Mostrando postagens com marcador Atenção na Ação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Atenção na Ação. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Me Observando: aprendendo com as situações

Oi gente!

No Me Observando de hoje conto pra vocês folias situações que vivi , uma maravilhosa onde experimentei um sentimento da mais pura gratidão é uma outra situação que não gostei nadinha, mas que foi extremamente necessária.

Beijos no coração

Namaste 




sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA: Reflexões sobre o Carnaval



Oi gente!


Hoje quero falar aqui sobre O CARNAVAL.

Eu particularmente nunca gostei dessa festa e da folia, mas não tem haver esse fato com meu caminhar espiritual não, é que nunca gostei mesmo!...é muita gente, muita música nada haver, pulando no calor rs, enfm...


Já tinha ouvido falar que nos dias de carnaval a energia principalmente daqui do Brasil fica densa.


O kardecismo fala isso e uns professores médiuns que já tive tb. comentava.


Mas pq. será que isso acontece???


Ao meu ver, o problema está na consciência coletiva que gira em torno dessa data que virou "festival da carne". A televisão é uma prova disso.


Muita ostentação, preocupação com o corpo, afinal de contas, a mulherada um ano antes fica se "preparando" para tal data, muita promiscuidade, gente "saindo dos armários da vida", sexo, loucura, bebida, drogas, enfimmmmmmmmmmmm, tudo isso que a gente já sabe que rola, não é?!


MAS VEJA BEM PESSOAL, ao invés da gente "sentar o pau" e ficar explanando discursos que a comunidade evangélica, espírita e os moralistas costumam fazer, pq. não pensar de uma forma diferente a respeito disso???


COMO????


...muito simples, partindo da premissa que o povo "sai do armário" durante esses dias, ou seja: faz tudo que tem vontade de fazer sem nenhum tipo de repressão por que afinal de contas "NO CARNAVAL, TUDO É PERMITIDO", analisando por esse ponto, será que não é bom as pessoas reprimidas experimentarem um pouco dessa FALSA liberdade???


Se um moralista estiver lendo esse post vai achar que eu surtei de vez rs, sei disso...mas é sério, acompanha comigo?!...já sabemos que tudo aquilo que reprimimos volta com força maior, certo?! E se a gente quer curar algo em nós precisamos olhar, cutucar, sacudir e deixar sair...

Será que o fato das pessoas SE PERMITIREM durante o carnaval não possa ser uma oportunidade de ABERTURA???...inconsciente eu sei, mas o fato de largar a mão da repressão, nem que seja por algumas horas e se permitir PROVAR, será que não pode ser um START para sair da ilusão que NADA DAQUI NOS PREENCHE???


Viver na ilusão DAQUILO QUE PODERIA SER é a pior maneira de MANTER A ILUSÃO.


PROVAR faz a gente EXPERIMENTAR, VIVENCIAR E ENTENDER que de fato A IMAGINAÇÃO  era bem melhor do que a REALIDADE.


Enfim galera, isso é apenas uma reflexão, ok?


Bom carnaval com consciência pra todos vocês!


Beijos no coração,


Namastê


VER MAIS:

ENTENDA O PSIQUISMO DO CARNAVAL

CARNAVAL E ESPIRITUALIDADE






quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

MONJA COEN: COMO ENCONTRAR O PONTO DE EQUILÍBRIO

Vocês já perceberam o quanto é difícil encontrarmos um ponto de equilíbrio?

Ficamos sempre indo de um lado para o outro como marionetes, insistindo que um lado é sempre melhor que o outro, não é?!

E se a gente desistisse das escolhas?

E se eu disser que qualquer lado é BOM?!

Assistam esse vídeo da Monja e tirem suas próprias conclusões:




Beijos no coração,

Namastê

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

ME OBSERVANDO: ficha monstra no avião



Oi gente!

A gente medita, faz yoga, inúmeras praticas, mas será que estamos atentos aos sinais que o Universo nos trás a cada segundo???

Foi me questionando dessa forma que hoje dou início ao Projeto Me Observando.

Serão vídeos mensais na qual contarei pra vocês alguma ficha monstra que caiu durante o mês.

...a gente sabe que os sinais acontecem o tempo inteiro, mas será que estamos atentos???

Atenção na ação pessoal!

Agora segue a ficha que caiu pra mim dentro do avião, bendita ficha viu gente?!

Beijos no coração.

Namastê



Acolher

Pra poder acolher meus filhos, entendi que primeiramente preciso aprender a me acolher.
Coisa que nunca fiz comigo.
Acolher minhas dores
Minha arrogância
Meus erros
Acolher o sentimento de impotência perante duas vidinhas frágeis que necessitavam de mim
Acolher o sentimento de que não tinha nem ideia do que fazer com aqueles dois pacotinhos nos meus braços...
Lembrar das lágrimas dos meus filhos que caíram quando que na verdade o que eles mais queriam era apenas serem acolhidos num abraço de mãe.
Acolher os momentos que não voltam
Acolher aquela momento quando o que eu mais queria era que eles calassem a boca e que parassem de chorar.
Os berros lancinantes que meu filho na calada das madrugadas
Acolher aquele sentimento de querer sumir e nunca mais voltar
As preocupações
O sono frágil e intuitivo de uma mãe cansada
Acolher todas as barreiras que coloquei contra o Amor
Acolher o sentimento de achar que tenho que ser durona e general
Acolher os “...eu queriaaaaaa...” (que fosse diferente...)
A falta de consciência que tive durante todos esses anos
Acolher e entender que o tempo passou num piscar de olhos.
E talvez o mais duro, acolher a consciência de que fiz aquilo que na época podia e tinha condições de dar, mesmo sendo tudo tão errado, tão mal interpretado, tão pesado,  tão frio e automático....
Essa mãe que tá aqui quase do meu lado com sua filha de cinco meses se esgoelando no avião, incomodando todos os passageiros que veem superficialmente ainda, significou demais pra mim!
Nos primeiros momentos reclamei pra mim mesma dos choros agudos dessa criança “atrapalhando a paz” dos demais passageiros.
Assim foi até a minha ficha cair.
Assim foi até eu olhar fixamente para o que essa mãe estava dando para sua filha e olhar para a criança que chorava suplicando acolhimento.
A mãe??? Era eu!!!!
Entendi que essa mãe foi o espelho de onde tudo começou.
Através dessa mãe entendi onde foi que bloqueei meu Amor.
Quando na hora que mais precisei Eu Viviane não soube me acolher também!
Como poderia colher meus filhos se sequer sabia me acolher?????
...o tempo passou...e a minha ficha caiu somente agora!
E agora???? O que fazer com tudo isso????
Acolha!!!!!!!
Impotência
Culpa
Raiva
Cegueira
Impaciência
Estupidez
Indiferença
Frieza
Controle
Manipulação
Grosserias
Loucura
Violência
Medo
Barreiras
Defesas   
Autoritarismo
Inveja
Ódio
Egocentrismo
Julgamentos
Intrigas
Brigas
Insatisfação
Desunião
Todo esse lixo que guardei dentro de mim por tanto tempo e que foi capaz de me causar tamanha cegueira por pura falta de consciência.
Viva o Agora
O Agora é um Presente
E se a consciência chegou somente agora, acolha!
Tá tudo certo
Tudo tem seu tempo pra amadurecer...
E não se esqueça nunca mais que é preciso amar as pessoas, como se não houvesse o amanhã pq se você parar pensar a verdade não há 
Sou a gota d’água 
Sou o grão de areia
Voce me diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais...

