quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Santo Daime: um pouquinho dessa doutrina

Oi gente,


Hoje trago um pouquinho do universo da doutrina do Santo Daime.

Vale lembrar que o chá que tomo nos rituais é o mesmo, o que muda ai é apenas a doutrina.

Beijos no coração.

Namastê


O Universo do Santo Daime

A primeira genuinamente brasileira
Ismael Cardoso & Paula Bianca Bianchi
Reportagem realizada em Junho de 2007

Santo Daime. Religião da Amazônia. Chá.

Isso era tudo que sabíamos quando definimos a pauta da segunda reportagem da cadeira de redação II. A tal religião tinha uma igreja em algum lugar de Porto Alegre. Afastado, pelo visto. Ir a campo era um dos atrativos. Jornalismo "on the road", afinal.
"Off road" cairia melhor.

Como se começa uma matéria sobre um assunto sobre o qual você não domina absolutamente nada? As estatísticas não são precisas, mas especula-se que nove entre dez estudantes responderiam: Google. A soma dos verbetes Santo + Daime encontrou meros 124.000 resultados. Felizmente não precisamos passar do primeiro.

Na página oficial da religião (www.santodaime.org) não foi difícil achar o contato para todos os centros do Santo Daime no país. Wilton, Cristina e um telefone. Essas eram as informações que o site dava para entrarmos em contato com o Chave de São Pedro, a igreja da doutrina em Porto Alegre. Um telefonema, entrevista marcada. Destino: altos do morro Santa Teresa. Logo no início da conversa, Wilton Jorge Souza, administrador do Daime em Porto Alegre, foi claro: "É inevitável falar do chá antes de se falar do Daime".
A ayahuasca
Vinho dos mortos, vinho das almas, chicote das almas, avuela, professor dos professores, madrecita de todas as plantas, yagé, vegetal, a pequena morte, ayahuasca. Esses foram alguns dos nomes que encontramos para a bebida que os seguidores da religião que estávamos pesquisando chamam de Santo Daime. Existem mais de 42.
Quando se trata da origem dessa bebida, o que não falta são hipóteses. A mais aceita é a de que o chá tenha sido utilizado pelos incas por milhares de anos e espalhado pela América do Sul com as invasões espanholas no continente. Fugindo do massacre perpetuado pelos europeus, os sacerdotes receberam a missão de preservar seu bem mais precioso: a ayahuasca.

Floresta Amazônica adentro, eles passaram de tribo em tribo ensinando o feitio da bebida. O chá era utilizado pelos índios em rituais chamados vegetalistas, e provado eventualmente por caboclos, que o chamavam jocosamente de "cinema de índio". Isso porque, sob seu efeito, a pessoa fica acordada, mas, ao mesmo tempo, em um estado semelhante ao do sonho. Há registros de que pelo menos 72 tribos amazônicas detenham o conhecimento para produção da ayahuasca.

Nós poderíamos dar dois rumos à matéria. Nós seríamos apenas observadores ou entraríamos a fundo na mística do Santo Daime? A segunda alternativa nos obrigaria a experimentar o tal chá. Na conversa com Wilton, ainda não havíamos decidido. Por isso, achamos melhor começar a investigar ali mesmo, por via das dúvidas, o que afinal é a ayahuasca e que efeitos a bebida poderia causar em duas pessoas nascidas e criadas a quilômetros de distância da Floresta Amazônica.

Em primeiro lugar, trata-se de uma cocção e não de um chá, apesar de até mesmo os seguidores da doutrina do Daime o chamarem por esse nome. No preparo da ayahuasca são utilizadas duas plantas naturais da Amazônia: o cipó jagube e o arbusto chamado de chacrona ou folha-rainha. O cipó é macerado e fervido junto com as folhas, formando uma bebida de cor ocre esverdeado e de sabor muito amargo.

Os alcalóides do cipó inibem uma enzima em nosso organismo permitindo que o DMT (dimetil-triptamina) do arbusto chegue ao sistema nervoso central. O DMT é um potente psicoativo, com função semelhante a seratonina – um dos neurotransmissores presentes no cérebro e que tem a função de "ligar" um neurônio ao outro. Após a experiência, a ayahuasca causa uma sensação análoga a de um antidepressivo. De acordo com o biólogo Rafael Guimarães dos Santos, doutorando em farmacologia pela UAB (Universitat Autònoma de Barcelona) "de maneira geral, a ayahuasca produz efeitos similares ao LSD, à psilocibina, e à mescalina. Os comportamentos são moldados pelas expectativas e motivações das pessoas que tomam a ayahuasca. Se está em um ritual do Santo Daime, por exemplo, o comportamento pode ser o de cantar e de dançar. Em um sentido mais psicológico e fisiológico, pode-se dizer que o indivíduo, entre outras coisas, pode vomitar, ter diarréia ou ter visões".
Estima-se que existam cerca de 10 mil seguidores do Santo Daime no mundo. O uso religioso da ayahuasca é permitido no Brasil, na Espanha, na Holanda e, recentemente, no estado norte-americano do Novo México. Há também grupos que celebram os cultos da doutrina no Japão, Argentina, Chile, Uruguai, Venezuela  e Portugal.   Não há nenhuma comprovação de que o chá crie dependência física ou psicológica, já que o organismo tem baixa tolerância à bebida. É interessante notar que a dose letal de ayahuasca é de 7,8 litros para um adulto, quantidade semelhante à do suco de maracujá, que é de 8 litros. Já a dose letal de água é de 10 litros, enquanto 1 litro de álcool é suficiente para causar overdose.
"Jornalista tem mania de chamar o Daime de alucinógeno", brinca Wilton ao comentar que a ayahuasca é, na verdade, um enteógeno. Ele explicou que os dois são expansores da consciência, mas enquanto o alucinógeno distorce a percepção, o enteógeno aguça. Descrença. O hábito de confiar desconfiando foi mais forte. Ou alguém já ouviu falar de enteógeno?

Ao contrário do que imaginávamos, existem, sim, enteógenos. Entre tantas definições, a que ficou foi a do biólogo Rafael dos Santos. "Enteógeno é um termo que quer dizer algo como proporcionar a experiência interior do divino, e foi criada por alguns pesquisadores para ser utilizada no lugar de alucinógeno, psicotomimético ou psicodélico, que seriam, segundo eles, termos errados. Alucinógeno é o termo mais utilizado no meio acadêmico, médico e farmacológico. Em uma de suas definições, 'alucinar' quer dizer 'navegar pela mente'. Em outra, quer dizer ver coisas que não existem na realidade, como um sonho", explica.
Já sabíamos onde surgiu o chá, quais seus efeitos e como age no organismo. Faltava descobrir como a ayahuasca virou Santo Daime e como essa doutrina se expandiu a ponto de sair da Amazônia e chegar em lugares tão distantes como a Espanha e Porto Alegre.


