Oi gente, No vídeo da semana passada, relatei a dificuldade que ando enfrentando com a Auto Observação. Esse sentimento de inadequação e incomodo só foi aumentando e no Domingo passado, durante o Curso de Aprofundamento em Yoga e Meditação do Simplesmente Yoga, tive a grande oportunidade de desabafar com meu professor Marco Schultz. Como sempre, Marco nos faz "olhar para da direção certa", seus apontamentos são presentes valiosos nessa nossa busca pelo auto conhecimento.
Gratidão, gratidão, gratidão!!! S2 Namastê Vídeo anterior onde falo sobre a dificuldade que ando tendo com a auto observação:
Contato: Simplesmente Yoga - Marco Schultz http://www.simplesmenteyoga.com.br/ https://www.youtube.com/user/simplesmenteyoga
CONFIAR
...e ainda assim estar se borrando de medo
ENTREGAR
...mas ainda ter dúvidas...
Conseguem identificar isso acontecendo na vida de vocês???
Contraditório não???
Sim! Porém uma coisa não tem anda haver com a outra!!!
O fato de ter perdoado do fundo do coração e ainda estarmos sentindo raiva por exemplo, nada mais é do que nosso puro condicionamento diante de determinada situação.
Dizer que confia e se tremer todo na hora do vamos ver, não significa que você não confiar...
A mente cria conceitos equivocados a todo momento, só para continuar nos mantendo como seus escravos.
Isso é artimanha da mente para continuar dominando.
No vídeo de hoje, tento dar uma esclarecida sobre esses conceitos doidos que insistimos em manter com a gente.
Será que precisa ser assim gente???
Será que já não está na hora da gente tirar "o lençol" que cobre esse terrível fantasma???
Algumas pessoas pensam que é preciso viver todos os prazeres
possíveis antes de dedicar-se à espiritualidade. Essa é uma crença bastante
espalhada e comum. Isso acontece porque algumas pessoas que começam essa
caminhada acabam fazendo exatamente o contrário do que pregam: deixam-se levar
pelas paixões exacerbadas quando supostamente deveriam ser contidos, acumulam
imensas fortunas quando deveriam cultivar a simplicidade e coisas do gênero.
Daí, com algum direito as pessoas pensam: “ele fez isso
porque não viveu o suficiente número de experiências mundanas antes de
dedicar-se à espiritualidade”. Porém, essa ideia é uma falácia. Parece verdade
mas não é. Na medida em que realizamos ações, criamos novas condições para
fazer outras novas no futuro próximo. O apego às memórias passadas nos prende
nos condicionamentos. O nosso karma pode ser prazeroso ou doloroso. Mas nós
mesmos é que escolhemos, em todo caso, o que fazemos com ele.
É preciso discernir as coisas: em primeiro lugar, há uma
situação kármica, que pode ser prazerosa, dolorosa ou uma combinação de ambas.
Porém, sempre podemos escolher se e como, a partir desse setup, vamos continuar
alimentando esse círculo ou não. A ignorância existencial é a coisa mais
medonha. Mas não precisamos tornar-nos vítimas dela.
Qualquer um pode cair. Qualquer um pode se deixar arrastar
pelas fraquezas. Porém, se mantivermos um coração limpo e clareza nos nossos
propósitos e intenções, nada poderá nos demover do nosso objetivo. O primeiro
passo é fazer as pazes com o próprio karma. Não se sentir culpado nem
vitimizado por ele. Depois, é necessário considerar a importância da renúncia.
Renúncia, no sentido de suavizar a ideia de que precisamos viver para
satisfazer os sentidos.
Depois, é recomendável desenvolver curiosidade, foco e
motivação para compreender o que é melhor para nós e agir em consequência: se
vamos vezes e mais vezes nos deixar arrastar pela ânsia de satisfazer os
desejos e as experiências sensoriais, ou ainda, se nos mantemos dispostos a
crescer através de e para além deles. Noutras palavras, nos manter focados em
cultivar bons hábitos, saudáveis e construtivos. Colocar as prioridades em
primeiro lugar, em suma.
Somos ao mesmo tempo vítimas da identificação com o corpo e
do nosso desleixo em relação a ele. É por isso que acreditamos que seja
necessário priorizar as coisas. Não nos deixemos levar pelo apego. Não vivamos
focados unicamente no prazer sensorial. Isso é perder o tempo. Afinal, viver
para satisfazer os sentidos acaba sendo uma autopunição que pagamos muito caro
nas diversas formas do sofrimento e da aflição.