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai SER

Quando VOCE crescer...






                


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

MEDITAÇÃO: O que realmente é meditar? Como a mente humana funciona?

por Monja Coen | Zen Budismo




Meditar é observar a própria mente, para entender não só quais são os mecanismos da nossa mente individual, mas como funciona a mente humana.

Para falar sobre isso, a MOVA selecionou esse trecho da  que faz parte da Palestra Completa #12 palestra da Monja Coen.

Assista às palestras completas da Monja Coen: http://goo.gl/ZjcVNS

Inscreva-se no Canal MOVA: http://goo.gl/x3Gzow

Curta o nosso Facebook: http://www.facebook.com/canalmova

Vídeos também no Instagram! @canalmova

Conheça a MOVA: http://movafilmes.com.br


Compartilhe, a sabedoria pertence a todos os seres!

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A descoberta do Buda – Silêncio



A descoberta do Buda – Silêncio
Sutra: O silêncio não faz de um tolo um mestre.

Osho: Essa é uma estranha afirmação de um buda, porque o silêncio tem sido sempre muitíssimo louvado; mas Buda diz a verdade como ela é. Ele não se importa com a tradição.

Na Índia, o silêncio tem sido uma das qualidades mais louvadas, durante séculos. O monge jaina é chamado de muni – muni quer dizer “o silencioso”. Todo seu esforço é para ficar calado, cada vez mais calado. Mas Buda diz: “Mas não seja tolo, só o silêncio não vai adiantar”.

Ele pode ajudá-lo a manter sua tolice para si mesmo, mas a tolice irá se acumulando e, mais cedo ou mais tarde, ela será excessiva. Ela acabará transbordando e é melhor deixá-la sair em pequenas doses todos os dias, em vez de acumulá-la e depois vê-la causar uma enchente.

É isso que também tenho observado. As pessoas que ficam caladas por muito tempo tornam-se muito burras, porque seu silêncio é somente na superfície. Lá no fundo, há agitação. Lá no fundo, elas são as mesmas pessoas, com ambição, ciúme, inveja, ódio, violência – inconscientes, com todas as espécies de desejos. Talvez agora elas sejam desejosas de outro mundo, ambicionem o outro mundo, pensando mais em paraíso do que neste mundo e na terra. Mas é a mesma coisa, projetada em uma tela maior, projetada na eternidade. Na verdade, a ambição cresceu milhares de vezes. Primeiramente, era por pequenas coisas: dinheiro, poder, prestígio. Agora é por Deus, pelo samadhi, pelo nirvana. Ela ficou mais condensada e mais perigosa.

Então, o que é preciso fazer? Se o silencio não pode fazer de um tolo um mestre, então o que pode fazer de uma pessoa um mestre? Consciência. E o milagre é que, se você se torna consciente, o silêncio o segue como uma sombra.

Mas, nesse caso, o silêncio não é praticado – ele vem por conta própria. E, quando o silêncio vem por conta própria, ele tem uma tremenda beleza em si. Ele é vivo, ele tem uma canção no seu âmago mais profundo. Ele é amoroso, ele é bem-aventurado. Ele não é vazio; ao contrário: é uma plenitude. Você fica tão cheio, que pode abençoar o mundo todo e, ainda assim, suas fontes continuam inesgotáveis; você continua dando e não será capaz de esgotar a fonte. Mas isso acontece por meio da consciência.

Essa é a verdadeira contribuição de Buda – sua ênfase na consciência.

O silêncio se torna secundário, o silêncio se torna uma consequência. A pessoa não faz do silêncio a meta – a meta é a consciência.

Despertando: Enquanto no ocidente nós dizemos: “Deus está fora”, no ocidente eles dizem: “Deus está dentro”. Enquanto no ocidente nós dizemos: “Faça barulho”, no oriente eles dizem: “Fique em silêncio”.

Então enquanto aqui nós precisamos de campanhas em prol do silêncio, no oriente o silêncio vem de berço.

Acontece que quando Buda diz para você ficar em silêncio, quando diz que você precisa se tornar silencioso, não é somente a boca que você precisa fechar, você precisa aquietar também seus pensamentos e sentimentos.

De nada adianta você ir para a natureza, se isolar e viver em silêncio se, dentro de você, suas sombras estiverem gritando. Sua realidade não é criada pelo que você fala, pelo que sai da sua boca; ela é criada pelo que você sente, pelo que sai do seu coração.

E é através da meditação que nós aquietamos nossos pensamentos e sentimentos. Uma mente agitada, é uma mente julgadora, com pensamentos julgadores. Então quando você entra em estado meditativo, quando abandona o julgamento e se torna o observador, automaticamente, seus pensamentos se acalmam.

E somente a partir de um estado de não julgamento que você realmente consegue enxergar a realidade como ela é. Enquanto dentro de você houver algum tipo de julgamento, haverá um véu o separando da realidade, uma camada de ignorância que te impede de enxergar além.