Um pouco de história

Tudo começou com um "negrão de mais de dois metros de altura que calçava 52". É assim que a maioria dos daimistas descreve o filho de escravos Raimundo Irineu Serra. Ele era um entre tantos migrantes nordestinos que partiram para o meio da floresta para se juntar ao exército da borracha. De seringueiro, Irineu passou a cabo do Exército, atuando como guarda de fronteira. Foi numa missão na divisa com o Peru que ele entrou em contato pela primeira vez com a ayahuasca.

Sob efeito da bebida, Irineu teve uma visão. Nossa Senhora da Conceição se apresentou a ele como a Rainha da Floresta e lhe deu as bases para iniciar uma nova forma de evangelização em Cristo. O chá, conhecido entre os incas como ayahuasca, que significa "chicote das almas" no idioma quéchua, foi rebatizado por Irineu, ganhando o nome de Santo Daime, significando, com isso, a invocação espiritual que deveria ser feita pelo fiel ao comungar com a bebida: dai-me paz, dai-me amor, dai-me força, dai-me luz. Foi assim que, por volta de 1910, no seio da Floresta Amazônica, nasceu a primeira religião genuinamente brasileira.

Católico fervoroso, Raimundo Irineu Serra, que passou a ser conhecido como Mestre Irineu, cristianizou as tradições caboclas e xamânicas da bebida sacramental ayahuasca, inicialmente realizando cerimônias de cura baseadas na ingestão do chá. A década de 1930 foi marcada por dois fatos importantes para a consolidação da doutrina. Foi nessa época que o Mestre Irineu começou a receber os hinários, cânticos com forte ênfase nos ensinamentos cristãos que propõem uma nova leitura dos Evangelhos. A maior parte do conhecimento da doutrina é baseado nesses hinos. Também na década de 30, o Santo Daime foi registrado oficialmente como religião, com o nome de Igreja do Culto Eclético da Fluente Luz Universal.
O Santo Daime é uma religião cosmocentrista. Para os seus seguidores, Deus está presente em todas as coisas, inclusive dentro das pessoas. O chá seria o responsável por nos apresentar a nós mesmos. Segundo Wilton, o primeiro contato com o Daime pode ser assustador: "Ele mostra que Deus está dentro da gente". Ele explica ainda que nos trabalhos não há sacerdotes nem nada do gênero. "Quem controla tudo é o chá, o chá é o mestre, a figura central".

Até a década de 1970 a doutrina ficou restrita à região Norte do país. Foi depois da morte do Mestre Irineu, em 6 de julho de 1971, que o Daime iniciou a sua expansão pelo mundo. O principal responsável por essa mudança foi Sebastião Mota de Melo. Caboclo simples, sem instrução, nascido na mata e com fortes convicções espíritas, tornou-se seguidor da doutrina após a cura de uma doença grave. Padrinho Sebastião recebeu um chamado para voltar para floresta a fim de fundar uma "nova Jerusalém". Em 1980, junto com um grupo de seguidores, criou uma pequena comunidade em uma área virgem da mata conhecida como Seringal Rio do Ouro. Dois anos depois, tendo que abandonar a área, o grupo foi mais fundo na floresta, fundando a vila do Céu do Mapiá, uma sociedade alheia ao resto do mundo cuja base principal são os ensinamentos do Daime.

Esse movimento chamou a atenção do governo, que em 1982 criou uma comissão multidisciplinar para averiguar a situação. Um grupo de médicos, antropólogos e psicólogos acompanhados de representantes do Ministério da Justiça, da Polícia Federal e do Exército visitou o Seringal do Rio do Ouro e o Céu do Mapiá. Diversos testes e entrevistas foram realizados com amostragens significativas da população local. Os estudos chegaram a conclusão de que o uso da ayahuasca não trazia prejuízos à vida social dessas populações, até que, em 1991, o Confen (Conselho Federal de Entorpecentes), atual Conad (Conselho Nacional Antidrogas), liberou o uso da ayahuasca no Brasil em rituais religiosos. As pesquisas em torno do Santo Daime acabaram dando uma visibilidade muito grande à religião, contribuindo para a expansão da doutrina.


O feitio

Uma parada de ônibus errada e trinta pessoas que nunca tinham ouvido falar do Daime depois, vimos o resultado da expansão dessa religião. A mais de 4 mil quilômetros do Acre e a menos de meia hora de carro do centro da capital gaúcha fica o representante porto-alegrense do Santo Daime.

Descemos do ônibus na avenida Oscar Pereira perto das 15h e caminhamos por cerca de 15 minutos por uma estrada de chão até a chácara onde está localizada a igreja Chave de São Pedro. Após passarmos por um túnel que só depois descobrimos ser feito de cipó jagube e folha-rainha, demos de cara com um prédio simples em forma de estrela de seis pontas com as janelas cobertas por folhas de plástico e duas portas. Em meio às montanhas, o lugar não se parece nada com a Floresta Amazônica, tampouco com Porto Alegre.

De dentro da igreja, vinham sons de cantoria. Do lado de fora, uma placa com os dizeres "acesso restrito" indicava a principal ocupação dos integrantes do Chave naquele feriadão de Corpus Christi e o motivo de nossa ida até lá: o feitio.

O processo de produção do chá é um ritual seguido a risca pelos daimistas. Para o dirigente do Chave, Wilton Souza, a diferença entre a ayahuasca e o Santo Daime está no preparo. "Tu podes encontrar o chá pra vender na internet, isso existe. Mas o que tu encontras é a ayahuasca, não o Daime", explica. Há todo um dualismo entre masculino e feminino, que pode ser entendido através da lenda que dá origem à bebida. "Um rei e uma rainha se amavam muito. Quando o rei morreu, a rainha chorou em cima do túmulo dele até morrer de tristeza e foi enterrada ao seu lado. Do túmulo dele nasceu o jagube, do dela, a folha-rainha", conta Wilton.