Rafi, um jovem discípulo atento e dedicado, resolveu isolar-se nas montanhas para trabalhar melhor o medo que ainda sentia das criações do seu próprio ego. Quando lá chegou, um velho sorridente o recebeu: – Seja bem-vindo, Filho! Rafi não estava esperando encontrar ninguém naquele lugar, então perguntou: – Não esperava encontrar ninguém nesta montanha, o que fazes aqui? E o Velho, calmamente, respondeu: – Vim para realizar qualquer pedido que me fizeres. Seja muito preciso, pois terás direito apenas a um pedido. Rafi estranhou, mas aceitou a proposta do velho e fez o seu pedido: Desejo nunca mais sentir medo de nada! O Velho disse: – Que assim seja! Quando Rafi voltou-se para o velho, ele havia sumido. Anoiteceu e Rafi começou a sentir muito medo dos sons que vinham da mata. Por mais que tentasse manter-se relaxado e meditativo, não conseguia. O medo, cada vez mais, apossava-se dele. Em todos os cantos da montanha ele percebia inúmeros perigos e começou a gritar por socorro. Sentia um medo enorme, a ponto de entrar em pânico. – Socorro, socorro! Alguém me ajude! De repente o velho apareceu diante dele. Rafi gritou ainda mais com a aparição inesperada do velho. – Por que estás a gritar, Rafi? – Ora, pedi que ficasse livre de todos os medos e o que eu mais sinto neste momento é exatamente o oposto. Não atendestes ao meu pedido, velho, e agora estou em apuros. Então o velho lhe disse: – Quando pedes, deves saber que nada desaparece ou aparece por si mesmo. Para estar livre do medo, deves trabalhar com o medo. Deves encará-lo de frente, conhecer sua natureza frágil e ilusória. Só assim, mostrando tua determinação em aprender, é que dissipas as maiores ilusões criadas por ti mesmo. Quando sentires falta de alguma coisa que ainda não tens, não precisas entristecer-te. Se esta mesma coisa possuir valor para ti, recolha teu ser no mais absoluto silêncio e pede. Mas, pede exatamente como queres, pois em muito dos teus pedidos ainda desconheces as conseqüências que acompanham cada um deles. Teus pedidos nunca vêm sozinhos. Tens que estar ciente de que, para receber o que pediste, deves estar preparado para também receber os meios pelos quais eles podem ser realizados. E será que tu estás preparado para passar por estes meios?
Tens um tesouro dentro de ti, mas esquecestes ou ainda não te destes conta de que é um tesouro, segue mendigando pelas ruas...
É um mendigo.
Se alguém disser: "Olhe sua casa, não precisa ser um mendigo, pode ser um imperador neste exato momento!"
O mendigo dirá: "Que tolice diz! Como vou ser um imperador neste exato momento??? Estive mendigando durante anos e ainda sou mendigo, e inclusive sigo mendigando todos os dias, não sou um imperador! Que absurdo, que ilógico!!!É impossível!!!"
O mendigo não pode acreditar, por que???
Porque a mente mendicante procede de um hábito prolongado. Mas se o tesouro está oculto em casa, escavando um pouco, tirando um pouco de terra, o tesouro aparecerá. E imediatamente já não voltará a ser um mendigo; converterá-se em um imperador.
É o mesmo com a espiritualidade: é um tesouro oculto. Não terá que obter nada , apenas ainda não reconhecestes isso, mas já está em ti. Você é o tesouro, mas segue mendigando.
Uma simples técnica será o suficiente. Escavar a terra, tirá-la um pouco, não é um grande esforço, e pode se converter a um imperador imediatamente.
Tem que escavar um pouco para retirar a terra. E quando digo retirar a terra, não digo só simbolicamente. Literalmente, seu corpo forma parte da terra, te identificastes com o corpo. Retira um pouco de terra, cria um buraco nela, e chegará a conhecer o tesouro.
