - como "Eu estou em paz" e "Minha escola está em paz" -, que devem ser proferidas ou mentalizadas antes das aulas. O método é distribuído por meio de um kit gratuito, contendo orientações aos professores e um CD com músicas compostas para facilitar a assimilação por crianças menores de 6 anos. "O aumento do bullying e dos diagnósticos de hiperatividade e déficit de atenção na infância me estimularam a promover uma técnica que trago comigo desde a ancestralidade" , conta Anmol, filha de um físico quântico e de uma professora de ioga e de sânscrito. Iniciado em 2011, o projeto Mahatma Meditação Paz nas Escolas já chegou a 42 mil crianças e está presente em praticamente todos os Estados brasileiros, além de escolas em Portugal e na Espanha.

Outro projeto tupiniquim é a Meditação Laica Educacional, criada pela psicóloga e educadora física Claudiah Rato. Praticante desde 1989, Claudiah decidiu ensinar a técnica quando percebeu o stress psicológico vivido pelas crianças na transição para a adolescência. Para distensionar a turma, a professora desenvolveu exercícios com foco em relaxamento, concentração e transcendência do pensamento.

Em seu método, Claudiah procura ressaltar a independência da meditação em relação a sistemas religiosos ou filosóficos. "Trata -se de uma prática orgânica pensada como estratégia pedagógica para o auto conhecimento e a educação emocional", garante. A Holistif Life Foundation adota a mesma precaução. "Sempre reforçamos o nosso caráter secular. Não ensinamos nenhum tipo de religião" , sublinha Andres Gonzalez.

Essa possível confusão acerca do tema surge como um dos entraves enfrentados pela meditação para se consolidar como um recurso válido no sistema educacional. "Os pais costumam questionar isso. Porém, depois de esclarecida a ausência do vínculo religioso, o retorno vindo das famílias é muito positivo", diz a educadora física Rosângela Martins, coordenadora do projeto Volta ao Centro, realizado na Escola Lupércio Belarmino da Silva, em Florianópolis. O programa mescla a abordagem preconizada pela psiquiatra Anmol Mora com as técnicas do Movimento Yoga na Educação, elaborado na França.

Vale ressaltar, ainda, uma questão referente aos cuidados pedagógicos exigidos para o trabalho com
crianças e adolescentes. "Não se pode garantir que um praticante de meditação, mesmo avançado, saiba conduzir a técnica dentro de uma escola, respeitando os preceitos necessários", pontua Claudiah Rato. Nesse sentido, o método elaborado por ela é direcionado à capacitação e certificação de professores, com base em uma didática particular para o aprendizado da meditação em sala de aula. "Meditar é uma habilidade humana que deve ser desenvolvida na escola, como a leitura e a escrita."

FREIO NOS IMPULSOS     A ciência tem se interessado pelo ensino da meditação em escolas.
Os benefícios, em geral, se assemelham àqueles costumeiramente relatados pelos adultos como redução de stress, aumento da concentração, maior controle sobre a impulsividade e desenvolvimento da empatia em relação ao próximo. "As crianças ganham autoestima e ficam mais compassivas, além de aprenderem a resolver os conflitos de forma pacífica", complementa Andres Gonzalez, da Holistic Life Foundation.

A Universidade Davis, da Califórnia, realizou uma pesquisa com três escolas da cidade de Oakland que aplicaram um programa criado pela Mindful Schools, outra organização dedicada ao ensino da meditação em instituições educacionais nos EUA. Entre os professores entrevistados, 84% afirmaram que os alunos se acalmaram mais facilmente após terem contato com a prática. Já entre os estudantes, 61% relataram maior foco nas aulas.

A cineasta norte-americana Julie Bayer se surpreendeu ao ouvir o filho de 5 anos conversando com um amiguinho sobre como a respiração profunda afetava o cérebro e acalmava as pessoas. Ele havia aprendido em aulas de meditação realizadas na Citizens of the World Charter School (CWCS), escola primária da Califórnia. "Mesmo praticando meditação há anos, jamais havia pensado em ensiná-lo e sequer sabia que ele havia aprendido na escola", conta Julie. A naturalidade dos meninos para tratar o assunto inspirou Julie e o marido, Josh Salzman, a criarem o documentá rio Just Breathe ("Apenas respire"). Disponível no YouTube, o filme tem quatro minutos e mostra diversas crianças da CWCS contando como lidam com a raiva e a depressão por meio das práticas de atenção plena. O curta, lançado em 2014, ganhou notoriedade após ser apresentado no programa de Oprah Winfrey e foi traduzido para seis idiomas. Em breve, será utilizado no treinamento de pessoas em centros de detenção juvenil de Nova York. Mudanças como essas também são notadas em solo brasileiro. "Recebemos inúmeros depoimentos de pais e professores indicando que as crianças se mostram mais relaxadas e concentradas. O desempenho e o clima escolar também melhoram consideravelmente" , relata a psiquiatra Amnol Mora, da Mahatma Meditação. Além das vantagens de curto prazo, a eficácia da meditação pode ser ainda mais significativa para as crianças ao longo da vida. Isso estaria diretamente relacionado ao incremento da neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se adaptar aos estímulos externos.

O grupo de Neuropsicologia Clínica da PUCRS identificou sinais disso em um estudo rea- lizado em 2014, com alunos do 5° ano de escolas públicas de Porto Alegre e de Gramado (RS).

Durante três meses, alguns estudantes praticaram 5 minutos diários de meditação, seguindo o método da Mahatma Meditação Paz. As crianças analisadas mostraram melhores avanços em funções cognitivas, como planejamento e velocidade de processamento de conteúdos, na comparação com aquelas que não meditaram. "Isso sugere a formação de uma reserva cognitiva. Ou seja, uma cognição extra para quando houver maior demanda mental", explica a neuropsicóloga Rochele Fonseca, integrante do projeto. "Há regiões e conexões cerebrais pré- prontas para assumirem algumas funções, mas elas precisam de um empurrãozinho." A meditação daria esse impulso.