Talvez seja por isso que no feitio do Daime somente as mulheres mexam com as folhas e os homens com o jagube. Enquanto as mulheres separam e limpam a folha-rainha dentro da igreja, os homens maceram o cipó em um lugar reservado da chácara. Esse processo de maceramento leva horas e exige um grande esforço, e só termina depois que todo o cipó seja reduzido a uma espécie de fibra muito fina. Mas isso não é visto como um sacrifício. "É muito bom bater no cipó. Tu descarrega toda a tua raiva ali", afirma o estudante de administração Lucas Ribeiro, 23 anos, integrante do Chave há dois anos. Nesse feriado foi produzido Daime suficiente para suprir as necessidades do centro pelos próximos seis meses.
Essa foi a segunda vez que o Chave realizou o feitio. Ter a oportunidade de produzir o chá na própria igreja é visto como uma conquista. Antes, ou os integrantes do Chave iam para outros centros do país produzi-lo ou ele vinha de outros estados. O principal fornecedor de Daime é o Acre, sobretudo para os centros que ficam fora do país. No entanto, por causa do alto custo e de todos os trâmites legais envolvidos no transporte, o Chave optava por trazer o chá de estados mais próximos, como Santa Catarina e o Paraná. No Rio Grande do Sul existem outras três igrejas do Santo Daime. O Céu do Cruzeiro do Sul, em Viamão, o Mensageiros da Luz, em Caxias do Sul e o Céu de São Miguel, em Sapiranga.


O trabalho

Tomar ou não tomar o chá, eis a questão.

Os depoimentos dos conhecidos que haviam passado pela experiência não eram lá muito animadores: vômitos, desconforto e "bad trips" eram alguns deles. Foi quando pedimos permissão para assistir a uma das missas que decidimos. "Se vocês quiserem assistir à cerimônia pode, desde que tomem o chá", afirmou Wilton. Pelo bem da matéria e da nossa curiosidade, aceitamos.

Os trabalhos da doutrina do Santo Daime são realizados de acordo com um calendário oficial, que define os dias santos e festejos do ano daimístico. As igrejas e centros em todo o mundo devem seguir as datas estipuladas. Existem três tipos de rituais. Os rituais de concentração, os de cura e os hinários. Os de cura são realizados todo dia 27, enquanto os de concentração acontecem duas vezes por mês, nos dias 15 e 30. Já os hinários são celebrações especiais, que duram cerca de 12 horas e correspondem a alguns dias santos da igreja Católica e a aniversários de nascimento e morte de pessoas importantes para a doutrina, como o Mestre Irineu e Padrinho Sebastião.

Foi na sexta-feira, 15 de junho de 2007, de carona com o estudante de pedagogia Tiago de Paula, 29 anos, fardado há cinco, que fomos ao Chave participar de uma cerimônia de concentração. "O fardamento é uma iniciativa pessoal, livre", explica Tiago. Não existe nenhuma regra, mas após alguém participar de três rituais do Daime é convidado a se fardar. O objetivo é igualar as pessoas, formar uma irmandade. O nome fardamento vem da origem militar do Mestre Irineu e refere-se à idéia de que os daimistas formam o "Exército da Rainha da Floresta". Há dois tipos de farda: azul para os trabalhos rotineiros de concentração e cura e branca para os hinários e datas especiais. Uma uruguaia a caminho do Céu do Mapiá, um coronel da Brigada Militar, um piloto de avião, um DJ de raves, uma paulista em visita a Porto Alegre. Essa foram algumas das pessoas que encontramos ao chegar lá. Entre freqüentadores assíduos do Chave e de outras igrejas da religião e pessoas que tomavam o chá esporadicamente, éramos os únicos que iriam ter o primeiro contato com o Daime naquela noite.

Antes do início da missa pagamos uma contribuição à igreja e assinamos um termo de compromisso, procedimento padrão para quem toma o chá pela primeira vez, no qual afirmamos que estávamos tomando o Daime por livre e espontânea vontade e que iríamos participar da cerimônia até o fim. O sustento dos centros é baseado nessas contribuições e em doações. As taxas variam de acordo com o envolvimento com a igreja. Fardados pagam menos que os visitantes, e podem escolher se fazem uma contribuição mensal ou por trabalho. "O Daime não tem um valor, mas tem um custo", justifica Wilton. Parte do dinheiro vai para o Céu do Mapiá, parte para a produção do Daime e o que sobra é destinado às melhorias da igreja.

Como todos os que tomam o chá pela primeira vez, tivemos uma conversa com Wilton, que nos orientou sobre como iria acontecer a cerimônia, as implicações de se tomar o Daime e como lidar com a experiência. Segundo ele, não havia motivo para medo ou ansiedade. "O Daime respeita quem respeita ele."

Para participar da cerimônia existem certo detalhes que devem ser observados. As mulheres devem usar saias e os homens calças, obrigatoriamente. A igreja é divida entre o batalhão feminino e o batalhão masculino, que ocupam áreas opostas, sendo que homens e mulheres entram por portas diferentes. Tradições mantidas desde o início da religião.

Um pouco antes do começo do encontro, o sino toca, chamando todos para dentro da igreja. As pessoas são organizadas ao redor de uma mesa em forma de estrela com uma Cruz do Cruzeiro do Sul em cima. Os integrantes são distribuídos de acordo com o sexo, o vínculo com o Daime, o tempo de fardamento e o estado civil. Os fardados sentam mais próximos à mesa, enquanto os visitantes ficam mais distantes.

Entramos, cada um por uma porta como manda o ritual. Foi a primeira vez que nos separamos, e ficamos assim até o fim da cerimônia. Passamos as quatro horas seguintes em lados opostos da igreja. Tentar não se preocupar um com o outro foi uma das recomendações de Wilton na nossa conversa.

Pontualmente às 21h, o dirigente inicia os trabalhos. Três Pais-Nossos, três Ave-Marias, e uma Chave da Harmonia (oração da Comunhão do Pensamento) depois, finalmente, o primeiro despacho de Daime. Seguindo a mesma lógica de distribuição ao redor da mesa, duas filas se formaram, uma de homens, outra de mulheres, sendo que os fardados bebem o chá primeiro.

Cor de café-com-leite levemente esverdeado, cheiro de mato, denso e amargo, o Daime não é uma bebida fácil de engolir. "Remédio bom, gosto ruim", nos avisaram. Era verdade. Copo vazio, foi difícil não fazer cara feia. Tomamos o chá do último feitio. Demos sorte. "Esse não fermentou, está bem docinho", dizia Tiago. Imagina se estivesse fermentado.

De volta aos nossos lugares, começam os hinários. Tratam-se de cânticos recebidos pelos padrinhos com versos repetitivos e acento do norte, o que tornou difícil acompanhar a cantoria. Segundo Tiago, "o Daime é uma doutrina musical, todo o conhecimento está nos hinos". Cada ritual pede hinários diferentes, que são cantados por todos e sempre acompanhados pelo som do maracá, uma espécie de chocalho indígena, e, às vezes, pelo violão.