...Buda foi um mendigo como você; não foi sempre um Buda. Em um momento concreto o mendigo morre e se converte em professor. Não se trata, em realidade, de um processo gradual; não é que Buda vá acumulando e um dia já não é um mendigo e se volta a imperador. Não, um mendigo nunca se pode voltar um imperador se tratando de acumulação, seguirá sendo um mendigo. Pode se tornar um mendigo rico, mas seguirá sendo um mendigo. E um mendigo é um mendigo ainda que maior que um mendigo pobre.
De repente, um dia Buda se da conta do tesouro interno. Então deixa de ser um mendigo e converte-se em um professor. A distância entre Siddharta Gautama e Gautama Buda é infinita. É a mesma distância entre você e Buda. Mas o tesouro está escondido dentro de ti, assim como estava escondido dentro de Buda...
As ideias e sugestões brotam em nossas mentes e a gente acaba agarrando-se a elas, nos identificando de uma forma muito instantânea, sem ao menos perceber... Como isso acontece??? Largar toda e qualquer ideia de como as coisas deveriam ser. Largar até a ideia de um eu, se esvaziar por completo. Porque isso é tão difícil??? O primeiro passo é perceber que isso anda acontecendo o tempo todo dentro de nossas mentes. O dar-se conta nada mais é do que isso. Perceber que a mente está nos distraindo a TODO MOMENTO!!! Bom, deixo aqui esse vídeo do Mooji que vai fazer vocês irem mais a fundo nessa investigação. Beijos no coração, um bom final de semana. Namastê
Cada um recebe o "chacoalhão" de um modo, mas o intuito do desse chacoalhão é nos despertar!!!
E você, onde está em tudo isso???
Beijos no coração
Namastê
Pense bem, quando foi a última vez que você se permitiu não fazer nada?
Ficar horas contemplando a natureza, o nada, a capa de um livro, um lugar qualquer.
Fechar os olhos, sentir seu coração bater, sentir o toque sutil do ar entrando nas suas narinas, saindo. Sentir o seu pulmão expandir e contrair.
Quando você o fez por mais de alguns minutos?
Mais do que isso, quando você se permitiu estar totalmente entregue à você mesmo?
Já tentou ficar sem falar por um dia inteiro? E tentar silenciar a voz dos seus pensamentos?
Pois é, quando falo que fiquei 10 dias sem falar, sem ler, sem escrever, sem nem ao menos fazer contato visual com outras pessoas, muitos me chamam de louco.
10 dias onde acordava às 4h da manhã, e meditava por 11h, todos os dias. Ou seja, das horas que estava acordado, 11h eu passava de olhos fechados.
Atenção: tudo que foi escrito aqui se diz respeito à opinião e experiência do autor. Use seu bom senso ao ler, e participe da conversa =)
Se você quiser “assistir” esse artigo, eu usei esse mesmo texto para falar no TEDx Mauá:
Não teve um único dia em que não pensei em desistir.
Meu corpo e minha mente gritavam para sair de lá.
Sentia dores insuportáveis de cabeça e na coluna, todos os dias. Meu único conforto era um banho quente antes de deitar, e só.
Voltando do retiro, entrei na maior depressão da minha vida.
Quando conto essa estória, todo mundo pergunta: “Mas…. pra que tudo isso? Valeu à pena?”
Minha resposta é sempre igual: “Valeu (e ainda vale) cada segundo. Mas entenda muito bem aonde você está se metendo, você precisa ter o mínimo de preparação.”
Nesses meses de retiro + depressão aprendi sobre mim mesmo o que nenhum livro ou terapia jamais me ensinaram. O que veio foi de dentro.
E agora meu intuito é ao menos tentar compartilhar com você tudo que aprendi:
“A Iluminação é um processo destrutivo (tanto quanto construtivo). Não tem relação com se tornar feliz ou melhor. Iluminação é a desconstrução da mentira. É ver através das pretensões. É a erradicação completa de tudo que se acredita ser verdade.”
Adyashanti
//corpo + mente + alma
Poucas coisas me dão tanta alegria quanto explorar o que é SER humano, o que é estar vivo, o que é a consciência, literalmente descobrir o universo que existe dentro de nós.
O quanto é possível se desenvolver e se auto conhecer nesse pouco espaço de tempo de uma vida. Como conseguir equilibrar os pilares que constituem o ser humano: corpo, mente e espírito.
Eu vivo e respiro isso todos os meus dias, sempre nessa busca.
