Com seu novo livro, Monja Coen e Leandro Karnal vêm nos
resgatar a responsabilidade pela nossa existência, invertendo a célebre frase
do filósofo Jean Paul Sartre para "O inferno somos nós". A conversa,
no entanto, é uma alegre celebração da vida, nos lembrando de que somos também
o céu na nossa própria existência---tudo depende de como escolhemos responder
às provocações e estímulos que recebemos a cada instante.
Compartilhe, a sabedoria pertence a todos os seres!
Esta conversa foi registrada pela MOVA no dia 11 de abril de
2018, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.
Reparar
relações mal resolvidas é essencial para a expansão da consciência
Como é sua relação com seus pais? E com as pessoas de seus relacionamentos anteriores? (Crédito: iStock)
Já
escrevi outras vezes sobre o fato de acreditar que só é possível transformarmos nossa
sociedade se começarmos a transformação por nós mesmos. Uma mudança de dentro
para fora, pautada no autoconhecimento, na consciência de que estamos onde nos
colocamos e que temos responsabilidade pelo que colhemos.
Uma
nova maneira de viver a vida em sociedade inclui valores profundos, como a honestidade,
a autorresponsabilidade, a gentileza e precisa ter como meta a criação de uma
cultura de paz e prosperidade para todos. E você tem feito a sua parte olhando para
toda a guerra e miséria que carrega em si? Tem dado o seu melhor para ampliar a percepção
de que, muitas vezes inconscientemente, segue criando situações de sofrimento
para si e para os outros.
Estou
falando de uma programação profundamente arraigada, extremamente difícil de descondicionar,
mas que precisa ser encarada o quanto antes.
Nesse
momento precisamos que a espiritualidade se manifeste de uma
maneira muito prática, ou seja, em nossas relações, no trabalho
e na família.
Sugiro
que você se empenhe ao máximo para começar a reparar seus relacionamentos, abrindo
espaço para curar antigas mágoas, fechar contas passadas e facilitar a chegada do
perdão. A ressignificação dos relacionamentos é um ponto central nessa transformação,
pois possibilita a ressignificação da família e, consequentemente, de toda a
sociedade.
Outro
ponto importante para termos êxito nessa nova maneira de viver a vida é ganharmos
consciência do nosso propósito, permitindo colocarmos nossos dons e talentos
a serviço do amor.
Com isso ocupamos nosso lugar no mundo e deixamos de querer
o que é do outro. Assim, nos livramos da inveja, da ideia da vítima e dos jogos
de acusação. Assim, esse planeta poderá respirar por mais tempo.
Nos
movendo em direção a esses dois objetivos, a reparação das nossas relações e a
clareza de nosso propósito, a consciência vai naturalmente se expandindo e
vamos recebendo guiança para agirmos a partir do coração.
Nosso
trabalho é abrir caminhos para sustentar a presença. É eliminar o que nos
impede de estar no momento presente, realmente conectados com o aqui e o agora.
Você
tem sustentado a presença? Tem estado presente em seus relacionamentos e no seu
trabalho? É da presença que nasce tudo que é belo, criativo, verdadeiro, tudo
que tem um
real valor. Se ainda não pode estar presente é porque ainda não pode deixar a crueldade
de seu coração, não pode deixar de se machucar e machucar o outro. Mas como disse, desprogramar toda essa crueldade não é tão
simples assim. Tenho sugerido a prática do silêncio como uma das ferramentas
para o autoconhecimento.
Aos pouquinhos, vamos dando passos até que todos os
nossos pensamentos, nossas palavras e ações possam nascer do coração, cheios de
sabedoria e compaixão.
Oi gente, Hoje quero compartilhar um filme com vocês que me fez refletir muito sobre minha relação com meu filho e as diferentes inteligências nessa era de crianças índigo e cristal. Ta na cara que o sistema de educação mundial, mas principalmente do Brasil é arcaico e que essas crianças vieram para sacudir os velhos paradigmas... Esse filme bateu forte aqui pq. além dele ser uma produção de Bollywood (um dos pedidos que fiz as margens do Ganges) quando esse filme chegou até a mim foi realmente como se o Rio Ganges tivesse falado assim pra mim "Filha não se preocupa que estamos cuidando do seu caso e seu pedido será atendido"...
