quinta-feira, 6 de abril de 2017

Fazer cara de paisagem nos livra de muitos problemas

Oi gente,

Vi esse post no FB e achei bacana, mas vale ressaltar que independente de qualquer coisa SOMOS TODOS UM e a separação não combina com nossos propósitos.

Cada um tem o direito do livre arbítrio e muitos ainda estão presos na "historinha do personagem" projetando sentimentos baixos do ego.

Vamos olhar para esses irmãos como exemplo do que não seguir, como exemplo do que não fazer...

É tudo uma questão de tempo e oxalá logo eles entenderão que esse caminho é a certeza da falência!...enquanto isso não acontece, não precisamos estar envolvidos nisso, ok?

Coloquei em vermelho alguns pontos onde devemos refletir sobre a separação/exclusão e somos todos um e em rosa frases importantes do plantar e colher.

Beijos no coração

OM SHANTI
Namastê





Um dos maiores favores que poderemos fazer a nós mesmos, nos casos em que alguém se encarrega de carregar o ambiente com fofoca e outros tipos de maldade gratuita, sempre será lutarmos contra a nossa vontade de explodir, para que não nos desequilibremos por conta de quem não merece nada de nós.

Com menor ou maior frequência, sempre haverá aqueles dias em que desejaremos jamais ter saído da cama, em que nada parecerá dar certo, em que nada do que dissermos será entendido como queríamos, em que nada nos fará sorrir.

Muito do que nos acontece é resultado de nossas próprias ações, mas também seremos importunados por todo tipo de gente que não fará outra coisa a não ser perturbar a paz de qualquer um.

Um dos maiores favores que poderemos fazer a nós mesmos, nesses casos em que alguém se encarrega de carregar o ambiente com fofoca e outros tipos de maldade gratuita, sempre será lutarmos contra a nossa vontade de explodir, para que não nos desequilibremos por conta de seres desprezíveis.

Quanto mais esquentarmos a cabeça, quanto mais tentarmos esbravejar e mostrar descontentamento, menos fortalecidos ficaremos, uma vez que o esgotamento emocional acaba por trazer danos também ao nosso físico.

Tentar argumentar com quem não ouve ninguém além de si mesmo sempre será uma tarefa inglória e qualquer batalha que tentarmos travar contra suas maledicências não surtirá resultados dignos, uma vez que essas pessoas só trazem sujeira e inverdade aos ambientes, pois é somente isso que possuem dentro de si, é somente isso que têm a oferecer.

Jamais conseguirão assumir o mal que carregam, simplesmente porque não possuem caráter suficiente para arcar com o que dizem e/ou fazem.

Apesar de se tratar de um esforço sobre-humano, manter a calma, o ar de que não percebemos nada nem nos importamos com as tramoias alheias nos poupará de muitos dissabores e de atitudes inúteis de tentar por em ordem a desordem moral de quem age sem pensar nos sentimentos de ninguém.

Porque quem age de forma vil e antiética tem o coração vazio, sendo incapaz de demonstrar arrependimento e de pedir desculpas a quem quer que seja, afinal, posam como se nunca fossem culpados de nada.

Leva muito tempo para nos acalmarmos, após termos entrado em meio a tempestades que não foram por nós provocadas, ou seja, sabermos nos desviar dos contratempos que envolvem inverdades sobre nós, enquanto mantemos o semblante em estado de serenidade, é a atitude mais adequada a ser tomada.


Não tem outro jeito, aliás, não existe nada melhor do que voltarmos olhos serenos na direção dos redemoinhos em que os próprios infelizes se afogam sozinhos.


Retirado do Site:

http://www.bemmaismulher.com/fazer-cara-de-paisagem-nos-livra-de-muitos-problemas/

quarta-feira, 5 de abril de 2017

MARCO SCHULTZ - ESTAR PRESENTE NO AQUI E AGORA




Vocês já sentiram um encontro sem encontro? 

...ou melhor, já se pegaram num encontro sem presença???

Estar com alguém ou em algum local não significa necessariamente estar presente.


