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quarta-feira, 5 de julho de 2017

IMPERMANÊNCIA: Entrevista com Joseph Goldstein



Vendo a impermanência, o “processo de contínua perda e criatividade do que existe”, por Joseph Goldstein


Retirado do Site:
http://dharmalog.com/2014/03/13/impermanencia-verdade-existencia-joseph-goldstein-meditacao/


A impermanência (anicca) não é um fato difícil de concordar e de aceitar, pelo menos intelectualmente, mas é muito difícil de viver percebendo e agindo de acordo com essa percepção. O professor de meditação Joseph Goldstein (“Dharma, o Caminho da Libertação” e “A Experiência do Insight”) diz que “o perigo, eu acho, em qualquer tradição espiritual é permanecer no nível filosófico. As três características (ele se refere aos três fatos da existência condicionada, segundo a ciência budista: impermanência, sofrimento e não-eu) não são apenas afirmações filosóficas sobre a natureza do universo; isto não é o que importa. Elas são práticas”, diz ele, numa entrevista concedida à revista Inquiring Mind numa edição do ano 2000, publicada e traduzida pelo site Acesso ao Insight.

E aí existe essa coisa estranha de praticar uma coisa que já é. Diz Goldstein: “Existe um grande paradoxo aqui, porque essas verdades são ao mesmo tempo, óbvias e ocultas. Elas são óbvias quando fazemos o esforço correto para realmente despertarmos para elas no momento presente e elas são ocultas quando nós, simplesmente, somos carregados pelas energias do hábito nas nossas vidas”.

Na citada entrevista, Joseph Goldstein é perguntado sobre a definição de impermanência, e o trecho da sua resposta segue abaixo. A entrevista inteira está neste link, em português, e vale a pena, pois ele também explica a relação entre a impermanência e as outras duas verdades básicas da existência condicionada, o sofrimento ou insatisfação (dukkha) e o não-eu (anatta).

A PRÁTICA DA IMPERMANÊNCIA
Uma entrevista com Joseph Goldstein
Revista Inquiring Mind (edição 2000), tradução Acesso ao Insight

Inquiring Mind: Como você descreveria impermanência?

Joseph Goldstein: Impermanência é a verdade básica universal e constante da mudança. Impermanência é, ao mesmo tempo, um processo contínuo de perda, no qual as coisas existem e então desaparecem, e um processo contínuo de renascimento ou criatividade no qual as coisas que não existem repentinamente aparecem. Podemos ver isso momento a momento na meditação. Por exemplo, sons, pensamentos ou sensações continuamente desaparecendo e novos surgindo. Podemos, também, ver isso claramente em situações corriqueiras das nossas vidas. Onde foi parar nossa experiência do café da manhã lá pelo fim da manhã? Onde ficou aquela conversa que tivemos com um amigo, no dia seguinte? Algumas vezes, estamos mais conscientes das coisas novas que estão surgindo, e outras, notamos o seu desaparecimento. Mas, a mudança é sempre óbvia quando prestamos atenção.

Eu acho muito poderosa a prática de prestar atenção, momento a momento, na experiência da mudança. Ao invés de somente ficar perdido no conteúdo do que está acontecendo, é possível, simultaneamente, prestar atenção ao fato de que a experiência está se alterando e fluindo. Isso não é uma coisa tão difícil de se fazer, mas é mais difícil lembrar de fazê-lo.

Sermos capazes de manter essa perspectiva da natureza transitória da experiência, mesmo quando estivermos passando por ela, ajuda a aliviar a ansiedade na nossa mente. Daqui a seis meses, será que nos lembraremos da raiva ou tristeza ou mesmo da alegria desse momento?
Isso não significa que não devamos ser sensíveis ou responsáveis pelo que está acontecendo ao nosso redor, mas deveríamos sim olhar com o entendimento de que tudo está sempre mudando. Nós sabemos dessa verdade de forma abstrata, mas com frequência, não desfrutamos dessa sabedoria. O ponto principal, realmente, é como usar a impermanência como um método para libertar a mente.

I.M: Nós vemos a mudança acontecendo ao nosso redor, mas não é ainda mais importante ver que nós mesmos estamos mudando?