Foram aproximadamente vinte minutos até o chá começar a fazer efeito. Tomar o Daime, como pudemos perceber, é uma experiência muito particular. Tanto que não há como definir um padrão de comportamento ou de reação à bebida, tão pouco o que sentimos foi parecido. "É sempre uma experiência diferente", relata Lú Rosa, fardada desde o fim de 2006.

De início foi difícil sair da posição de jornalista observador. O teto da igreja, redondo e sem nenhuma viga de sustentação, cheio de banderinhas de São João, as camisas brancas, saias e calças azuis, a mesa com velas, sinos e incensos. Sem a companhia do bloquinho ou do gravador, havia o medo de esquecer, não abarcar tudo isso. Mas o Daime foi mais forte. Apagaram as luzes. Alguém gritou "Concentração!" e o silêncio tomou conta do lugar. Essa uma hora em que ficamos sentados passou de forma bem diferente para nós dois.

Chão e sombras em três dimensões, o tempo patinando nos segundos enquanto as imagens mais diversas apareciam a um mero fechar de olhos, justificando o tal "cinema de índio". Nenhum desconforto, nenhum mal-estar. A única sensação física era a impressão de não ser mais um corpo inteiro. Pulsação, respiração, tudo estava presente, mas o corpo não passava de cabeça e mãos. Talvez fosse a preocupação jornalística, talvez não fosse pra ser, mas a tão esperada experiência de autoconhecimento não veio.

Do outro lado da igreja, impaciência. "Isso não vai fazer efeito, isso não vai fazer efeito. Tá, o que eu vou fazer nas próximas horas?" Os pensamentos foram aos poucos dando lugar a uma sensação de entorpecimento, de ser envolvido por padrões multicoloridos. A vontade de permanecer e continuar sentindo tudo aquilo perdeu para a ânsia de vômito crescente. Lá fora, a fiscal repetia: "Respira fundo e segura a força", mas o estômago discordava. Conforme nos disseram, o Daime é um agente de mudança muito forte, ele realiza um processo de limpeza no organismo, física e psicológica. "A gente chama isso de cura", explicou a fiscal. De volta à cadeira, lembranças começaram a emergir. Punk meditação define bem a sensação. Memórias, decisões, resoluções, tudo passava pela cabeça. Desse lado da igreja o autoconhecimento aconteceu.

Com as luzes acesas, volta a cantoria, que dura até o fim da cerimônia. É ao som dela que o dirigente chama para o próximo despacho de Daime. Mais meio copo do chá e começa tudo de novo. Em nenhum momento há perda de consciência. Na verdade, a única sensação que foi comum a nós dois foi uma clareza de pensamento imensurável. "Já sentiu a força?" era a pergunta recorrente aos "novatos". Força ou não, não havia como negar que alguma coisa estava acontecendo.

A terceira rodada de Daime foi opcional. Nossos olhares se cruzaram. "Vamos? Vamos." Mais encorpado, com uma concentração semelhante ao mel, essa dose era mais forte que a dos primeiros despachos. Tanto que recebemos apenas um gole.

Em seguida Wilton propõe: "Vamos bailar um pouco?". No bailado, as pessoas acompanham os chefes dos batalhões feminino e masculino em passos ritmados, para um lado e para o outro, de acordo com os hinos e a batida do maracá. Enquanto nos hinários passa-se todo o tempo bailando, nos trabalhos de concentração o normal é permanecer sentado.

O ritual vai se encaminhando para o fim. Rezam-se mais alguns Pais-Nossos, Ave-Marias e uma Salve Rainha e, à 1h, exatas quatro horas depois do início, termina a cerimônia. O que se seguiu nos pegou de um pouco de surpresa. Mesmo sendo desconhecidos para a maioria das pessoas ali dentro, nos sentimos integrantes daquele grupo. Todos pareciam estar muito felizes e em paz. Havia sinceridade na preocupação e no interesse de dividir a experiência da noite uns com os outros. Interesse e preocupação que foi estendido a nós.


Depois do Daime

Procuramos, pesquisamos, conversamos com muita gente e não encontramos nada contra o Santo Daime. Os relatos mais comuns são de pessoas que, ao entrar para a doutrina, "encontraram um rumo". É como afirma Tiago: "O Daime me trouxe consciência". Não nos tornamos seguidores, não aderimos à religião, mas nosso ceticismo inicial foi aos poucos perdendo espaço para um crescente respeito pela doutrina do Santo Daime e pelos que nela acreditam.

À primeira vista, é fácil pensar: "O que esse pessoal faz no meio do mato tomando um chá da Amazônia para encontrar Deus?". E, acredite, foi difícil não pensar isso. Mais do que Deus, o Daime é visto como um espelho da alma e uma forma de autoconhecimento. Apesar das coisas serem muito diferentes, elas não eram nada contraditórias.

Com quanto mais pessoas nós conversávamos, mais confusa ficava a doutrina do Santo Daime. "Daime é Deus", dizia Wilton, nos dando a impressão de que a religião era catolicismo com a ingestão do chá. Já para Tiago, "é muito mais um caminho espiritual que uma religião", e ficava no ar um quê de budismo. Mas, afinal, o que é o Daime? Apenas após participar de um trabalho e tomar o Daime conseguimos entender um pouco mais a dimensão dessa doutrina. Talvez a expressão que melhor defina esse culto que nasceu no começo do século no meio da floresta amazônica e foi disseminado por caboclos simples e sem instrução seja a que também mais escutamos durante toda a reportagem: sincretismo religioso. Catolicismo, cardecismo, umbanda, caminho vermelho, judaísmo, xamanismo, comunhão do pensamento. Todas essas crenças estão presentes, de uma forma ou de outra, na doutrina do Santo Daime.

Cada pessoa que entra para o Daime tem a liberdade de agregar a ele suas crenças anteriores, e assim vai se construindo um caleidoscópio gigante cuja imagem depende do observador. Uma forma de encontrar Deus ou de se encontrar. Seja o que for, o Daime permanece um mistério. Nas palavras de Sócrates: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo".


Extraído do Site:


Veja Mais:


#desafiogratidão2015
#dia135

Gratidão pela empresa que trabalho, é muito bom ver projetos serem executados com excelência.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A catástrofe às vezes está apenas na cabeça

Oi gente,

Antes de deixar mais um e-mail da Flavia Melissa, quero colocar pra vocês o áudio que tocou no Ritual de Sábado no Instituto Flor de Lótus.