Por algum tempo eu percebia um sentimento estranho no peito. Como se tivesse um buraco negro, que tinha literalmente o poder de sugar a minha felicidade nos momentos mais inoportunos.
Incomodado com isso, parti em busca de entender mais sobre esse sentimento e o motivo de sua existência.
Essa busca me levou a um retiro de meditação, uma técnica budista chamada Vipassana, onde a proposta era ficar 10 dias em silêncio meditando.
Eu sabia que alguma coisa ia acontecer, só não sabia exatamente o que.
//quais são suas certezas?
Antes do retiro, eu tinha apenas algumas certezas na vida. Eram poucas, mas eram elas que me garantiam, basicamente, que “eu” era “eu”. Todos temos essas certezas, certo?
Como por exemplo, o amor pela minha família. Os meus interesses profissionais. Meus hobbies. Meus amigos.
Certeza1 + Certeza2 + … + CertezaN = Eu
Durante esses 10 dias, sem distrações para a mente (sem computador, celular, TV, redes sociais, sem até mesmo falar), fui, gradativamente, aprofundando a consciência, além da superficialidade do dia a dia.
E quando cheguei tão fundo, comecei a perceber que, na verdade, a noção do “Eu” é muito mais complexa do que a mera construção, a simples ideia que tinha de mim mesmo, o Ego.
Uma das minhas grandes descobertas foi perceber que eu não era minha mente: eu sou algo muito maior do que meus pensamentos.
Para muitos, isso pode parecer óbvio, uma vez que alguns tem a capacidade de identificar pensamentos que não lhes são naturais e “descartá-los”.
Outros, assim como eu, não fazem essa distinção e tomam TUDO o que pensam como seus, mesmo que eles não façam o menor sentido.
//eu ≠ mente
Mas, por que isso acontece?
Acontece justamente por que estamos desconectados da natureza. Estamos envoltos o tempo inteiro por ambientes artificiais.
Já parou para pensar? A sala, o local que você está nesse exato momento, é totalmente artificial.
Não faz parte da natureza como ela é. Os recursos naturais, matérias primas, foram modificadospara construir esse espaço.
Antes que você pare de ler o artigo agora, achando que eu vou sugerir a todos morar na floresta,pode parar. Eu te garanto que não penso assim.
O avanço tecnológico me fascina.
Eu me formei engenheiro, e sempre achei fascinante a ideia de poder transformar a natureza em números para poder entendê-la melhor e manipula-la para usar um pouco do seu poder.
Mas, ao mesmo tempo em que usufruimos de todas as coisas fantásticas fruto da sociedade moderna, observamos também um efeito rebote: a desconexão com a natureza.
E quando eu falo desconexão eu não quero dar uma de místico, zen, natureba, hippie, irmão….
Não, longe disso…
//desconexão
Quero apenas atentar ao fato de que somos seres biológicos. E se somos seres biológicos, somos a natureza.
Mas como podemos perceber isso? Afinal, vivemos cercados de artificialidades em todos os lugares, principalmente em ambientes urbanos.
Como todo bom sistema, somos influenciados por tudo ao nosso redor.
E esses ambientes nos fazem criar comportamentos que são justamente antagônicos à nossaforma natural.
Pensa comigo: o universo, a natureza, são incrivelmente belos. Não dá para mensurar início, fim, regras e controles de funcionamento.
A única lei que a natureza respeita é a inconstância, nada é permanente na natureza.
Picos e vales, gelo, água, vapor, chuvas, tempestades, tardes ensolaradas, folhas, árvores. Tudo é igual, mas não é, consegue reparar?
Não existe nenhuma folha igual à outra. Não existe chuva igual à outra. Não existem seres iguais.
Parece até um antagonismo escrever isso, mas a única lei imutável da natureza é justamente aimpermanência.
O homem moderno, de valores ocidentais, se desconectou tanto da natureza que simplesmente não entende a lei imutável. As nossas mentes foram condicionadas a colocar tudo dentro da caixinha. Definir tudo.
Desde pequenos somos ensinados a buscar uma definição para nós: profissão, atitude, familia, hobbies, escolha sexual. E muito cuidado, uma vez que você escolhe, você não pode “desescolher”.
Nesse momento que escolhemos ser alguma coisa, a mente se fecha para possibilidades.
Se fecha para a beleza infinita que é o SER humano, para a conexão, emoção, a intuição interna.