A Universidade da Califórnia encontrou resultados semelhantes. Em 2012, um estudo coordenado pelo Laboratório de euroimagem da instituição deteétou uma relação entre o tempo de meditação e a quantidade de dobras do córtex cerebral. A pesquisa reuniu 50 praticantes. Aqueles que meditavam havia mais tempo apresentaram um cérebro com número maior de sulcos na superfície. Ou seja, a prática pode ter causado essas modificações físicas. Em tese, as rugas do córtex facilitariam a comunicação entre os neurônios e, por consequência, aprimorariam o aprendizado, a atenção e a memória.

"A consistência das evidências neurocientíficas e o mapeamento dos resultados positivos fortalecem a necessidade da adoção dessas novas metodologias no processo educativo" , acredita Regina Migliori, do MindEduca.

As técnicas de concentração também podem ser úteis para atenuar os sintomas de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Em 2007, a revista científica Child Psyéhology Clinical and Psyéhiatry publicou uma pesquisa, conduzida por médicos australianos, com 48 crianças portadoras de TDAH. Elas se submeteram a um programa que associava a medicação a práticas meditativas regulares em casa, realizadas junto com os pais. Ao término da análise, os participantes relataram uma diminuição de aproximadamente 35% dos sintomas. Além disso, seis crianças abandonaram os remédios e outras 12 cortaram a dosagem pela metade. "Com tantas atividades e informações, as crianças estão ficando ansiosas e deprimidas.

A meditação traz a mente delas para o estado natural novamente", explica Alexandre Lopes, da Arte de Viver. Já os pais que integraram o estudo, acompanhado pelo Prince ofWales Hospital, de Sidney, se sentiram mais felizes e capazes de controlar o comportamento de seus filhos.

FAMÍLIA ZEN         Transformar a meditação num costume familiar pode ser mesmo um ótimo caminho para estreitar as relações em casa. Uma pesquisa coordenada pela Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, reuniu 18 duplas de pais e filhos entre 9 e 13 anos para um programa de redução do stress familiar por meio do mindfulness.

Antes e depois do curso, os pais foram submetidos a exames de ressonância magnética cerebral. O grupo analisado apresentou aumento na atividade neural das áreas relacionadas à consciência emocional e à empatia. Essa modificação foi notada pelos filhos, especialmente os menores. As crianças afirmaram que os pais passaram a prestar mais atenção nelas depois do programa.
Ainda assim, quem pretende ensinar a técnica aos filhos deve tomar precauções. "O ideal é começar aos poucos e respeitar o tempo deles.

Algumas crianças podem achar diferente no início, mas a repetição diária acaba transformando num hábito natural, como escovar os dentes", explica Camila Fernandes, instrutora de ioga especializada em meditação, criadora do método Infância Zen - um programa pensado para quem deseja iniciar os pimpolhos nessa prática. O próprio exemplo das escolas de Baltimore pode ser adaptado dentro de casa para aquelas horas em que um puxão de orelha parece ser a única alternativa. "Fazer a criança respirar e se acomodar em um ambiente mais tranquilo e seguro permitirá que ela reflita e busque o seu ponto de equilíbrio", sugere a professora Rosângela, da escola Lupércio Silva. Os especialistas se empolgam e acreditam que essas iniciativas podem ajudar a construir uma sociedade mais harmonizada e pacífica dentro de 10 ou 20 anos. "Como disse o Dalai Lama, se ensinarmos meditação a cada criança de 8 anos, eliminaremos a violência no mundo dentro de uma geração" , cita Andres Gonzalez, da HLF. Sendo assim, pulmõezinhos à obra.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Superinteressante MEDITAÇÃO - o Atleta Blindado




Os desafios de um esporte de resistência como a maratona aquática são os mais diversos. Além dos adversários, os atletas enfrentam a temperatura da água, as condições climáticas do dia, a correnteza de onde é realizada a prova, o Michel Teló ... Pois é, o Miéhel Teló. "É comum levar para dentro da água uma musiquinha boba que gruda da cabeça e vai te importunar por toda a prova. E, poxa, é horrível!" , conta o• atleta Matheus Evangelísta, quinto melhor nadador do mundo em águas abertas pela Federação Internacional de Natação.

Se já é difícil realizar uma prova como a Rio Negro Challenge, em Manaus, onde a temperatura exterior é de 40 'C e da água éhega a 33 •C, imagine cumprir esses 30 km cantarolando Ai, se eu te pego. É contra essa e outras armadilhas menos infames da nossa mente - um fracasso passado, o fantasma de uma lesão recorrente - que atua o treinamento mindfulness. Segundo Maurício Marques, doutor em psicologia do esporte e um dos preparadores de Matheus, inserir nas rotinas de treinamento exercícios de mindfulness auxilia o atleta, na hora de uma competição, a ter consciência do seu fluxo mental: "O mindfulness é uma técnica para que o atleta habite o corpo.

É um meio de afastar um pensamento negativo que possa estagná -10" , explica.

O objetivo de um treinamento mindfulness em um jogador de futebol, por exemplo, é fazer com que
ele consiga trazer o seu pensamento para o vento batendo no rosto, para a textura da bola ao encaixá-Ia na marca da cal e, assim, esquecer tanto das últimas duas cobranças de pênalti perdidas quanto da taça que o aguarda caso converta a cobrança. Focado nas sensações do presente, o atleta se mantém tranquilo e vigilante ao mesmo tempo.

Daí a recente popularidade da prática entre atletas de alta performance, como a lenda do basquete Le Bron James (procure no YouTube vídeos dele meditando em quadra) e a dupla tricampeã olímpica no vôlei de praia dos Estados Unidos, Misty May- Treanor e Kerri Walsh, Talvez o fã mais ilustre, o tenista Novak Djoko vic foi questionado em abril passado pelo site da ATP sobre Roland Garros, o único troféu de Grand Slam ausente da sua estante. A um mês e 11 dias do torneio, Djoko respondeu praticamente um tratado sobre o mindfulness. "Eu não gosto da palavra obsessão porque ela não vem da emoção certa. Roland Garros é um desejo. 


e um objetivo. Eu sinto que nos últimos anos eu consegui treinar a minha mente para ficar o mais tempo possível no tempo presente e focar no que vai acontecer a seguir", disse Djoko. "Claro, como todos os jogadores, eu planejo coisas à frente. Mas, quando você precisa operar como uma máquina humana, você necessita fazer isso apenas no momento presente. Quando o momento chegar, eu vou pensar nele mais do que estou pensando agora", completou o campeão de 12 Grand Slams.
Em 2016, a hora chegou. Djokovic pensou em Roland Garros e levantou o troféu inédito.