De tanto que falo da FM aqui, a Jú acabou encontrando esse vídeo dela que serviu para o ritual.

Fico só imaginando como deve ter sido bom ouvi-lo estando na força...

Beijos no coração.

Namastê

por Flavia Melissa

Oi! Tudo bem por aí?


Numa noite escura, um homem andava no meio de uma floresta quando, de repente, caiu. A única coisa que conseguiu fazer foi segurar-se em um galho. Quando olhou para baixo, só viu escuridão. Começaram, então, os pensamentos catastróficos: "Eu vou cair neste abismo e vou morrer... Este galho não vai aguentar por muito tempo e vou me machucar todo...".

À medida que o tempo passava, o galho ia se desprendendo, e cada vez mais o homem se desesperava, com medo de cair e morrer. A claridade foi chegando com a manhã, e só então ele percebeu que estava com os pés a apenas 30 centímetros do chão e que todo seu medo e sofrimento tinham sido infundados.

Há alguns meses, eu escorreguei em uma floresta escura. No ultrassom morfológico de segundo trimestre de minha gestação fui surpreendida pela notícia de que meu bebê tinha um rim maior do que o outro - o que significava que o maiorzinho deles era preguiçoso. E, durante o resto da gestação, morri de medo. Pois bem: Gael nasceu e foi submetido a uma bateria de exames que comprovaram que, felizmente, seus rins funcionam maravilhosamente bem e que nada precisará ser feito além de observar, de tempos em tempos, se está tudo OK com ele.

Eu passei aproximadamente 5 meses pendurada em um galho a 30 centímetros do chão.

Se eu pensar na minha vida, vou conseguir identificar pelo menos uma dúzia de situações em que me debati pendurada em galhos variados, achando que ia cair nos abismos da vida. E, pensando hoje do modo como penso porque vivi o que vivi, fico imaginando quantas plantas bonitas deviam existir à minha volta enquanto eu me agarrava no galho, e quantos animais maravilhosos talvez houvessem na floresta, e como devia ser bonito o canto dos pássaros que estavam pousados em galhos próximos a mim - e eu não vi nada, focada no meu medo de me estraçalhar abismo abaixo. Quantos motivos para me sentir grata e eu ali, desesperada!

No final das contas, Gael foi submetido à uma cirurgia. Nada teve a ver com o rim preguiçoso, e sim com uma hérnia inguinal que apareceu de um dia para o outro. E - pasme! - quando o problema aconteceu de verdade e o abismo se tornou realidade, ele nem era tão fundo assim. Entre mortos e feridos salvamos-nos todos, Gael se recuperou ridiculamente rápido e eu fui capaz de manter a cabeça no lugar e não pirei na batatinha como eu achava que piraria. Porque, sabe? Quando os problemas acontecem a gente simplesmente lida com eles, sem masturbações mentais e nem chiliques desnecessários. Vai lá e faz o que precisa ser feito. E pronto.

E você? A quais galhos está pendurado temendo os abismos da vida?

Espero que esta reflexão tenha sido produtiva e que você seja capaz de, daqui em diante, pegar mais leve consigo mesmo e com a vida!

Com meus votos de paz, bem e abundância, hoje e sempre,
Flavia.


PS: Você está sabendo do Programa Intensivo de Desenvolvimento Pessoal do Natural Vibe que começa a rolar agora em outubro aqui em Sampa? Vai ser a coisa mais transformadora dos últimos tempos! São 30 horas de vivências divididas em 5 dias, conduzidas por 5 profissionais incríveis nos quais eu orgulhosamente me incluo :) Meu Workshop sobre Intimidade acontece no dia 28 de outubro e eu não vejo a hora de conhecer muitos de vocês pessoalmente.

>> CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS

No momento de sua inscrição não se esqueça de mencionar as palavras-chave FLAVIA MELISSA para receber de presente as 5 primeiras meditações guiadas do Podcast que estou produzindo!

PS2: Amanhã, quarta-feira 7 de outubro vou lançar um email para os assinantes do meu site avisando de dois eventos incríveis dos quais vou participar em novembro no Rio de Janeiro! Se quiser mais informações se cadastre gratuitamente por lá, porque os assinantes do site têm preferência na hora das inscrições e muitos eventos nem são lançados nas redes sociais porque lotam antes!

>> CLIQUE AQUI E SE CADASTRE 

#desafiogratidão2015
#dia134



Gratidão por existir pessoas difíceis na 
minha vida na qual tenho a oportunidade 
de treinar a paciência, a compaixão,
a benevolência...
Gratidão por essas pessoas serem o espelho
daquilo tudo que não desejo ser e fazer.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Pedido de Amor ou Ataque

Estamos trilhando um caminho espiritual e agora? O que fazer quando 

identificamos um ataque? Como percebê-lo como um pedido de amor?




Não vamos ceder ao ataque, pois é isso mesmo que a Jú falou:

NADA pode mudar o filho de Deus!!!

Tudo aquilo que não é amor é um pedido de amor, e só podemos ajudar quando entendemos profundamente tudo isso reforçando esse conceito em nós mesmos.

Gratidão amiga.


Bom, agora deixo o texto sobre a inveja.

Beijos no coração 

Namastê


___________________________________


A inveja surge do sentimento de que somos incapazes de viver nossos próprios sonhos, de alcançar as nossas metas, de realizarmo-nos. Por isso, o exemplo daqueles que realizaram algo nos faz lembrar daquilo que não fomos capazes de fazer. 

A sensação de incapacidade é a matriz da inveja e a inveja é o sentimento mais difícil de ser aceito pelo ser humano, pois na maioria das vezes é inconsciente.


A pessoa que sente inveja odeia a si mesma, se desvaloriza, se esvazia bloqueando assim, o recebimento de amor dificultando ainda mais as coisas.


A pessoa não quer ser amada e pela sua desvalorização sente a necessidade de culpar o outro - tornar o outro seu alvo.


Reconhecer que isso existe é o passo mais difícil porque muitas vezes é um sentimento inconsciente e ficamos num processo de "projeção"  cíclico.

Ficamos projetando no outro o nosso auto-ódio, a nossa baixa auto estima, traumas, medos, ciume...tudo acaba virando motivo, pois nos colocamos na posição de vítima eterna dos acontecimentos da vida.

Se isso de alguma forma está acontecendo com você, aprenda a reconhecer esse sentimento e usá-lo a seu favor:




Geralmente, quando falamos em inveja, o primeiro impulso é condenar e julgar este sentimento como algo errado, feio, baixo. Quando invejamos os outros, sentimos vergonha ou ficamos assustados e nos reprimimos. Se percebemos a inveja dos outros, ficamos com medo ou raiva da outra pessoa. Porém, a inveja faz parte da natureza humana e, portanto, faz parte de absolutamente todos nós.

