quinta-feira, 8 de novembro de 2018

LACTOVEGETARIANO: Aspectos filosóficos, científicos e religiosos



Oi gente!

Como ontem fez 1 mês que virei Lactovegetariana, resolvi postar essa matéria abaixo para esclarecer muitas dúvidas e especulações em torno desse assunto tão polêmico.

Em breve vou gravar um vídeo falando sobre o vegetarianismo.



ASPECTOS FILOSÓFICOS DO LACTOVEGETARIANISMO

Problema Ético: É legítimo o direito de matar para se comer carne?

Partindo do princípio que para todas as entidades vivas a vida seja um dos maiores bens, senão o maior bem, que direito temos de matar um animal para nos alimentar?

Por que é errado matar um humano, mas se julga correto matar um animal? De onde vem a legitimidade desse direito?

Assim como um humano não gostaria de ser morto para servir de comida, os animais também não se entregam espontaneamente para o abate.

Se aceitarmos, de forma tranquila, que podemos matar um animal para nos alimentar, não seria correto aceitar também com a mesma naturalidade que os animais pudessem se alimentar de seres humanos?

Alguns poderão dizer que os animais não possuem alma, e que por isso podem ser mortos para servir de alimento. Quanto a isso devemos lembrar que até bem pouco tempo atrás, se dizia que os negros e as mulheres também não possuíam alma, e isso era motivo para justificar e encobrir as mais aterrorizantes maldades e injustiças. Será que pelo simples fato de acreditarmos que os animais não possuem alma seja uma razão suficientemente forte para matá-los?

Outros poderiam alegar que os animais não possuem inteligência desenvolvida como a nossa tratando-se de seres inferiores, que por esse motivo, merecem ser abatidos para servirem de alimento. Nesse caso, devemos nos lembrar que o fato de um animal não ter a inteligência desenvolvida como a nossa não significa que isso torne justo o fato de abate-los para a alimentação, pois se assim fosse, as pessoas que nascessem com problemas de retardo mental, ou  pessoas acidentadas, ou crianças com problemas neurológicos por subnutrição na primeira infância e velhos portadores de certas doenças, todos esses também se encaixariam nessa categoria, podendo ser considerados “próprios para o consumo humano”.

Se poderia também afirmar que na natureza, os animais se matam uns aos outros para se alimentar e que isso é absolutamente normal, por que o homem não pode fazer o mesmo? Porém, o caso é que os animais, em seu habitat natural, comem somente o que o instinto manda. Eles não possuem inteligência para realmente discernir o que é correto comer e o que não é, apenas seguem sua própria natureza e se alimentando dessa forma estão de acordo com sua fisiologia. Já o homem não segue tanto seu instinto, mas principalmente seu raciocínio para realizar suas vontades, o que o conduz, muitas das vezes, ao hábito errado, contrariando sua fisiologia. Mas o homem pode com esse mesmo raciocínio chegar a entender que ele não é como os animais, que não precisam nem possuem opção de mudar sua dieta, evitando o sofrimento de outros animais. Um animal quando mata o outro para se alimentar, o faz por necessidade de sobrevivência. Já o homem, excetuando aquelas situações onde ele não possui escolha (os esquimós por exemplo) o faz por um mero capricho do paladar, já que está mais que provado, como veremos a seguir, que não necessitamos da carne como um alimento imprescindível em nossa dieta.

É comum se ouvir: “Deus não fez os animais para servirem ao homem?”. Quanto a isso devemos reconhecer que existem muitas religiões no mundo, das quais muitas pregam a abstinência da crueldade contra os animais, contudo a Bíblia judaico-cristã, possui uma passagem onde se diz que os humanos possuem um “domínio” sobre os outros animais. Mesmo que aceitemos essa afirmação como verdade, devemos nos atentar de que em seu contexto original, a palavra domínio é definida como “administração”. Torturar e matar milhões de animais todos os anos por motivos extremamente desnecessários é muito diferente de administrar. Dominação não é tirania!

Também é comum se ouvir: “mas a exploração animal é legalizada, não constituindo nenhum mal...”. Se recorrermos à história, vamos perceber que também foi legal a exploração de escravos humanos no Brasil. Na Alemanha nazista, era perfeitamente legal a tortura, exploração e assassinato de judeus. Daí podemos concluir que “a legalidade de algo não determina sua moralidade”.

Muitos alegam que “todo direto advém da força” e como a raça humana é a mais poderosa sobre a terra, é ela que determina o direito. Mas por que o direito deve advir da força e não da justiça? Se formos justos, não poderemos aceitar essa alegação.

O ponto é, se os humanos se acham merecedores de direitos inerentes e inalienáveis, por que os animais também não o são merecedores?

Nós, humanos, transformamos nossas necessidades básicas (alimentação, educação, vestuário, saúde, moradia, etc.) em direitos fundamentais.

Parece que nós, humanos, “legislamos em causa própria”. Será que por que não reconhecemos os direitos dos animais, esses não os possuem? Será que suas necessidades básicas também não podem ser transformadas em direitos? Será que eles devem ser tratados sempre como objetos a serem explorados e não como seres vivos como nós, merecedores de respeito e com seus direitos reconhecidos e garantidos?

Certamente, o ser humano, por ser muito mais inteligente que os outros animais, deveria cuidar, pajear e proteger os outros animais, assim como um irmão mais velho cuida dos seus irmãos menores.

ASPECTOS CIENTÍFICOS
Alimentação lacto-vegetariana e as proteínas.

Uma célula necessita de 45 diferentes nutrientes para sobreviver, sendo que os mesmos provêm da alimentação. Em sânscrito, nosso corpo físico é chamado de “anamaya kosha” que significa “corpo feito de alimento”, dando a entender que somos o que comemos.

A primeira coisa que se questiona numa alimentação lacto-vegetariana seria sua suposta falta de proteínas.

Quando indagamos a alguma pessoa por que ela come carne, geralmente ela responde que é para satisfazer as necessidades de proteína do organismo. Muitos até afirmam que não gostam de carne, mas têm medo de prejudicar a saúde se deixarem de comê-la. Os médicos, em sua grande maioria, costumam dizer que uma alimentação sem carne é prejudicial. Entenda-se aqui o termo “carne” abrangendo a todos os seus tipos e derivados (lingüiça, salsicha, presunto, salame, bacon, aves, etc.) e também ao peixe. O peixe é citado expressamente porque muitas pessoas ficam assombradas por incluirmos o mesmo na lista de produtos da carne. Para muitos, peixe não é carne. Entendem por carne apenas animais terrestres. Os frutos do mar (camarão, siri, lula, marisco, etc.) também são aqui incluídos no termo “carne”.

A preocupação com a falta de proteínas na alimentação, incutido durante décadas pela ortodoxa ciência da nutrição amedronta até mesmo alguns vegetarianos. Qualquer conselho fica difícil por causa deste medo enraizado, produto de uma mistura de tradição cultural e desinformação sistemática e ininterrupta.

Mas o caso é: a alimentação lacto-vegetariana nos fornece proteínas suficientes para uma vida saudável? E qual os malefícios causados à saúde pelo hábito de se comer carne?

Primeiramente devemos entender do que são feitas as proteínas.

A ciência descobriu que as proteínas são formadas por uma sequência de subunidades chamados aminoácidos. Existem 20 tipos diferentes de aminoácidos encontrados universalmente nas proteínas.

As diversas proteínas contêm estes 20 aminoácidos em proporções diferentes. Cada proteína apresenta um amino grama específico. O amino grama mostra o conteúdo percentual em aminoácidos de cada proteína.

Da mesma forma que conseguimos escrever muitas palavras, sentenças e livros usando as 25 letras do alfabeto, encontramos as mais variadas proteínas formadas à partir de 20 aminoácidos. Por exemplo: a molécula da hemoglobina é formada por aproximadamente 600 aminoácidos combinados entre si. Existem proteínas que possuem mais de 4.000 aminoácidos em sua composição.

Dos 20 aminoácidos existentes, 9 são considerados essenciais (9 nas crianças e 8 nos adultos). Os aminoácidos essenciais são aqueles que o organismo não consegue fabricar, tendo que ser fornecidos de fontes externas, enquanto que os outros aminoácidos, não essenciais, o organismo mesmo fabrica. As proteínas que existem nos alimentos possuem quantidades variáveis destes aminoácidos essenciais. É aí que está a importância deles. Por exemplo: se faltar a letra “Q” no alfabeto, a palavra “qualidade” assim como várias outras não poderão ser formadas. Da mesma forma, quando falta um aminoácido essencial várias proteínas não poderão ser formadas, causando problemas ao bom funcionamento do organismo.