Tenho certeza que servirá para abrir nossas mentes....
Oi gente, Incrível como tudo acaba chegando em nossas mãos quando estamos conectados com A FORÇA MAIOR! Visitei na Índia o Arsham do Guru Neem Karoli Baba (foto abaixo) e hoje passado quase um mês do meu retorno, as "fichas" estão caindo... Sei lá, mas acredito que algo MÁGICO deve ter acontecido comigo lá na Índia, sem eu nem sequer ter dado conta pq. as coisas que estão acontecendo ultimamente são completamente sem explicação. É por isso que ainda não fiz o vídeo da Índia para vocês... Bom, mas vamos deixar vir, não é?! Enquanto isso, quero trazer para vocês hoje a História do RAM DASS e seu guru o Neem Karoli que tb. foi guru do cantor Krishna Dass... É uma história que enche nossos coração do mais puro amor. Vamos lá:
RAM DASS foi discipulo do Guru Neem Karoli Baba.
Neem Karoli Baba foi um guru do norte da Índia que atingiu este
estado de Sahaja Samadhi.
Neem Karoli Baba era um homem que ficava enrolado num
cobertor que tinha muitos siddhis, poderes yogis e ele permaneceu num templo
nos Himalaias isolado e orientando pessoas espiritualmente. Dizem que ele era
muito engraçado, uma pessoa muito divertida, mas muito iluminado, ele foi um
homem que meditou em cavernas nos Himalaias durante muito tempo.
Neem Karoli Baba faleceu na década de 70, também foi um dos
grandes gurus indianos, pelo seu grau de espiritualidade. Ele tinha um temperamento
mais alegre, mais divertido e deu muita orientação aos indianos em termos
espirituais.
Ame todo mundo e diga a verdade: a história de Ram Dass
(Richard Alpert), Neem Karoli Baba e o Amor [VÍDEO]
By Nando Pereira (Dharmalog.com)
A história de como o médico americano Richard Alpert, PhD em
Psiquiatria, se tornou o mestre espiritual Baba Ram Dass, da inquietude e do
encontro com Timothy Leary e as drogas psicolédicas nos Anos 70 à descoberta de
Neem Karoli Baba (data de nascimento incerta – 1973), está neste filme de
curta-metragem “Love Serve Remember” (Ame Sirva Lembre), produzido e dirigido
por V Owen Bush. O filme é narrado pelo próprio Ram Dass, que conta alguns
fatos essenciais da sua vida e como foi tocado pelo amor incondicional do seu
mestre, Neem Karoli Baba, e como chegou às mensagens dos seus trabalhos
posteriores, como “Be Here Now” (Ser Aqui Agora) e “Love Serve Remember“.
É um testemunho pessoal rico e tocante de como um grande
sujeito ocidental bastante inquieto, que viveu o boom psicodélico dos Anos 70 e
perto de ícones como Timothy Leary e Aldous Huxley, encontrou seu caminho e a
personificação da resposta que procurava. Um dos aspectos interessantes do
relato é a perspective ocidental que Ram Dass mantém de como entende a
sabedoria oriental, e de “como nós no Ocidente não temos idéia dessas pessoas
excepcionais” que estão na Índia e em outros lugares mais distantes de nós.
Sentado numa cadeira com sua camisa havaiana e sobre um fundo de mandeira, Ram
Dass fala da sua vida, de seus mestres e do seu momento atual com calma e
gratidão, e podemos nos inspirar a andar num caminho de significado, aqui e
agora.
“Ele estava bem aqui, e estava me olhando com amor
incondicional. Amor incondicional. E eu nunca tinha sido olhado com amor
incondicional antes, nem por meus pais, ou meus amigos ou minhas amantes, por
ninguém. E eu senti amor. Senti amor. E senti algo acontecendo no meu coração.”
~ Ram Dass, em “Love Serve Remember” (filme)
Assista ao trecho de 21min de “Love Serve Remember” abaixo,
com legendas em português (caso elas não sejam automaticamente reproduzidas,
clique no controle logo abaixo do vídeo e selecione “Portuguese, Brazilian”, ou
então veja neste link alternativo):
Galera, Semana passada ganhei um presente que vocês nem imaginam...