Esse é o tema dessa entrevista sensacional que o Marco concedeu para o Diálogos do Maurício Curi.

Tocou muito meu EU e espero que toque o EU de vocês também, como sempre, seus vídeos são um verdadeiro presente para a gente!

Namastê





MARCO SCHULTZ - Diálogos 298 com Maurício Curi


Neste episódio o bate-papo foi com o professor de yoga Marcos Schultz, recém chegado da Índia.

REFERÊNCIAS

Simplesmente Yoga - Marco Schultz:


Site do documentário EU MAIO

PRODUÇÃO & LICENÇA
Produzido na Vila Madalena sob Licença Creative Commons (http://creativecommons.org/licenses/b...) por Maurício Curi, que é contador de estórias, inovador social e mentor na co•mo•ver.

Para saber mais sobre as jornadas de desenvolvimento e autoconhecimento conduzidas pela Maurício, acesse http://comover.se

PRODUÇÃO & LICENÇA
Produzido na Vila Madalena sob Licença Creative Commons (http://creativecommons.org/licenses/b...) por Maurício Curi, que é contador de estórias, inovador social e mentor na co•mo•ver.

Para saber mais sobre as jornadas de desenvolvimento e autoconhecimento conduzidas pela Maurício, acesse http://comover.se

terça-feira, 4 de abril de 2017

Superinteressante MEDITAÇÃO - MELHOR QUE MORFINA

Oi gente,

No post de hoje vamos conhecer alguns tipos de meditação.

Eu adorei a meditação metabavana, vou testar e se funcionar voltarei aqui pra contar pra vocês ;)

Beijos no coração

Namastê




A imagem mais comum de monges, budistas e meditadores profissionais costuma ser a de sujeitos serenos e que não se abalam fácil diante de adversidades. Mas será que  essa atitude se mantém diante de uma queimadura aguda ou uma dor lombar que tira o humor de qualquer um?
Será que a meditação serve para trazer algum alívio, como outras terapias como acupuntura, hipnose, placebo ou mesmo a morfina?
Pesquisadores americanos resolveram passar essas dúvidas a limpo.

No primeiro estudo, realizado na Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte, 7S voluntários saudáveis foram divididos em quatro grupos. O primeiro recebeu um treinamento de quatro dias (20 minutos diários) de mindfulness e uma dose de naloxona, uma substância que bloqueia os receptores de opioides naturais do corpo, como as endorfinas, fazendo com que os nossos analgésicos naturais não funcionem. 

O segundo tomou a droga e passou por aulas falsas de meditação (eles foram orientados a se concentrar na respiração sem outras dicas); o terceiro recebeu instruções reais e um medicamento placebo, e o quarto recebeu o falso treinamento e placebo. Todos os grupos foram submetidos a exames de ressonância magnética enquanto recebiam um estímulo doloroso. Um pedaço  da perna dos voluntários foi exposto a um calor de 4S •C durante cinco minutos, sensação que beira o insuportável para qualquer um.

Durante o exame, eles tinham de dar notas ao  desconforto sentido.

MAIS OHM, MENOS AI    Fadel Zeidan, professor de neurobiologia e líder da pesquisa, notou que o índice de dor física caiu 27% e a sensação emocional de desconforto 44 % no grupo que meditou para valer e tomou analoxona. Ou seja, a meditação havia funcionado mesmo em pessoas sem seus analgésicos naturais. Os índices de desconforto também foram reduzidos em 21 % no grupo que só meditou e tomou placebo. Em comparação, os grupos que receberam.



ZAZEN

Significa literalmente "sentar zen" - zen vem do sânscrito e descreve um estado meditativo profundo. Para alcançar esse estágio, é preciso seguir alguns passos. Primeiro, procure um local tranquilo, nem muito claro nem muito escuro, nem muito quente nem muito frio. Você pode se sentar em posição de lótus, em um banco ou cadeira, desde que sua coluna esteja ereta, e o queixo voltado levemente para baixo para a cervical permanecer reta.