Quando negamos a inveja em nós mesmos ou condenamos o outro por senti-la, rejeitamos algo que está dentro de nós. E com isso, tudo o que fazemos é apenas diminuir nossa autoestima. É como se você olhasse no espelho e falasse: "você é feio, não devia existir". Portanto, o primeiro passo para lidar com a inveja é aceitá-la e tirar esse peso tão grande que damos a ela. O tabu, a condenação e o julgamento apenas tornam a energia da inveja mais forte, seja dentro ou fora de nós.

"O tabu, a condenação e o julgamento apenas tornam a energia da inveja mais forte, seja dentro ou fora de nós."
Ela não é agradável de sentir, mas como tudo na vida, também guarda seu lado positivo. A inveja sinaliza o quanto estamos precisando trabalhar nosso amor próprio e autoestima. Quanto mais sentimos, maior é o nosso vazio interno. O mesmo serve para quem é sempre o alvo da inveja dos outros. Parece contraditório, mas quem se sente afetado pela inveja alheia, na realidade carrega as mesmas energias desarmonizadas de insegurança e falta de autoestima de quem sente inveja, apesar do sentimento se manifestar de maneiras diferentes em cada situação. Quando a pessoa está segura ou plena em si mesma, a inveja alheia não incomoda ou, como se diz na linguagem popular, "não pega".

SINAL DE ALERTA PARA A AUTOESTIMA

Quando o combustível do carro está acabando, uma luz pisca no painel, avisando que a situação está ficando crítica. Sentir inveja ou nos sentirmos prejudicados pela inveja dos outros é como a luz do carro avisando que estamos diante de alguma situação que nos faz confrontar nossa insegurança e falta de amor próprio. Se ficarmos atentos, podemos começar a notar que situações são essas que nos trazem inveja, pois elas sinalizam onde estão os pontos fracos de nossa autoestima.
Se ficamos com inveja da pessoa que está sempre namorando, pois estamos sempre sós, deve haver algum padrão ou crença negativa relacionada aos relacionamentos que precisa ser trabalhada. Pode ser, por exemplo, a crença de que só é completo quem tem um par afetivo. Se não conseguimos ficar felizes com a promoção no trabalho de uma pessoa querida, bem provavelmente estamos infelizes em nosso próprio trabalho e/ou não acreditamos em nosso potencial. Se todos nos invejam no trabalho e procuram nos prejudicar e nos sabotar, isto pode estar sinalizando uma necessidade nossa muito grande de demostrar serviço para obter a validação e o reconhecimento alheio. Isso, na realidade, é insegurança e falta de amor próprio disfarçadas. Se o seu par é cobiçado pelas outras pessoas e isso lhe incomoda, isso mostra o quanto você não se sente a altura da pessoa parceira, pois de outra maneira isso não lhe afetaria.

USE O SENTIMENTO A SEU FAVOR

Reconhecer isso pode ser bastante desagradável e até doloroso. De início pode vir uma intensa recusa em querer reconhecer a inveja e os motivos dela dentro de cada um de nós. Porém, a única maneira de realmente neutralizá-la é aprender a utilizar o sentimento em nosso favor. Querendo ou não, a inveja continuará existindo dentro e fora de nós, porque é algo inerente à natureza humana. Nosso grande e nobre objetivo não é deixar de sentir inveja, mas aprender a direcioná-la de forma positiva.

"Nosso grande e nobre objetivo não é deixar de sentir inveja, mas aprender a direcioná-la de forma positiva."
Podemos nos entregar a ela, ao sentimento ruim e desagradável, ou condenar, negar e abafar a inveja. Mas podemos também perceber que a inveja é um pedido de socorro de nós para nós mesmos, um pedido por amor. E é possível escolhermos escutar e atender esse pedido, cultivando nosso amor próprio.

Então, que tal ficar atento e, da próxima vez que tiver que lidar com a inveja dentro ou fora de si, em vez de julgar ou sentir raiva, fazer um gesto de amor por si mesmo? Traga sua atenção para dentro, cuide de si, ofereça algo bonito para si mesmo, seja uma flor, um presente ou mesmo um sorriso. Perceba a diferença desta atitude consigo mesmo. E depois, aprofunde seu trabalho de fortalecimento do amor próprio, cada vez mais. 

Transforme a inveja em um motor para sua autoestima!

Extraído do Site:
#dia133
#desafiogratidão2015



Gratidão



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Todo ataque é um pedido de amor



Oi gente,

Hoje conto sobre a dificuldade que estou sentindo de entender que todo ataque é um pedido de amor.

Falar isso quando não estamos sendo "atacados" é muito fácil, a ira não está presente, mas o que fazer quando estamos sendo atacados?

Revidar ou deixar pra lá???

Esse é o tema do vídeo de hoje.

Beijos no coração.

Namastê





por Um Curso em Milagres

Não existe amar pela metade. Amor é inteiro - caso contrário é ataque. Nele não há restrições ou barganhas. O Curso resume nossos sentimentos em apenas dois: amor e pedido de amor. É preciso compreender que ou seguimos a dinâmica do ego (ataque) ou seguimos o propósito do Espírito Santo (perdão).

Não podemos amar um pouco e odiar um pouco ao mesmo tempo. A cada instante somos inteiros em nosso amor ou em nosso ataque (que, no íntimo, é um mero pedido de amor). Todo momento, independentemente do passado, é uma oportunidade pra escolher o milagre. A ira mais evidente ou a mais sutil irritação nos avisam que decidimos culpar o mundo. Conforme resgatamos a consciência de que nós mesmos somos o autor dos nossos sonhos, podemos relembrar que o mundo apenas recebe aquilo que já está em nossa mente. 

Quando escolhemos refletir no mundo a nossa própria inocência, somos tocados por paz, alegria, abundância, fluidez e ternura. E o mundo se torna nosso jardim sagrado.  

A maioria de nossas expressões é um pedido de amor sob formas diferentes. 

Quando nos cremos um corpo cheio de necessidades e carências, lançamos sobre o mundo a responsabilidade por nos satisfazer. Temos vergonha desta percepção de nós mesmos, tão frágil e pequena, e, assim, invertemos o jogo, acusando alguém pelo nosso sofrimento.

Apesar de com frequência o pedido de amor se manifestar sob a forma de ataque, não precisamos revidá-lo nem com ataque nem com defesa. Até porque quem ataca já se sente culpado. Sob a mais violenta expressão de ódio, há apenas um coração cansado e solitário implorando colo num gesto de desespero.