METÁFORAS VISUAIS Além dos exercícios de meditação e respiração no dia a dia, Matheus Evangelista tenta explicar como o mindfulness funciona em tempo real: "Na prova no Rio Negro (realizada em maio de 2015), a adversidade era a temperatura da água. Então o meu pensamento era inspirar vermelho e expirar azul. Pensava nas cores enquanto realizava a respiração, apostan-
do na associação que fazemos entre elas com o calor e o frio. O mindfulness foi o que me transformou de simples competidor em um medalhista".


Respirando com tranquilidade Rio Negro adentro, Matheus superou o favoritismo do campeão mundial Dámian Blaum e venceu a prova em sh22min4s. Cozido em águas manauaras, o argentino se desestabilizou e não resistiu às investidas do rival. Terminou longos cinco minutos atrás do brasileiro e ficou no Ai, se eu te pego.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Superinteressante MEDITAÇÃO - MEDITAÇÃO POP







Pattie leu no jornal um anúncio inspirador no irúcio de agosto de 1967.

 O indiano Maharishi Mahesh Yogi, líder do movimento da meditação transcendental, fariauma palestra em Londres, no dia 24 de agosto. Havia meses que a mulher do beatle George Harrison estava interessada em filosofia oriental, desde uma temporada de férias de seis semanas na Índia. O casal estava em busca de elevação espiritual. A jovem convidou George para o evento, e os outros Beatles se juntaram ao casal para conhecer as ideias do guru. Terminada a palestra, os rapazes de Liverpool tiveram um papo reservado de uma hora e meia com o Maharishi e foram convidados pelo líder espiritual para participar de um retiro de dez dias sobre meditação transcendental. 

Os músicos toparam. Era uma quinta - feira. No dia seguinte, os Beatles e uma trupe, que incluía amigos como Miék J agger, embarcaram de trem para Bangor, no País de Gales. Era a primeira vez em muitos anos que a banda viajava sem o empresário, Brian Epstein, No sábado, o grupo acordou e participou de uma aula introdutória sobre a técnica. Foi o suficiente, após apenas três dias de imersão, para mudar a vida dos Beatles. Numa coletiva de imprensa no mesmo dia, já falavam em substituir as drogas por meditação. "Você não pode tomar drogas para sempre. Estamos procurando por algo mais natural- e encontramos", disse Paul McCartney. "A meditação ajuda a encontrar realização na vida, a viver a vida ao máximo", completou George. "Não sabemos como isso vai aparecer na música. ão espere ouvir meditação transcendental o tempo todo", disse o guitarrista.

Mas, no domingo, os Beatles foram surpreendidos por um telefonema: Brian Epstein estava morto. O empresário, que era aguardado em Bangor para ser introduzido na meditação transcendental, não resistiu a uma overdose de remédios para dormir.

A tragédia abreviou o retiro. Antes de partir para Londres, George e John deram uma breve entrevista coletiva sobre a morte de Epstein. Os Beatles não tinham completa do a iniciação na meditação, mas os ensinamentos do Maharishi já estavam nas suas palavras. "A meditação dá confiança suficiente para suportar algo assim, mesmo o pouco que tivemos", disse Lennon. "De qualquer maneira, a morte não existe. Digo, existe morte no plano físico, mas a vida continua por todo lugar. O conforto é saber que ele está ok" , completou Harrison.



Esses quatro dias mudaram a vida da banda mais popular do planeta e também a his-
tória da meditação no Ocidente. A exótica e intensa jornada Beatle cruzou os continentes por meio da imprensa, e foi a primeira vez que boa parte do globo ouviu uma celebridade falando sobre meditação.

O discurso foi bem recebido na comunidade hippie que vinha crescendo nos EUA, onde a medicina alternativa, a maconha, o LSD e uma salada de práticas orientais ganhavam adeptos
num caldo cultural cujo epicentro era a Califórnia. Mas a prática poderia ter se tornado apenas
mais uma moda lançada por gente famosa se um estudante de biologia molecular do MIT (Instituto de Tecnologia de Massaéhusetts) não tivesse assistido a uma palestra de um mestre zen no início dos anos 1970. E criado uma reviravolta.

Jon Kabat-Zinn se tornou um meditador depois da conferência e, aos poucos, sentiu os benefícios da prática na sua vida. E ficou curioso sobre as bases científicas desses ganhos.
Em 1979, ele e outros dois colegas criaram uma clínica experimental para tratar dores crônicas
com técnicas budistas. Foi um sucesso. O programa tinha oito semanas de aula e temas de casa. Os bons resultados chamaram a atenção da Universidade de Massachusetts, que incorporou o modelo, batizado de Redução do Stress Baseada em Mindfulness (ou MBSR
na sigla em inglês). Hoje, o MBSR é usado para tratar bulimia, vícios, transtornos de ansiedade e esquizofrenia em diversos países.

A grande contribuição de Kabat - Zinn para a popularização da meditação foi transformar a técnica em um protocolo idêntico para     49 todos os pacientes. Com a padronização,
Pesquisadores puderam medir o impacto da prática na saúde e comparar resultados de outros colegas que usavam o mesmo roteiro. Depois de milênios, a meditação finalmente podia ser analisada em detalhes pela ciência, e os resultados positivos se espalharam. Médicos passaram a receitar mindfulness como se fosse remédio, e o que antes era uma prática religiosa asiática passou a se tornar um hábito de saúde para milhões de ocidentais. Kabat-Zinn virou uma celebridade, o profeta do mindfulness.