Para se certificar de que está com o corpo alinhado, note se suas orelhas ficam em linha com os ombros e o nariz, em linha com o umbigo. Depois disso, inspire e esvazie os pulmões, soltando todo o ar pela boca. Repita três vezes. Relaxe qualquer parte do corpo que carregue tensão. Em seguida coloque as mãos no mudra cósmico. 

A posição consiste em posicionar a mão direita embaixo, com a palma voltada para cima, e as costas dos dedos da mão esquerda repousando sobre os dedos da direita, mantendo a mão esquerda com a palma para cima. Depois, encoste levemente os dois polegares, como se houvesse uma folha de seda entre eles:
suas mãos devem formar uma elipse, assim como os planetas em torno do Sol (como na ilustração acima). Para os budistas, é como ter o cosmos em suas mãos. Coloque a ponta da língua no palato superior, tocando de leve atrás dos dentes frontais - o objetivo é criar um canal de comunicação de energia e evitar o excesso  de salivação. Mantenha os olhos entreabertos, pousados a cerca de um metro e meio de distância num ângulo de 45 graus.

Assim, sem pensar e sem não pensar, sente-se calmamente por alguns minutos. Existem pessoas que ficam até 40 minutos nesse estado. Mas você pode adaptar à sua realidade. Como foco, use a respiração. Perceba também seus batimentos cardíacos. Ouça todos os sons, próximos e distantes. 

Sinta as fragrâncias do ambiente ao redor. Perceba o ar, sua textura, sua temperatura. 

A luz e a sombra que se formam onde seus olhos estão pousados são também percebidas. Verifique sua postura, a posição das mãos, da coluna, da língua e oxigene as áreas de tensão. Perceba seus pensamentos. Como se formam e desaparecem. Veja se pensa em formas, palavras, música, cores, imagens. Qualquer emoção que surja deve ser notada. Assim como seu término. Para evoluir no zazen, você não deve ficar pensando ou percebendo o tempo todo. O objetivo da técnica é centrar o indivíduo em si mesmo e no Universo. 

Basta endireitar a coluna e respirar conscientemente. E lembrar de que só existe o momento presente.


KUNDALlNI

É a meditação do anoitecer, irmã da meditação dinâmica, também criada por Osho. São quatro estágios de 15 minutos cada um, acompanhados por música, que serve de guia. Na primeira, o praticante deve deixar o corpo tremer: braços, pernas, cabeça, e sentir as energias subindo pelos pés. Na segunda etapa, a ordem é dançar da maneira que quiser. Na terceira, é hora de fechar os olhos e ficar imóvel, sentado ou em pé. Se for difícil, concentre-se na respiração. Na quarta e última etapa, ainda de olhos fechados, desligue a música, deite-se e permaneça imóvel. É a meditação da sensualidade e do magnetismo, segundo o mestre Osho.


VIPASSANA

A vipassana também é chamada de meditação insight. É uma das técnicas mais antigas da Índia
e ensinada por Buda. Na vipassana, o praticante. presta atenção às sensações e aceita -as como elas são.
Por isso, é muito semelhante ao rnindfulness, já que a atenção plena faz parte também da vipassana. O praticante deve ficar no momento presente, estar atento ao que ocorre na mente
e no corpo aqui e agora. O jeito mais popular para aprender essa meditação é por meio
de um retiro de dez dias organizado por fundações criadas pelo professor nascido na Birmânia Satya Narayan Goenka, morto em 2003. Em linhas gerais, o método requer que o praticante sente confortavelmente com as costas retas e relaxadas, feche os olhos e preste atenção no
ar que entra e sai das narinas. A mente vai distrair. Aceite e deixe que pensamentos,
imagens e emoções venham. Ao se dar conta da distração, traga a mente de volta à respiração. Depois, volte a atenção a cada um dos cinco sentidos e ao pensamento. A prática também instrui a fazer anotações mentais, ou seja, dar nomes aos pensamentos e sensações que invadem a mente.