Isso não significa que, no âmbito do comportamento, não precisemos tomar uma postura enérgica de vez em quando. Mas, ainda sim, o conteúdo de nossa mente reflete nossa unicidade, desfazendo a crença na separação. 

Atacar é gritar por amor, buscando-o do lado de fora - quando já somos amor infinito. Curiosamente, quando decidimos amar o mundo ao invés de atacá-lo, redescobrimos que todo o amor que buscamos está presente quando o espalhamos ao nosso redor


#dia132
#desafiogratidão2015


Gratidão pelo resultado dos exames da minha mãe estarem ótimos.
As vezes a vida nos dá um chacoalhão pra ver se a gente pega no tranco e foi isso que aconteceu com ela quando se deparou com uma doença chamada artrite reumatóide que hoje já está em processo de remissão.
Ela tinha apenas duas escolhas: lutar ou desistir e ela escolheu lutar!
Fez todo o tratamento numa boa, no otimismo e aceitação, nunca reclamou dos dez comprimidos que tomava toda semana, muito pelo contrário, ela abençoava os comprimidos, pois sábio o quanto eles estavam sendo importantes pra sua saúde.
Agora a doença está "dormindo" e como a minha mãe é uma boa menina, tenho certeza que "a bela adormecida" continuará dormindo pra sempre.
Gratidão

domingo, 4 de outubro de 2015

#dia131

#dia131
#desafiogratidão2015


Por há 12 anos atrás Deus ter me dado o maior presente da minha minha vida.
Carol e Felipe
Gratidão

sábado, 3 de outubro de 2015

#dia130

#dia130
#desafiogratidão2015


ॐ OM MANI PADME HUM ॐ
Paz, amor e harmonia
Sempre
Gratidão

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Viver o momento presente por Juliana Kurokawa

Oi gente,

Hoje tem vídeo da Jú!!!!!!!

Ela traz uma reflexão MUITO BACANA sobre "viver o presente" e cita como isso acontece num ritual com Ayahuasca, perfeito pq. é bem isso mesmo!

Esse post agrega super esse assunto que tanto falo aqui.

Não deixe de ler o texto também!

Beijos no coração

Namastê






Viver o momento presente


por Juliana Jurokawa

Hoje em dia muito se fala sobre viver o momento presente. Parece que todos estão preocupados em melhorar a qualidade de vida. E isso acontece em todos os ambientes. É muito clara a tendência de todos em querer enxergar o ser humano como um ser global, onde os seus estados mental, psicológico e espiritual importam tanto quanto o seu estado físico e suas qualificações profissionais, por exemplo. O século XXI tem sido marcado pelo reconhecimento das várias doenças conhecidas como “doenças da alma”, que incluem a depressão e a síndrome do pânico.

Nesse sentido, observamos, em todos os lugares, a busca de muitos terapeutas, escritores, psicólogos e até mesmo médicos por métodos alternativos, que tentem curar e tratar não só a parte patológica das pessoas, mas sim a parte que diz respeito ao intangível, àquilo que nem mesmo conseguimos provar ser verdadeiro e existente.

Apesar de ainda existir muita pobreza nesse mundo, muitas pessoas atingiram certo nível de estabilidade, onde elas podem buscar por alternativas que visem o seu bem-estar não só físico como mental. Há de se convir que, depois de atingirmos todos os nossos objetivos financeiros e até mesmo aquele de constituir uma família, mesmo que nossa família seja socialmente considerada uma família perfeita, muitas vezes, ainda sentimos que nos falta algo e isso nos leva a crer que há algo além de nosso ser físico que não conseguimos perceber. De certa forma, intuímos que esse Ser precisa de atenção tanto quanto as outras áreas de nossas vidas.

E, nesse ponto, nos deparamos com o conceito de viver o momento presente. Mas o que isso significa? Durante muito tempo, como nos consideramos meros seres físicos e psicológicos, entendemos que viver o momento presente é estar atento ao que os nossos cinco sentidos nos contam. Então, partindo-se do princípio de que somos o nosso corpo, seria o mesmo sentir a temperatura do local, seu odor, ouvir os sons que o povoam, olhar para cada detalhe e ainda sentir o gosto do que estivermos comendo. Nesse contexto, viver o momento presente seria manter nossos sensores ligados ao que estamos captando de nosso ambiente atual.

O que muitas vezes ignoramos é que a maneira como percebemos algo depende do que acreditamos ser real e ainda do que sentimos em relação ao que os nossos cinco sentidos capturam. Nossas emoções desempenham um papel fundamental sobre a atenção que damos às coisas ou pessoas que nos rodeiam. Isso quer dizer que nossos receptores sensoriais não nos dão uma imagem pronta, mas funcionam como mediadores de nossa própria decisão sobre o que vai se tornar um pensamento ao chegar à consciência e o que vai permanecer inconsciente.

As emoções não só determinam a maneira como percebemos, mas também têm a capacidade de não ver o que simplesmente não queremos ver.

Portanto, se construímos a realidade com elementos de nosso estoque já existente de lembranças, emoções e associações, como podemos perceber algo novo?  Percebemos que, diante deste fato, tudo o que percebemos depende das associações e lembranças que temos do passado?

Vamos supor que estejamos observando um cachorro brincando na grama com uma bola. 

A maneira como vamos experimentar o que vemos vai depender de como percebemos um cachorro. Se eu tiver sido atacada por um cachorro em minha infância, vou observá-lo de longe e a emoção presente será o medo e vou me aproximar com precaução. Por outro lado, se eu for uma amante dos animais, vou tentar interagir com ele e percebê-lo com ternura.

E o que isso quer dizer? Nos dois casos, em nosso senso comum, diríamos que estamos vivendo o momento presente, onde estamos muito atentos aos movimentos do tal cão, hora visto de maneira amedrontadora hora amável, dependendo do referencial passado que temos para o animal. Mas não fica claro aqui que, ao trazermos o nosso referencial do passado, não estamos de fato vivendo o presente? E o que seria se vivenciássemos a mesma situação e não tivéssemos nenhuma ideia do que é um cachorro? Não seria essa a única possibilidade de vivermos o presente, onde, ao invés de tentarmos prever seus movimentos, nos permitíssemos simplesmente observar e nos surpreender com os mesmos?

E, já que o que vemos e sentimos, depende de nosso referencial interno, qual seria a maneira mais adequada de viver o momento presente genuinamente?