E, aos poucos, os benefícios da meditação invadiram o ambiente corporativo.

PAREM AS MÁQUINAS 2004, Mark Bertolini sofreu um acidente grave enquanto esquiava. CEO da Aetna, companhia americana de seguros de saúde, ele quebrou cinco vértebras do
pescoço e rompeu alguns nervos que conectam o braço esquerdo à medula espinhal. Sentindo dores crônicas, foi buscar na meditação uma forma de amenizar o sofrimento. Acabou se tornando um entusiasta da prática no ambiente corporativo e implantou um programa de aulas de ioga e meditação para os funcionários da Aetna. Desde 2011, mais de 13 mil de um total de 50 mil empregados já participaram do momento zen da empresa. Uma pesquisa interna feita com os trabalhadores mostrou que os níveis de stress diminuíram 28% e a qualidade do sono melhorou em 20%. Mais concentrados nas tarefas profissionais depois de frequentarem as aulas, cada empregado ganhou 62 minutos por semana em produtividade. Só aí, a empresa calcula já ter economizado US$ 3 mil por funcionário ao ano (pouco mais de R$ 10 mil).
O caso da Aetna é contado no livro MindfuL Work: How Meditation Is Changing Business from the Inside Out ("Trabalho consciente: como a meditação está mudando os negócios de dentro para fora", sem tradução para o português). ele, David Gelles, repórter do The
New York Times, documenta a onda de grandes empresas que estão levando o mindfulness para o local de trabalho. Nos últimos anos, Ford, Target, Nike e General Mills criaram programas com retiros de meditação, salas especiais para meditar e palestras com especialistas. No Vale do Silício, Google, Apple, Intel, eBay e Adobe são algumas das que também aderiram.


BUSCA ÍNTIMA Meditar se tornou o assunto do momento nos corredores do Google depois de 2007, quando o gigante das buscas passou a oferecer o Searéh Insíde Yourself ("Busque dentro de você" , em português). O curso ensina para os googlers técnicas de meditação e conceitos de inteligência emocional em um intensivo de dois dias ou espaçado em aulas curtas ao longo de sete semanas. As turmas variam de 20 a 50 pessoas, e a fila de espera é grande. Depois do programa, fica a cargo do funcionário escolher se e como vai colocar o mindfulness em prática no trabalho. A meditação pode ser feita andando, na frente do computador, em uma sala especial, por um, 15, 45 minutos, in- devidamente ou em grupo. Mais de mil empregados já concluíram o curso no complexo da empresa em Mountain View, na Califórnia.

O nível de satisfação é avaliado em 4,7 numa escala de cinco pontos - e muitos já relataram que a experiência mudou suas vidas.

O idealizador do treinamento saiu de trás de uma das baías da empresa. O engenheiro
Chade- Meng Tan foi o funcionário de número 107 do Google e, quando não estava desenvolvendo sistemas, aprofundava -se na filosofia budista e na prática do mindfulness. Resolveu propor um curso no escritório e a ideia bom bou. Deu, inclusive, origem a um livro homônimo escrito pelo engenheiro, que ficou conhecido como o "guru do Google". Busque dentro de Você (2014) explica o método desenvolvido por Meng e já foi traduzido para, pelo menos, 24 línguas. Depois de 15 anos, Meng deixou o Google para, segundo ele mesmo, dedicar-se a projetos de meditação e trabalhar pela paz mundial.

Iniciativas de meditação corporativa também ganharam espaço no Brasil. A Mead Johnson Nutrition, uma multinacional de produ-tos alimentícios, implantou um programa pars os funcionários de seu escritório em São Paulcem 2012. Durante 20 ou 25 minutos de manhã ( à tarde, as luzes do escritório eram reduzida! e a meditação iniciava. Quarenta e seis de um total de 60 funcionários chegaram a participa; de um curso pago pela empresa. Mas o programa não durou muito. Foi descontinuado em 2015 A Mead Johnson não informou o motivo. 

Casos como o da multinacional não são raridade. Muitas iniciativas cheias de boas intenções desaparecem mais rápido do que surgi ramo Um dos motivos seria a implantação em empresas onde não há uma cultura de bem estar  nem a intenção de desenvolvê-Ia. Segundo Ana Paula Peron, consultora em educação corporativa e coach executivo e empresarial algumas organizações incentivam a prática de mindfulness ao mesmo tempo em que "olhar feio" para os funcionários que param os afazeres para meditar. "Nesses casos, é só pelo modismo. São estratégias vazias para aparecer na mídia. É igual aos valores pendurados na pare de: ninguém pratica", explica Ana.

ESTRESSE COMBATIDO Apesar do ceticismo, alguns estudos mostram que existem vantagens reais da meditação no ambiente de trabalho. Publicada no Journal of Managementel 2015, uma revisão sistemática avaliou mais com 4 mil estudos sobre atenção plena e documentou como a prática pode impactar a forma que os  funcionários sentem, pensam, agem e se relacionam. Os pesquisadores da Case Western RI serve University, de Ohio, encontraram evidências de que o mindfulness torna os empregados mais eficientes e facilita as relações interpessoais em cargos de liderança e trabalho em equipe.