SHAMATA

Tipo de meditação budista, o objetivo imediato do shamata é o bem- estar. O indivíduo deve se manter calmo e relaxado, em posição de lótus, com os olhos abertos em 45 graus. O segundo passo é focar num objeto ou imagem e prestar atenção na respiração, cada vez mais longa.
A shamata não requer a entoação de um mantra, mas exige que o praticante fique desperto de modo tranquilo, relaxado, um desafio ao qual não estamos acostumados. Para os budistas, essa é uma forma de acessar a felicidade, considerada uma condição natural da nossa mente.
Mas atenção: mantenha-se na posição o máximo que conseguir sem dor. Caso sinta algum desconforto, interrompa imediatamente.


A MEDITAÇÃO DAS 6 ENERGIAS

A meta desta técnica budista é aumentar o grau de consciência do corpo.
É preciso pensar em cada umas das seis energias conceitualmente.
São elas: terra, água, fogo, ar, éter e espaço.
Você direciona o pensamento para a ideia que elas representam. O objetivo é adquirir
consciência de cada parte do corpo.
Para iniciar, aplique os mesmos hábitos da shamata.
Sente-se confortavelmente com pernas cruzadas e, em seguida, comece a mentalizar um por um os elementos:

PASSO A PASSO 

I. TERRA
Não tem nada a ver com a terra em si, mas com sua representação de firmeza, solidez e estabilidade. Sinta que sua coluna está firme, porém sem tensão.

2. AGUA
Sem tensão, seu corpo ganha leveza. Mentalize esse conceito de frescor para aliviar ainda mais os focos de nervosismo. Sinta um calor e um formigamento percorrer todo seu corpo, pele, cabelo, mãos, pés, pernas, tronco, cabeça, dentes.
Fogo, no budismo, é o agente principal da cura.

3. AR
Mentalize a energia que impulsiona a própria respiração, o princípio que ativa o inspirar e o expirar.

4. ÉTER
Sinta-se livre e calmo, mantendo os olhos abertos.

6. ESPAÇO

Imagine-se dentro e parte de um espaço amplo e não mais confinado, sinta-se parte do mundo. A gente sabe que vive num lugar gigante, mas dificilmente foca nesse aspecto.


ENSINADA POR BUDA, A MEDITAÇÃO METABAVANA CONSISTE EM DESEJAR BEM ESTAR A QUEM VOCÊ ODEIA. SENTADO, BASTA REPETIR OITO FRASES. COM A PRÁTICA, GARANTEM OS BUDISTAS, SEUS INIMIGOS NÃO VÃO MAIS INCOMODÁ-LO TANTO.


METABAVANA

Era uma prática ensinada pelo próprio Buda. Consiste em desejar a felicidade para quem você gostaria de ver pelas costas. Isso mesmo: para a pior pessoa do mundo.

É claro que você pode começar em etapas, desejando o melhor para quem está realmente precisando de ajuda. Mas o verdadeiro desafio da técnica é enviar os melhores desejos para alguém com quem você não tenha um bom relacionamento: desde chefe, passando por sogra, vizinho, filho, ex ou aquele médico que errou o seu diagnóstico. Você pode estar em posição de meditação ou repetir as oito frases abaixo a qualquer momento do dia, à distância - ou seja, não é preciso estar diante da pessoa em questão.

O metabavana é uma espécie de tratamento de choque para resolver as causas mais profundas de sofrimento psíquico e físico. "Você ganha uma autonomia de energia.
Seu chefe, sua sogra ou seu ex-marido não vão mais perturbá -10 tanto" , garante o lama Padma Samten.

Os budistas sabem que relacionamentos mal resolvidos são uma das principais fontes de stress, a origem de um grande número de doenças. 


REPITA QUANTAS VEZES DESEJAR O MANTRA:

Que (preencha com o nome da pessoa) encontre a felicidade Se liberte do sofrimento
Encontre as causas da felicidade
Se liberte das causas do sofrimento
Se purifique de todo karma
Encontre a lucidez
Possa de fato beneficiar os seres

E veja nisso a fonte de toda alegria, felicidade e energia


KIRTAN KRIYA

Envolve a repetição do mantra saa, taa, naa, maa, que pode ser pronunciado em voz alta,
em silêncio ou incorporado a uma música.