J.G: Esse é um ponto importante. Ver impermanência não será tão eficiente se ainda acreditarmos que o observador é sólido ou concreto. A consciência da impermanência deve incluir o observador, nós mesmos, para que ela seja um lugar de libertação real. Isso pode ser muito sutil. Poderemos até saber que nossos pensamentos e sentimentos se mantêm mudando constantemente, mas será que investigamos a exata natureza da nossa mente que sabe? O que é consciência, e, ela é impermanente também? É claro que é fácil para mim, fazer estas perguntas, sentado aqui enquanto converso com você. O desafio real é olharmos profundamente e vermos por nós mesmos (ou não-nós mesmos).

I.M: S.N. Goenka faz com que seus estudantes foquem na impermanência das sensações físicas, como um meio de conscientizar que o observador está também em processo de mudança.
J.G: Essa é uma prática muito poderosa para muitas pessoas. E quanto mais for praticada, mais a pessoa poderá ficar consciente ao longo do dia.

I.M: De que outras formas podemos cultivar a habilidade de estarmos mais conscientes da impermanência no nosso dia-a-dia?

J.G: Coloque um grande aviso na geladeira: “Preste Atenção à Mudança”! (Risos) A consciência da impermanência é completamente acessível o tempo todo. Acho que existe uma crença enganosa nos círculos do dhamma, de que o insight profundo só pode vir durante retiros intensivos. Eu aprecio verdadeiramente o que acontece nos retiros, mas a natureza do mundo e a natureza das nossas mentes são exatamente as mesmas se estivermos em retiro ou fora dele. Saia para uma caminhada, abra a porta, ou mesmo movimente a sua mão. Impermanência está sempre ali. Note o que acontece em cada simples atividade durante o dia. Sons, visões, sensações e pensamentos estão continuamente mudando. Quanto mais notarmos isso, menos nos agarraremos e nos apegaremos. Quanto menos agarrarmos e nos apegarmos, mais tranquilidade e liberdade haverá na mente. É muito simples, embora, como meu primeiro professor, Anagarika Munindra, sempre dizia: “Não é fácil”. Prestar atenção é algo que temos de praticar.

I.M: Agora, enquanto conversamos, você está com a atenção plena na impermanência?

J.G: Obviamente, a maioria das pessoas, e eu me incluo, não vive continuamente num estado de constante atenção plena na impermanência. Mas nós podemos ter a experiência dessa verdade muitas vezes todos os dias. Mesmo agora, podemos perguntar, “Onde ficou o início da nossa conversa? Onde ficou a experiência que tivemos quando pusemos a fita no gravador?” Já desapareceram. A experiência se mantém fluindo e mudando o tempo todo e o que estava aqui há trinta segundos atrás, já não está mais aqui,. Acho isso realmente um pouco mágico, um pouco misterioso ter essa consciência. Eu faço isso sempre que me lembro. Não é necessário nenhum tipo especial de estado mental e está sempre acessível.
Uma imagem que gosto de usar é a de estar num cinema e ser totalmente envolvido pela trama da estória. Então, de repente nos lembramos que estamos assistindo a um filme e naquele momento a magia é quebrada. Essa é uma boa analogia de como vivemos, com frequência : estamos completamente perdidos num filme, mas nada substancialmente importante está realmente acontecendo.

I.M: Algumas pessoas chamariam a sua afirmação de muito niilista. Você está dizendo que nada está acontecendo aqui realmente?

J.G: Quando digo que nada realmente está acontecendo, quero dizer que aquilo que está acontecendo não é o que pensamos. Um exemplo comum utilizado na literatura Budista é o de um sonho. O sonho está realmente acontecendo? Bem, está acontecendo realmente como um sonho. Nossa delusão é que nós não sabemos que é um sonho, então somos agarrados pela situação. Podemos fazer da nossa realidade um sonho lúcido? Quando prestamos atenção à impermanência, isso nos ajuda a acordar. Podemos também falar em termos de níveis absolutos e relativos de realidade e da união dos dois. Podemos estar totalmente engajados no nível relativo e ainda ter uma compreensão da perspectiva absoluta, da qual vemos a natureza impermanente dos fenômenos. Só então, poderemos estar engajados na experiência sem fixação e sem delusão. Ver a impermanência não implica numa falta de empatia ou falta de vínculo. De fato, com a consciência da impermanência existe muito menos uma noção de eu e outro, então uma pessoa pode se sentir ligada num nível mais profundo. Se não estivermos identificados com nenhum aspecto da experiência, incluindo a mente que sabe, então o que fica é a compreensão da inter-relação básica, o um nascido do zero. Kalu Rinpoche expressou isso tão claramente quando disse: “Nós vivemos na ilusão da aparência das coisas. Existe uma realidade. Nós somos essa realidade. Quando entendemos isso, vemos que não somos nada. E sendo nada, nós somos tudo. Isso é tudo”

I.M: A verdade da impermanência está se tornando bastante aparente para a grande maioria de membros da sangha ocidental que está entrando nos anos e notando a impermanência nos cabelos, dentes e na força dos músculos. Quais são as suas reflexões a respeito do processo de envelhecimento?