Outra pesquisa de 2015, divulgada no Journal of Occupational and Environmental Medicine, mediu os níveis de stress em trabalhador de urna UTI cirúrgica antes e depois da prática, mindfulness por oito semanas. Os resultados obtidos na Ohio State University Wexner Medir
Center mostraram que a alfa -amilase salivar, um indicativo de ativação do sistema nervoso simpático, que prepara o corpo contra ameaças, tinha diminuído em 40% no grupo que aderiu à medicação, o que mostra que a prática pode diminuir osníveis de stress e o risco de esgotamento.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Superinteressante MEDITAÇÃO: ANSIOLÍTICO NO CELULAR

 



Tudo começou com um garoto inglês metido na aula de meditação da mãe na esperança de aprender kung fu. Aos 11 anos, Andy Puddicombe gostou da técnica, ainda que não fosse uma arte marcial, mas o entusiasmo não sobreviveu à adolescência, quando esportes e festas se tornaram uma prioridade. O que parecia evoluir como uma vida saudável sofreu um grande abalo aos 18 anos, quando quatro tragédias no intervalo de seis meses ocorreram: a meia-irmã morreu num acidente de bicicleta, uma ex-namorada não resistiu a uma cirurgia no coração e dois amigos foram atropelados e mortos por um motorista bêbado. De pé no mesmo grupo,
Andy escapou por um triz

INICIANTES PODEM USAR O HEADSPACE DE GRAÇA POR 10 SESSÕES DE 10 MINUTOS

O impacto inicial do trauma se dissipou com o tempo, mas uma sensação incômoda persistiu. Quando já era um estudante universitário em Bristol, Andy decidiu mergulhar em si mesmo. O orientador da faculdade sugeriu Prozac, mas o rapaz estava decidido a tornar-se monge.
Embarcou aos 22 anos para a Índia e iniciou um treinamento que incluía 18 horas de meditação diária e celibato. A jornada o levaria ainda ao Nepal, à Tailândia, ao Tibete e, por fim, à Rússia, onde ficou por quatro anos depois de ser ordenado. Lá mesmo, no início dos anos 2000, quando a vida monástica começava a trazer dúvidas, um encontro com executivos do ramo do petróleo trouxe a epifania: e se a meditação fosse tirada de seu isolamento e levada ao centro da vida moderna?

De volta à Europa, Andy se fixou em Londres .. Fez algumas aulas de circo e acabou,  na clínica que o contrataria para dar suas primeiras aulas de atenção plena. A Inglaterra acabara de aprovar o uso do mindfulness para o tratamento de depressão, mas não havia tantos profissionais de saúde pública especializados na técnica - em uma pita- da complementar do destino, na ocasião ele também conheceu sua atual mulher, Lucinda, uma fisioterapeuta.
Seus primeiros alunos eram na grande maioria homens estressados por causa da crise financeira. Meditação e vida moderna se encontraram, enfim, nessa audiência difícil, que exigiu uma linguagem direta, sem misticismo. Na mesma época, aos 32 anos, Andy conheceu o atual sócio, o publicitário Riéhard Pierson, e com ele fundou a Headspace, em 2010. Inicialmente tratava-se de uma empresa que vendia aulas de meditação presenciais. Mas a dupla logo recebeu pedidos para flexibilizar o formato. Foi quando avoz de Andy começou a ser gravada em podcasts e, em 2012, se transformou num amigável aplicativo para smartphones.

APERTE O PLAY Você precisa pagar para usar o free trial do Headspace, mas os iniciantes podem testar o app de graça por dez sessões. É um início suave para quem nunca meditou. O usuário é guiado pela voz de Andy em sessões de apenas 10 minutos, que podem ser acionadas a qualquer hora do dia (mas fixar um horário, sugere o professor, ajuda a criar uma rotina). "Respire-fundo, sinta o encosto da cadeira nas costas, conte as respirações": essas são as .primeiras orientações. Nada de religião nem grandes acrobacias mentais. O mindfulness proposto pelo britânico começa simples e
básico antes de maiores dúvidas surgirem, os
10 minutos acabaram.

A aposta de Andy e Riéhard é que esse tempo diminuto traga alterações pequenas mas perceptíveis no humor. Para seguir viagem, o app oferece assinaturas pagas com toda a biblioteca do Headspace disponível para o celular. As sessões duram até 60 minutos e têm objetivos precisos: lidar com a depressão, melhorar o foco no trabalho, viver uma boa gravidez e sentir se mais feliz. Há também exercícios para comer com mais atenção (e, portanto, menos e melhor) e andar de metrô sem stress,
No app, os ensinamentos budistas aparecem em vídeos protagonizados por Andy ou por um simpático mascote animado, um cérebro que vai ganhando músculos à medida que as sessões se acumulam. As metáforas abundam, como a vida é uma rodovia, e os pensamentos são os carros; você pode tentar embarcar em cada veículo ou apenas sentar-se à beira da estrada para observar o movimento com calma. Em 2013, poucos meses depois da mudança de sede para os Estados Unidos, Andy foi diagnosticado com câncer de testículo.
"A meditação me ajudou a lidar com o problema", declarou à época.



CRIE UMA ROTINA Hoje, cerca de 6 milhões de pessoas usam o app, segundo dados da própria empresa. É muita gente convencida de que um aplicativo pode beneficiar o cérebro, e o sucesso pode estar relacionado à gamificação.
O uso de elementos típicos de logos, como recompensas e competição, já se mostrou eficaz para mudar hábitos em áreas tão diferentes como o esporte e o atendimento a clientes. Aqui,
também, tem o seu papel, enviando lembretes, parabenizando por dias consecutivos e dando

a chance de dividir os avanços com amigos. Isso pode ser uma ajuda na formação de uma rotina diária. "O lance sobre meditação é que falar sobre ela não adianta nada. Apenas fazê-Ia traz resultados" , diz Andy em um de seus vídeos. Em outras palavras, contratar seu serviço ou outros parecidos não vai promover nenhum milagre mental. Mas talvez ajude bastante a manter o ritmo da prática.







FIQUE ATENTO
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Embora atrativos, nem todos os aplicativos de mindfulness cumprem o que prometem. Em janeiro de 2016, o app Luminosity recebeu uma multa de US$ 2 milhões do governo americano por propaganda enganosa. Os anúncios da empresa continham palavras-chave como "demência", Alzheimer, "perda de memória", mesmo sem comprovar  eficácia contra essas doenças. Em 2015, o aplicativo Headspace laçou o "pacote depressão", que foi contestado por pesquisadores especialistas em meditação pela falta de estudos científicos que avaliassem o método do app.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Superinteressante MEDITAÇÃO - APRENDA A MEDITAR









COLOQUE-SE EM UMA POSIÇÃO CONFORTÁVEL

Você não precisa ficar em posição de lótus. Pode se ajoelhar numa almofada, sentar em uma poltrona ou até mesmo deitar - o que for mais aconchegante. Mais importante do que a postura é montar um cenário que tenha poucas distrações. Se a posição de lótus provocar formigamento nas pernas ou dor na lombar, isso vai roubar o foco - e, portanto, não serve. Ficou confortável?



