por Juliana Kurokawa
Desde muito pequenos, fomos ensinados a rezar. Seja qual
foi a religião na qual fomos criados, todas elas tentam estabelecer uma
maneira, uma espécie de ritual, que deveríamos utilizar para nos comunicar com
Deus. A impressão que fica é a de que somos seres muito pequenos diante de seja
qual for a divindade, que nosso apelo nunca será ouvido e que isso é coisa para
pessoas de muita fé. Mas como podemos saber quando estamos nos comunicando com
Deus?
Em primeiro lugar, é possível definir Deus?
“Ele, que é o Criador de toda vida, um Ser de puro Amor e
a Fonte e Primeira Causa da realidade não física e da totalidade, o perfeito Um
Que é oniabarcante, fora de Quem não há literalmente nada, pois Ele é Tudo. A
natureza da nossa Fonte não pode ser descrita ou realmente compreendida.”
Kenneth Wapnick Como o Mestre define em Um Curso em Milagres:
“A Unicidade é simplesmente a ideia de que Deus é. E no
Que Ele É, Ele abrange todas as coisas. Não há mente que contenha algo que não
seja Ele. Dizemos: ‘Deus é’ e então deixamos de falar, pois nesse conhecimento
as palavras são sem significado.”
O problema sobre a maneira com a qual tentamos nos
comunicar com Deus é que vemos a nós mesmos como seres separados e não
conseguimos conceber a ideia de unicidade.
Além disso, nos vemos como seres
indignos de tanto Amor e magnificência. Mas, se Deus abrange todas as mentes e
somos uma mente, não teríamos a capacidade de acessar e nos comunicar com o
Todo que nos abrange?
Seria a experiência de comunicar-se com Deus algo tão
inatingível e místico como acreditamos ser? Não seria natural que pudéssemos,
dentro da compreensão de que somos parte integrante do Todo, nos comunicar com
Aquele que nos criou? Não deveria a oração ser algo natural e inato de todos os
seres? Se fomos criados à imagem e semelhança do próprio Deus, não seria a
nossa verdadeira natureza tão pura e inocente quanto a Dele?
Para a maioria de nós, a pessoa que ora implora a um Deus
percebido do lado de fora de si mesmo, para que interceda, intervenha para
resolver algum tipo de problema que percebemos do lado de fora.
Sempre enxergamos um problema do lado de fora da mente e
fora de nossa habilidade para resolvê-lo. Porém, quando percebemos Deus desta
forma, se nos ajudasse e interviesse para resolver nossos problemas irreais,
Ele estaria violando um princípio básico que seria tentar consertar um problema
ilusório em um mundo ilusório. Teria Deus conhecimento dos nossos ditos
“problemas reais”?
Por isso, a única verdadeira oração e a que faz sentido é
aquela em que o Filho Deus percebe que ele já tem tudo que ele precisa e que
sua natureza foi criada por Deus e, por ser uno com o seu Pai, ele compreende
que o canal de comunicação sempre está disponível e que ele só pode ser
interrompido por sua própria vontade. Porém, ele não pode destruir a verdade e
o fato de que sua verdadeira natureza é a Unicidade.
Deus se comunica conosco a todo momento através de nossos
irmãos, mas ainda não temos os olhos e ouvidos treinados o suficiente para
receber as dádivas que cada encontro reserva consigo.
Nosso equívoco ao fazermos nossa oração, é que queremos
que Deus intervenha em nossos problemas ilusórios que foram criados por nós
mesmos e, quando não conseguimos resolvê-los, acreditamos não ter sido ouvidos
e até mesmo preteridos por nosso Pai. Não seria mais lógico que nós, diante de nossas
dificuldades, conseguíssemos entrar em um estado de paz mental, onde podemos
nos encontrar com Deus, e pudéssemos observar tudo o que nos acontece como se
estivéssemos do lado de fora, como meros observadores?
Quando temos, em nossa vida, um propósito unificado no
sentido que compreendemos que tudo o que nos foi dado, o foi feito com o único
objetivo de desfazermos as ilusões e, através do perdão, conseguirmos voltar
para junto de Nosso Pai, de Quem, na verdade, nunca nos afastamos, estamos
praticando o verdadeiro estado meditativo em que nos comunicamos com Deus.
Quando nossa mente estiver em silêncio, em profunda
contemplação e consciência de que tudo serve o único propósito de nos
comunicarmos com Deus, estamos praticando a verdadeira gratidão.
Acreditamos ainda que Deus se manifestará de maneira
mágica, através de objetos ou pessoas e queremos que Ele se materialize e se
comporte de maneira dual para que possamos percebê-Lo, mas não compreendemos
que é justamente por mantermos esse desejo que não conseguimos ouvir a Voz que
fala por Deus.
Deus não precisa que agradeçamos Suas dádivas, pois Ele
não possui ego. Quando estamos profundamente alegres e compartilhamos nossa
alegria com nossos irmãos, neste momento estamos nos comunicando com Deus.
Quando nos recordamos que somos todos um e, nesse ímpeto, compartilhamos o
nosso amor com todos os que cruzam o nosso caminho, nos comunicamos com Deus.
Quando utilizamos tudo o que existe nesse mundo de ilusão
para aprendermos e ensinarmos a lição do perdão, neste momento estamos nos
comunicando com Deus.
Quando tudo o que podemos fazer é trazer alegria e amor a
esse mundo por estarmos em um profundo estado de gratidão, neste momento
estamos nos comunicando com Deus.
Quando estivermos dispostos a conceber a ideia de que
talvez estejamos equivocados com relação à maneira como concebemos nosso
Criador, neste momento, abrimos uma fresta para que o Amor possa entrar.
Por isso, agora, faremos um momento de silêncio em
profunda contemplação e profunda compreensão que, por já termos tudo o que
precisamos, que nosso objetivo seja compartilhar toda a nossa alegria com os
nossos irmãos, pois, apenas assim, nos aproximaremos de nosso Pai.
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