E a realidade é que somente o amor existe, ele é a única verdade. E quando eu digo amor, estou me referindo ao amor incondicional, não esse amor cheio de posse, de carência, praticado na terra da terceira dimensão. O verdadeiro amor é o que não julga, não aprisiona, não cria regras – apenas compreende, aceita e acolhe.

Então para ser tornar um mestre não basta ficar em silêncio, você terá que abandonar todo julgamento e apenas observar. E se você tiver sucesso na sua empreitada, se realmente se tornar um meditador, então você experimentará o máximo da observação, que é quando você testemunha Deus, o Todo, se fazendo através de você.


Busque conhecimento, emita amor, seja Luz!






http://www.despertando.com.br/descoberta-buda-silencio/

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

SCHULTZ responde sobre minha dificuldade com a Auto Observação


Oi gente,

No vídeo da semana passada, relatei a dificuldade que ando enfrentando com a Auto Observação.

Esse sentimento de inadequação e incomodo só foi aumentando e no Domingo passado, durante o Curso de Aprofundamento em Yoga e Meditação do Simplesmente Yoga, tive a grande oportunidade de desabafar com meu professor Marco Schultz.

Como sempre, Marco nos faz "olhar para da direção certa", seus apontamentos são presentes valiosos nessa nossa busca pelo auto conhecimento.




Gratidão, gratidão, gratidão!!!
S2
Namastê

Vídeo anterior onde falo sobre a dificuldade que ando tendo com a auto observação:



Contato: 
Simplesmente Yoga - Marco Schultz
http://www.simplesmenteyoga.com.br/
https://www.youtube.com/user/simplesmenteyoga

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Auto Observação e o Sentimento de Inadequação

Oi gente,

No vídeo de hoje falo sobre a Auto Observação e o Sentimento de Inadequação.

A busca pelo auto conhecimento implica a gente treinar a capacidade de se observar, de se colocar como testemunha, a fim de remover as camadas que nos separa do nosso verdadeiro EU, mas quando de fato começamos a nos observar, a se dar conta de como estamos pensando, falando e agindo o que com certeza iremos encontrar é algo não muito agradável e que causará um grande desconforto e sentimento de inadequação.

É justamente isso que ultimamente ando experimentando e treinando.


Beijos no coração

Namastê

quarta-feira, 5 de julho de 2017

IMPERMANÊNCIA: Entrevista com Joseph Goldstein



Vendo a impermanência, o “processo de contínua perda e criatividade do que existe”, por Joseph Goldstein


Retirado do Site:
http://dharmalog.com/2014/03/13/impermanencia-verdade-existencia-joseph-goldstein-meditacao/


A impermanência (anicca) não é um fato difícil de concordar e de aceitar, pelo menos intelectualmente, mas é muito difícil de viver percebendo e agindo de acordo com essa percepção. O professor de meditação Joseph Goldstein (“Dharma, o Caminho da Libertação” e “A Experiência do Insight”) diz que “o perigo, eu acho, em qualquer tradição espiritual é permanecer no nível filosófico. As três características (ele se refere aos três fatos da existência condicionada, segundo a ciência budista: impermanência, sofrimento e não-eu) não são apenas afirmações filosóficas sobre a natureza do universo; isto não é o que importa. Elas são práticas”, diz ele, numa entrevista concedida à revista Inquiring Mind numa edição do ano 2000, publicada e traduzida pelo site Acesso ao Insight.

E aí existe essa coisa estranha de praticar uma coisa que já é. Diz Goldstein: “Existe um grande paradoxo aqui, porque essas verdades são ao mesmo tempo, óbvias e ocultas. Elas são óbvias quando fazemos o esforço correto para realmente despertarmos para elas no momento presente e elas são ocultas quando nós, simplesmente, somos carregados pelas energias do hábito nas nossas vidas”.

Na citada entrevista, Joseph Goldstein é perguntado sobre a definição de impermanência, e o trecho da sua resposta segue abaixo. A entrevista inteira está neste link, em português, e vale a pena, pois ele também explica a relação entre a impermanência e as outras duas verdades básicas da existência condicionada, o sofrimento ou insatisfação (dukkha) e o não-eu (anatta).

A PRÁTICA DA IMPERMANÊNCIA
Uma entrevista com Joseph Goldstein
Revista Inquiring Mind (edição 2000), tradução Acesso ao Insight

Inquiring Mind: Como você descreveria impermanência?

Joseph Goldstein: Impermanência é a verdade básica universal e constante da mudança. Impermanência é, ao mesmo tempo, um processo contínuo de perda, no qual as coisas existem e então desaparecem, e um processo contínuo de renascimento ou criatividade no qual as coisas que não existem repentinamente aparecem. Podemos ver isso momento a momento na meditação. Por exemplo, sons, pensamentos ou sensações continuamente desaparecendo e novos surgindo. Podemos, também, ver isso claramente em situações corriqueiras das nossas vidas. Onde foi parar nossa experiência do café da manhã lá pelo fim da manhã? Onde ficou aquela conversa que tivemos com um amigo, no dia seguinte? Algumas vezes, estamos mais conscientes das coisas novas que estão surgindo, e outras, notamos o seu desaparecimento. Mas, a mudança é sempre óbvia quando prestamos atenção.

Eu acho muito poderosa a prática de prestar atenção, momento a momento, na experiência da mudança. Ao invés de somente ficar perdido no conteúdo do que está acontecendo, é possível, simultaneamente, prestar atenção ao fato de que a experiência está se alterando e fluindo. Isso não é uma coisa tão difícil de se fazer, mas é mais difícil lembrar de fazê-lo.

Sermos capazes de manter essa perspectiva da natureza transitória da experiência, mesmo quando estivermos passando por ela, ajuda a aliviar a ansiedade na nossa mente. Daqui a seis meses, será que nos lembraremos da raiva ou tristeza ou mesmo da alegria desse momento?
Isso não significa que não devamos ser sensíveis ou responsáveis pelo que está acontecendo ao nosso redor, mas deveríamos sim olhar com o entendimento de que tudo está sempre mudando. Nós sabemos dessa verdade de forma abstrata, mas com frequência, não desfrutamos dessa sabedoria. O ponto principal, realmente, é como usar a impermanência como um método para libertar a mente.