RESPIRE FUNDO E FECHE OS OLHOS


Todas as meditações começam com instruções semelhantes. Inspire e expire devagar, prestando atenção nos movimentos do peito e da barriga. Mas por que a respiração? Por que meditadores não usam pêndulos como os hipnotizadores? O vai e vem do peito se mostrou como o melhor método para desacelerar a mente porque esta sempre com você. Ou seja, você
pode se concentrar na respiração em qualquer hora e local. Se a meditação depender de um objeto, como um pêndulo, de que modo poderíamos praticá-la quando estamos longe dele?
Respirar tem outras vantagens. É invisível. Você percebe o movimento mesmo de olhos fechados. Assim, pode reduzir as distrações que vêm com a visão.
E, diferentemente das batidas do coração, que são 100% automáticas, a respiração é controlável. Você pode regular a velocidade do ar que entra e sai. Aos poucos, cadenciando a inspiração, o corpo relaxa.



MAS ESSE CONTROLE É FINITO: SUA MENTE VAI DEVANEAR


Aqui está o maior mito da meditação.
Apagar os pensamentos é impossível. "Relaxar, é claro que podemos. Mas esvaziar a mente? Não sei por quanto tempo você pode fazer isso", disse o monge francês Matthieu Ricard, em uma palestra no campus do Google em 2015. Entre uma respiração e outra, o pensamento foge, talvez para um lugar bem mundano, como a lista de compras do supermercado. Ou para algum problema no trabalho. Tudo normal e esperado.

Para o budismo, a mente é como um macaco doido. Ela não para: vive pulando de galho em galho (ou de pensamento em pensamento), e essa galeria infinita de desejos, sentimentos e frustrações nos deixa ansiosos, angustiados ou tristes. Buda passou 40 anos ensinando como evitar a dispersão mental, que está na base do sofrimento humano e das doenças. Ele defendia a meditação como um método para treinar o macaco.

No momento que você percebe que sua mente começou a voar, traga a de volta à respiração, de volta ao momento presente. Não julgue seus pensamentos, mesmo que sejam perversos, perturbadores ou ridículos, e não tente soterrá-los para que não voltem mais (um dos ensinamentos mais difíceis da meditação). É importante reconhecer as suas reflexões, mas deixe-as ir embora, como um passarinho que passa na paisagem.

Traga a mente de volta para a respiração e para as sensações do corpo.
A posição está confortável? Em que posição estão suas mãos? Que sons você está ouvindo? Perceba cada um. Isso é mindfulness, cuja tradução em português costuma ser "atenção plena", no aqui e agora. É uma técnica presente em muitas meditações budistas e hindus.



VOCÊ JÁ COMEÇOU A MEDITAR?

A partir de agora, encare a prática como um treinamento. Você precisa ter disciplina para manter a
regularidade e domar o macaco sempre que ele estiver inquieto. Seja gentil: na analogia budista, em vez de dar uma dura no animal, ofereça algo para ele comer. Ou seja, proponha um foco para a mente, como a respiração ou os sons ao redor ou o tato da sua mão sobre a perna. É tentador fechar o olho, relaxar e apenas observar a mente pulando de galho em galho. Mas isso não é meditação. Sempre que o macaco escapar, volte à respiração lentamente, sem julgamentos.



NO BUDISMO, A MENTE É VISTA COMO UM MACACO DOIDO, E A MEDITAÇÃO SERIA A FERRAMENTA MAIS EFICIÊNTE PARA DOMÁ-LO



SE PREFERIR, ENTOE UM MANTRA

Um mantra nada mais é do que um foco, como a respiração, para controlar a mente. Se inspirar e
expirar não é suficiente para você domar o macaco, procure algo que tenha um significado: pode ser uma prece, um verso, palavras em sânscrito que representem algo que você busca, um tema de reflexão, um desejo ou intenção. Na meditação da compaixão (leia mais na página 38), por exemplo, você direciona seu pensamento para uma pessoa ou um grupo e entoa uma frase que resuma o que você deseja que eles se recuperem de alguma doença, problema ou infortúnio. No mantra, você tem a tarefa de repetir várias vezes as mesmas palavras e isso faz sua mente concentrar as energias em uma só direção, num único foco.
Um dos gurus da meditação, Osho (leia mais na página 54) indicava entoar mantras em voz alta para chamar a atenção da mente na base do grito mesmo. Outra opção é usar sons ou as sensações corporais como foco - nesse caso é ideal meditar com orientação de um aplicativo ou instrutor para que você não se perca em devaneios.


MANTENHA A ATENÇÃO PLENA NO PRESENTE

Meditar é situar-se no aqui e agora.
A respiração, os mantras, os sons ou as sensações corporais são apenas um artifício para você ficar com sua mente o maior tempo possível no único tempo que existe, o presente. Quando ela voar para as preocupações do futuro ou voltar às ruminações do passado, volte ao foco
escolhido e ao presente. A ideia é que, com a prática e a experiência, você tenha consciência plena no que está acontecendo no momento. Esse é um dos objetivos das práticas meditativas budistas: incorporar seus princípios, como foco e calma, no cotidiano para que você assuma as rédeas da sua mente e não seja mais escravo das elucubrações. Até mesmo diante de uma tarefa banal, como uma pia cheia de louça suja. "As tarefas domésticas são as que mais exigem isso. Quando a gente vê a louça suja, sente um impacto imediato. Mas, em vez de lutar contra
ela ou ignorar, você começa a enfrentar a tarefa prato por prato, sem se apavorar" , ensina o Lama Padma Samten, diretor do Centro de Estudos Budistas Bodisatva, em Viamão, região metropolitana de Porto Alegre. No zen-budísmo, existe uma máxima: "Quando você lava' lava; quando seca, seca; quando varre, varre. "Fique no presente o máximo que você puder, mesmo diante de tarefas repetitivas e tediosas.