Uma vez que escolhemos ser X, Y ou Z, nós já baixamos para o disco rígido da mente uma série deregras e comportamentos ditadas pela sociedade.
No momento em que vivemos as nossas vidas baseadas em “certezas”, em definições, em caixinhas que a mente constrói, nós nos desconectamos da nossa própria natureza, a natureza humana, perdemos a liberdade e a beleza de viver.
//quais são suas certezas?
E foi exatamente essa a minha maior descoberta do retiro.
No 9o. Dia de retiro, aconteceu aquela “alguma coisa” que eu estava esperando. Algumas visões vieram que destruiram completamente as minhas “certezas”.
Eu = Certeza1 + Certeza2 + … + CertezaN
cancela tudo e iguala a 0
Eu = 0
0 = Eu
Eu = ??????????
Nesse momento, a coisa pegou. Afinal, se as certezas que faziam “eu ser eu” não são certezas, o que sou eu?
Isso me fez questionar TUDO na minha vida: amigos, relacionamentos, família, trabalho, sentimentos, pensamentos….tudo mesmo!
A partir desse momento entrei na busca do EU de verdade, por trás de todas as construções e referências externas da sociedade.
É um processo doloroso, mas que vale cada segundo.
Afinal, são nos desertos da vida, nas depressões, que crescemos.
//voltando à MATRIX
E vou te contar, talvez o pior de toda essa experiência foi justamente ter nascido em uma cultura ocidental.
Voltando do retiro, não foi uma, nem duas pessoas que me aconselharam a ir procurar um psiquiatra.
É óbvio, se eu mal tinha vontade de sair de casa, a melhor solução seria procurar alguém que me cobrasse uma consulta de 400 reais e fizesse uma entrevista de 20 minutos para entender todo o meu histórico de vida, me conhecer, e assim, saber como tirar a minha dor.
É o correto a se fazer, não?
A solução nunca está dentro de nós, é sempre externa.
Ser feliz parece ser uma obrigação, as pessoas parecem não entender e só querem “estar felizes” o tempo todo, sem tirar proveito de seus momentos tristes, de reflexão.
Não podemos ficar tristes.
“Ai, to triste, deixa eu tomar um remedinho, por que eu não posso ficar assim, eu não posso ter dor de cabeça.”
Antidepressivos nessas horas só nos entorpecem e fecham a comunicação com as nossas almas, com a nossa intuição. E ai o crescimento se interrompe.
O caminho para a evolução é bloqueado.
Se eu tivesse nascido numa aldeia indígena, por exemplo, sabe qual seria o meu tratamento?
Eles me colocariam em uma oca, no escuro, e me dariam alimento até que esse sentimento passasse.
Mas aqui na matrix, no mundo “real”, a máquina não pode parar.
É mais fácil tomar um “comprimidinho”, não?
Afinal, no dia seguinte você tem que trabalhar, você tem que pagar as contas, você tem que fazer sua parte.
Mas sabe o que acontece quando nos entorpecemos e pegamos esse “atalho”?
Isso volta a aparecer. Mais crises depressivas, mais ansiedades. Doenças auto imunes, cancer.
A visão de mundo pode nos condicionar a isso.
Nós confundimos conforto com felicidade.
Achamos que o quentinho, as facilidades do mundo moderno são felicidade.
Eles não são outra coisa senão uma forma diferente de se entorpecer, segurar a onda.
//vivemos uma ilusão
Observando tudo isso, eu percebi que estava vivendo uma ilusão.
Percebi o quanto a minha mente constrói todo o modo como interajo com o mundo.
Vou te dar um exemplo simples:
Pensa comigo, nesse exato momento você está lendo palavras que digitei.
Essas palavras, por sua vez, já são uma interpretação do meu cérebro do que está se passando na minha mente, algo que quero expressar.
No momento em que transformei meus pensamentos em palavras, já não é exatamente o que está na minha mente.
É uma representação grosseira.
Por sua vez, na hora que você ler, a sua mente vai fazer a sua própria interpretação disso.Afinal, você é fruto de todo um universo diferente.
Sua visão de mundo tem outras lentes. O nosso amigo rinoceronte ilustra muito bem isso aqui:
Lembra da velha brincadeira do telefone sem fio? Pois é, isso está acontecendo o tempo inteiro, só não estamos conscientes.
