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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Conto Budista: O Monge e o Sorvete de Chocolate

Oi gente!

Hoje trago para vocês um lindo conta que diz tudo que a gente precisa para nossa auto investigação.

Vamos refletir?

Beijos no coração.

Namastê


Muitas vezes ouvimos falar do ego como o causador da soberba ou o culpado pelo sofrimento de uma pessoa diante de uma situação indesejada. Mas… o que é o ego exatamente e como este influencia a nossa felicidade?
Para a psicologia ocidental trata-se de uma representação que fazemos de nós mesmos. No entanto, do ponto de vista budista o ego é uma atividade, a tendência recorrente de nos identificarmos com qualquer coisa que tenha essa representação que acreditamos ser.
Neste conto budista veremos como esta identificação nos mantém separados do mundo e nos traz sofrimento e insatisfação, além de fomentar a concorrência. Aprecie a leitura.

Um teste para o ego com sabor a chocolate

Joel havia chegado já fazia três anos a uma das comunidades budistas mais antigas do Tibete, e ali almejava ser treinado para se transformar em um monge exemplar.
Todos os dias, na hora do jantar, perguntava ao seu mestre se no dia seguinte aconteceria a cerimônia da sua ordenação. “Você ainda não está pronto, primeiro precisa trabalhar a humildade e dominar o seu ego”, respondia o seu mentor.
Ego? O jovem não entendia por que o mestre se referia a seu ego. Achava que merecia ascender no seu caminho espiritual já que meditava sem cessar e lia diariamente os ensinamentos de Buda.
Um dia, o mestre imaginou um jeito de demonstrar aos seu discípulo que ele ainda não estava pronto. Antes de iniciar a sessão de meditação anunciou: “Quem meditar melhor terá como prêmio um sorvete”. De chocolate”, acrescentou o ancião.
sorvete-de-chocolate
Logo após um breve alvoroço, os jovens da comunidade começaram a meditar. Joel queria ser o melhor a meditar dentre todos os seus colegas. “Dessa forma, mostrarei ao mestre que estou preparado para a cerimônia. E poderei tomar o sorvete”, concluiu o discípulo.

O jovem budista tenta meditar

Joel conseguiu se concentrar na sua respiração, mas ao mesmo tempo visualizava um grande sorvete de chocolate que ia e vinha como se estivesse em um balanço. “Não é possível, preciso parar de pensar no sorvete ou outra pessoa vai ganhá-lo”, repetia para si mesmo.
Com muito esforço, Joel conseguia meditar por alguns minutos nos quais simplesmente seguia o compasso da sua respiração, mas logo em seguida imaginava um dos monges tomando o sorvete de chocolate. “Droga! Sou eu que preciso conseguir esse sorvete!”, pensava o jovem angustiado.
vela-budista
Quando a sessão acabou, o mestre explicou que todos tinham feito bem a tarefa, exceto alguém que havia pensado demais no sorvete, isto é, no futuro. Joel se recompôs antes de falar:
– Mestre, eu pensei no sorvete. Eu admito. Mas como você pode saber que fui eu quem pensou demais?

O ego se revela

– Não tenho como saber. Mas posso ver que você se sentiu tão afetado a ponto de se levantar e tentar se colocar por cima dos seus colegas. Assim, querido Joel, é que age o ego: sente-se atacado, questionado, ofendido… e quer ter sempre razão no jogo de ser superior aos outros.
Naquele dia, Joel aprendeu que ainda tinha um longo caminho a percorrer. Trabalhou a sua humildade e os impulsos do ego. Viveu no presente e procurou não ficar por cima dos outros. Também entendeu que não lhe convinha se identificar com suas conquistas.
Assim, com trabalho e paciência, chegou o grande dia. Foi aquele no qual o mestre bateu à sua porta para lhe anunciar que finalmente estava preparado para o que tanto havia almejado.
Quando chegou no templo não encontrou ninguém ali. Apenas uma pequena plataforma e sobre ela… um sorvete de chocolate. Joel pôde apreciar o sorvete agradecido, sem se sentir decepcionado. E em seguida, foi ordenado monge.
monge-tomando-sorvete

A humildade tem seu prêmio

Cada pessoa tem o seu próprio sorvete de chocolate: aquilo que almeja alcançar. O problema está em ter a mente posto nele, nos impedindo de desfrutar o presente.
Tendemos a confundir nossas conquistas com nosso valor e a nos identificarmos com elas. O ego se encarrega de nos empurrar a desejar ficar acima dos outros e a nos ofendermos se alguém nos aponta algum erro.
Se conseguirmos detectar nosso próprio ego e desativá-lo, automaticamente abandonamos a necessidade de criticar, discutir, competir ou julgar. Assim, nos desfazemos do papel de vítimas, do sofrimento que representa não cumprir com as demandas do ego… E conseguiremos desfrutar dos sorvetes!
*Conto original de Mar Pastor.
Retirado do site:

http://www.resilienciamag.com/o-monge-e-o-sorvete-de-chocolate-um-conto-budista-sobre-o-ego/

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

AYAHUASCA e Vaidade: a senda do fio da navalha


Oi gente,

Hoje trago hoje um artigo bem bacana do Willian que fala sobre a responsabilidade de ser um padrinho.