É sabido que as proteínas de origem animal possuem todos os aminoácidos essenciais. Logo, uma dieta carnívora, obrigatoriamente fornecerá todos os aminoácidos essenciais, garantindo um suprimento suficiente dos mesmos. É por isso que os médicos, em sua maioria, orientam as pessoas para uma dieta rica em carne.

Tabela dos aminoácidos essenciais:
1-Histidina
2-Isoleucina
3-Leucina
4-Lisina
5-Metionina
6-Fenilalanina
7-Treonina
8-Triptofano
9-Valina

Sabendo-se então, que necessitamos de todos os aminoácidos essenciais em nossa alimentação, fica a pergunta: a alimentação lacto-vegetariana pode nos oferecer todos eles? 

Antigamente pensava-se que as proteínas de origem vegetal não possuíam todos os aminoácidos essenciais em sua composição. Por exemplo: os cereais possuem quase todos os aminoácidos essenciais com exceção do triptofano e da lisina; nas leguminosas (feijões) está ausente a metionina. Logo, poderíamos concluir, inicialmente, que realmente uma dieta à base de vegetais nos causaria falta dos aminoácidos essenciais. Porém, pesquisas recentes demonstram que a soja possui todos os aminoácidos essenciais. Mas mesmo que faltasse a metionina na soja isso não configuraria um problema, pois, se observarmos melhor, notaremos que na alimentação humana, existe o costume de se misturar vários tipos de alimentos em uma mesma refeição. No Brasil, por exemplo, o prato básico é o famoso “arroz com feijão”, no México temos o “feijão com milho”, assim por diante. Esses pratos básicos, nada mais são do que uma fórmula criada ao longo das décadas para juntar os aminoácidos dos cereais com os aminoácidos das leguminosas, para assim, obtermos todos os aminoácidos numa única refeição. É por isso que esses pratos básicos sustêm a alimentação de milhares de pessoas que não possuem condições financeiras para se alimentar de carne, que é um “alimento” muito mais caro.

A combinação de cereais com leguminosas pode nos fornecer todos os aminoácidos que necessitamos. Some-se a isso outras fontes vegetais de proteínas (castanhas, sementes, frutas) mais o leite e seus derivados, que todo o suprimento de proteínas, com todos os aminoácidos essenciais, estará garantido.

O leite é rico em proteínas de origem animal e como vimos anteriormente, as proteínas de origem animal possuem todos os aminoácidos essenciais.

Hoje em dia é comum verificarmos uma verdadeira propaganda a favor do consumo de grandes quantidades de proteína animal na alimentação. Porém isso não é verdadeiramente uma necessidade real.
Abaixo segue uma Tabela com as quantidades percentuais aproximadas de proteínas de alguns alimentos:

1-Carne – 20%
2-Ovo – 13%
3-Leite de vaca – 3,0 a 3,5 %
4-Leite humano – 2,0 a 2,5 %
5-Soja – 40%

O leite nos mostra uma indicação simples da porcentagem que a Natureza considera adequada para o ser humano. O bebê, que recebe somente leite materno, cresce e duplica seu peso em apenas um ano. É a fase de maior crescimento do organismo. Como podemos verificar na tabela acima, o leite materno possui apenas de 2 a 2,5 % de proteína. O leite de vaca contém um pouco mais. Mesmo durante a fase de maior crescimento do organismo, só precisamos de uma pequena quantidade de proteínas. Se necessitássemos de uma maior quantidade, o leite materno certamente o conteria. O adulto que já parou de crescer, cujo metabolismo visa somente à conservação precisa até de menos proteínas.

Lacto-vegetarianismo e a vitamina B12.

A vitamina B12 é muito importante ao nosso organismo. Ela é um nutriente muito utilizado em várias reações bioquímicas, principalmente no sistema nervoso. Quando ela falta ao organismo, vários problemas neurológicos podem surgir.

Como nos vegetais essa vitamina é praticamente inexistente, muitos médicos e nutricionistas desaconselham a prática do vegetarianismo.

Contudo, o leite possui quantidades satisfatórias de vitamina B12, o que garante ao lacto-vegetariano um bom funcionamento do seu sistema nervoso.

Algumas pessoas que sofrem de problemas com a absorção de vitamina B12, como no caso da disbiose intestinal (desequilíbrio da microflora intestinal que causa alterações da saúde com contribuição importante no desenvolvimento de processos degenerativos e alterações do sistema imune), mesmo ingerindo leite, poderão desenvolver carência dessa vitamina, necessitando de tratamento médico específico.


Quais os malefícios causados ao organismo pelo hábito de se comer carne?

Aquilo que chamamos de “carne” são tecidos animais formados por células. Quando o animal morre, dentro de suas células ocorre um fenômeno, que consiste no aumento da permeabilidade na membrana dos lisossomos. Os lisossomos são organelas celulares responsáveis pela digestão celular. Resumidamente falando, são pacotinhos feitos de uma membrana lipoprotéica, revestida com polissacarídeos, cheias de enzimas. Com o aumento da permeabilidade a membrana lipoprotéica do lisossomo deixa escapar para o meio celular suas enzimas, que começam a digerir a própria célula. Esta digestão que ocorre de dentro para fora da célula dá origem a uma série de compostos muito tóxicos. Começa então surgir a cadaverina, putrescina, indol, escatol, etc. Além dessa decomposição de dentro para fora, existe também as alterações químicas nas proteínas da carne ingerida, causadas pelo ataque de microorganismos da flora intestinal que também vão originar compostos muito tóxicos como o sulfeto de hidrogênio, mercaptanas além daqueles já acima descritos.

O animal carnívoro possui um intestino com aproximadamente três vezes o tamanho de seu corpo, o que é relativamente curto. Isso ocorre para que a carne ingerida, que não foi devidamente digerida, não tenha tempo de sofrer a degradação acima descrita, pois do contrário, o animal absorveria todos esses produtos tóxicos.

Graças ao fato de as células vegetais muito raramente possuírem lisossomo (por exemplo, as células das sementes possuem “lisossomos” que, durante a germinação, digerem as substâncias nutritivas armazenadas - na verdade, os ditos “lisossomos” de células vegetais são vacúolos contendo hidrolases ácidas), o que impede a degradação intracelular referida acima, e por possuírem a membrana celulósica (parede celular), cutina (camada constituída de polímeros de ácidos graxos de cadeia longa) e serem revestidas externamente por ceras de constituição complexa, os tecidos vegetais são muito mais resistentes aos ataques de microorganismos. Com isso, os animais herbívoros (vacas, cavalos, carneiros, etc.) podem possuir um intestino com aproximadamente 10 vezes o tamanho de seu corpo e os animais frugívoros 12 vezes, sem maiores problemas.

O ser humano possui um intestino com aproximadamente 6 vezes o tamanho do corpo. Logicamente, possuindo um intestino tão comprido, a ingestão de carne pode causar problemas, pois um pedaço de carne mal digerido (o que é bastante freqüente) terá um tempo bem longo para atravessar todo o tubo digestivo, o que favorecerá a absorção dos produtos tóxicos oriundos da degradação celular, que terá um bom tempo para ocorrer. 

Quando colocamos um pedaço de carne e um vegetal (alface, cenoura, maçã, etc) expostos às condições ambientais, notamos que a carne estraga muito mais rápido que o vegetal. Notamos que mesmo quando o vegetal apodrece, ele nunca é tão repugnante e mal cheiroso quanto a carne. Com este exemplo simples, podemos ter uma idéia do que acontece no interior das vísceras de uma pessoa que se alimenta com carne. Apesar da carne ser um “alimento” rico em proteínas, estas proteínas estão “sujas” pois junto com elas estão muitos tipos de substâncias tóxicas.  Graças à certas diferenças constitucionais entre a célula vegetal e a animal, os vegetais podem nos fornecer proteínas que não estão acompanhadas de tantas substâncias tóxicas.

É de grande importância a questão da absorção das gorduras saturadas de origem animal. As ingestão de  gorduras saturadas é uma das principais causas de ataques cardíacos e derrames cerebrais entre os humanos. Como é sabido, as gorduras tem sua digestão mais lenta que os açúcares e proteínas, assim, os animais carnívoros, graças ao seu curto sistema digestório, que confere uma passagem rápida pelos intestinos da carne ingerida, absorvem apenas uma pequena parcela da gordura saturada nela contida. Já o homem, com seu longo intestino, tem tempo de sobra para absorver altas doses de gordura saturada, trazendo complicações ao seu organismo.

Além disso, a carne é também o “alimento” mais rico em ácido úrico, substância tóxica, produto final da degradação das purinas (substância presente nos ácidos nucléicos, xantinas,e outros)  intimamente relacionada com várias doenças degenerativas como o reumatismo, artrite e gota. Com exceção dos primatas (o homem é um primata), os outros animais possuem uma enzima chamada uricase, que transforma o ácido úrico em alantoína, substância relativamente inócua e eliminada na urina.

Também é digno de nota, que uma dieta humana lactovegetariana produz uma flora intestinal predominantemente fermentativa (bactérias Gram [-]), enquanto que uma dieta carnívora produz uma flora intestinal predominantemente putrefativa (bactérias Gram[+]). Assim, também é importante lembrarmos que quando o intestino se polui, nossa saúde sofre um grande abalo. Isso porque 60% de nosso sistema imunológico se encontra nos intestinos, e quando esse se enfraquece devido aos hábitos alimentares não salutares, nossas defesas contra infecções diminuem. Também é importante ressaltarmos o fato de que 60% da serotonina (hormônio do “bem estar”) produzida no corpo é gerada nos intestinos, e quando estes estão intoxicados, essa produção sofre uma substancial queda.

Quanto ao leite, podemos afirmar que ele nos fornece proteína de origem animal (caseína), contendo todos os aminoácidos essenciais, porém sem os malefícios da carne. O leite não é formado por células (não é um tecido) contendo lisossomos que viabilizam a degradação celular. Também, consumido com moderação (3 xícaras ao dia), fornece níveis seguros de gordura saturada. Por isso ele é uma fonte de proteínas de melhor nível que a carne, pois sua proteína não é “suja”. A proteína do leite também é melhor do que a dos vegetais, do ponto de vista que ela  possui todos os aminoácidos essenciais e garante uma provisão segura de vitamina B12 (que os vegetais não possuem).

As carnes brancas, frutos do mar e o ovo.

É muito comum se ouvir dizer que as carnes “brancas” (aves e peixes) são mais saudáveis que as carnes “vermelhas”. Porém existem alguns pontos que devemos levar em consideração antes de aceitarmos tais afirmações.

Todas as aves (galinha, peru, pato, faisão, etc.) possuem um problema de insuficiência renal característico. Seu sistema excretor é muito primitivo. Só para se ter uma idéia, as aves não tem um sistema para a eliminação de fezes separado da urina nem separado para o sexo. A cloaca exerce todas as três funções.

Por causa dessa insuficiência renal, a carne das aves possui uma taxa maior de uréia (substância tóxica produto final do metabolismo das proteínas) e creatinina (substância final do metabolismo da creatina utilizada nos músculos), o que lhe confere o sabor característico, pois a excreção dessas substâncias esta comprometida.

Os peixes, por serem animais mais primitivos ainda, seu sistema excretor também deixa a desejar. O rim dos peixes de água salgada possui gromérulos pequenos e em pouca quantidade, pois a água do mar, rica em sais, tem pressão osmótica superior à do sangue dos peixes. Já os peixes de água doce, possuem um grande número de gromérulos para produção de uma grande quantidade de urina, pois a pressão osmótica da água doce é inferior à do sangue dos peixes. Porém, em ambos os casos, eles não transformam a amônia (NH3, substância extremamente tóxica) em uréia (que apesar de tóxica, é menos tóxica que a amônia), pois como eles dispõe de grandes quantidades de água, ela é diluída em concentrações inofensivas. Mas como quando o peixe é pescado, ele ainda continua vivo por um bom tempo fora da água, agonizando, a amônia produzida nesse período não tem como se dissolver e fica impregnada na carne do animal. Daí o seu odor degradável e característico. A carne de peixe também costuma ficar contaminada com o metais pesados ou outras substâncias tóxicas oriundos da contaminação das águas. Pior ainda acontece com os moluscos filtradores marinhos (ostras, marisco, etc.) e os crustáceos (camarões, lagostas, caranguejos, etc.), pois os mesmos possuem um sistema excretor incrivelmente simples. Os moluscos não possuem rins, mas metanefrídios (quase rins), enquanto que os crustáceos possuem as “glândulas verdes” situadas na cabeça, que filtram os líquidos do corpo e da hemolinfa. Com isso sua carne possui alto teor de ácido úrico, uréia e creatinina. As ostras e mariscos além dessa contaminação endógena de origem fisiológica, também podem conter, por serem animais filtradores de água, altas concentrações de metais pesados e outras substâncias tóxicas quando são colhidos em locais em cujas águas estejam contaminadas. Por isso é muito comum ouvirmos falar de pessoas que sofreram intoxicações alimentares por ingestão de “frutos do mar”.

O ovo comprado em supermercados e quitandas, que é um produto muito utilizado na culinária tradicional, na verdade não pode ser chamado de “ovo”. Um “ovo” é um óvulo fecundado por um espermatozóide. Quando isso não acontece, ele continua a se chamar “óvulo”.

A galinha que vive em granja não tem contato sexual com o galo, logo seu óvulo não é fecundado por um espermatozóide. Então esse óvulo não fecundado, não possui vida, e por isso entra em processo de degradação. Então, logo é expelido pela galinha, como se fosse um excremento (poder-se-ia até dizer, guardando-se as devidas proporções, que se trata de uma “menstruação” de galinha).

Para que o “ovo” seja comercializado sem se estragar facilmente, os criadores introduzem antibióticos na alimentação das aves para retardar essa degradação. Os consumidores desses “ovos” também vão ingerir indiretamente essa droga, o que poderá acarretar problemas ao organismo. Resíduos de antibióticos, em produtos animais, podem ser transferidos a pessoas que os consomem, acarretando efeitos nocivos (reações alérgicas) em indivíduos previamente sensibilizados, além de favorecer o aparecimento de bactérias resistentes.

Outro problema do consumo de “ovos” é o fato de que os criadores também introduzem na alimentação das aves hormônios para aumentar a produção. Esses hormônios, que possuem uma ação direta nas glândulas sexuais, passam a integrar o organismo e os “ovos” dessas aves, trazendo problemas para seus consumidores, pois os mesmo estarão também recebendo de forma indireta essa carga hormonal, que perturbará o delicado equilíbrio hormonal de seus próprios organismos. O processo de manufatura na produção de “ovos” e derivados de carne, não influencia na concentração e estrutura dos esteróides presentes nos tecidos animais, nem protege contra a ingestão destes compostos. Produtos anabólicos podem permanecer na sua forma ativa dentro dos “ovos” e na carne, após o abate, e exercer efeito endócrino nos indivíduos que consomem estes produtos. A prática de tratar animais para corte e para produção de “ovos” com esteróides sexuais pode contribuir para um consumo aumentado destes hormônios não apenas diretamente, a partir da ingestão da carne e “ovos” de animais tratados, mas também via um aumento da excreção destes compostos e seus metabólicos para o ambiente, onde eles poderiam contaminar a água potável.

Quanto ao ovo “galado”, ou seja, que foi fecundado pelo espermatozóide de um galo, podemos dizer que se trata de um “aborto de galinha”. O cadáver do feto dentro do ovo também passa pela degradação celular.

Fisiologia humana: própria para o lacto-vegetarianismo?

Muitas vezes ouvimos dizer que o organismo humano não foi feito para comer apenas vegetais, mas sim carne. Até autoridades médicas corroboram esse tipo de pensamento.

Dizem que nossa arcada dentária, por possuir dentes caninos demonstra nossa origem carnívora, assim como outras coisas de nossa fisiologia (que nunca são declaradas).

Quanto a isso, devemos nos lembrar de alguns fatos que desautorizam essa afirmação:

-Gorilas são animais estritamente vegetarianos, porém possuem gigantescos dentes caninos. Isso se dá por causa da sua necessidade de defesa e não por motivo de sua dieta. Nós humanos possuímos dentes caninos extremamente subdesenvolvidos em relação aos demais animais, de forma que eles não estão ali como arma de caça (como no caso dos carnívoros) tão pouco como arma de defesa (como no caso do gorila).  Eles são usados simplesmente para que haja uma perfeita mastigação dos alimentos, perfurando e rasgando  alimentos fibrosos.

-Animais carnívoros que possuem dentes caninos desenvolvidos, também possuem a saliva ácida. Já os animas herbívoros e o homem possuem a saliva alcalina, pois nela existe a enzima ptialina, que age sobre o amido (carbohidrato  de origem vegetal) para transforma-lo em formas mais simples de polissacarídeos (maltose e dextrinas). Como os animais carnívoros não ingerem amido, esse tipo de enzima não existe em sua saliva.

-Os animais carnívoros possuem todos os dentes pontiagudos, não possuindo os dentes molares. Os animais herbívoros e o homem não possuem todos os dentes pontiagudos, porém possuem potentes molares, apropriados para moer vegetais.

-Os animais herbívoros e o homem possuem o movimento lateral de mandíbula, para que os dentes molares possam moer apropriadamente os vegetais (vegetais possuem células com membrana celulósica, o que lhes confere maior rigides). Já os animais carnívoros não possuem esse movimento lateral de mandíbula. Além disso, suas mandíbulas são alongadas e pontudas, enquanto os animais vegetarianos possuem mandíbulas arredondadas e achatadas)

-Animais carnívoros não possuem glândulas sudoríparas na pele, eles suam pela boca. Os animais herbívoros e o homem suam através de milhares de glândulas sudoríparas espalhadas pela pele.

-Animais carnívoros possuem visão noturna (olhos brilham no escuro) enquanto que os animais vegetarianos e o homem não a possuem.

-Animais carnívoros adoram o cheiro de carne podre e não encontram problemas em ingeri-la, pois sua alta acides estomacal destrói os micro-organismos patogênicos. Os animais vegetarianos e o homem não se sentem atraídos pelo cheiro de carne podre, além de não possuírem uma alta acides estomacal.

-Animais carnívoros são caçadores natos, possuindo grande agilidade e alta velocidade de arranque, além de serem equipados com possantes garras afiadas. Já os animais vegetarianos e o homem possuem velocidade de arranque menor e não possuem garras afiadas.

-Animais carnívoros lambem a água, enquanto animais vegetarianos e o homem sorvem a água.

-Animais carnívoros nascem com os olhos grudados, enquanto que animais vegetarianos e o homem nascem com os olhos abertos.

-Animais carnívoros possuem hábitos noturnos e crepusculares, enquanto que os animais vegetarianos e homem possuem hábitos diurnos.

Relação entre a fome no mundo e o consumo de carne.

Para se criar animais para abate são necessários muitos milhões de toneladas de grãos todos os anos. O processo de se utilizar cereais para produção de carne é incrivelmente improdutivo, pois o custo de produção ½  Kg de proteína animal é o mesmo que para se produzir aproximadamente 10 Kg de proteína vegetal. Somente 10 % das proteínas e calorias com que alimentamos nossos animais para abate é recuperada na carne consumida, o resto é perdida. Estudos feitos em Harvard, pelo nutricionista Jean Meyer, demostram que se fosse reduzida em 10 % a produção mundial de carne, a quantidade de grãos  que deixaria de ser utilizado para esse fim seria suficiente para se alimentar 60 milhões de pessoas. Vários estudos também demonstram que 80 a 90 % de todo grão produzido nos E.U.A. é utilizado para criar e engordar animais.

A criação de gado para abate requer a utilização de vastas áreas de terra, áreas essas que terão sua fertilidade perdida, pois o gado compacta a terra, e a luz solar (raios ultravioleta) recebida nesses pastos esterilizam a microflora (fungos e bactérias) responsáveis pela fertilização do solo (húmus), além do que, esse desmatamento também acaba causando a erosão. Só para se ter uma idéia prática do tamanho do desperdício de terra para a produção de carne, basta dizer que a quantidade de proteína produzida em 17 acres de terra onde se cria gado para abate é a mesma que a produzida em apenas 1 acre plantando-se soja.

Também é interessante notarmos que a pecuária fixa apenas alguns peões no campo, que podem cuidar sozinhos de um vasto rebanho de gado, enquanto que a agricultura absorve uma muito maior massa de mão-de-obra, o que fixa o homem no campo, evitando assim o êxodo rural.

Vegetarianismo e meio-ambiente.

Para se criar animais para abate, são destruídas gigantescas áreas de mata nativa para se produzir os pastos. Essa destruição das matas nativas gera muitos desequilíbrios ecológicos, pondo em risco de extinção várias espécies de animais e plantas.

Para produzir carne, não só a terra é desperdiçada, mas também a água. Criar alimentos para à base de carne requer 8 vezes mais água do que a  necessária para se cultivar verduras e grãos. Isto significa, que enquanto milhões de pessoas morrem de fome e de sede, umas poucas matam animais, destroem vastas extensões de terra, água e grãos, para  simplesmente satisfazer seu caprichoso paladar que prefere a carne, a qual destroe lentamente sua saúde.

Vivemos em um país tropical.

Vivemos em um país tropical onde existe uma grande provisão de frutas, verduras, cereais, mel e leite o ano todo. Com tanta variedade de saborosos e nutritivos alimentos, matar animais para comer  pode ser considerado supérfluo e desnecessário. Como podemos perceber, matar milhões de inocentes animais, todos os anos,  sob a desculpa da “luta pela sobrevivência”, não passa de uma grande e terrível mentira. Talvez essa grande mentira tenha suas raízes sendo nutridas pela inconseqüente predileção do paladar da maior parte de nossa população e da gigantesca e cruel indústria da carne e seus derivados, que vê na morte de pacíficas criaturas uma enorme fonte de lucros.

O chocolate

Todo alimento, estimulante ou sedativo, por interferir no correto funcionamento cerebral é considerado deletério para as práticas espirituais yogues.

Estudos científicos recentes revelam que o cacau do chocolate possui substâncias que interferem na tranquilidade das atividades mentais. Uma dessas substâncias se chama feniletilamina, da família das anfetaminas, a principal substância química relacionada a emoção conhecida como “paixão”, por estimular o centro do amor no cérebro. Também foram descobertas no cacau outras substâncias conhecidas como as N-aciletanolaminas, que se unem a receptores no cérebro feminino causando efeito semelhante ao da maconha. Essas substâncias estão presentes no cacau e no chocolate escuro, mas não no chocolate branco.

Com certeza, é por esse motivo que o chocolate esteja tão relacionado à paixão e aos romances. Porém para aqueles que querem atingir um grau de serenidade mental necessário às atividades espirituais a que se propõe, devem rejeitar alimentos que contenham essas substâncias. Como está dito no Bhagavad-Gita, “a mente pode ser nossa amiga ou nossa inimiga” (B.G. 6.5).






ASPECTOS RELIGIOSOS

Cristianismo e lacto-vegetarianismo.

Apesar dos cristãos sempre questionarem a dieta lacto-vegetariana dos vaisnavas, citando algumas partes da bíblia como em Marcos 7:15: “Nada há fora do homem, que entrando nele, o possa contaminar, mas o que sai dele isso é que contamina o homem.”, devemos sempre nos lembrar de alguns detalhes importantes, que na maioria das vezes foge ao entendimento superficial.

Primeiramente devemos entender que do ponto de vista vaisnava, a alimentação vegetariana, por si somente, não fornece espiritualidade nem transcendência. A dieta vegetariana apenas nos qualifica para as práticas espirituais. Prabhupada nos explica que um gorila é vegetariano desde o nascimento, mesmo assim ele não tem a espiritualidade desenvolvida.

Os argumentos que serão descritos a seguir são fruto de estudos de alguns teólogos cristãos vegetarianos, porém não são universalmente aceitos. Assim, deixamos por conta do leitor a conclusão final sobre a validade das mesmas.

Para os judeus, o homem perfeito, Adão, era um vegetariano. Em Gênesis 1:29 está escrito: “E disse Deus (a Adão): Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto de árvore que dá semente, ser-vos-á para mantimento.”. Isso porque, no Jardim do Éden, não se podia trabalhar, sendo assim, matar violentamente um animal, cortar-lhe a carne e cozinhá-la não combinava com uma vida paradisíaca, mas sim com uma vida de misérias, o que ele passou a ter após ter recebido como castigo a saída do Éden. Os judeus já sabiam que matar um ser vivente para comer é considerado pecado, pois no decálogo (Êxodo 20:13) está escrito “Não matarás”. Por isso existe, no judaísmo, leis para desagravo, para quando se necessita matar algum ser vivente ou fazer guerra ou escravos, pois Deus, por ser bondoso, não poderia aceitar essas situações. Essas leis são chamadas de “kosher” e são destinadas a tornar a guerra, escravatura e a matança de animais menos violentas. Por isso nunca vemos um judeu num açougue normal. Um judeu só come carne quando ela é classificada de “kosher”, pois dessa forma ele saberá que antes de se matar o animal para consumo, foi feita uma cerimônia religiosa, onde o animal não sofra tanto e para desagravo do pecado cometido.