J.G: Acho que ver a impermanência do corpo pode levar a uma das duas direções. Obviamente, podemos sentir muito desconforto sobre a natureza decadente da nossa carne e ossos, o que significa que ao mesmo tempo estamos identificados com o nosso corpo. Se nos vemos sensíveis ao nosso envelhecimento, isso revela onde estamos presos o que pode ser de grande ajuda no nosso processo de nos soltarmos disso. Mas se observarmos nossa impermanência física com a compreensão de que o corpo é desprovido de um eu, que ele é uma combinação de elementos básicos, então ver sua natureza deteriorante pode ser libertadora. Tem sido de grande ajuda para mim, lembrar que a mudança não é um erro. É assim que as coisas são. Portanto, ao experimentar o envelhecimento do corpo, meu mantra se transformou em: “É assim que as coisas são.” Emaho! (Que incrível!)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O vazio que sinto dentro de mim

Oi gente,

Quantas vezes senti esse vazio desesperador dentro do meu ser e sem ainda entender, ficava naquela ânsia de buscar lá fora algo que tapasse o buraco que havida dentro de mim.

Quanta frustração...porém BENDITA FRUSTRAÇÃO essa que me fez entender que O FINITO NÃO SACIA O INFINITO EM NÓS.

Era a SEDE DO SAGRADO, era isso que tanto buscava, mas não sabia...

Beijos no coração.

Namastê



Começou como um incômodo.
Esse incômodo virou irritação. Depois tristeza.
E sem menos notar, eu estava desconectado. Estava nervoso, triste, julgando e querendo que o outro fizesse aquilo que eu achava que deveria fazer por mim.
Eu tenho dentro de mim alguém que acha que sabe como as coisas deveriam ser. E quando não acontece isso, ele se irrita.
Eu tinha uma necessidade que não foi atendida. E assim eu me irritei.
Mas o problema de querer ter as necessidades atendidas é que nem sempre os outros podem te atender.
E aí a gente sofre. E sente dor.
Mas uma coisa que eu aprendi na vida é olhar para minha dor. Não fugir.
E ao olhar para essa dor, eu entendi.
Que não era apenas uma dor. Era um vazio.
Era um vazio dentro de mim. Uma parte de mim que estava faltando.
E eu estava buscando fora o que pudesse preencher esse vazio.
E observando esse vazio eu vi que ele se manifestava várias vezes ao longo da minha vida. De tempos em tempos ele aparece.
Queria o amor de uma outra pessoa. Queria atenção. Queria carinho. Queria diversão. Queria bens. Queria açúcar.
E olhando mais fundo para esse vazio, eu entendi que não seria nada disso que iria preencher.
Não é o que o outro deixa de fazer que me mantém vazio. Nem o que o outro faz que me completa.
O que me mantém vazio é falta de uma parte de mim que não está se manifestando.
Era falta de alegria. Falta de diversão. Falta de amor próprio. Falta de inspiração. Falta de expressão. Falta de sonhos.
E é pra isso que eu olho hoje.
Quando me irrito, ou fico triste, é porque sinto um vazio. E esse vazio, ninguém consegue preencher. Somente eu mesmo.
De dentro pra fora.
Então eu busco aquilo que me falta e faço eu mesmo. Eu crio a diversão. Eu procuro me amar. Eu tento lembrar dos meus sonhos. Eu procuro me inspirar e ser quem eu sou.
E quando eu começo a ser quem eu sou de verdade, eu me sinto menos vazio.
Me sinto mais eu. E quanto mais eu, menos vazio.
E de repente, o vazio vai embora e eu me sinto completo.



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Author and Entrepreneur | Sharing ideas of a new world |Cocreator at Baobbá | baobbalab.com

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sexta-feira, 13 de maio de 2016

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Só posso estar no lugar certo, na hora certa




Falamos tanto das possibilidades, de onde poderíamos estar se não tivéssemos feito essa ou aquela escolha, mas como podemos mudar o nosso passado e nosso futuro?




Só posso estar no lugar certo, na hora certa