Outro exemplo: lembra da imagem polêmica do vestido azul e preto ou branco e dourado?
O que aconteceu com essa imagem foi mais que uma polêmica, mas uma das poucas vezes que algo tornou-se popular o suficiente para mostrar a todos que nem todo mundo vê as coisas do mesmo jeito.
Mais: de forma pacífica, sem estar atrelado a futebol, religião ou política…..
Dessa forma, aprendemos como é difícil aceitar o outro, que viu o vestido da cor diferente da nossa.
//conclusão, o que aprendi com tudo isso?
Para fechar esse (longo) artigo, 4 conceitos:
#1 Facilidade ≠ Felicidade
Conforto não é felicidade. Tenho feito meu melhor para ajudar justamente a quem passou ou passa por uma experiência como a minha, ajudar a despertar as pessoas da ilusão do conforto. Abrir os olhos para a felicidade de verdade.
Não acredite que trabalhar e ganhar 1 milhão vai te fazer feliz.
Não acredite que um novo carro ou uma nova casa vão te fazer melhor.
Não acredite que, quando você ficar entediado, a melhor coisa é abrir as redes sociais e viver a vida dos outros.
Lembre-se, facilidade e felicidade são bem parecidas, mas não são a mesma coisa.
#2 Espiritualidade = Autoconhecimento
Espiritualidade é quase uma palavra mágica hoje em dia. Toda vez que se fala em espirito ou espiritualidade as pessoas ficam assustadas, já fogem.
Quero ajudar a quebrar esse “pré-conceito”.
Te fazer entender que espiritualidade nada mais é do que o auto conhecimento. É você acessar a sua essência.
Talvez eu não te convença hoje a cuidar do seu espírito, se auto conhecer.
Talvez não esteja na hora.
Talvez você tenha que passar por alguma experiência marcante como eu.
Eu não estou pedindo para você acreditar piamente no que falo. Mais do que isso: estou pedindo para você desconfiar, de verdade.
Não compre o que estou falando. Mas da mesma maneira, eu suplico para que você faça isso com tudo ao seu redor.
Não acredite que você tem que ser isso, ou tem que ser aquilo.
Não admire outras pessoas mais do que você mesmo.
Acredite nos sentimentos.
Acredite em você.
Acredite no amor.
Sente-se mais em silêncio para saber quem é você de verdade.
Eu demorei anos para iniciar essa jornada, e quando voltei do retiro, precisei de mais 1 mês em profunda depressão para me reconstruir. E sendo realista, ainda estou me reconstruindo.
Para fechar: se você não acredita em espirito, espiritualidade, por que você acredita que você tem que trabalhar 12h por dia?
Pense nisso. Desconfie.
#3 Alegria X Tristeza
Para sentir felicidade de verdade, nós precisamos sentir a tristeza mais profunda.
Não tem jeito. Não existe direita sem esquerda, Yin sem Yang.
E alegria não existe sem tristeza, e isso tudo faz parte da vida.
Não rejeite o sofrimento, a dor. Acesse-a e aprenda com ela.
Nesse último mês em profunda tristeza, eu aprendi mais sobre mim do que no último ano inteiro.
Ela é muito mais poderosa e sábia do que você imagina.
Se você gostar de filmes, assista Divertidamente, da Pixar. Eles ilustraram isso como ninguém.
#4 Meditação
Finalmente, quero também desmistificar a idéia de que meditação vai te fazer mais calmo, zen, tranquilo, isso e aquilo.
Algumas técnicas ajudam a reduzir stress e ansiedade, mas o que a meditação faz MESMO é nos empoderar com uma técnica que nos faz perceber mais claramente o nosso lado de luz e de sombra.
O sofrimento nasce das forças opostas atuando dentro de nós.
Quanto maior a contradição, maior o sofrimento.
Portanto, quanto melhor você enxergar isso, melhor você consegue dizer se suas decisões estão sendo tomadas por ódio ou por amor. Racionais ou emocionais.
E, aos poucos, com esse entendimento, o vazio do peito, que eu contei a você no começo, vai se transformando na força mais poderosa desse mundo.
A força que nos diferencia de qualquer outra matéria, ser inanimado, que nos faz viver, e sentir.
O amor.
É piegas, eu sei, mas a principal lição que tirei foi essa, e quero repassar a você: