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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

AYAHUASCA Minha primeira experiência - deixei de ser ateu



Oi gente,

Estou abrindo aqui no blog posts como o tema Ayahuasca minha primeira experiência para que os leitores possam participar!


Se você quiser que sua experiência seja publicada aqui, me envie um vídeo ou seu relato por escrito para o meu e-mail vi.akiyama@hotmail.com, sua colaboração será muito bem vinda!!!

Acho legal isso porque é um meio da gente trocar informações e aprender também. 

Eu aprendo muito com os relatos que recebo, vocês não tem noção!!! Sem contar que também acaba esclarecendo possíveis dúvidas das pessoas que querem participar de um ritual com a bebida.

Bom, pra inaugurar esse espaço abro com o depoimento do Vinícius.

Pesquisando na Internet sobre Ayahuasca ele chegou até meus vídeos, assistiu vários, chegou até o Instituto Flor de Lótus participou do ritual e deixou de ser ateu!!!

Vejam só:


Instituto Flor de Lotus, dia 18/07/15 por Vinícius


Nos últimos tempos antes mesmo de eu nem imaginar que iria em um ritual com a Ayahuasca eu estava com pensamentos de mudanças, não sei de onde veio isso, mas sentia que queria mudar a minha vida, que gostaria de um caminho, uma luz, sentia que precisava de uma paz de espírito, não em relação a ter alguma crença, ou religião, mas sentia que precisava dessa paz, não sabia de qual forma, mas queria. Até que depois de alguns dias tudo foi me encaminhando em participar de um ritual, depois das pesquisas, documentários e relatos que li e assisti fui me tranquilizando, me identificando cada vez mais com o que esses rituais, a ayahuasca nos proporcionava, pois nunca fui adepto pra nenhuma religião, apesar de grande parte da minha família paterna, inclusive meu pai até prega em cultos religiosos, ser cristão, nunca me interessei, me identifiquei por nenhuma doutrina, e notei que nos rituais era uma coisa muito diferente de tudo o que eu já tinha visto, por ser universalista, achei isso muito legal, e vi que o trabalho era algo individual, interno, que ninguém iria ficar me falando o que fazer da vida, que eu mesmo iria descobrir isso, enfim... 

Até que não tinha mais o que pesquisar e sim ter uma vivencia, mas fiquei com receio por ser ateu, não achei muitas coisas sobre isso e fiquei com dúvida se aquele era um mundo pra mim, e tive a ideia de conversar sobre isso com o Willian (padrinho do Instituto Flor de Lotus), que gostaria de conhecer o instituto mas não sabia se lá poderia ser bom pra mim, por ser ateu, não que eu tivesse um intuito que eu fosse pra poder acreditar em algo, mas com o pensamento de auto conhecimento, e ele me tranquilizou falando que eu era bem vindo e que conhecia ateus que já participaram e ainda participam dos rituais e que me mandaria o convite pois teria um ritual dia 18, senti que foi um chamado, sabia que iria ter um ritual dia 18 e que faltavam menos de 2 semanas, estava pensando em ir futuramente em outra oportunidade, mas nessa hora acho que algo foi mais forte e que eu deveria ir, estava decidido! 

Fiquei um pouco ansioso, mas bem tranquilo até que chegou o dia e parecia tudo sob controle até acontecer diversos imprevistos e eu achar que não chegaria a tempo, pois teria que deixar a minha namorada em Hortolândia na casa de uma amiga e de lá seguir pra São Carlos, pude sentir de verdade o que era o ego querendo atrapalhar, ao mesmo tempo em que parecia que não iria conseguir chegar a tempo, pra eu desistir e deixar pra uma próxima, algo mais forte falava pra eu ir, que iria dar tempo, isso tudo foi uma aventura, não sei de onde veio essa força, por nunca acreditar nessas coisas de chamado, nesse momento parecia que isso existia de verdade e me guiou até o instituto, cheguei bem atrasado, mas cheguei, foi um alivio. Já de cara me senti muito bem recebido, confortável, seguro, todos muito receptivos, atenciosos, não é todo dia que vimos isso em um mesmo lugar. Durante a palestra pros “novatos” meio que já sabia o que estavam falando por ver os vídeos da própria Juliana e os da Viviane, mas na prática não tinha ideia de como seria.

Até que chegou o momento do ritual em si e fomos pra fogueira, ainda bem tranquilo depois das instruções do padrinho Willian, chegou o momento de tomarmos a primeira dose da Ayahuasca, não via a hora rs chegou a minha vez e virei com tudo, o gosto não é agradável mas também não achei ruim, apenas forte, marcante. Mesmo sem ainda acreditar, ajoelhei como todo e agradeci a Jesus, parecia que ali já estava me entregando de alguma forma, sentei, fechei os olhos e fiquei esperando essa tal força que todos falam, mas não imaginava como ela viria, fiquei ansioso e ela não vinha, até que decidi não ficar pedindo pra ela vir, apenas falei comigo mesmo: seja o que for, vou apenas esperar... Até que depois de um tempo senti os sintomas de leve formigamento e alguma coisa forte vindo até mim, até que a tal força veio com tudo e já senti algo muito forte e inexplicável. 

Em primeiro momento achava e fiquei esperando ver algumas imagens psicodélicas, algo do tipo, mas não foi isso que aconteceu, de olhos fechados eu acho que tive uma miração, não sabia na prática o que era isso mas começa a ver alguma entidade ou mais de uma bem perto de mim, e parecia que estava ou estavam me preparando pra algo, não era muito nítido, não conseguia identificar o que era, mas na hora tive ideia que fosse fada(s), porém nada parecido com a imagem de fada que temos no mundo real, mas pra mim era isso, só não sei o por que tive essa convicção, se era isso mesmo que estava vendo, e ai senti que elas estavam me preparando pro meu caminho, e ao mesmo tempo como se tivessem me purificando de alguma forma, essa parte não foi muito nítida pra mim, mas é o que posso falar desse primeiro momento da experiência, eu não senti medo, por mais que eu não soubesse o que era, eu me senti seguro, parecia ser algo do bem, que estavam comigo pra me ajudar, porém isso foi ficado muito forte e eu a abri os olhos pra tentar me recompor. De olhos abertos olhava pra fogueira e via luzes coloridas, e depois de um tempo não sei se foi isso que vi, ainda mais falando agora, parece que as lembranças do dia vão se apagando e você não sabe se viu o que viu ou se foi coisa da sua cabeça, mas tenho certeza que no dia eu via a imagem do diabo no fogo da fogueira, chega ser irônico isso, e ele era bem vermelho e tinha chifres e estava olhando pra mim, querendo me dizer algo, e na hora eu entendi o que era, apenas com o olhar estava querendo me dizer que o mau existe, e na hora eu aceitei isso, foi muito simples, e ao mesmo tempo que isso acontecia havia uma menina bailando ao redor da fogueira, bem do lado da imagem que eu via o diabo, não sei também se isso foi coisa da minha cabeça, mas eu via, sentia que era ela um anjo, não na fisionomia, mas no sentir, é difícil explicar, e ela bailava feliz ao lado dele, olhando pra fogueira, porém na fogueira eu via a imagem do diabo me olhando, e essa cena se juntava e eu entendia que o bem e o mau existia, que ambos estão presentes, aceitei isso rapidamente, não confrontei, só achei estranho de eu ver e sentir isso de olhos abertos.

Depois fechei os olhos novamente e veio o processo interno, me deparei comigo mesmo, com o meu eu, a parte ruim de mim, via momentos que eu fui ruim, egoísta, e a ayahuasca trabalhou exatamente um ponto fraco em mim, onde tenho maior dificuldade, que é o afeto que não tenho com minha família, por eu desde que nasci morar com os meus avós, e meus pais terem se separado antes mesmo que eu completasse 1 ano de idade, eu sempre fui fechado pra isso, tive esse bloqueio, não sou presente com os meus familiares, até mesmo com os meus avós que foram os que me criaram, por mais que eu tenha sentimento e amor por eles eu não demonstro, e sempre achei que esse defeito meu foi por causa de eu não ter a imagem dos meus pais juntos, mesmo não faltando nada pra mim, mesmo meus avós me dando tudo o que precisei e preciso até hoje, não é por acaso que também os chamo desde de criança de pai e mãe, mas ai a ayahuasca me mostrou exatamente isso, que eu já sabia, mas de uma forma clara, que eu precisava melhorar minha relação com os meus avós, a minha família por parte do meu pai, ver mais os meus irmãos por parte de pai, estar mais presente, e tudo isso foi me passado com muita clareza, vi perfeitamente meu lado ruim nessa questão, até que de repente abri os olhos e não me sentia bem, achava que queria vomitar mas não vi ninguém ainda vomitando e fiquei com receio, até que algumas pessoas começaram a correr pra vomitar e ai peguei a cadeira e fui pra perto do muro e chegando lá vomitei, mas não era um vomito normal, parecia mesmo que estava saindo algo de ruim em mim, até então eu nem tinha nada pra vomitar porque nem havia almoçado e jantado no dia, mas senti a ayahuasca agindo, sentia uma força no estomago querendo tirar alguma coisa ruim de mim e eu abria a boca e não saia nada de vomito mas sentia que algo ruim estava saindo e mesmo sem eu querer, canaliza coisas ruins de mim naquele momento, até que depois peguei a cadeira e fiquei sentado ali mesmo um pouco longe da fogueira e de costas. Ai veio um processo que eu sentia muito frio, mas muito frio mesmo, não parecia um frio externo, mas um frio vindo de dentro, interno, e eu tremia tanto, mas tanto que era algo incontrolável, começava da cabeça e ia pros pras pernas e não parava, porém até ai eu não me desesperei e não fiquei com medo nenhum, eu realmente me entreguei, não sei como também mas sentia que eu tinha que passar por isso, tinha que acontecer tudo aquilo, mesmo não sabendo o que viria depois, mas alguma coisa fazia eu sentir que a ayahuasca sabia o que estava fazendo e eu deixei com ela. 

Olhava pro chão e vi a terra, a grama se mexendo, e ainda aquele frio e tremedeira, eu todo encolhido olhando pro chão e tive a sensação de ver rostos enterrados, mas não nitidamente, como se tivesse terra por cima, e ai não dava pra ver o rosto nítido, mas parecia ser, também não tenho certeza se via isso, mas foi o que eu senti na hora, e entendia que a morte fazia parte da vida, é incrível, mas até me emocionei aqui, parece que agora que eu entendi o que isso pode  significar e não havia pensado nisso, eu sempre tive medo de perder alguém próximo da família e eu não ir no velório, no enterro, pois sempre tive esse medo, pois pra mim não faz sentido você ter a ultima lembrança de alguém que ama sendo enterrado, isso nunca entrou na minha cabeça e eu só fui em um enterro na vida quando criança e fiquei com esse trauma e sempre digo que nunca mais vou em velório e em enterro, inclusive uma tia até que próxima faleceu ano passado, a primeira pessoa até então mais próxima da família que tenho e eu não fui e me senti um tanto que mal por isso, talvez essa tenha sido a mensagem nesse momento de limpeza, que a morte faz parte da vida, e eu entendi isso muito bem nesse momento, mas não liguei com esse bloqueio que tenho de evitar a morte, apenas agora. Depois desse processo peguei a cadeira e sentei de frente pra fogueira mas ainda sim um pouco afastado e comecei a ver muitas pessoas da minha família na minha cabeça, muitas mesmo, vinha a tona os flashes, e junto com muito amor ao mesmo tempo, um sentimento forte, inexplicável, e também eu comecei a chorar muito, mas muito mesmo, igual uma criança, via e entendia o amor materno que minha mãe tem por mim, depois entendia e tive entendimento sobre a minha relação com a minha namorada, de alguns pontos que devo melhor, que ela me amava muito, passou também pela minha cabeça algum tipo de rancor, ou sentimento ruim que tenho por duas pessoas no meu trabalho e isso foi saindo através das minhas lágrimas, e ao chorar sentia que eu mesmo havia me perdoado, e eu apenas aceitava isso, foi natural, neste processo eu chorei bastante e ficava olhando o ritual, pra fogueira, as pessoas dançando, era uma cena muito bonita. Até que voltei pro lugar que comecei o ritual mais próximo da fogueira e fomos chamados pra segunda dose, nisso eu enxugando minhas lágrimas ainda. Rs Não estava mais naquela força forte, tinha passado faz tempo, mas esse processo de limpeza e perdão pelo choro foi muito forte, parecia que havia tirado um grande peso de mim, eu estava leve. Então tomei a segunda dose, nesse eu fiz até careta de tão amargo que estava. Rs Essa sim estava com o gosto mais do que forte e marcante, amargo! E ai rapidamente a força veio de novo e a vontade de vomitar e fui pro meu cantinho do muro rs, lá vomitei um pouco mas já sentei, nesse momento foi o processo de muitos entendimentos, de olhos abertos os entendimentos vinham com muita clareza, agora sei o que essas duas palavras realmente significam: entendimento e clareza! 

Não sei de onde e nem como muitas explicações vieram pra mim.

A primeira foi em relação a algo que eu sempre questionei, a nossa existência, do por que disso tudo, se realmente temos um criador, porém eu nem ficava perguntando nada disso, estava com os pensamentos vazios, não pedia nada pra mim, apenas vinham até mim. E ai veio um entendimento, algo conversava comigo... Que todos nós estamos conectados, o homem, a natureza, os animais, deus, que todos nós somos um só, eu não sei nada da bíblia mas isso chegou até a mim com muita clareza, que Deus fez a terra com muito amor e semelhança a ele, que foi um presente dado pra gente e que temos tudo o que precisamos aqui, e veio também a parte de entendimento sobre a evolução, que deus deu sabedoria ao homem pra nos evoluirmos, que toda a nossa história, toda a evolução faz parte da vida, e eu aceitei isso na hora, não tinha mais nada pra eu questionar, foram coisas que eu sempre me questionei, mas no momento parecia que eu só precisava saber disso e mais nada, e nesse momento parece que nasci de novo, que minha vida teve ali um sentido, e eu comecei a ter um nova concepção pra vida, pra tudo, do modo que tudo estava conectado mas que não vemos isso, eu via de uma forma muito bonita, sentia amor, paz, conforto, e a relação de como nós nos relacionamos com os outros, com a natureza, com tudo, é que essa vivencia não consigo explicar como foi, mesmo se eu quisesse não tem palavras mesmo, indescritível, é algo fora da realidade, foi muito forte e intenso, a verdade foi dita nesse momento e eu aceitei, e com isso veio uma luz que senti dentro de mim, uma paz, foi onde eu senti deus, a presença dele comigo, não tem como eu explicar isso também, acho que isso não se explica, se sente! Era amor e felicidade que jamais senti, posso digitar milhares de adjetivos, mas nada chegar perto de relatar esse momento. Também nesse momento sentia e via meio de relance alguma divindade atrás de mim, essa experiência toda eu com os olhos abertos,  mas não conseguia identificar se era boa ou ruim, quando eu olhava pra pra tentar ver ela essa imagem sumiu, mas estava de pé e do meu lado um pouco atrás. Também tive um entendimento sobre do por que existirem várias religiões, antes isso não fazia o maior sentido pra mim, não aceitava, agora eu aceito e entendo. Foi explicado pra mim que o homem busca de alguma forma estar conectado com deus, com o divino, e com isso, com a fé em crer em algo supremo, o homem começou a criar as religiões, pra ser uma forma de estar mais perto, mais próximo de Deus, estar conectado, como se fosse uma ponte até ele. Que independe das religiões e de existirem vários deuses, várias imagens de deus que o homem criou, era pra eu respeitar isso, e eu entendi perfeitamente e com muita clareza, foi passado pra mim que deus é um só, uma força, e as pessoas criam uma imagem de deus, seja ele hindu, um santo, um homem, um animal, etc. Porque elas precisam acreditar em algo seja a imagem de deus que for pra se sentirem conectados com ele, também aceitei isso e agora vejo de outra forma, que também não consigo explicar mais do que isso. Depois disso fui pra próximo da fogueira novamente e continuei de olhos aberto assimilando tudo o que foi me ensinado, os fundamentos, e fiquei apreciando a fogueira, o céu que estava lindo, parecia que eu estava conectado com tudo aquilo, com as pessoas bailando em volta, felizes, e eu via aquilo como uma forma muito linda, de celebração, acho que essa é a palavra, e começava a entender melhor a relação de tudo, e ai me emocionava e chorava, mas era um choro de muita emoção, não tem como explicar também, e ai queria ir embora pra ver meus amigos, minha namorada, contar tudo isso pra eles, e o ego apareceu pra atrapalhar mas eu o controlei, fiquei preocupado se minha namorada estava bem, se minha família estava bem, mas ai me contive e falei comigo mesmo que eles estavam bem e seguros, e que a minha namorada estava com pessoas boas e bem. Até que depois de um tempo acabou o ritual. 

Foi intenso, lindo, único, sai de lá outra pessoa, sinto paz dentro de mim que nunca senti, calma, até as pessoas já notaram isso e eu percebo isso, vejo tudo agora diferente, queria que as pessoas entendessem, mas mesmo eu tentando explicar não consigo, mas estou muito feliz com toda essa experiência que tive, encontrei o meu caminho, a luz, a paz de espírito que eu precisava, a vida é muito mais do que eu achava que era mas não sabia, agora a vejo com outros olhos e espero que essa sensação nunca tenha fim!

Que bacana Vinícius, fico muito feliz por poder ter colaborado nessa sua busca, isso é só o começo!!!

Beijos no coração

Namastê

#desafiogratidão2015
#dia094
#flaviamelissa
#vivisawaking



 No carro, escutando hinários Derepente véu um insight forte que deveria participar do retiro do flor de lotus como fiscal.
Coincidências que não existem, a Ju me falou que uma pessoa tinha desistido!!! Era pra eu ir mesmo!!!
Gratidão pelo insight recebido

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ateísmo e Espiritualidade



A espiritualidade sem Deus

Para o filósofo americano Sam Harris é possível ter experiências espirituais sem passar pelo caminho da religião. Nesta entrevista ao site de VEJA, o autor explica como isso acontece, por que o ceticismo científico é essencial para alcançar esse estado de felicidade e amor sem limites e indica técnicas para chegar até ele

Por: Rita Loiola - Atualizado em

Em seu novo livro, 'Waking Up' ('Acordando', em tradução livre), Sam Harris demonstra que a espiritualidade é a expansão da consciência, algo simples, natural e ordinário(Reprodução/VEJA)

Ao caminhar sobre a montanha onde Jesus proferiu seu sermão das bem-aventuranças, o filósofo americano Sam Harris foi invadido por uma profunda felicidade, que silenciou seus pensamentos. A sensação de estar conectado ao cosmos e sua verdade perseguiu o escritor durante aquele verão, enquanto refazia os passos da figura central do cristianismo. Se Harris não fosse o autor do livro A Morte da Fé, de 2004, e um dos principais defensores de uma corrente chamada Novo Ateísmo, ele provavelmente diria que vivenciou uma experiência de transcendência religiosa. Entretanto, para ele, aqueles dias não passaram de uma expansão da consciência, natural e ordinária. Uma vivência espiritual, mas não religiosa.

Para Harris, que também é doutor em neurociência pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, desligar a espiritualidade das religiões é o grande passo que faltava às doutrinas seculares. Em seu novo livro, Waking Up (Despertando), recém-lançado nos Estados Unidos, o filósofo mostra que é possível chegar à transcendência e atingir a mais plena felicidade sem se aproximar da essência divina. Mais que isso, indica técnicas, como meditação, respiração e até o uso de alucinógenos, que facilitam o percurso até a espiritualidade dos ateus.

"A espiritualidade deve ser distinta da religião. Pessoas de todos os credos e aquelas que não têm fé alguma têm os mesmos tipos de experiências espirituais. Um princípio mais profundo deve estar em funcionamento", afirma Harris.

É esse "diamante escondido" que o filósofo pretende arrancar das religiões, usando para isso os últimos achados científicos sobre o cérebro e, principalmente, seu ceticismo ferrenho. Harris acredita apenas no que pode ser provado por experimentos científicos e, portanto, alma, Deus ou revelações da essência superior não entram na espiritualidade que defende em seu livro. Nesta entrevista, concedida ao site de VEJA, Harris explica o que é essa nova espiritualidade e mostra como a ciência é o caminho fundamental para nos alçar a esse estado de felicidade.
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Outros títulos:

O ESPÍRITO DO ATEÍSMO
Em 2006, o filósofo francês André Comte-Sponville, ex-professor da Sorbonne e autor de uma dezena de livros traduzidos em 24 línguas, escreve esse livro para mostrar como aqueles que não acreditam em Deus podem vivenciar a espiritualidade. De acordo com o autor, esse é um atributo que nos difere dos demais animais e possibilita a contemplação da arte ou da natureza. Em suas páginas, Sponville explica como essa comunhão com o absoluto, inexplicável, condiz com o materialismo, o racionalismo e o naturalismo.

GOD ON YOUR OWN
Também em 2006, o ex-monge Joseph Dispenza ensinou em seu livro God on Your Own (Deus do seu jeito, em tradução livre) como alcançar a espiritualidade fora das religiões. Seu objetivo é mostrar o caminho até a fonte direta da transcendência, sem dogmas, regras ou doutrinas.

LIVING WITHOUT GOD
Outro "novo ateísta" que publicou um livro sobre como chegar ao absoluto sem Deus foi Ronald Aronson, professor de história das ideias na Universidade Estadual de Wayne, nos Estados Unidos. Em seu livro Living Without God (Vivendo sem Deus, em tradução livre), lançado em 2008, o americano substitui a espiritualidade pela moral e responsabilidade que temos pelo planeta, pelo bem-estar alheio e pela política.
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Leia também:

Entre a fé e a razão
"É possível acreditar em Deus usando a razão", afirma Willian Lane Craig
A neurociência da espiritualidade
Por que um ateu resolveu escrever sobre espiritualidade? Porque transcendência e amor incondicional são algumas das experiências mais importantes que as pessoas têm em suas vidas. Mas a maioria delas interpreta esses episódios pela lente da religião. Isso não faz sentido, porque cristãos, muçulmanos, judeus, budistas e ateus têm o mesmo tipo de experiências. Então sabemos que nenhuma dessas doutrinas religiosas incompatíveis pode ser a melhor explicação para seu significado.

Como funciona essa base escondida nas religiões? A ciência não consegue localizar no cérebro uma região específica onde o eu se localiza, como fazemos com a memória ou a raiva. A ideia de que há um espaço no cérebro onde o eu, ou nossa consciência, está escondida não faz nenhum sentido anatômico ou científico. Assim, se a consciência não é um espaço delimitado, ela pode ser alterada ou expandida. A espiritualidade é essa transcendência do eu.

Se a fé revelou a espiritualidade, por que desligar essa experiência da alma ou de Deus?
Em sua origem, espírito vem do latim spiritus, que significa respiração ou sopro. Por volta do século XIII, essa palavra foi confundida à crença de almas e fantasmas. No entanto, não há qualquer evidência que alma ou espíritos existam - mas podemos estar certos de que a consciência existe. Qualquer que seja sua relação com o mundo físico, a consciência é a base de tudo o que experimentamos. Não importa se estamos tomando um café ou tendo uma visão de Jesus, estar consciente é a condição prévia para qualquer experiência do presente. Na minha visão, espiritualidade é um processo de descoberta de algumas coisas sobre a natureza da consciência por meio da introspecção.

Ou seja, é uma experiência mental. Ela também nos levará a responder as questões fundamentais da existência, como 'de onde viemos' ou 'qual o sentido da vida'? Quando falo de espiritualidade, estou me referindo à figura da primeira pessoa da consciência e a possibilidade de superar alguns tipos de sofrimento psicológico, como aqueles vindos da necessidade da satisfação constante dos desejos ou da percepção de que, mesmo tendo uma família amorosa, dinheiro, saúde e comida, algo ainda está faltando. Esses são fatos empíricos sobre a mente humana, testados pela ciência. As religiões tendem a fazer especulações sobre a origem do cosmo, a existência de mundos e seres invisíveis e sobre a origem divina de alguns livros. Mais que isso, fazem essas afirmações com base em montanhas de evidências contraditórias. Há uma enorme diferença entre falar que, se alguém usar sua atenção de certa forma, como durante a meditação, vai perceber algo muito interessante sobre sua mente e dizer que um carpinteiro do século I nasceu de uma virgem e estará voltando dos mortos. A espiritualidade não é importante apenas para ter uma boa vida. Ela é importante para entender a mente humana.

Quais são as pesquisas científicas nos ajudam a compreender a subjetividade humana? Sabemos que a mente humana é produto do cérebro humano. No entanto, a consciência não pode ser definida de acordo com critérios externos. Um famoso trabalho de Roger Sperry, que ganhou o Nobel de Medicina em 1981, mostrou, com o auxílio de pacientes que sofreram acidentes cerebrais, que os dois hemisférios do cérebro têm habilidades distintas e podem funcionar de maneira independente. E há razões científicas para acreditar que eles são também independentemente conscientes. As habilidades cognitivas que nos fazem humanos, como a reflexão ou a capacidade de julgamento, estão no hemisfério direito, no entanto, apenas o hemisfério esquerdo possui a habilidade da linguagem. Isso indica que é problemático falar que cada um de nós tem um único eu, uma consciência indivisível, ou uma alma responsável por nossa individualidade.

Como assim? A ideia de alma surge da sensação de que nossa subjetividade tem uma unidade, simplicidade e integridade que deve transcender as engrenagens bioquímicas do corpo. Mas a ciência mostra que nossa subjetividade pode ser dividida em, pelo menos, duas. Pesquisas feitas na última década também mostram que há partes do nosso cérebro trabalhando sob o consciente que afetam nossa vida cotidiana. Isso significa que a consciência pode ser expandida em novas direções para termos uma percepção mais clara da realidade, sem a necessidade de que isso seja reflexo de uma entidade superior operando. Se olharmos de perto para essa sensação de que somos um eu indivisível, ela desaparece. E esse é um experimento que pode ser feito no laboratório de sua própria mente.

Há técnicas que podemos usar para isso? Ao contrário de muitos ateus, passei longos anos da minha vida buscando experiências como as que deram origem às religiões do mundo. Estudei com monges, lamas, iogues e com pessoas que passaram grande parte de suas vidas em reclusão meditando. Ao todo, passei dois anos em retiros de silêncio, em períodos de uma semana a três meses, praticando técnicas variadas de meditação de doze a dezoito horas por dia. Posso afirmar que quem passa tanto tempo aperfeiçoando técnicas de respiração, meditação e pensamento dirigido tem experiências normalmente inacessíveis a quem não tem acesso a essas práticas. Acredito que esses estados mentais dizem muito sobre a natureza da consciência e as possibilidades de bem-estar humano.

O início de Waking Up traz sua experiência com o MDMA (metilenodioximetanfetamina, mais conhecida como a droga ecstasy). Foi ela quem abriu as portas da espiritualidade em sua vida? Sim. O MDMA provou para mim que era possível ter uma percepção radicalmente diversa de mim mesmo, do mundo e de minhas conexões éticas com os outros. É claro que não recomendo que todos usem a droga, porque isso traz consequências à saúde e é ilegal. Mas preciso ser honesto sobre o papel que ela desempenhou em meu próprio desenvolvimento espiritual.

Como o senhor vivencia sua espiritualidade? Faz muitos anos que usei drogas psicodélicas e minha abstinência está relacionada aos riscos para a saúde de seu uso. Tenho momentos espirituais todos os dias, em lugares santos, em meu escritório ou enquanto escovo os dentes. Isso não é um acidente, é o resultado de anos da prática de meditação com o propósito de acabar com a ilusão do eu. A espiritualidade continua sendo o grande vazio das doutrinas seculares, do humanismo, do racionalismo, do ateísmo e de todas as outras posturas defensivas que homens e mulheres assumem diante da presença da fé irracional. Pessoas dos dois lados se dividem imaginando que experiências transcendentes não têm lugar na ciência, a não ser em um hospital psiquiátrico. Mas há um caminho do meio entre fazer da espiritualidade uma experiência religiosa e não ter espiritualidade alguma. Não precisamos de mais dados científicos para dizer que a transcendência é possível. Está em nossa capacidade mental acordar do sonho de um ser único e indivisível e, assim, nos tornarmos melhores em contribuir para o bem-estar dos outros.

Cinco passos para atingir a espiritualidade sem Deus, segundo Sam Harris



MEDITAÇÃO

De acordo com Harris, o tipo de meditação mais indicado para iniciantes é a vipassana, técnica de um ramo antigo do Budismo. Esse é um meio eficaz para viver a realidade do momento presente e começar a expandir a consciência. O objetivo dessa meditação é apenas manter o foco na respiração. Para isso, basta sentar ereto, fechar os olhos, respirar fundo e sentir o corpo na cadeira. Mantenha o foco na respiração, sem controlá-la e não deixe os pensamentos interferirem na respiração. Mantenha-se dessa maneira até que seja possível apenas testemunhar os sons, sensações e emoções que passam pela mente.




INTERROMPER AS EMOÇÕES NEGATIVAS


Ninguém está a salvo das emoções negativas, mas o ideal fazer com que elas não persistam na mente. Da mesma maneira que ocorre quando estamos irritados no trânsito e recebemos uma ligação de um amigo que nos faz rir, é possível treinar o pensamentos para interromper o fluxo da raiva ou da tristeza. A melhor técnica para expandir a mente na presença dos sentimentos negativos é percebê-los, sem resistência. “O que é a raiva? Como você se sente? Fazendo essa investigação, com a consciência plena, você descobrirá que a negatividade desaparece”, diz Harris.



TÉCNICA DO HOMEM SEM CABEÇA

Ao olhar o mundo ao redor, foque a atenção onde você sabe que está sua cabeça e perceba o que acontece. Por instantes, você poderá ter a sensação de ter eliminado a racionalidade e de fazer parte de todo o ambiente. Outro método para chegar a esse estado é imaginar que está sem cabeça. Simplesmente repita o exercício, de maneira relaxada, em vários momentos do seu dia. O instante deve aparecer antes da intervenção de seus pensamentos.



CONTATO VISUAL

O desconforto que sentimos ao encontrar o olhar direto de outra pessoa tem a ver com a crença de que somo um eu separado do mundo. Por isso, há uma técnica de meditação em dupla poderosa para suprimir essa ilusão. Sente-se de frente para outra pessoa e encare seus olhos, sem falar nada. Ignore as sensações de desconforto e segure o olhar. Essa técnica pode ser unida às anteriores para mostrar como é possível se unir a outra consciência.



SUPERAR A BARREIRA ENTRE A CONSCIÊNCIA E O MUNDO

Por meio da meditação e da interrupção dos pensamentos negativos, o objetivo é examinar a consciência e perceber sua extensão. Esse estado mental mostrará que os pensamentos são como reflexos em um espelho, ou seja, eles vão e vêm enquanto a consciência se mantém livre. Em estados de meditação profunda, em que apenas testemunhamos o mundo, é possível perceber que não há barreiras entre a consciência e o mundo, entre sujeitos e objetos. Essa é a essência da espiritualidade.

Reportagem extraída do site:


#desafiogratidão2015
#dia063
#flaviamelissa
#vivisawaking


Hoje entrei no túnel do tempo e ao rever as minhas fotos antigas, encontrei essa:
Setembro de 2011, Dalai Lama no Brasil, trabalhei nesse evento e "coincidência que não existe" foi logo quando comecei meu processo de despertar da consciência.
Tantas coisas aconteceram depois desse dia...
Gratidão