I.M: Nós vemos a mudança acontecendo ao nosso redor, mas não é ainda mais importante ver que nós mesmos estamos mudando?

J.G: Esse é um ponto importante. Ver impermanência não será tão eficiente se ainda acreditarmos que o observador é sólido ou concreto. A consciência da impermanência deve incluir o observador, nós mesmos, para que ela seja um lugar de libertação real. Isso pode ser muito sutil. Poderemos até saber que nossos pensamentos e sentimentos se mantêm mudando constantemente, mas será que investigamos a exata natureza da nossa mente que sabe? O que é consciência, e, ela é impermanente também? É claro que é fácil para mim, fazer estas perguntas, sentado aqui enquanto converso com você. O desafio real é olharmos profundamente e vermos por nós mesmos (ou não-nós mesmos).

I.M: S.N. Goenka faz com que seus estudantes foquem na impermanência das sensações físicas, como um meio de conscientizar que o observador está também em processo de mudança.
J.G: Essa é uma prática muito poderosa para muitas pessoas. E quanto mais for praticada, mais a pessoa poderá ficar consciente ao longo do dia.

I.M: De que outras formas podemos cultivar a habilidade de estarmos mais conscientes da impermanência no nosso dia-a-dia?

J.G: Coloque um grande aviso na geladeira: “Preste Atenção à Mudança”! (Risos) A consciência da impermanência é completamente acessível o tempo todo. Acho que existe uma crença enganosa nos círculos do dhamma, de que o insight profundo só pode vir durante retiros intensivos. Eu aprecio verdadeiramente o que acontece nos retiros, mas a natureza do mundo e a natureza das nossas mentes são exatamente as mesmas se estivermos em retiro ou fora dele. Saia para uma caminhada, abra a porta, ou mesmo movimente a sua mão. Impermanência está sempre ali. Note o que acontece em cada simples atividade durante o dia. Sons, visões, sensações e pensamentos estão continuamente mudando. Quanto mais notarmos isso, menos nos agarraremos e nos apegaremos. Quanto menos agarrarmos e nos apegarmos, mais tranquilidade e liberdade haverá na mente. É muito simples, embora, como meu primeiro professor, Anagarika Munindra, sempre dizia: “Não é fácil”. Prestar atenção é algo que temos de praticar.

I.M: Agora, enquanto conversamos, você está com a atenção plena na impermanência?

J.G: Obviamente, a maioria das pessoas, e eu me incluo, não vive continuamente num estado de constante atenção plena na impermanência. Mas nós podemos ter a experiência dessa verdade muitas vezes todos os dias. Mesmo agora, podemos perguntar, “Onde ficou o início da nossa conversa? Onde ficou a experiência que tivemos quando pusemos a fita no gravador?” Já desapareceram. A experiência se mantém fluindo e mudando o tempo todo e o que estava aqui há trinta segundos atrás, já não está mais aqui,. Acho isso realmente um pouco mágico, um pouco misterioso ter essa consciência. Eu faço isso sempre que me lembro. Não é necessário nenhum tipo especial de estado mental e está sempre acessível.
Uma imagem que gosto de usar é a de estar num cinema e ser totalmente envolvido pela trama da estória. Então, de repente nos lembramos que estamos assistindo a um filme e naquele momento a magia é quebrada. Essa é uma boa analogia de como vivemos, com frequência : estamos completamente perdidos num filme, mas nada substancialmente importante está realmente acontecendo.

I.M: Algumas pessoas chamariam a sua afirmação de muito niilista. Você está dizendo que nada está acontecendo aqui realmente?

J.G: Quando digo que nada realmente está acontecendo, quero dizer que aquilo que está acontecendo não é o que pensamos. Um exemplo comum utilizado na literatura Budista é o de um sonho. O sonho está realmente acontecendo? Bem, está acontecendo realmente como um sonho. Nossa delusão é que nós não sabemos que é um sonho, então somos agarrados pela situação. Podemos fazer da nossa realidade um sonho lúcido? Quando prestamos atenção à impermanência, isso nos ajuda a acordar. Podemos também falar em termos de níveis absolutos e relativos de realidade e da união dos dois. Podemos estar totalmente engajados no nível relativo e ainda ter uma compreensão da perspectiva absoluta, da qual vemos a natureza impermanente dos fenômenos. Só então, poderemos estar engajados na experiência sem fixação e sem delusão. Ver a impermanência não implica numa falta de empatia ou falta de vínculo. De fato, com a consciência da impermanência existe muito menos uma noção de eu e outro, então uma pessoa pode se sentir ligada num nível mais profundo. Se não estivermos identificados com nenhum aspecto da experiência, incluindo a mente que sabe, então o que fica é a compreensão da inter-relação básica, o um nascido do zero. Kalu Rinpoche expressou isso tão claramente quando disse: “Nós vivemos na ilusão da aparência das coisas. Existe uma realidade. Nós somos essa realidade. Quando entendemos isso, vemos que não somos nada. E sendo nada, nós somos tudo. Isso é tudo”

I.M: A verdade da impermanência está se tornando bastante aparente para a grande maioria de membros da sangha ocidental que está entrando nos anos e notando a impermanência nos cabelos, dentes e na força dos músculos. Quais são as suas reflexões a respeito do processo de envelhecimento?


J.G: Acho que ver a impermanência do corpo pode levar a uma das duas direções. Obviamente, podemos sentir muito desconforto sobre a natureza decadente da nossa carne e ossos, o que significa que ao mesmo tempo estamos identificados com o nosso corpo. Se nos vemos sensíveis ao nosso envelhecimento, isso revela onde estamos presos o que pode ser de grande ajuda no nosso processo de nos soltarmos disso. Mas se observarmos nossa impermanência física com a compreensão de que o corpo é desprovido de um eu, que ele é uma combinação de elementos básicos, então ver sua natureza deteriorante pode ser libertadora. Tem sido de grande ajuda para mim, lembrar que a mudança não é um erro. É assim que as coisas são. Portanto, ao experimentar o envelhecimento do corpo, meu mantra se transformou em: “É assim que as coisas são.” Emaho! (Que incrível!)

terça-feira, 6 de junho de 2017

MEDITAÇÃO VIPASSANA - 10 DIAS EM SILÊNCIO



Oi gente,

Vamos falar um pouquinho mais sobre MEDITAÇÃO VIPASSANA.