Como sabemos, Jesus era, antes de tudo, um judeu, porém por sua estatura espiritual, ele não poderia aceitar a matança de animais em sacrifício nos templos. Por isso ele demonstrou-se claramente contra a presença dos vendilhões no templo, não que Jesus tenha tido raiva do comércio em si dentro do templo, mas principalmente por que os comerciantes vendiam animais para serem abatidos dentro do templo como oferenda a Deus. Jesus pediu aos seus discípulos para pregar contra a matança de animais, pois ele mesmo era o “cordeiro de Deus”, cujo sacrifício anulava a necessidade de se matar animais para esse fim. Dessa forma, Jesus se colocou no lugar dos animais, que deveriam ser mortos em sacrifício, poupando-lhes a vida. É também interessante lembrar-se, que após a morte e ressurreição de Jesus, o templo em Jerusalém foi destruído, conforme Jesus havia previsto, o que impediu que se continuasse a matança de animais em larga escala por um bom tempo.

É claro que os cristãos além de serem muito refratários a essas evidências, também vão dizer que Jesus fez a multiplicação dos pães e dos peixes, demonstrando que ele não ligava para esse tipo de coisas. Porém vamos prestar bem atenção ao que está escrito na passagem da primeira multiplicação de alimentos: “Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. E ele disse: Trazei-mos aqui. E tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes, e erguendo os olhos ao céu, os abençoou e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão.” (Mateus 14:17-19); agora vejamos o que está escrito na segunda multiplicação de alimentos: “E os seus discípulos disseram-lhe: Donde nos viriam num deserto tantos pães para saciar tal multidão? E Jesus disse-lhes: Quantos pães tendes? E eles disseram: Sete, e uns poucos de peixinhos. Então mandou à multidão que se assentasse no chão. E tomando os sete pães e os peixes, e dando graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, e os discípulos à multidão.”(Mateus 15:33-36). Porém agora, vejamos o que está escrito mais adiante, em Mateus 16:9-10: “Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantas alcofas levantastes? Nem dos sete pães para quatro mil, e de quantos cestos levantastes?.”. Gostaria que reparassem nas partes grifadas. Por que se referem apenas aos pães e não aos peixes? Alguns estudiosos do assunto dizem haver evidências que originariamente essa história não incluía os peixes, mas que os mesmos foram inseridos posteriormente.

A vida de Jesus inteira está relacionada com os animais: ele nasceu numa manjedoura, entre os animais; ele, juntamente com João Batista, instituíram o batismo na água para o pagamento dos pecados, como substituição a matança de animais no templo; ele alterou a comemoração da Páscoa, onde os judeus comiam um carneiro, e após o advento de Jesus passou-se a comer apenas pão sem fermento e vinho; por fim ele foi preso e morto após o incidente onde Jesus expulsa os vendilhões do templo, que vendiam animais para sacrifício.

Também é interessante conhecer algumas partes do livro de Isaías, onde o profeta diz: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? Diz o Senhor, já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais nédios e não folgo com o sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.”(Isaías 1:11), mais no final do livro encontramos: “O que mata um boi é como o que fere um homem, o que sacrifica um cordeiro, como o que degola um cão...”(Isaías 66:3).

A citação bíblica mais direta sobre as benesses da dieta vegetariana, podemos encontrar em Daniel 1:12, onde está escrito: “Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, fazendo que se nos dêem legumes a comer e água a beber.”, e depois em Daniel 1:15: “E, ao fim de dez dias, apareceram os seus semblantes melhores; eles estavam mais gordos do que todos os mancebos que comiam porção do rei (que continha carne).”

Budismo e lacto-vegetarianismo

Segue abaixo algumas citações do evangelho de Buda que corroboram o lacto-vegetarianismo:

“Não mateis. Respeitai a todo ser vivente.”

“O homem implora a misericórdia dos deuses e não tem misericórdia pelos animais, para os quais ele é como um deus. Tudo quanto vive está unido por laços de parentesco, e os animais que matais já vos deram o doce tributo de seu leite, o macio de sua lã, e depositaram sua confiança nas mãos daqueles que os degolaram.”

“Ninguém pode purificar seu espírito com sangue, pois se os deuses são bons, não lhes pode ser agradável o sangue, e se são maus, não basta este para suborná-los.”

“Feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derrame de sangue. Os dourados grãos, as reluzentes frutas e as saborosas ervas que nascem para todos, bastariam para alimentar e dar fartura ao mundo.”.

Encontramos no Sutra de Lótus:

“O Buddha disse a Manjushri: [...] Quanto às associações próprias para eles, bodhisattvas e mahasattvas não devem relacionar-se proximamente com criadores de porcos, carneiros, galinhas ou cães, ou ainda com praticantes da caça, da pesca ou de outras atividades malévolas. [...] Também não deve associar-se a carniceiros ou cortadores, nem com os que caçam animais ou apanham peixe, ou matam e ferem por lucro. Com esses que trabalham na venda de carne ou que oferecem mulheres e vendem os seus favores com pessoas destas não se deve associar.”(Sutra de Lótus - Capítulo Quatorze: Práticas Pacíficas)

Está escrito no Sutra da Rede de Brahma:

“Um discípulo de Buda não deve deliberadamente comer carne. Não deve comer a carne de qualquer ser se ciente. O comedor de carne perde a semente da Grande Compaixão, corta a semente da Natureza de Buda e faz com que os seres [animais ou transcendentais] o evitem. Aqueles que assim procedem são culpados de incontáveis ofensas [...]”(Sutra da Rede de Brahma – Capítulo VI – Terceiro Preceito)

No Dhammapada está escrito:

“Um homem que injuria seres vivos não se torna desta maneira um Ariya (nobre).

Mostrando-se inofensivo para com todos os seres vivos, ele é sim chamado Ariya.” (Dhammapada – verso 270)

Espiritismo e lacto-vegetarianismo.

É sabido entre os médiuns, que nos dias em que se realizam as reuniões de trabalho espírita, deve-se evitar o consumo de carne. Alguns espíritos como Ramatis, defendem abertamente o lacto-vegetarianismo.

Alguns espíritos como Ramatís, defendem abertamente o lacto-vegetarianismo:

“[...]O homem primário pode fartar-se tranquilamente na devora de vísceras retalhadas dos seus irmãos menores, porque ainda vive escravizado às suas sensações da vida material e a Divindade não pode julgá-lo um pecador. Mas é aberrativo e censurável que os homens já vinculados a labores espiritualistas, como espíritas, umbandistas, esoteristas, rosacrucianos, teosofistas ou yogas, ainda se fartem e se provém de carne estraçalhada dos animais! [...]” (Ramatís – A Vida Humana e o Espírito Imortal – pág. 101 – Problemas da Alimentação)


Prasada – o alimento oferecido a Deus.

Segue abaixo algumas citações do Bhagavad-Gita sobre alimentação:

B.G. 9.26:

“Se alguém Me oferecer, com amor e devoção, folhas, flores, frutas ou água, Eu aceitarei.”

B.G. 17.7:

“Mesmo o alimento que cada pessoa prefere é de três espécies, conforme os três modos da natureza material. O mesmo se aplica aos sacrifícios, às austeridades e à caridade. ...”

B.G. 17.8:

“Os alimentos apreciados por aqueles que estão no modo da bondade aumentam a duração da vida, purificam a existência e dão força, saúde, felicidade e satisfação. Semelhantes alimentos são suculentos, gordurosos (cheios de nutrientes), saudáveis e agradáveis para o coração.”

B.G. 17.9:

“Alimentos que são muito amargos, muito acres,  salgados, quentes, picantes, secos e ardentes são apreciados por quem está no modo da paixão. Tais alimentos causam sofrimento, miséria e doença.”

B.G. 17.10:

“Alimento preparado mais que três horas antes de ser ingerido, alimento insípido, decomposto e putrefato, e alimento que consiste em refugos e substâncias intocáveis atrai aqueles que estão no modo da escuridão.”