MEDITE DE NOVO E DE NOVO

Mantenha uma certa regularidade. Lembre-se de que a meditação é um treino que exige esforço e persistência. Com a prática, vá aumentando o tempo e variando os tipos para ir treinando a mente de diferentes formas. Recorra a grupos de meditação ou a instrutores capacitados para facilitar a incorporação do hábito na rotina. Sem auxílio, talvez você caia no sono ou se perca em devaneios.
É indicado também estabelecer metas para levar o treinamento a sério.














terça-feira, 4 de abril de 2017

Superinteressante MEDITAÇÃO - MELHOR QUE MORFINA

Oi gente,

No post de hoje vamos conhecer alguns tipos de meditação.

Eu adorei a meditação metabavana, vou testar e se funcionar voltarei aqui pra contar pra vocês ;)

Beijos no coração

Namastê
ॐ




A imagem mais comum de monges, budistas e meditadores profissionais costuma ser a de sujeitos serenos e que não se abalam fácil diante de adversidades. Mas será que  essa atitude se mantém diante de uma queimadura aguda ou uma dor lombar que tira o humor de qualquer um?
Será que a meditação serve para trazer algum alívio, como outras terapias como acupuntura, hipnose, placebo ou mesmo a morfina?
Pesquisadores americanos resolveram passar essas dúvidas a limpo.

No primeiro estudo, realizado na Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte, 7S voluntários saudáveis foram divididos em quatro grupos. O primeiro recebeu um treinamento de quatro dias (20 minutos diários) de mindfulness e uma dose de naloxona, uma substância que bloqueia os receptores de opioides naturais do corpo, como as endorfinas, fazendo com que os nossos analgésicos naturais não funcionem. 

O segundo tomou a droga e passou por aulas falsas de meditação (eles foram orientados a se concentrar na respiração sem outras dicas); o terceiro recebeu instruções reais e um medicamento placebo, e o quarto recebeu o falso treinamento e placebo. Todos os grupos foram submetidos a exames de ressonância magnética enquanto recebiam um estímulo doloroso. Um pedaço  da perna dos voluntários foi exposto a um calor de 4S •C durante cinco minutos, sensação que beira o insuportável para qualquer um.

Durante o exame, eles tinham de dar notas ao  desconforto sentido.

MAIS OHM, MENOS AI    Fadel Zeidan, professor de neurobiologia e líder da pesquisa, notou que o índice de dor física caiu 27% e a sensação emocional de desconforto 44 % no grupo que meditou para valer e tomou analoxona. Ou seja, a meditação havia funcionado mesmo em pessoas sem seus analgésicos naturais. Os índices de desconforto também foram reduzidos em 21 % no grupo que só meditou e tomou placebo. Em comparação, os grupos que receberam.



ZAZEN

Significa literalmente "sentar zen" - zen vem do sânscrito e descreve um estado meditativo profundo. Para alcançar esse estágio, é preciso seguir alguns passos. Primeiro, procure um local tranquilo, nem muito claro nem muito escuro, nem muito quente nem muito frio. Você pode se sentar em posição de lótus, em um banco ou cadeira, desde que sua coluna esteja ereta, e o queixo voltado levemente para baixo para a cervical permanecer reta.

Para se certificar de que está com o corpo alinhado, note se suas orelhas ficam em linha com os ombros e o nariz, em linha com o umbigo. Depois disso, inspire e esvazie os pulmões, soltando todo o ar pela boca. Repita três vezes. Relaxe qualquer parte do corpo que carregue tensão. Em seguida coloque as mãos no mudra cósmico. 

A posição consiste em posicionar a mão direita embaixo, com a palma voltada para cima, e as costas dos dedos da mão esquerda repousando sobre os dedos da direita, mantendo a mão esquerda com a palma para cima. Depois, encoste levemente os dois polegares, como se houvesse uma folha de seda entre eles:
suas mãos devem formar uma elipse, assim como os planetas em torno do Sol (como na ilustração acima). Para os budistas, é como ter o cosmos em suas mãos. Coloque a ponta da língua no palato superior, tocando de leve atrás dos dentes frontais - o objetivo é criar um canal de comunicação de energia e evitar o excesso  de salivação. Mantenha os olhos entreabertos, pousados a cerca de um metro e meio de distância num ângulo de 45 graus.

Assim, sem pensar e sem não pensar, sente-se calmamente por alguns minutos. Existem pessoas que ficam até 40 minutos nesse estado. Mas você pode adaptar à sua realidade. Como foco, use a respiração. Perceba também seus batimentos cardíacos. Ouça todos os sons, próximos e distantes. 

Sinta as fragrâncias do ambiente ao redor. Perceba o ar, sua textura, sua temperatura. 

A luz e a sombra que se formam onde seus olhos estão pousados são também percebidas. Verifique sua postura, a posição das mãos, da coluna, da língua e oxigene as áreas de tensão. Perceba seus pensamentos. Como se formam e desaparecem. Veja se pensa em formas, palavras, música, cores, imagens. Qualquer emoção que surja deve ser notada. Assim como seu término. Para evoluir no zazen, você não deve ficar pensando ou percebendo o tempo todo. O objetivo da técnica é centrar o indivíduo em si mesmo e no Universo. 

Basta endireitar a coluna e respirar conscientemente. E lembrar de que só existe o momento presente.


KUNDALlNI

É a meditação do anoitecer, irmã da meditação dinâmica, também criada por Osho. São quatro estágios de 15 minutos cada um, acompanhados por música, que serve de guia. Na primeira, o praticante deve deixar o corpo tremer: braços, pernas, cabeça, e sentir as energias subindo pelos pés. Na segunda etapa, a ordem é dançar da maneira que quiser. Na terceira, é hora de fechar os olhos e ficar imóvel, sentado ou em pé. Se for difícil, concentre-se na respiração. Na quarta e última etapa, ainda de olhos fechados, desligue a música, deite-se e permaneça imóvel. É a meditação da sensualidade e do magnetismo, segundo o mestre Osho.