A Meditação Vipassana é muito semelhante com o Mindfulness, já que a atenção plena faz parte de ambas.

Ver post: Qual a diferença entre Vipassana e Mindfulness?

O Cadu Cassau do Canal Se Joga cara! fez um vídeo bem legal contando sobre sua experiência num retiro de 10 dias de Vipassana (o vídeo segue logo abaixo).

Então, antes de mostrar o vídeo, vou transcrever aqui algumas informações importantes para vocês ficarem "por dentro" do que é essa meditação.

Logo depois do vídeo do Cadu, deixo um outro vídeo bemmmmmmmm bacana que na verdade é um documentário sobre uma ideia fantástica que foi a aplicação do Vipassana em uma penitenciária na Índia. O resultado deu super certo e isso mostra claramente que não adianta nada apenas "punir" é preciso "reformar", educar, conscientizar o detento porque senão de nada vai adiantar os anos que eles passou excluído da sociedade....

Na boa, acredito que a única solução para o mundo é a educação vertical, será que um dia???...

Um beijo enorme no coração de todos vocês

Namastê
________________________ॐ________________________
Todas as informações do texto que segue abaixo foram retiradas do site:




Vipassana, que significa ver as coisas como realmente são, é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. Era ensinada na Índia há mais de 2500 anos como um remédio universal para males universais, ou seja, uma Arte de Viver. Para aqueles que não estão familiarizados com a Meditação Vipassana, uma Introdução à Vipassana pelo Sr. Goenka e vídeos relacionados(em inglês ou em hindi) e Perguntas e Respostas sobre Vipassana estão disponíveis.

Vipassana, que significa ver as coisas como realmente são, é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. Foi redescoberta pelo Buda Gotama há mais de 2500 anos e ensinada por ele como um remédio universal para males universais, ou seja, uma Arte de Viver. Esta técnica não sectária visa a total erradicação das impurezas mentais e a resultante felicidade suprema da libertação completa.

Vipassana é um caminho de autotransformação através da auto-observação. Focaliza-se na profunda interconexão entre a mente e o corpo, que pode ser experimentada diretamente pela atenção disciplinada às sensações físicas, que formam a vida do corpo e que se interconectam continuamente e condicionam a vida da mente. É esta jornada de autoconhecimento baseada na observação à raiz comum da mente e do corpo que dissolve as impurezas mentais, resultando numa mente equilibrada, cheia de amor e compaixão.

As leis científicas que acionam os pensamentos, sentimentos, julgamentos e sensações tornam-se claras. Pela experiência direta, compreende-se a natureza de como se progride ou regride, como se produz sofrimento ou se liberta do mesmo. A vida começa a caracterizar-se pelo aumento da consciência, libertação de ilusões, autocontrolo e paz.

A Tradição

Desde o tempo do Buda, a Vipassana tem sido transmitida, até ao presente momento, por uma ininterrupta cadeia de professores. Embora de origem indiana, o atual professor nesta cadeia, Sr. S.N. Goenka, nasceu e foi criado na Birmânia (Myanmar). Enquanto viveu lá, ele teve o privilégio de aprender Vipassana com o seu professor, Sayagyi U Ba Khin que, naquela época, era um alto funcionário público. Depois de ser treinado pelo seu professor durante catorze anos, o Sr. Goenka estabeleceu- se na Índia, iniciando os seus ensinamentos de Vipassana em 1969. Desde então, ele tem ensinado dezenas de milhares de pessoas de todas as raças e religiões, no ocidente e no oriente. Em 1982 ele começou a nomear professores assistentes para ajudá-lo a corresponder à demanda crescente por cursos de Vipassana.

Os Cursos

A técnica é ensinada em cursos residenciais de dez dias, durante os quais os participantes seguem o Código de Disciplina recomendado, aprendem os conceitos básicos do método e praticam o suficiente para experimentar os seus resultados benéficos.

O curso requer trabalho sério e árduo. Há três passos no treino. O primeiro passo é abster-se — durante todo o curso — de matar, roubar, manter atividade sexual, mentir e tomar intoxicantes. Este simples código de conduta moral serve para acalmar a mente que, de outra forma, estaria muito agitada para executar a tarefa de auto-observação. O próximo passo é desenvolver o domínio da mente aprendendo a fixar a atenção na realidade natural do fluxo da respiração, sempre em mudança, enquanto entra e sai das narinas. Ao quarto dia, a mente está mais calma e mais focada, estando melhor preparada para empreender a prática de Vipassana em si: observar as sensações por todo o corpo, compreender a sua natureza e desenvolver a equanimidade ao aprender a não lhes reagir. Finalmente, no último dia os participantes aprendem a meditação do amor ou boa vontade face a todos, na qual a pureza desenvolvida durante o curso é partilhada com todos os seres.

Toda a prática é, na verdade, um treino mental. Tal como como usamos exercícios físicos para melhorar a saúde do nosso corpo, a Vipassana pode ser utilizada para desenvolver uma mente saudável.

Porque a técnica é considerada genuinamente benéfica, é dada muita ênfase à preservação da sua forma autêntica, original. Ela não é ensinada comercialmente, mas é pelo contrário oferecida gratuitamente. Nenhuma pessoa envolvida neste ensino recebe qualquer remuneração material. Não se cobra nada pelos cursos — nem mesmo pelos custos de alimentação e alojamento. Todas as despesas são cobertas por doações de pessoas que, tendo completado um curso e experimentado os benefícios da Vipassana, desejam dar a outros a oportunidade de também se beneficiarem.

Claro que os resultados vêm gradualmente pela prática contínua. Não é realista esperar que todos os problemas sejam resolvidos em dez dias. Durante esse tempo, contudo, o essencial da Vipassana pode ser aprendido de forma a ser aplicado na vida diária. Quanto mais se pratica a técnica, mais se é libertado do sofrimento, e mais se está próximo do objetivo final da libertação completa. Mesmo dez dias podem dar resultados vívidos e obviamente benéficos para a vida quotidiana.