De acordo com a conclusão védica, nossas vidas devem ser utilizadas para a satisfação do Senhor Supremo. Dentro deste contexto, tudo o que fazemos deve ser consagrado a Deus, até mesmo o hábito de comer. Por isso, um vaishnava prepara alimentos no modo da bondade (satvicos) para oferece-los à Deus. Um vaishnava entende que o alimento não é preparado e consumido apenas com o propósito de nos livrar de um desconforto fisiológico chamado “fome”, ou simplesmente para a satisfação do sentido do paladar e do olfato, mas acima de tudo para manter nosso corpo saudável e bem disposto, para que ele seja utilizado com um instrumento de Deus. Quando oferecemos o alimento à Deus com amor e devoção Ele aceita, e como tudo aquilo que Deus aceita se torna puro e purificador, o alimento se transforma em “prasada” ou “misericórdia” de Deus. Todo aquele que se alimentar dessa prasada terá sua consciência purificada.


Lacto-vegetarianismo e violência.

De acordo com a lei do Karma, recebemos de volta a reação de nossos atos e pensamentos.

Quando matamos milhões de animais inocentes, todos os anos, simplesmente para satisfazer nosso caprichoso paladar, teremos que receber de volta, de alguma forma, essa violência desnecessária.

Também por isso o mundo está cheio de ódio e de guerras. O próprio hábito alimentar humano vêm aumentando a violência social em todo o mundo.

Pelo simples fato de poluirmos nosso organismo com as toxinas da carne, envenenando nossos líquidos corporais, também chamados de “humores”, já estamos nos predispondo à violência. Daí vem o termo “mal humorado”, pois um corpo intoxicado produz uma mente irritada, intolerante e amargurada. Quando nosso corpo está livre de intoxicações, nossos líquidos corporais estão limpos e nos sentimos “bem humorados”.

Alguns vegetarianos famosos:

Krishna, Buddha, Shankaracarya, Ramanujacarya, Madvacarya, Mahavira, Caitanya Mahaprabhu, Pitágoras, Sócrates, Platão, Clemente de Alexandria, Plutarco, o Rei Asoka, Leonardo da Vinci, Montaigne, Akbar, John Milton, Sir Isaac Newton, Emanuel Swedenburg, Voltaire, Benjamin Franklin, Jean Jacques Rousseau, Henry David Thoreau, Leon Tolstoy, George Bernard Shaw, Rabindranath Tagore, Mahatma Gandhi, Albert Shweitzer, Albert Einstein, Swami Bhaktivedanta Prabhupada, Paramahansa Yogananda, Ramakrishna, Swami Vivekananda e também alguns artistas como: Richard Gere, George Harrison e família, Paul Macarney e família, Tina Tuner, entre outros. Também é digno de nota o nome de  Carl Lewis, atleta olímpico, ganhador de 9 medalhas olímpicas.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A CHAVE DO DESPERTAR ESPIRITUAL - Os Gunas e os 4 Princípios

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Oi gente!!!

Hoje vou falar de algo EXTREMAMENTE IMPORTANTE na nossa caminhada e peço a atenção na leitura por favor.

Vou apresentar para vocês "a chave" para nosso despertar espiritual segundo os VEDAS.


É um fato científico que aquilo que ingerimos, aquilo que fazemos e nosso ambiente afeta nosso estado mental, nossa consciência.

 As práticas de bhakti agem no nível mais sutil de todos, o nível espiritual. Temos que nos situar de tal forma a aumentar nossa capacidade de agir nesse nível.

Para realizar alguma prática qualquer apenas com o corpo material basta ter certeza que estamos fisicamente capazes para tal, mas para realizar alguma prática mental, precisamos nos certificar que nossa mente não está excessivamente agitada ou perturbada ou seja, temos que tomar cuidados para criar, em nossas vidas, condições favoráveis para praticar atividades ainda mais sensíveis, mais sutis, que as intelectuais, que são as práticas espirituais.

Os Vedas explicam que a realidade material é composta de uma combinação de 3 GUNAS (termo que é traduzido como modos, as vezes como “energias”, outras vezes como “forças”), a mesma forma que todas as cores são compostas da combinação das três cores primárias.

AS QUALIDADES DE NOSSAS AÇÕES DEPENDEM DOS GUNAS!!!

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Os três modos são denominados:

·         Bondade (SATTVA): é a força criativa, a essência da forma que precisamos para concretizar a paz, o conhecimento, a tranquilidade, a pureza, a compaixão, a benevolência...

·         Paixão (RAJAS): é a força da vontade movida pelo desejo interno e intenso de satisfazer e usufruir para obter aquilo que se quer é a busca do prazer sensorial.

·         Ignorância (TAMAS): é a inércia, a completa “cegueira” aquilo ligado a ilusão, sujeira, sofrimento, escuridão, maldade – a ignorância propriamente dita!

Tudo que existe é um resultado de uma específica combinação desses modos.

Ex: seres humanos, animais, alimentos, planetas, ciclos...

Os gunas surgem logo que o equilíbrio é perturbado com a manifestação material. Eles participam de uma enorme variedade de combinações e permutações em que um ou outro predomina sobre os restantes!
E é isso que dá origem a intermináveis variedades de fenômenos físicos e mentais que formam o mundo em que vivemos.

QUANDO AS ENERGIAS DE TAMAS (IGNORÂNCIA) E RAJAS (PAIXÃO) NÃO SÃO MAIS “OUVIDAS”, INICIAMOS O PROCESSO DE BHAKTI!!!

OU SEJA, o que precisamos entender é que devemos buscar o modo da bondade para criarmos as condições mais favoráveis à prática de bhakti.

DEVEMOS SEMPRE QUE NOS ATENTAR PARA O MODO EM QUE ESTAMOS AGINDO E ATUANDO....

Vamos aqui descrever quatro princípios básicos e suas predominantes regras que devem ser seguidos para garantir essas condições, mas é importante salientar que devemos entender o conceito por trás desses princípios.

São princípios que irão abrir seu caminho espiritual, fortalecer sua capacidade de praticar bhakti, garantir sua permanência em estados de consciência progressivamente mais elevados.

OS 4 PRINCÍPIOS


Resultado de imagem para não violencia vegetarianismo    1- NÃO VIOLÊNCIA — Não comer nenhum tipo de carne, peixe ou ovos.
Como mencionado acima, uma das práticas mais importantes de bhakti é comer apenas Prasada (Alimento que passou a ser espiritual, quando santificado por Deus).
O que dizer do ato de matar um animal (ou qualquer criatura) inocente, os cadáveres de animais em si estão no modo da ignorância, por serem coisas essencialmente em putrefação e carnificina. Assim sendo, Deus não aceita esse tipo coisa. Portanto, acima de tudo, evitamos o consumo de qualquer tipo de carne, peixe e ovos porque não devem ser oferecidos a Deus e assim não podem se tornar prasada. Além dessa consideração, é óbvio que a matança indiscriminada de animais inocentes, muitos com consciências bastante desenvolvidas, emoções, conceitos de família, amigos, etc., apenas para degustar o sabor de seu cadáver, é algo bastante violento, grosseiro e imoral.
Mesmo para aqueles que não têm muita sensibilidade espiritual, ética e moral, o consumo de animais também traz desastrosas consequências dos pontos de vista ecológico, físico e econômico. Para aqueles que ainda não compreenderam os múltiplos efeitos perversos do consumo de animais, cabe pesquisar o assunto seriamente — existe farto material sobre o assunto na Internet, em livros e revistas.

Resultado de imagem para não intoxicação drogas2- NÃO INTOXICAÇÃO: evitando todo tipo de droga, inclusive cigarros, bebidas e cafeína.
Drogas, como se sabe, afetam sua mente, distanciando-a da realidade. Inclusive sabe-se que a maioria dos usuários de drogas deseja justamente fugir da realidade, que é compreensível visto que a vida no mundo material pode ser muito desagradável. Porém, devemos é nos libertar do conceito material que nos traz tanto sofrimento, elevando nossa consciência à plataforma divina, e não a afundando num escuro poço de ilusão. Já nos encontramos num estado distante da suprema realidade espiritual, confusos sobre nossa real identidade e propósitos da vida. Obviamente então o consumo de substâncias que irão piorar essa situação não pode nos trazer qualquer benefício. Por estimularem a ilusão, drogas também estão no modo da ignorância e, assim, como tudo mais no modo da ignorância, são altamente prejudiciais ao seu progresso espiritual (como também seu bem-estar físico, mental e emocional). Não é necessário descrever aqui os terríveis resultados do consumo de drogas e cigarros, já amplamente conhecidos. Infelizmente os nocivos efeitos do álcool são menos conhecidos, mas basta ver as estatísticas e pesquisas para sentir seu impacto destrutivo tanto na sociedade (violência, acidentes de trânsito, etc.) como no corpo (danifica todos os órgãos do corpo, envelhecimento, etc.).