Ele usou uma frase que gostei muito " a vaidade é algo muito sutil, que se disfarça de muitas formas", isso é a mais pura verdade porque às vezes, ela nos pega em pequenos atos sem mesmo a gente se dar conta e ninguém está livre de cair nessa armadilha, por isso sinceridade e humildade são pré-requisitos fundamentais.

Oferecer Ayahuasca para pessoas é algo muito sério e não é para qualquer um, além dos tramites legais é preciso ter saúde mental e realmente uma boa intenção para tal posição para assim poder ajudar de verdade as pessoas que o procuram, caso contrário, você correrá sérios riscos de "arrumar pra cabeça" o deixando ainda mais confuso do que era antes.

Não estamos buscando nenhuma "viagem", festa rave, curandeiro e muito menos algum "mestre iluminado", Ayahuasca é coisa séria!

Dessa maneira, recomendo ficar de olho em quem está oferecendo a bebida pra vocês.

O padrinho é a "peça chave" para um bom ritual.

Parabéns Willian pela sua sinceridade ao falar sobre o assunto.

Beijos no coração

Namastê





por Willian Tello 


Já faz um tempo que venho refletindo sobre a questão da vaidade nos trabalhos com ayahuasca. Desde que iniciei nesse caminho, fiquei maravilhado com o “poder” que a bebida sagrada é capaz de despertar no interior daquele que se abre para suas dádivas. O nível de reflexão e de liberação de emoções foi sem paralelos em minha vida.
Segui meus caminhos pela vida de forma tortuosa, mas, à medida que me aprofundava no caminho vermelho, mais e mais foi clareando o poder de decisão que estava à minha disposição o tempo todo. As mudanças foram uma consequência inevitável nesse caminho. Não demorou muito para que, em meu coração, surgisse a decisão de trabalhar e levar essa “bandeira” para frente. Assim, me ofereci a trabalhar com as pessoas que me ensinaram esse lindo caminho.
O grupo cresceu, amadureceu e ficou independente. Com meu olhar muito atento, observei os caminhos tomados, os erros e os acertos. Na época, ter a oportunidade de estar à frente de um instituto era trabalho árduo, era necessário pertencer a um grupo, fazer cursos, ser aprovado, tirar CNPJ, encontrar um local, ter apoio de outras pessoas e dinheiro para investir. Além disso, era necessária a reciclagem contínua dos cursos. Hoje percebo quanta energia foi dedicada para que essa bebida estivesse por aqui.
Já naquela época, havia um certo “hermetismo”, acesso à música e à bebida era algo complicado. Havia um certo protecionismo, uma ideia de que a pessoa tinha que merecer, ideia que perdura ainda nos dias de hoje.
Mas os tempos mudaram, a internet e o acesso aos materiais estão cada dia mais fáceis. O acesso à bebida hoje também é bem simples (para aqueles que não se preocupam tanto com a seriedade e respeito com qual ela é feita e distribuída). Basta uma pequena pesquisa para encontrar quem a vende na internet. Ser “padrinho” hoje é relativamente simples para aqueles que querem servir daime a outras pessoas.
Tenho refletido muito sobre essa posição, a de servir, a intenção por dentro dessa vontade, a responsabilidade e o falso prestígio que essa posição parece oferecer para aqueles que estão nessa posição. Estando nela, sei a ilusão que pode causar. A vaidade é algo muito sutil, que se disfarça de muitas formas. Como uma pequena bola de neve descendo montanha abaixo, quando não percebida, pode se transformar em um gigante interior que devasta e deturpa toda boa intenção inicial.
O caminho espiritual orientado pela ayahuasca é a senda do fio da navalha. A historiografia da bebida tem demonstrado isso. Não precisa ser muito crítico para perceber que a vaidade adentrou nas grandiosas obras dos irmãos que decidiram servi-la. Desde Irineu (com todo respeito ao Mestre) até os padrinhos que alcançaram visibilidade nacional e internacional, a vaidade se mostrou em suas obras.
É de conhecimento de todos que a bebida potencializa tudo no interior da pessoa, inclusive o ego e, se não houver maturidade e discernimento, nos tornamos vítimas e, ao invés de orientar as almas que por nós procuram para encontrar um caminho, acabamos desorientando.
Pequenos detalhes impressos em pequenas atitudes nos mostram que há um anseio de afirmar o “eu” nos trabalhos, o “meu”; deixar uma marca, servir um copo, ter posse da bebida, uma assinatura, uma música nova escondida, um trabalho não compartilhado, a assinatura em um texto (inclusive nesse), a necessidade de ter a imagem atrelada a algo parece ser aspecto mais importante que a mensagem a ser aprendida e ensinada.
Levou um tempo para eu perceber que os trabalhos não feitos por mim ou por quem me ajuda, mas que somos instrumentos de algo que ainda não conseguimos entender, apenas seguir a orientação. Desde que esse entendimento surgiu em minha mente, tenho me esforçado para realizar o trabalho e cumprir a missão que me propus, com a seriedade e respeito que me foram ensinados, mas com o desapego suficiente para não deixar a vaidade adentrar em meu templo interior.
E, na senda do fio da navalha, vamos caminhando, atentos para não cair no engano e na desilusão. Trago a reflexão pois é algo que quero aprender e ensinar.

About Willian Tello

Fundador e responsável pelo Instituto Espiritual Xamânico Flor de Lótus

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#flaviamelissa
#vivisawaking
Gratidão a essa pergunta que não sai da minha cabeça.
(Ucem exercício 92)