Todas as pessoas sinceras são bem-vindas a participar num curso de Vipassana para ver por si mesmas como a técnica funciona e para sentir os seus benefícios. Todos os que experimentam, acham que a Vipassana é uma ferramenta inestimável para atingir e repartir com os outros a verdadeira felicidade.


Localizações

Os cursos são ministrados em diversos Centros de Meditação e em locais fora dos centros em sítios arrendados. Cada local tem o seu próprio calendário de cursos. Na maioria dos casos, a inscrição em cada um desses cursos pode ser realizada com um clique na data num curso da lista de cursos que aparece no calendário. Há diversos Centros na Índia e em outros lugares na Ásia; dez Centros na América do Norte; três Centros na América Latina; sete Centros na Europa; sete Centros na Austrália/Nova Zelândia; um Centro no Médio Oriente e um Centro na África. Cursos de dez dias são realizados frequentemente fora dos Centros, em locais arrendados por estudantes de Vipassana dessas áreas. Uma lista em ordem alfabética de cursos locais em todo o mundo está disponível bem como um interface gráfico mundial na Índia e no Nepal.

Recursos e Cursos Especiais

Cursos de Meditação Vipassana também são ministrados em prisões. Um curso de Vipassana de 10-Dias especial para executivos de negócios e oficiais do governo é ministrado periodicamente em diversos centros em todo o mundo. Para informações adicionais consulte Cursos para Executivos Informações sobre a Meditação Vipassana também se encontram disponíveis em outras línguas. Clique no globo no lado superior direito da página e selecione a língua.




MEDITAÇÃO VIPASSANA - 10 DIAS EM SILÊNCIO com Cadu Cassau





Documentário: Tempo de Espera, Tempo de Vipassana


terça-feira, 16 de maio de 2017

Superinteressante MEDITAÇÃO: Lição de Transcendência



O horário do recreio transcorria normalmente numa escola de ensino fundamental dos Estados Unidos. De repente, duas garotas começaram uma discussão nos corredores. Uma delas sofria bullying por causa de suas roupas - e costumava reagir às brincadeiras de mau gosto socando a cara do piadista da vez. 

Ela ergueu a colega pelo colarinho e parecia prestes a quebrar lhe os dentes. A menina, então, olhou no fundo dos olhos da rival e disse: "Para a sua sorte, eu faço meditação". Em seguida, soltou a colega, sentou -se na escada. fechou os olhos e iniciou um exercício de respiração. A cena parece tirada de um filme da Sessão da Tarde, mas aconteceu de fato na escola Robert W. Colleman, de Baltirnore, no Estado de Maryland. Lá, a rede de ensino público implemento programas de meditação para aprimorar a mente dos alunos. A técnica também é utilizada como ferramenta de acolhimento em casos de mau comportamento.

Algumas das escolas locais chegaram a abolir as salas de detenção, onde alunos são enviados quando matam aula, brigam e perturbam o ambiente, e as substituíram por espaços reservados ao mindfulness.

O projeto foi idealizado pela Holistic Life Foundation (HLF) , uma instituição sem fins lucrativos dedicada a incrementar a qualidade de vida por meio de ioga e meditação. Chamado de Holistic Me After Séhool ("Me torne holístico depois da escola"), o programa existe há 15 anos e abrange diversas atividades, como música, artes e esportes, embora os exercícios de relaxamento e respiração sejam o item fundamental. "Notamos uma transformação em nossas vidas a partir da meditação e queríamos levar esses benefícios a outras pessoas" , explica Andres Gonzalez, diretor de marketing e cofundador da HLF. "Então. pensamos em começar com os mais jovens."
O objetivo da ação é tornar as crianças mais conscientes dos seus pensamentos e emoções. Assim, elas podem gerir o stress e a raiva de um jeito saudável.

“É a minha história favorita”, confessa Gonzales, que testemunhou a cena em 2009. A proposta contempla, em sua maioria, estudantes entre 5 e 11 anos, faixa etária que tende a provocar um pequeno caos em aula.

É difícil imaginá-los quietos por alguns minutos para se concentrar na própria respiração. Mas, os pequenos surpreendem. “ As crianças são naturalmente presentes. Suas mentes não oscilam tanto entre o passado e o futuro”, diz Alexandre Lopes, instrutor de yoga e meditação da Arte de Viver, uma organização internacional que já ministrou cursos sobre técnicas em mais de 60 escolas brasileiras.

A escola Robert W Colleman, por exemplo, coloca a meninada para meditar duas vezes por dia. É o chamado Mindfull Moment. Às 08he às 14h, uma gravação é emitida pelos alto- falantes e induz os alunos a observarem os seus próprios pensamentos. "Utilizamos principalmente exercícios de respiração e de incentivo ao afeto mútuo", conta Gonzalez. As sessões de mindfulness duram 15 minutos e são monitoradas pela equipe da HLF. Há até uma competição entre as salas para saber quem medita com mais afinco. Os professores dão notas pelo engajamento na atividade, e a escola premia as melhores classes com um troféu.

Alguns dos alunos mais destacados se tornam "embaixadores" da prática. "Eles se voluntariam para ajudar a envolver os colegas durante os exercícios", relata Gonzalez. Além das pílulas de meditação, a Robert W Colleman oferece três aulas de ioga por dia na biblioteca. Cada uma das 15 turmas frequenta uma dessas sessões por semana.

SALINHA DA CONSCIÊNCIA        A abordagem adotada pela escola também inclui a meditação sem hora marcada, realizada no Mindfull Moment Room, a antiga sala de detenção da escola. Depois de uma briga ou de uma discussão acalorada, as crianças são recepcionadas por um profissional treinado pela HLF e passam por uma sessão de terapia meditativa de aproximadamente 20 minutos.
Elas são orientadas a pensar no fato ou na emoção que as levou até ali e realizam exercícios de respiração e relaxamento - uma espécie de reset mental para continuar o dia.