Resultado de imagem para não mentir3- VERACIDADE – não mentir, não manipular, não enganar, não trapacear.
Por trás de todo jogo de azar, apostas, etc., está a enganação, a trapaça. O governo lhe fala para você apostar seu valioso dinheiro para concorrer a uma chance de ganhar uma fortuna na loteria. Claro que quem vai realmente ganhar a fortuna é o governo e você será o enganado. Mesmo se ganhar, estará apenas dividindo com o governo o resultado de uma grande trapaça envolvendo milhões de pessoas. O mesmo vale para todos jogos de azar. Além do mais, o jogo de azar agita muita a mente. Nos tira completamente da paz e seriedade necessários para praticarmos bhakti. O jogo de azar é tão maléfico que existem muitos viciados, cujas vidas foram totalmente destruídas pelo jogo.

Resultado de imagem para não ao sexo sem amor     4- PUREZA — Não praticar o sexo ilícito.
O sexo por mero prazer é chamado por Srila Prabhupada como sexo ilícito, é considerado contra as leis de Deus, e gera todo tipo de problema para os indivíduos e a sociedade como um todo. O sexo irrestrito é uma atividade inteiramente mundana, diretamente ligada a seu corpo e não a seu real estado como alma espiritual; portanto, é um grande obstáculo a vida espiritual e a principal razão pela qual continuamos presos no mundo material.

O ponto fundamental é entender que o sexo por prazer é um ato material, não espiritual. Apenas o sexo que tenha como objetivo trazer ao mundo devotos de Deus, numa estrutura familiar estável (casamento), é um ato verdadeiramente espiritual. Tendo dito isso é compreensível que para aqueles que não estão na plataforma de pura espiritualidade haja a necessidade de praticar o sexo apenas por prazer. O fato de isso ser compreensível não o torna louvável nem deve servir de ímpeto para livremente engajarmos na prática sexual por prazer. Devemos, sim, seriamente nos engajarmos em serviço devocional, nas várias práticas de bhakti-yoga, com cada vez mais afinco, dedicação e qualidade, com o sincero e intenso desejo de um dia nos situar na plataforma de eterna bem-aventurança e conhecimento, livre das contaminações da natureza material, livre não só de luxúria (que é em última análise o desejo egoísta de controlar e desfrutar de alguém, de várias pessoas, ou mesmo de alguma situação), mas também das demais má qualidades que manifestamos na plataforma condicionada material, como orgulho, intolerância, ganância, raiva, inveja, etc.

O POST DE HOJE É IMPORTANTÍSSIMO, POIS AQUI CITEI “AS CHAVES” PARA O DESPERTAR ESPIRITUAL E TRANSCENDÊNCIA!!!

Vocês, seguidores do BLOG estão em “vantagem” aos seguidores apenas do Canal, pois considero que ao acessar meu Blog vocês estão com real desejo pelos estudos, pois sei que não é qualquer um que vai querer ler um texto gigante como esse...

Pensando assim, decidi que quem anda acompanhando o Blog terá acesso a mais informações do que quem acompanha apenas os vídeos.

Pretendo fazer um vídeo falando sobre o que citei aqui hoje, mas isso vai levar algum tempinho ainda...

Por tanto meus queridos, sintam-se privilegiado em suas buscas, pois para ter acesso ao conteúdo dos VEDAS é preciso termos acumulado uma certa quantia de karma positivo, sabiam disso?!

Aproveito aqui para prestar as minhas reverências aos Grandes Mestres por terem passado abençoado conhecimento e também para pedir desculpas caso tenha cometido algum erro durante esse artigo, pois estou repassando para vocês da forma que entendi.

Sei que pode haver muitas dúvidas com relação ao quarto princípio, mas peço nesse primeiro momento para vocês apenas MEDITAREM SOBRE ISSO, OK?
EVITEM A NEGAÇÃO OU QUALQUER TIPO DE JULGAMENTOS OU INJURIA sem antes de terem MEDITADO e mesmo que não concordem com algo aqui descrito, peço para se manterem respeitosos e abertos, ok?

Se quiserem, podem enviar comentários ou perguntas que irei responder todas.

Um beijo enorme no coração de todos vocês,

Namastê Haribol!


terça-feira, 6 de novembro de 2018

BHAGAVAGITA - a versão recomendada!

Oi gente!!!

No post de hoje quero falar com vocês sobre a minha "peregrinação" até chegar a versão fidedigna do Bhagavagita.

Só para fazer uma introdução para aqueles que não sabem o que é, o Bhagavagita é o livro fundamental que nós estudantes espiritualista devemos estudar, pois nele está "a chave" de toda a nossa busca!!!

Para maiores informações sobre esse abençoado manuscrito, sugiro dar uma lida no Wikipédia:


Desde o início da minha busca, mesmo antes de saber direito o que era esse livro tão bem falado que até o Raul Seixas chegou a escrever uma canção bem popular chamada"Gita", eu sempre carreguei dentro do meu coração ler essa obra, então como uma boa buscadora, a primeira versão que li foi um pdf que consegui na Internet onde nem sequer o autor é citado, mesmo assim me encantei por aquele diálogo entre Arjuna (guerreiro) e Krisna (a Suprema personalidade de Deus).

A primeira impressão que tive quando o li pela primeira vez é que aquele diálogo era um belo poema que continha "mensagens subliminares", pois mesmo não tendo nada haver o conto com nosso cotidiano, pude perceber que algo lá me tocava profundamente! - estava correto meu insight!!!

Bom, depois comprei uma outra versão que na verdade era bem mais difícil de se entender...



Quando comecei a estudar Yoga e Meditação, foi sugerido uma outra versão, essa aqui ao lado!

Essa versão do Huberto Rodhen é bem fácil de entender, porém mesmo com as explicações do meu professor na época Marco Schultz (na qual mantenho um grande respeito e admiração), minhas impressões não mudaram muito, apesar de ter avançado um pouquinho e já ter entendido que esse livro nada mais é do que um manual de instruções para nossas vidas cotidianas, pois toda angustia que Árjuna enfrenta no campo de batalha em Kurukshetra é a mesma angustia que enfrentamos no "no campo de batalha" das nossas vidas diárias...

TUDO MUDOU NA MINHA VIDA QUANDO CONHECI ESSA VERSÃO:


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Bhagavad Gita como ele é de Srila Prabhupada

Comecei também a fazer um curso onde todo domingo estudamos os capítulos e foi um DIVISOR DE ÁGUAS na minha jornada!!!!

Enfim gente, minha intenção com esse post é apenas recomendar para vocês essa versão que de todas é a mais indicada por ser fidedigna e por ter os abençoados comentários de Srila Prabhupada um grande Vaishnava na qual presto minhas reverências por estar obtendo tantos ensinamentos!!!

Bom é isso galera! Qualquer dúvida mandem seus comentários, ok?

Beijos no coração,

Namastê

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

REFORMULAÇÃO DO CANAL E BLOG

Oi gente!!!

Hoje trago um vídeo explicando sobre algumas mudanças que teremos no Canal e aqui no blog.


Tenho certeza que que isso só irá agregar na nossa jornada.

Juntos estamos.

Namastê

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

3ª Parte - Perguntas e Respostas sobre o Amor

Meus queridos, como amanhã é feriado, resolvi antecipar os posts de sexta-f falando sobre o Amor...vamos lá!





AMOR VS EGOÍSMO

Qual é o primeiro passo que cada um devia dar para poder amar?
Para amar é necessário sentir-se a si mesmo e, para se sentir a si mesmo, é necessário conhecer-se a si mesmo. Se queres amar os outros, aprende primeiro a amar-te a ti mesmo, através de te conheceres a ti mesmo. Quem não se quer a si mesmo não pode querer aos outros.

Mas eu tinha entendido que para amar os outros tens de renunciar a ti mesmo!
Nem pensar. O que tens de fazer é renunciar ao teu egoísmo, mas não aos teus sentimentos. O que acontece é que tens um conceito do que é o amor que é incorreto, porque misturais o amor com o egoísmo. Amar-se a si mesmo não é julgar-se melhor que os outros e, por isso, dedicar-se a satisfazer caprichos egoístas, mas antes reconhecer as necessidades afetivas próprias, os sentimentos, e desenvolvê-los para que sejam o motor da sua vida. Por isso disse que para amar verdadeiramente é tão importante conhecer-se a si próprio. Conhecer-se implica saber distinguir entre o que sentimos e o que pensamos, reconhecer entre o que vem do nosso sentimento e o que vem do nosso egoísmo.