Para viver o momento presente, precisamos conceber o que somos. Somos seres corpóreos com os seus receptores sensórios ou somos a mente que interpreta e colore todas as nossas experiências? E, se formos uma mente, viver o presente não seria observar os pensamentos que ela contem?

Viver o presente é conseguir observar e identificar os pensamentos que escolhemos e dão significado ao que vivemos nesse mundo.  Se não podemos interferir e nem mudar o que acontece conosco e ao nosso redor, não seria a nossa única e real escolha a maneira como interpretamos o que nos acontece? E já que tudo o que percebemos segue o pensamento presente em nossa mente, não seria a maneira mais eficaz de ser feliz: ser vigilante e escolher aqueles que nos dão a sensação de paz?

Que sentido teria tudo o que vivemos agora se não pudermos experimentar novos eventos sem o referencial do passado? Que diferença há entre uma pessoa que você odeia ou que ame entre qualquer outra pessoa do mundo se você não tiver o seu referencial passado? O que uma pessoa contra a qual você guarda mágoas está fazendo no momento em que você lê esse texto? E, ao se recordar dela, você reviveu todas os eventos passados que fizeram com que você guardasse ressentimentos a respeito dela ou deu a chance a si mesmo de viver o momento presente e perceber que não há nada agora que justifique tais sentimentos?

Viver plenamente o momento presente é não trazer o passado e nem o medo do futuro para o que é percebido. É estar atento ao pensamento regente em nossa mente. Nossa atitude interna define a maneira como vamos experimentar o mundo e colore todas as nossas experiências. E, se quero ser feliz, qual o pensamento que quero escolher como guia para o agora? Estou feliz com o prisma que tenho escolhido para colorir minha visão de vida? E, se eu não estiver, como posso estar cada vez mais consciente de minhas escolhas?


A maneira como escolhemos viver está intimamente ligada ao que acreditamos ser. Somos receptores de sensações externas ou uma mente tomadora de decisão? E, como tomadores de decisões, podemos escolher nossos pensamentos. Como seriam as nossas experiências se nos propuséssemos a fazer todas as coisas como se estivéssemos fazendo-as pela primeira vez? Podíamos ao menos começar a tentar... 

#dia129
#desafiogratidão2105


Gratidão por entender que todo ataque é um pedido de amor.
Baba Nam Kevalam

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Amor ou Medo por Flavia Melissa



Oi gente,


Como sei que vocês adoram os e-mails da Flavia Melissa (sou suspeita pra falar dela...), segue mais um que recebi ontem .


Beijos no coração

Namastê


Amor ou Medo?

por Flavia Melissa

O que você escolhe?


Olá! Tudo bem por aí?

Os antigos taoístas diziam que o Universo era composto por duas forças primordiais: contração e expansão - Yin e Yang. Os índios Cherokee diziam que todo homem possui dentro de si dois lobos: um bom e um mau. Sigmund Freud, o pai da psicanálise, nos idos de 1800 nos atentou para a existência de duas pulsões que movem o homem: pulsão de vida e pulsão de morte.

Céu e terra, dia e noite, lua e sol: desde sempre a vida na tridimensionalidade vem sendo regida pelos opostos complementares. Afinal, sem contraste não há experiência - como saber o que é o frio sem o quente, o molhado sem o seco, o amargo sem o doce? Nós precisamos dos opostos pois, sem eles, simplesmente não existe experiência.

Na sua opinião, qual é o oposto da paz? Guerra, certo? E de julgamento? É compreensão, não? E de amor? Na sua opinião qual é o oposto de amor? Raiva? Ódio?

Para mim o oposto de amor sempre foi o MEDO. Pois enquanto o amor nos impulsiona e nos faz abrir o peito, expor nosso coração em um grande SIM à vida, o medo nos prende. O medo nos retesa. O medo nos faz nos encolhermos, assustados, temerosos, reticentes. Quando sentimos medo nos fechamos e nossa resposta ao que está acontecendo à nossa volta é clara: NÃO. Seja qual for a causa de nosso medo, nossa resposta é NÃO. Não queremos experimentar aquilo em que nosso medo nos instiga. Tenho medo de ser assaltado? Então não quero ser assaltado. Não é por aí?

A questão é que, quando sentimos medo de algo, o que fica registrado em nossa mente e, consequentemente, em nosso campo energético é exatamente aquilo do que temos medo. Por exemplo, façamos uma brincadeirinha: eu te desafio a não pensar em um assalto, e... Pronto. Você pensou no assalto. Depois pode ter "despensado". Mas se você pensa que não quer ser assaltado o que fica registrado no seu campo é ASSALTO. Se você não quer ser desrespeitado o que fica é DESRESPEITO. E se você não quer ficar doente o que fica é, infeliz e justamente, DOENÇA.

Então agora eu te pergunto: do que você tem medo? E quais as situações que você teme enfrentar e que, por isso, insiste em tentar evitá-las?

Certa vez perguntaram, à Madre Tereza de Calcutá, os motivos pelos quais ela nunca aceitava participar de manifestações contra a guerra, a fome e a pobreza. Sua resposta foi que quando houvesse uma manifestação para a paz e para a abundância de recursos para todos os seres, ela participaria. E agora você já entende o porquê.

Por isso, uma de minhas frases bíblicas preferidas é: "Orai e Vigiai". Porque nosso papel é exatamente este, vigiar para que nossos pensamentos nos aproximem daquilo que desejamos viver ao invés de caminhar em direção àquilo que nos amedronta, nos angustia e nos aflige. Quando pensamentos negativos  surgirem - e eles sempre surgem - nosso papel é respirar fundo e transmutar a energia do medo em amor. Transformar as imagens ruins que invadem nossa tela mental em imagens agradáveis daquilo que desejamos experimentar.

Quando conseguimos fazer isso toda a nossa energia muda. A ansiedade vai embora e o que fica é a certeza de que todos os nossos sonhos já se tornaram realidade e se encontram à nossa espera, logo ali na frente, dobrando aquela esquina.

Espero que minhas palavras tenham feito tanto sentido para você quanto para mim, e que você esteja desfrutando de saúde e tranquilidade!

Com meus votos de paz, bem e abundância, hoje e sempre,
Flavia.


PS: Aproveitando a temática, eu, a Luana Ferreira do Natural Vibe e o físico quântico e filósofo Osny Ramos vamos estar no ar de novo amanhã, quinta-feira, dia 1º de outubro, as 20h30, falando sobre como resolver problema e superar medos através da física quântica :) É gratuito e você se inscreve CLICANDO AQUI! 

#dia128


Só o amor existe!
Gratidão