Os próprios estudantes podem procurar o "Quartinho da Calma" caso não se sintam bem.
Para otirnizar o processo, os mentores da HLF realizam uma ronda pelas salas no início do dia
e conferem se algum aluno está apresentando alterações de comportamento ou necessita de
apoio. A parceria da HLF com a escola começou em 2008, mas a introdução da sala de meditação ocorreu em 2013. De lá para cá, a Instituição registrou cerca de 400 atendimentos no local. Essa nova abordagem derrubou a incidência de suspensões: de quatro por ano para zero.

Já na Patterson High School, outra das escolas de Baltimore que adotaram o Mindfull Moment Room, o número de alunos afastados devido ao envolvimento em brigas diminuiu de 49
para 23 entre 2013 e 2014. No mesmo período, as punições para estudantes pegos perambulando pelos corredores em horário de aula passaram de 62 para 35. "A introspecção e o diálogo interior permitem fazer melhores escolhas e influenciam o processo decisório, refletindo no comportamento", justifica a especialista em neuropsicologia Regina Migliori, idealizadora do MindEduca. Aplicado em escolas de Campinas Belo Horizonte e Vitória, o programa associa o mindfulness a conhecimentos neurocientíficos e técnicas de desenvolvimento humano.

TENDÊNCIA MUNDIAL  Nos últimos anos, os Estados Unidos têm presenciado um crescimento das práticas de meditação nas escolas.
E com bons resultados. A  Visitacion Valley Middle School, de San Francisco, introduziu o programa Quiet Time para alunos da 5a à 12" séries em 2007. O projeto é coordenado pelo Centro para o Bem - EStar e Desempenho Educacional (CWAE, na sigla em inglês). urna organização sem fins lucrativos da Califórnia.

Até então, o colégio convivia com altos índices de abstenção e episódios de violência entre os estudantes. Logo no primeiro ano da iniciativa a Visit Valley viu sua média de suspensões despencar 45%. Esse percentual recuou 79% desde então. Os alunos também apareceram entre os mais felizes de San Francisco na pesquisa anual de saúde infantil da Califórnia, desenvolvida pelo instituto WeStEd. De acordo com um levantamento feito pela CWAE os benefícios também atingem professores e administradores escolares envolvidos em programas de meditação estudantil: os níveis de depressão, ansiedade e raiva nesses profissionais são menores.

O trabalho de instituições dedicadas à meditação para crianças também tem crescido em outros países, como no Reino Unido, onde o Mindfullness in Schools Projeét busca disseminar a prática entre pais e professores desde 2009. No Brasil, o movimento igualmente vem ganhando força. Uma das principais organizações voltadas a esse fim é a Mahatma Meditação Paz, fundada pela psiquiatra indiana Anmol Mora.

MUITO ALÉM DOS TEMPLOS     Inspirada nos mantras da meditação transcendental, Anmol criou um programa pautado pela repetição de sete afirmações positivas - como "Eu estou em paz" e "Minha escola está em paz" -, que devem ser proferidas ou mentalizadas antes das aulas. O método é distribuído por meio de um kit gratuito, contendo orientações aos professores e um CD com músicas compostas para facilitar a assimilação por crianças menores de 6 anos. "O aumento do bullying e dos diagnósticos de hiperatividade e déficit de atenção na infância me estimularam a promover uma técnica que trago comigo desde a ancestralidade" , conta Anmol, filha de um físico quântico e de uma professora de ioga e de sânscrito. Iniciado em 2011, o projeto Mahatma Meditação Paz nas Escolas já chegou a 42 mil crianças e está presente em praticamente todos os Estados brasileiros, além de escolas em Portugal e na Espanha.

Outro projeto tupiniquim é a Meditação Laica Educacional, criada pela psicóloga e educadora física Claudiah Rato. Praticante desde 1989, Claudiah decidiu ensinar a técnica quando percebeu o stress psicológico vivido pelas crianças na transição para a adolescência. Para distensionar a turma, a professora desenvolveu exercícios com foco em relaxamento, concentração e transcendência do pensamento.

Em seu método, Claudiah procura ressaltar a independência da meditação em relação a sistemas religiosos ou filosóficos. "Trata -se de uma prática orgânica pensada como estratégia pedagógica para o auto conhecimento e a educação emocional", garante. A Holistif Life Foundation adota a mesma precaução. "Sempre reforçamos o nosso caráter secular. Não ensinamos nenhum tipo de religião" , sublinha Andres Gonzalez.

Essa possível confusão acerca do tema surge como um dos entraves enfrentados pela meditação para se consolidar como um recurso válido no sistema educacional. "Os pais costumam questionar isso. Porém, depois de esclarecida a ausência do vínculo religioso, o retorno vindo das famílias é muito positivo", diz a educadora física Rosângela Martins, coordenadora do projeto Volta ao Centro, realizado na Escola Lupércio Belarmino da Silva, em Florianópolis. O programa mescla a abordagem preconizada pela psiquiatra Anmol Mora com as técnicas do Movimento Yoga na Educação, elaborado na França.

Vale ressaltar, ainda, uma questão referente aos cuidados pedagógicos exigidos para o trabalho com
crianças e adolescentes. "Não se pode garantir que um praticante de meditação, mesmo avançado, saiba conduzir a técnica dentro de uma escola, respeitando os preceitos necessários", pontua Claudiah Rato. Nesse sentido, o método elaborado por ela é direcionado à capacitação e certificação de professores, com base em uma didática particular para o aprendizado da meditação em sala de aula. "Meditar é uma habilidade humana que deve ser desenvolvida na escola, como a leitura e a escrita."

FREIO NOS IMPULSOS     A ciência tem se interessado pelo ensino da meditação em escolas.
Os benefícios, em geral, se assemelham àqueles costumeiramente relatados pelos adultos como redução de stress, aumento da concentração, maior controle sobre a impulsividade e desenvolvimento da empatia em relação ao próximo. "As crianças ganham autoestima e ficam mais compassivas, além de aprenderem a resolver os conflitos de forma pacífica", complementa Andres Gonzalez, da Holistic Life Foundation.