Então, como distinguir o que é o amor do que o que, não é?
O amor na sua expressão máxima tem de ser incondicional. Quem ama verdadeiramente não espera nada em troca e quem age por interesse não está a amar verdadeiramente. O amor tem de ser livre, senão, não é amor. Não se pode forçar ninguém a amar.
Quem quiser amar tem de querer também renunciar ao egoísmo. O amor e o egoísmo são conceitos contrários, incompatíveis entre si, antagónicos. Não se pode amar sem renunciar ao egoísmo, já que o egoísmo é, na realidade, a ausência de amor. Aprender a amar é o mesmo que aprender a desprender-se do egoísmo. Quem aumenta a sua capacidade de amar diminui o seu egoísmo e vice-versa.

E como aprende o espírito a amar?
É um processo contínuo que requer muitíssimo tempo de evolução. O espírito começa-o antes de iniciar a fase humana e não o termina nunca, já que há sempre algo novo para aprender a respeito do amor. Como aprender a falar, não há outra forma de desenvolver o amor que não seja através da interação constante com outros seres. Nas primeiras etapas, quando o ser espiritual está escassamente desenvolvido, experimenta o amor que outros seres mais avançados sentem em relação a ele na forma de emoções. Isso provoca-lhe bem-estar. Também tem de experimentar o que é a ausência de amor, quer dizer, o egoísmo de outros seres que, da mesma forma que ele, ainda não são capazes de amar. Isso far-lhe-á sentir emoções de mal-estar, mas também lhe permitirá reconhecer, aprender a distinguir melhor entre a ausência e a presença de amor e a valorizar a presença de amor, o que servirá de estímulo para poder desenvolver em si mesmo os sentimentos. Ou seja, antes de ser capaz de amar, o ser espiritual sensibiliza-se como receptor do amor de  outros seres mais avançados, que lhe servem de exemplo do que é ser emissor de amor. Também terá de conviver com outros seres com egoísmo igual ou mais acentuado do que ele mesmo, que servem de exemplo do que é a ausência de amor. Todas estas interações lhe motivarão o desenvolvimento, primeiro, das emoções e, mais tarde, dos sentimentos.

Uma vez que o espírito reconheça o amor que recebeu dos outros, nessa altura já está preparado para ser um emissor de amor. Serão os seres que o amaram, os primeiros em relação aos quais vão despertar os primeiros sentimentos de afeto (usualmente em relação a algum membro da sua família), enquanto os restantes seres, os que se comportaram com egoísmo em relação a ele, serão inimigos, e os que nunca tiveram relação com ele, simplesmente serão seres pelos quais sentirá indiferença. Nesta etapa, o espírito é apaixonado nos amores, vingativo e rancoroso nos desamores. Chegará outra etapa mais avançada em que o ser já não quererá prejudicar os que lhe provocaram dano, porque se dá conta de que o sofrimento em si mesmo é algo negativo, incompatível com o amor, e abandonará a vingança como forma de ressarcimento pelo dano recebido. A esta etapa poderíamos denominar amor condicional avançado. Chegado certo momento, quando o grau de compreensão e de sensibilidade do ser tenha aumentado consideravelmente, está preparado para dar o grande salto, o de querer a todos os demais seres da criação, incluindo àqueles que o odiaram e o rebaixaram e o fizeram sofrer o indescritível. Quer dizer que entrou na etapa final, em que se alcança o amor incondicional, aquele amor que anunciavam os seres avançados como Jesus quando diziam “ama o teu inimigo”. Com certeza, isso não acontece da noite para o dia. Serão necessários milhões de anos de evolução para percorrer o caminho da primeira à última etapa.

Poderias resumir essas etapas para que eu tenha uma ideia?
Sim, ainda que, como digo, o processo seja contínuo, poderíamos dividi-lo, para sua melhor compreensão, nas seguintes etapas:
1-      Insensível como receptor e emissor de amor;
2-      Parcialmente sensível como receptor de amor – insensível como emissor de amor;
3-      Sensível como receptor – parcialmente sensível como emissor (amor condicional);
4-      Altamente sensível como receptor – altamente sensível como emissor (amor condicional avançado);
5-      Totalmente sensível como receptor – totalmente sensível como emissor (amor incondicional);

Qual é o origem das emoções e dos sentimentos e em que se diferenciam?
Nos primeiros estádios de evolução do ser espiritual, este só é capaz de sentir emoções que, geralmente, são apenas uma resposta a um estímulo de natureza exterior. Este desenvolvimento da percepção emocional começa logo em etapas anteriores à humana. De facto podeis observar que muitos mamíferos superiores, como cães, vacas, cavalos ou golfinhos, já são capazes de perceber e manifestar emoções bastante profundas de muito diversos tipos. À medida que o espírito experimenta com as emoções e começa a tê-las em conta para tomar decisões, está a começar a desenvolver o sentimento. Podeis considerar que os sentimentos são a forma evoluída das emoções.
Podes expor com mais profundidade a distinção e a relação entre as emoções e os sentimentos?
As emoções são de duração curta, geralmente são ativadas por algum tipo de estímulo, exterior ou interior. Os sentimentos têm uma duração mais extensa, estão mais profundamente enraizados no espírito e ainda que recebam a influência do exterior, não têm de ser motivados por nenhum impulso exterior, mas antes pela própria vontade do espírito. Os sentimentos e as emoções estão intimamente ligados. O sentimento é capaz de despertar as emoções. É como a fonte interna de que emanam, de maneira que, neste aspecto, as emoções são uma manifestação dos sentimentos. Também as emoções, sobretudo as percebidas do exterior, influem nos sentimentos e podem ser um estímulo para os ativar ou para os reprimir. No máximo desenvolvimento do sentimento de amor, ou seja, quando se chega a experimentar o sentimento de amor incondicional, encontramo-nos já perante um sentimento que não vai terminar nunca e que, além disso, não necessita de nenhum estímulo exterior para que seja despertado ou alimentado.

Em que parte do ser se originam as emoções e os sentimentos?
As emoções e os sentimentos de amor originam-se no corpo espiritual. As ego-emoções e os ego-sentimentos, ainda que sejam percebidos no corpo espiritual, desenvolvem o seu carácter egoísta no corpo mental.

Não entendo o que queres dizer. O que são os ego-sentimentos e as ego-emoções?

São os sentimentos e emoções negativas gerados por atitudes egoístas. Na realidade, as atitudes egoístas são pensamentos e, portanto, originam-se na mente.

Então o sentimento e o pensamento têm uma origem distinta? Sempre julguei que ambos eram fruto da mente.
Pois, não têm a mesma origem. O sentimento procede do espírito (corpo espiritual) e o pensamento, da mente (corpo mental).

Deixa ver se compreendi bem. Queres dizer então, que o egoísmo se origina na mente e o amor no espírito?
Sim. Ainda que como já disse as ego-emoções e os ego-sentimentos se percebam também no corpo espiritual, o seu aspecto egoísta é gerado na mente.

Poderias esclarecer-me este ponto? Continuo sem entender como pode ser que o egoísmo se origine na mente e que os sentimentos ou emoções egoístas se sintam no espírito.
Claro. Imagina que uma pessoa se encontra com uma lanterna acesa dentro de uma cúpula de cristal. Se o cristal é transparente, tanto a luz que sai da lanterna para o exterior como a luz que entra do exterior no interior, não sofrerá praticamente nenhuma modificação pelo facto de passar através do cristal. Contudo, se o cristal da cúpula, em vez de ser transparente, for opaco, então modificará a passagem da luz através dela, tanto da luz que sai do interior para o exterior como da que entra do exterior no interior da cúpula. A pessoa com a lanterna representa o corpo espiritual e a cúpula de cristal representa o corpo mental. A opacidade do cristal da cúpula representa o egoísmo. O egoísmo modificará tanto a percepção dos sentimentos e emoções dos outros (a luz que entra), transformando-os antes de impressionarem o corpo espiritual, como a expressão ou manifestação dos sentimentos e emoções que procedem do corpo espiritual (a luz que sai), que serão percebidos pelos outros já com o matiz egoísta de que se impregnaram ao passar pela mente.

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Beijos no coração,

Namastê