MINHA FILHA INICIOU SEU PROCESSO DE DESPERTAR!!!
Não é MARAVILHOSO?!
Ai num bate papo com ela resolvi gravar esse vídeo falando sobre os
SINTOMAS DO DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA
Em um entorno dominado pelo consumismo e pelo egocentrismo,
pode parecer absurdo falar de ‘despertar espiritual’. Contudo, cada vez mais
pessoas estão passando por isso. Muitas delas resistem porque sentem que não se
encaixam, mas experimentar um despertar espiritual não o torna diferente, e sim
especial. E você não está sozinho.
Muitas coisas estão mudando no mundo. Vivemos um tempo de
despertar e de desejo de mudança nunca antes visto. Uma grande quantidade de
pessoas se tornam mais conscientes dos problemas e de que certas práticas que
perduraram muito tempo precisam mudar.
“O segredo da
liberdade humana é agir bem, sem apego aos resultados.”
-Bhagavad Gita-
Muitos são que desejam tomar suas vidas nas próprias mãos e
escapar do modelo imposto pela sociedade com o fim de conhecer realmente a
felicidade e viver a vida que realmente querem viver, e não a ditada pela
televisão, as revistas, os filmes, as identificações sociais e todos esses
clichês sem sentido que nos rodeiam.
Você já desperdiçou muito tempo investindo nesses
pensamentos e agora finalmente se deu conta que tudo isso é uma ilusão!
A consciência sobre
os grandes problemas humanos e sociais que enfrentamos é cada vez maior. Cada
vez mais pessoas estão dispostas a ouvir essas verdades e são suficientemente
corajosas para levar a mudança a elas mesmas e suas famílias, porque sabem que
a mudança de que o mundo precisa passa pela sua própria mudança.
As pessoas que
experimentam esse despertar espiritual veem a sua consciência crescer, seus
interesses evoluírem, o sentido da vida muda para elas e surgem novas
aspirações e inspirações. Tudo isto é acompanhado pelo desejo de mudar a si
mesmos como princípio para mudar o mundo.
“Os grandes homens
são aqueles que enxergam que a espiritualidade é mais forte que qualquer força
material, que os pensamentos que governam o mundo”.
-Ralph Waldo Emerson-
Você se enxerga nisto? Estas palavras despertaram uma
pequena chama no seu interior? Se você chegou até aqui, seja corajoso e
continue lendo.
Bom, fiz uma pesquisa sobre esse tema e juntei a minha visão sobre o assunto para extrair os 50 sintomas do despertar descritos aqui abaixo:
Sintomas de um Despertar
da Consciência por Viviane Akiyama
Os seguintes sintomas são claros sinais de que você está
passando por um despertar espiritual. Se você é consciente de que alguma coisa
neste sentido está acontecendo com você ou você se sente de alguma forma
identificado com isso, não tenha medo.
Isso é a melhor coisa que poderia ter acontecido contigo!
Acredite!!!
É só respirar fundo e seguir seu coração:
Você se sente atraído pelas leituras que
expandem a sua mente. Os livros que simplesmente entretêm cada vez interessam
menos, em favor de outros que ajudam você a se transformar na melhor versão de
si mesmo.
Perda de significado das coisas, as coisas
consideradas “normais” não fazem mais sentido ou fazem sentido muito
superficial
Você expõe o seu verdadeiro eu ao mundo.
Cada vez você passa mais tempo a sós e em
silêncio
Você se sente mais conectado com a natureza
e os seres vivos
Você assume a responsabilidade pelas suas
ações e destinos
Foco no presente sem passado e futuro
Perda de interesse na competição
Vontade de curar o mundo
Desconstrução
Mudança no padrão de sono
Repentinas ondas de emoção
Clarificação do carma
Amplificação dos sentidos.
Aumento de sensibilidade.
Alterações na oração ou na meditação
Ondas de energia.