VIPASSANA

A vipassana também é chamada de meditação insight. É uma das técnicas mais antigas da Índia
e ensinada por Buda. Na vipassana, o praticante. presta atenção às sensações e aceita -as como elas são.
Por isso, é muito semelhante ao rnindfulness, já que a atenção plena faz parte também da vipassana. O praticante deve ficar no momento presente, estar atento ao que ocorre na mente
e no corpo aqui e agora. O jeito mais popular para aprender essa meditação é por meio
de um retiro de dez dias organizado por fundações criadas pelo professor nascido na Birmânia Satya Narayan Goenka, morto em 2003. Em linhas gerais, o método requer que o praticante sente confortavelmente com as costas retas e relaxadas, feche os olhos e preste atenção no
ar que entra e sai das narinas. A mente vai distrair. Aceite e deixe que pensamentos,
imagens e emoções venham. Ao se dar conta da distração, traga a mente de volta à respiração. Depois, volte a atenção a cada um dos cinco sentidos e ao pensamento. A prática também instrui a fazer anotações mentais, ou seja, dar nomes aos pensamentos e sensações que invadem a mente.


SHAMATA

Tipo de meditação budista, o objetivo imediato do shamata é o bem- estar. O indivíduo deve se manter calmo e relaxado, em posição de lótus, com os olhos abertos em 45 graus. O segundo passo é focar num objeto ou imagem e prestar atenção na respiração, cada vez mais longa.
A shamata não requer a entoação de um mantra, mas exige que o praticante fique desperto de modo tranquilo, relaxado, um desafio ao qual não estamos acostumados. Para os budistas, essa é uma forma de acessar a felicidade, considerada uma condição natural da nossa mente.
Mas atenção: mantenha-se na posição o máximo que conseguir sem dor. Caso sinta algum desconforto, interrompa imediatamente.


A MEDITAÇÃO DAS 6 ENERGIAS

A meta desta técnica budista é aumentar o grau de consciência do corpo.
É preciso pensar em cada umas das seis energias conceitualmente.
São elas: terra, água, fogo, ar, éter e espaço.
Você direciona o pensamento para a ideia que elas representam. O objetivo é adquirir
consciência de cada parte do corpo.
Para iniciar, aplique os mesmos hábitos da shamata.
Sente-se confortavelmente com pernas cruzadas e, em seguida, comece a mentalizar um por um os elementos:

PASSO A PASSO 

I. TERRA
Não tem nada a ver com a terra em si, mas com sua representação de firmeza, solidez e estabilidade. Sinta que sua coluna está firme, porém sem tensão.

2. AGUA
Sem tensão, seu corpo ganha leveza. Mentalize esse conceito de frescor para aliviar ainda mais os focos de nervosismo. Sinta um calor e um formigamento percorrer todo seu corpo, pele, cabelo, mãos, pés, pernas, tronco, cabeça, dentes.
Fogo, no budismo, é o agente principal da cura.

3. AR
Mentalize a energia que impulsiona a própria respiração, o princípio que ativa o inspirar e o expirar.

4. ÉTER
Sinta-se livre e calmo, mantendo os olhos abertos.

6. ESPAÇO

Imagine-se dentro e parte de um espaço amplo e não mais confinado, sinta-se parte do mundo. A gente sabe que vive num lugar gigante, mas dificilmente foca nesse aspecto.


ENSINADA POR BUDA, A MEDITAÇÃO METABAVANA CONSISTE EM DESEJAR BEM ESTAR A QUEM VOCÊ ODEIA. SENTADO, BASTA REPETIR OITO FRASES. COM A PRÁTICA, GARANTEM OS BUDISTAS, SEUS INIMIGOS NÃO VÃO MAIS INCOMODÁ-LO TANTO.


METABAVANA

Era uma prática ensinada pelo próprio Buda. Consiste em desejar a felicidade para quem você gostaria de ver pelas costas. Isso mesmo: para a pior pessoa do mundo.

É claro que você pode começar em etapas, desejando o melhor para quem está realmente precisando de ajuda. Mas o verdadeiro desafio da técnica é enviar os melhores desejos para alguém com quem você não tenha um bom relacionamento: desde chefe, passando por sogra, vizinho, filho, ex ou aquele médico que errou o seu diagnóstico. Você pode estar em posição de meditação ou repetir as oito frases abaixo a qualquer momento do dia, à distância - ou seja, não é preciso estar diante da pessoa em questão.

O metabavana é uma espécie de tratamento de choque para resolver as causas mais profundas de sofrimento psíquico e físico. "Você ganha uma autonomia de energia.
Seu chefe, sua sogra ou seu ex-marido não vão mais perturbá -10 tanto" , garante o lama Padma Samten.

Os budistas sabem que relacionamentos mal resolvidos são uma das principais fontes de stress, a origem de um grande número de doenças. 


REPITA QUANTAS VEZES DESEJAR O MANTRA:

Que (preencha com o nome da pessoa) encontre a felicidade Se liberte do sofrimento
Encontre as causas da felicidade
Se liberte das causas do sofrimento
Se purifique de todo karma
Encontre a lucidez
Possa de fato beneficiar os seres

E veja nisso a fonte de toda alegria, felicidade e energia


KIRTAN KRIYA

Envolve a repetição do mantra saa, taa, naa, maa, que pode ser pronunciado em voz alta,
em silêncio ou incorporado a uma música.

As sílabas se referem aos sons considerados primordiais para os hindus. Saa é infinito;
taa, vida; naa, morte; e maa, renascimento, em sânscrito. A meditação ainda envolve
outra tarefa: movimentos ritmados com os dedos. Na sílaba saa, toque o dedo indicador
no polegar; em taa, o dedo do meio; em naa, o dedo anelar; e em maa, o dedo mínimo no
polegar, e repita a operação por até 12 minutos, todos os dias, se possível.

O praticante deve pressionar as pontas dos dedos umas contra as outras a ponto de deixá-
Ias levemente esbranquiçadas. Na tradição asiática, esse tipo de gesto é chamado de
mudras e se assemelha ao movimento dos dedos no terço católico.