A Universidade Davis, da Califórnia, realizou uma pesquisa com três escolas da cidade de Oakland que aplicaram um programa criado pela Mindful Schools, outra organização dedicada ao ensino da meditação em instituições educacionais nos EUA. Entre os professores entrevistados, 84% afirmaram que os alunos se acalmaram mais facilmente após terem contato com a prática. Já entre os estudantes, 61% relataram maior foco nas aulas.

A cineasta norte-americana Julie Bayer se surpreendeu ao ouvir o filho de 5 anos conversando com um amiguinho sobre como a respiração profunda afetava o cérebro e acalmava as pessoas. Ele havia aprendido em aulas de meditação realizadas na Citizens of the World Charter School (CWCS), escola primária da Califórnia. "Mesmo praticando meditação há anos, jamais havia pensado em ensiná-lo e sequer sabia que ele havia aprendido na escola", conta Julie. A naturalidade dos meninos para tratar o assunto inspirou Julie e o marido, Josh Salzman, a criarem o documentá rio Just Breathe ("Apenas respire"). Disponível no YouTube, o filme tem quatro minutos e mostra diversas crianças da CWCS contando como lidam com a raiva e a depressão por meio das práticas de atenção plena. O curta, lançado em 2014, ganhou notoriedade após ser apresentado no programa de Oprah Winfrey e foi traduzido para seis idiomas. Em breve, será utilizado no treinamento de pessoas em centros de detenção juvenil de Nova York. Mudanças como essas também são notadas em solo brasileiro. "Recebemos inúmeros depoimentos de pais e professores indicando que as crianças se mostram mais relaxadas e concentradas. O desempenho e o clima escolar também melhoram consideravelmente" , relata a psiquiatra Amnol Mora, da Mahatma Meditação. Além das vantagens de curto prazo, a eficácia da meditação pode ser ainda mais significativa para as crianças ao longo da vida. Isso estaria diretamente relacionado ao incremento da neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se adaptar aos estímulos externos.

O grupo de Neuropsicologia Clínica da PUCRS identificou sinais disso em um estudo rea- lizado em 2014, com alunos do 5° ano de escolas públicas de Porto Alegre e de Gramado (RS).

Durante três meses, alguns estudantes praticaram 5 minutos diários de meditação, seguindo o método da Mahatma Meditação Paz. As crianças analisadas mostraram melhores avanços em funções cognitivas, como planejamento e velocidade de processamento de conteúdos, na comparação com aquelas que não meditaram. "Isso sugere a formação de uma reserva cognitiva. Ou seja, uma cognição extra para quando houver maior demanda mental", explica a neuropsicóloga Rochele Fonseca, integrante do projeto. "Há regiões e conexões cerebrais pré- prontas para assumirem algumas funções, mas elas precisam de um empurrãozinho." A meditação daria esse impulso.

A Universidade da Califórnia encontrou resultados semelhantes. Em 2012, um estudo coordenado pelo Laboratório de euroimagem da instituição deteétou uma relação entre o tempo de meditação e a quantidade de dobras do córtex cerebral. A pesquisa reuniu 50 praticantes. Aqueles que meditavam havia mais tempo apresentaram um cérebro com número maior de sulcos na superfície. Ou seja, a prática pode ter causado essas modificações físicas. Em tese, as rugas do córtex facilitariam a comunicação entre os neurônios e, por consequência, aprimorariam o aprendizado, a atenção e a memória.

"A consistência das evidências neurocientíficas e o mapeamento dos resultados positivos fortalecem a necessidade da adoção dessas novas metodologias no processo educativo" , acredita Regina Migliori, do MindEduca.

As técnicas de concentração também podem ser úteis para atenuar os sintomas de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Em 2007, a revista científica Child Psyéhology Clinical and Psyéhiatry publicou uma pesquisa, conduzida por médicos australianos, com 48 crianças portadoras de TDAH. Elas se submeteram a um programa que associava a medicação a práticas meditativas regulares em casa, realizadas junto com os pais. Ao término da análise, os participantes relataram uma diminuição de aproximadamente 35% dos sintomas. Além disso, seis crianças abandonaram os remédios e outras 12 cortaram a dosagem pela metade. "Com tantas atividades e informações, as crianças estão ficando ansiosas e deprimidas.

A meditação traz a mente delas para o estado natural novamente", explica Alexandre Lopes, da Arte de Viver. Já os pais que integraram o estudo, acompanhado pelo Prince ofWales Hospital, de Sidney, se sentiram mais felizes e capazes de controlar o comportamento de seus filhos.

FAMÍLIA ZEN         Transformar a meditação num costume familiar pode ser mesmo um ótimo caminho para estreitar as relações em casa. Uma pesquisa coordenada pela Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, reuniu 18 duplas de pais e filhos entre 9 e 13 anos para um programa de redução do stress familiar por meio do mindfulness.

Antes e depois do curso, os pais foram submetidos a exames de ressonância magnética cerebral. O grupo analisado apresentou aumento na atividade neural das áreas relacionadas à consciência emocional e à empatia. Essa modificação foi notada pelos filhos, especialmente os menores. As crianças afirmaram que os pais passaram a prestar mais atenção nelas depois do programa.
Ainda assim, quem pretende ensinar a técnica aos filhos deve tomar precauções. "O ideal é começar aos poucos e respeitar o tempo deles.

Algumas crianças podem achar diferente no início, mas a repetição diária acaba transformando num hábito natural, como escovar os dentes", explica Camila Fernandes, instrutora de ioga especializada em meditação, criadora do método Infância Zen - um programa pensado para quem deseja iniciar os pimpolhos nessa prática. O próprio exemplo das escolas de Baltimore pode ser adaptado dentro de casa para aquelas horas em que um puxão de orelha parece ser a única alternativa. "Fazer a criança respirar e se acomodar em um ambiente mais tranquilo e seguro permitirá que ela reflita e busque o seu ponto de equilíbrio", sugere a professora Rosângela, da escola Lupércio Silva. Os especialistas se empolgam e acreditam que essas iniciativas podem ajudar a construir uma sociedade mais harmonizada e pacífica dentro de 10 ou 20 anos. "Como disse o Dalai Lama, se ensinarmos meditação a cada criança de 8 anos, eliminaremos a violência no mundo dentro de uma geração" , cita Andres Gonzalez, da HLF. Sendo assim, pulmõezinhos à obra.