Sintomas variados e dores
Rejuvenescimento
Sonhos vivos
Acontecimentos que alteram completamente a
sua vida
Libertação
Confusão mental e emocional
Introspecção, solidão e perda de interesse
por atividades no exterior
Manifestações de criatividade
Premonição
Impaciência
Despertar
Ser diferente dos outros
Ajudas de vários tipos
Compreensão súbita
Rapidez de aprendizagem
Presenças invisíveis
Presságios, visões, números e símbolos
Intensificação de integridade (falar a
verdade)
Desarranjos elétricos e mecânicos
Aumento da sincronicidade
Desenvolvimento das habilidades intuitivas
e alteração de estados de consciência
Comunicação com o Espírito
Sentimento de Unidade.
Alegria e benção, sentimento de gratidão
Integração
Viver o seu propósito
Sentir-se mais perto dos animais e plantas
Refinamento da visão
Manifestação física de pensamentos e
desejos
Vertigens
Curiosidade e Interesse por questões
extrafísicas
Medo do aprofundamento
Sentimento de loucura
Vale lembrar que não necessariamente vc. irá sentir todos os sintomas, ok gente? E que tb. esses sintomas são bem relativos...mas, se vc. sente pelo menos 10 desses sintomas, parabéns vc. iniciou seu processo de despertar da consciência!
Hoje quero falar sobre Ramana Maharshi, lembrando que amanhã dia 14 de Abril, completará 68 anos da sua morte física. Digo "morte física", pois Ele mesmo disse em sua experiência de Samadhi que a morte não existe.
Ter visitado Tiruvannamalai onde ele viveu foi especial e ver a devoção dos indianos para com seu guru foi emocionante demais.
Vou deixar aqui algumas fotos do meu arquivo pessoal durante minha viagem à Índia, logo após um artigo contado sobre sua história e um vídeo com suas imagens.
Beijos no coração,
Hari OM
PORTA DO ARSHAM DE SRI RAMANA MAHARSHI
ARUNACHALA - A MONTANHA ONDE RAMANA VIVEU
Túmulo de Ramana em seu Templo
Sri Ramana Maharshi nasceu em 30 de dezembro de 1879 em Tiruchuzhi,
uma cidade na província Tamil Nadu, ao sul da Índia. Seus pais lhe deram o nome
de Venkataraman.
Nada havia de anormal no rapaz. Possuía um corpo forte, se destacando
no futebol, artes marciais, natação, entre outros esportes. O único fator
incomum a respeito de Venkataraman era o seu sono profundo, inabalável, e sua
assombrosa força física. Seu sono era tão profundo que em certas ocasiões seus
colegas – que jamais tinham a oportunidade de vencê-lo em um combate –
aproveitavam-se de seu estado para carregá-lo para fora de sua cama, dar-lhe
uma surra, e então “devolvê-lo” ao seu quarto, sem que Venkataraman jamais
suspeitasse do ocorrido.
O garoto não manifestava nenhum interesse em espiritualidade,
meditação ou religião. Seus únicos contatos com assuntos espirituais foram uma
vez quando ouviu falar da montanha sagrada Arunachala – o que lhe despertou
profunda reverência e interesse – e outra quando teve a oportunidade de ler o
Periyapuranam, que é uma coleção de biografias de 63 santos da seita Saiva
[adoradores de Shiva] da religião hindu. Entretanto, aos seus 16 anos de idade,
em julho de 1896, ocorreu uma experiência que transformou a sua vida para
sempre. Ele mesmo a descreve:
“Foi mais ou menos seis semanas antes de deixar Madurai
permanentemente que a grande mudança ocorreu na minha vida. Aconteceu
inesperadamente. Eu estava sentado sozinho em uma sala do primeiro andar da
casa de meu tio. Eu raramente adoecia, e naquele dia minha saúde estava normal,
mas repentinamente eu fui tomado por um violento medo de morrer. Nada no meu
estado de saúde explicava isso, e eu não tentei justificar esse medo, nem
procurei suas causas. Eu apenas senti ‘Vou morrer’ e comecei a pensar o que
fazer a respeito disso. Não pensei em consultar um médico, meus parentes ou
meus amigos; eu senti que precisava resolver o problema por mim mesmo, ali
mesmo.
O choque do medo da morte fez minha mente voltar-se para o interior, e
eu disse a mim mesmo, sem na verdade moldar em palavras: ‘Agora a morte chegou;
o que isso significa? O que está morrendo? O corpo morre.’ Então imediatamente
comecei a dramatizar a ocorrência da morte. Eu deitei com os meus membros
esticados e duros como se estivesse ocorrendo o rigor mortis, e imitei um
cadáver para tornar a inquirição mais realista. Prendi a respiração e mantive
os lábios firmemente fechados a fim de não deixar escapar nenhum som, de
maneira que nem mesmo a palavra “eu” e nem qualquer outra palavra pudesse ser
pronunciada. ‘Então’, disse a mim mesmo, ‘este corpo está morto. Ele vai ser
carregado duro até a pira de fogo e lá será queimado e reduzido a cinzas. Mas
com a morte deste corpo eu morro? Este corpo é o Eu? Ele está silencioso e
inerte, mas eu sinto a força total de minha existência, e até mesmo a voz do
“eu” dentro de mim, separadas do corpo. Então eu sou o espírito que transcende
o corpo. O corpo morre, mas o Espírito que o transcende não pode ser tocado
pela morte. Isso significa que eu sou o Espírito Imortal’. Isso tudo não foi um
pensamento obscuro; foi uma verdade viva que brilhou através de mim e que
percebi diretamente, quase sem o processo do pensamento. ‘Eu’ era algo muito
real, a única coisa real no meu estado presente, e todas as atividades
conscientes ligadas ao meu corpo estavam centradas naquele ‘Eu’. A partir
daquele momento o ‘Eu’ ou ‘Si-mesmo’ focou a atenção em si mesmo por meio de
uma poderosa fascinação. O medo da morte desapareceu de vez, e a absorção no Eu
Real continuou ininterrupta desde então.”
Neste momento sua individualidade dissolveu-se no Eu Real, e aquele
jovem indiano que nada tinha de promissor transforma-se em um dos maiores
Sábios que a Índia já conheceu. Na terminologia espiritual, ele havia
“Realizado o Eu”, ou “Alcançado a Iluminação/Libertação”; o que normalmente
surge apenas como resultado de anos de intensa prática espiritual (sadhana),
para o jovem Sábio surgiu espontaneamente, sem nenhum prática ou desejo
prévios.
Movido por um chamado interior, Venkataraman abandona seus estudos e
sua vida em sociedade, e parte rumo à Tiruvannamalai,
a cidade em que se situa a lendária montanha deArunachala.
Chegando ao seu destino, o garoto iluminado joga fora todo o seu
dinheiro e posses, e entrega-se a desfrutar profundamente o estado de Paz e
Beatitude recém descoberto. Sua absorção nesta Consciência era tão profunda que
ele permanecia desligado de seu corpo e de todo o mundo exterior por dias a
fio. Durante os dois ou três anos em que permaneceu imerso neste profundo
estado de samadhi [transe],
mosquitos e escorpiões comiam parte de seu corpo, seu cabelo e unhas cresceram
enormemente, sendo que se alimentava apenas quando um transeunte apiedado com o
estado deplorável do seu corpo lhe oferecia algo para ingestão. No final deste
período Venkataraman começou aos poucos a retomar a sua vida física normal –
transição esta que se completou apenas alguns anos depois – mas sem nunca
perder a consciência de seu verdadeiro Eu.
Na medida em que o jovem Sábio foi retomando consciência do mundo
exterior, passou a irradiar uma aura de Paz que começou a atrair buscadores
interessados em beneficiar-se de sua presença. Em seus primeiros anos
Venkataraman permanecia em completo silêncio, sendo que eventuais perguntas de
buscadores que o visitavam ou moravam em sua proximidade eram respondidas sendo
escritas em pedaços de papel ou na areia. Àquela época, um de seus primeiros
seguidores, impressionado pela sabedoria e santidade daquele garoto, deu-lhe o
nome de Bhagavan Sri Ramana Maharshi,
pelo qual passou a ser conhecido desde então. “Bhagavan” é um título honorífico
dado a grandes mestres iluminados, significando “Senhor”; “Sri” é um prefixo de
respeito; “Ramana” é contração de seu nome de batismo; “Maharshi” significa
“Grande Sábio”.
Mesmo depois de vários anos, quando Sri Ramana voltou a falar, falava
muito pouco, de forma que seus ensinamentos eram transmitidos por outros meios.
Ao invés de dar instruções verbais ele constantemente emanava uma força
silenciosa que aquietava as mentes daqueles que estavam em sintonia com ela, e
ocasionalmente até mesmo lhes dava uma experiência direta do estado no qual ele
mesmo estava perpetuamente imerso. Anos depois ele tornou-se mais disposto a
dar ensinamentos verbais, mas, mesmo então, os ensinamentos silenciosos sempre
estavam à disposição daqueles que sabiam fazer bom uso deles. Ao longo de sua
vida Sri Ramana insistia que esse fluxo silencioso de energia representava seus
ensinamentos em sua forma mais direta e concentrada. A importância que ele dava
a isso é indicada por suas assertivas frequentes no sentido de que seus
ensinamentos verbais serviam apenas àqueles que não podiam compreender seu
silêncio.
Na medida em que os anos passaram ele tornou-se cada vez mais famoso.
Uma comunidade cresceu em volta dele, milhares de visitantes vinham vê-lo, e
durante os últimos vinte anos de sua vida ele era largamente conhecido como o
Santo mais popular e reverenciado da Índia. Alguns desses milhares eram
atraídos pela paz que eles sentiam em sua presença, outros pela propriedade com
a qual ele guiava buscadores espirituais e interpretava ensinamentos
religiosos, e outros simplesmente vinham falar de seus problemas e sofrimentos.
Quaisquer que fossem as razões, praticamente todos que tinham contato com ele
saiam impressionados com a sua simplicidade e humildade. Quando uma vez o então
presidente da Índia prestou uma visita a Mahatma Gandhi, este lhe disse “se
você está buscando a Paz, sugiro que visite Ramana Maharshi.”
Bhagavan estava disponível aos visitantes vinte e quatro horas por
dia, uma vez que dormia e vivia em um espaço comunitário, o qual estava sempre
acessível a todos, e seus únicos bens eram a sua roupa do corpo, um pote de
água, e sua bengala. Embora fosse adorado por milhares como uma encarnação
divina, ele se recusava a permitir que qualquer um lhe tratasse como alguém
especial, e recusava receber qualquer coisa que não fosse igualmente dividida
entre todos a sua volta. Sri Ramana trabalhava ativamente junto em sua
comunidade e por muitos anos acordou diariamente às 3:00 da manhã para preparar
comida para os residentes no ashram. Seu sentimento de igualdade era
legendário. Os visitantes eram todos tratados com respeito e consideração
iguais, fossem eles mendigos, executivos, membros da realeza, ou animais. Seu
senso de equanimidade se estendia até mesmo às árvores locais: ele
desencorajava seus seguidores a arrancarem flores ou folhas das árvores, e
buscava assegurar-se de que a retirada de toda e qualquer fruta delas fosse
feito da maneira que a árvore sofresse apenas a quantidade mínima de dor.
Assim, ao longo de mais de 50 anos, vivendo aos pés da montanha
Arunachala, Sri Ramana deu ensinamentos e transformou as vidas de inúmeros
visitantes e buscadores. Boa parte de seus ensinamentos foram anotados e
publicados, constituindo assim uma herança espiritual inestimável para a
humanidade, apontando um caminho direto e eficaz, acessível a todos aqueles que
desejem alcançar o estado de Liberdade do qual tais ensinamentos emanaram.
Sri Ramana Maharshi deixou o corpo físico em 14 de abril de 1950,
padecendo de câncer. Em nenhum momento, entretanto, demonstrou qualquer espécie
de preocupação ou aflição com a grande dor física que seu corpo sofreu nos
últimos anos, ou com a perda do mesmo, permanecendo sempre com o mesmo olhar
imerso em Paz.
O resumo bibliográfico acima foi elaborado com base nos seguintes
textos:
SADHU OM. The Path of Sri
Ramana – Part I. Tiruvannamalai: Sri Ramana Kshetra, 1997.
GODMAN, David (editor).
Be As You Are. Londres: Penguin, 1985.
MAHADEVAN, T.P.M Bhagavan
Ramana. Tiruvannamalai: Sri Ramanasramam, 2005.