As sílabas se referem aos sons considerados primordiais para os hindus. Saa é infinito;
taa, vida; naa, morte; e maa, renascimento, em sânscrito. A meditação ainda envolve
outra tarefa: movimentos ritmados com os dedos. Na sílaba saa, toque o dedo indicador
no polegar; em taa, o dedo do meio; em naa, o dedo anelar; e em maa, o dedo mínimo no
polegar, e repita a operação por até 12 minutos, todos os dias, se possível.

O praticante deve pressionar as pontas dos dedos umas contra as outras a ponto de deixá-
Ias levemente esbranquiçadas. Na tradição asiática, esse tipo de gesto é chamado de
mudras e se assemelha ao movimento dos dedos no terço católico.





quarta-feira, 29 de março de 2017

ESTUDO: VIVENDO A ÉTICA DO YOGA - Yama e Niyama


Este é um assunto importante e delicado, que sempre se menosprezou. Ao que parece, os yogis do século XXI estão tão ocupados nos seus misteres, que esqueceram ou passaram a considerar desnecessário deter-se em detalhes aparentemente insignificantes como não mentir ou cultivar o contentamento. 

Se você não tiver tempo ou disposição para agir conforme a ética do Yoga, tampouco terá tempo nem atitude para praticá-lo. Por outro lado, é desconfortável falar sobre estes assuntos, porque ninguém gosta de reconhecer-se como mentiroso ou ladrão, para dar os exemplos mais desagradáveis. Ao invés de ver quem vai atirar a primeira pedra, lembremos que yama e niyama são os dois primeiros passos da caminhada, condição indispensável para que a prática dê resultados concretos.

YAMA significa controle ou domínio. É o pontapé inicial.
Os yamas são as cinco proscrições:
1-      não usar nenhum tipo de violência (ahimsá);
2-     falar a verdade (satya);
3-     não roubar (asteya);
4-    não desvirtuar a sexualidade (brahmacharya);
5-     e não se apegar (aparigraha)
Esses refreamentos pretendem purificar o yogin, aniquilar a subjetividade advinda do egocentrismo e prepará-lo para os estágios seguintes.
Desempenham o controle dos impulsos naturais, que se manifestam através dos cinco órgãos de ação (karmendriyas): braços, pernas, boca, órgãos sexuais e excretores.

NIYAMA, as prescrições psicofísicas, compreendem cinco disciplinas:
1-      shauchan a purificação;
2-     santosha o contentamento;
3-     tapas austeridade ou o esforço sobre si próprio;
4-      swádhyáya o estudo das escrituras do Yoga e de si próprio;
5-     Íshvara pranidhána a consagração a Íshvara, o arquétipo do yogi perfeito
Essas atitudes cumprem a função de domínio sobre os cinco órgãos da percepção (jñánendriyas): olhos, ouvidos, nariz, língua e pele. Esse controle dos sentidos aponta à organização da vida pessoal do praticante.

Ahimsá, a não-violência, entende-se como não matar, não agredir, nem causar nenhum tipo de dor a nenhum ser vivo. Os outros quatro yamas são corolários, conseqüências naturais da não-violência. Vyasa, comentando o sútra II:30 de Patañjali, diz:
Ahimsá é abster-se de ferir qualquer ser, a qualquer momento e de qualquer maneira. A verdade e as outras formas de refreamento e observâncias se baseiam no espírito da não-violência.

Satya, a verdade, consiste em fazer coincidir pensamentos, palavras e atos, o que deve entender-se como evitar a falsidade em todas suas formas, tanto nas relações do yogin com as pessoas quanto dele consigo próprio.
Satya é procurar sempre a verdade, independentemente de aonde essa busca possa nos levar. Entretanto, Vyása esclarece:
A palavra pronunciada com o propósito de comunicar o próprio pensamento a outrem é verdadeira, desde que não engane ou confunda. A palavra deve pronunciar-se não para ferir, mas para beneficiar. Porque, se ferir, não produzirá harmonia, apenas sofrimento.

Ou seja: a verdade, por mais verdadeira que seja, não dói.

Asteya 
significa não roubar, não cobiçar ou invejar bens ou conquistas de outrem. Não é apenas não roubar, mas eliminar totalmente o impulso de apoderar-se de objetos (ou idéias) alheios. Vyása ensina:
Steya significa pegar ilegalmente coisas pertencentes a outrem. Asteya é abstenção dessas tendências, mesmo que em pensamento.

Brahmacharya, o não desvirtuamento da sexualidade, pode interpretar-se tanto como total e absoluta abstinência sexual quanto não dissipação da energia através do orgasmo. Em ambos os casos pretende-se, embora por meios diferentes, refrear a força geradora, a fim de entesourá-la para a evolução no sádhana.
Emprega-se hoje a palavra brahmacharya com o significado de casto, mas a castidade é uma noção ambígua. Nenhum homem é casto, já que de uma maneira ou de outra emite periodicamente seu sêmen, nem que seja dormindo. O que é proibido ao brahmacharin não são as práticas sexuais, são os vínculos e particularmente os atos reprodutores, que, por suas consequências, o ligam à sociedade, privando-o da sua liberdade. O brahmacharin não deve ter relacionamentos que impliquem riscos de concepção. Deve ser, de qualquer modo, econômico com seu sêmen, consagrando-se ao estudo. Alain Daniélou, Shiva e Dionisos, p. 98.

Aparigraha, a não possessividade, traduz-se em generosidade e desapego em relação não apenas aos bens materiais, mas também às relações afetivas. O apego nos tira da sintonia necessária para praticar. Vyása esclarece:

Aparigraha significa desistir de cobiçar, considerando que a cobiça e o acúmulo causam problemas, que as coisas estão sujeitas à decadência e que a associação com elas causa desconfiança e rancor. 

Shauchan é a purificação. A purificação externa inclui alimentação vegetariana, exercícios de purificação orgânica (como a lavagem das vias respiratórias e dos aparelhos digestivo e excretor), e manter limpo o ambiente em que se vive. Um organismo poluído por hábitos impróprios como o uso de drogas ou alimentação intoxicante gera comportamentos e condicionamentos contraproducentes para a prática do Yoga. A purificação interna inclui a eliminação das impurezas do pensamento. As técnicas mais refinadas de purificação são tattwa shuddhi e chitta shuddhi (antar mouna).

Santosha, o contentamento, consiste em cultivar um estado interior de permanente alegria, independentemente das circunstâncias externas, o que facilitará muito o progresso na prática. Lembre que o melhor surfista não é o que surfa a maior onda: é o que tem o maior sorriso nos lábios. O melhor yogi não é o que faz o exercício mais complicado: é aquele que sabe viver melhor sua vida (o que está estreitamente vinculado com o tamanho do sorriso).

Tapas é calor, ascese, determinação, força de vontade concentrada, austeridade, esforço sobre si próprio: "produz a destruição das impurezas, o que conduz ao aperfeiçoamento da sensibilidade corporal". O objetivo desse esforço sobre si próprio é atingir um estado de purificação que permita ao indivíduo tomar posse do seu corpo, indo além dos limites impostos pela percepção limitada da realidade. "Uma linguagem que não fira, verídica, amigável e benéfica, o estudo regular das escrituras, tal é o tapas da palavra. A serenidade e clareza de espírito, a doçura, o silêncio, o autodomínio, a total purificação do caráter, tal é o tapas consciente."

Swádhyáya é o estudo da metafísica do Yoga e de si próprio; abrange não apenas o autoconhecimento através da reflexão sobre a sabedoria das escrituras (shastras), mas também a aplicação prática desse conhecimento. O swádhyáya alarga os horizontes do intelecto, enriquece e estimula a prática. O japa, a repetição de um mantra com fins de meditação, também pode considerar-se swádhyáya. Diz o Vishnu Purána, VI:6.2:

Do estudo deve-se passar ao Yoga.
Do Yoga deve-se passar ao estudo.
Pela perfeição no estudo e no Yoga, a Consciência Suprema se manifesta.
O estudo é um olho com o qual o Ser se percebe.
O Yoga é o outro.

Íshvara pranidhána, é a consagração a Íshvara (Senhor), entendido como o arquétipo do yogi, o modelo ideal a ser seguido pelo praticante. Íshvara pranidhána também significa entregar as ações e seus frutos a uma vontade superior à própria. Pode entender-se como auto-aceitação no momento presente ou ainda como serviço à Humanidade. A melhor definição de Íshvara pranidhána está na Bhagavad Gítá:

Bhavitam bhavati eva.
"Aquilo que tiver que ser, será".
Esse mesmo shástra ainda afirma que "o seu dever é agir, sem procurar recompensas pelo que você faz".
Íshvara pranidhána pode também incluir práticas que tenham como resultado o controle dos órgãos dos sentidos. Por exemplo, a prática de ásanas pode ser usada para controlar as mãos e os pés, o que vai facilitar a permanência nas posições sentadas.

Poucos livros ou escolas de Yoga hoje em dia, e ainda menos no Ocidente, dedicam-se a ensinar os yamas e niyamas. Uma pequena reflexão sobre eles revela sua importância na manutenção da "ecologia" social e individual. Através da prática destes preceitos se estabelece uma convivência pacífica, harmoniosa e feliz na sociedade. É por essa razão que Patañjali os chama sárvabhauma, supremos ou universais, pois eles valem para todas as pessoas e em todas as circunstâncias.

Se diz que o Yoga torna o indivíduo egoísta e apolítico. Mas, o que verdadeiramente acontece, é que o Yoga desprograma os condicionamentos resultantes das ideologias, as tradições ou os valores impostos pela sociedade. Ensina o indivíduo a ser ele mesmo e dá uma liberdade que está além dos preconceitos e formas de comportamento estabelecidas pela sociedade. Paradoxalmente, desenvolve ao mesmo tempo uma consciência de solidariedade com a sociedade em que o indivíduo percebe o planeta e a raça humana como uma unidade. É uma verdadeira revolução interior.

Cada parte do Yoga tem um propósito definido. Esses dois primeiros passos não são específicos dele, mas configuram uma base de purificação mental, psíquica e física que resultará indispensável nas etapas posteriores. O Yoga não é moral nem moralizante: estas prescrições possuem uma função meramente utilitária e, embora possam funcionar como códigos para facilitar a convivência social, somente se praticam em função do objetivo final.
Os conceitos do Bem e do Mal não determinam a conduta do yogin; a única causa do seu comportamento é o titânico esforço sobre si próprio necessário para viver os yamas e niyamas, e o resultado desse esforço, a libertação que consegue pelo samádhi.

A primeira palavra que aparece no Yoga Sútra é atha, que significa agora. Agora, a seguir, depois que algo já foi ensinado. Isso, porque o Yoga não é para iniciantes. Por isso que existem os yamas e niyamas. Você não conseguiria, e praticamente ninguém, seguí-los à risca. Mas mesmo assim pode usar o Yoga. Porque está escrito nas Upanishads:

Yata Brahmande tata pindade.
"Assim como é no Universo, assim é também no ser".
Essa última afirmação pode parecer misteriosa. Mas, como colocar realmente os yamas e niyamas em prática? Talvez você possa concordar comigo em que discorrer sobre a ética é teoricamente muito interessante, mas impossível de aplicar-se na prática por seres humanos normais, porque os yamas e niyamas são para santos, mas o Yoga é para gente como nós.
DICA:  Na verdade, você não precisa seguir todos os yamas e niyamas ao mesmo tempo. Escolha apenas um, e mantenha-o a qualquer preço. Os outros virão sozinhos.

Pessoalmente, escolhi satya, a verdade. Nós mentimos o tempo todo, sem perceber, gratuitamente. Mentimos para a nossa família, para os nossos amigos, para as pessoas com quem nos relacionamos no dia-a-dia e, principalmente, para nós mesmos. E, quanto mais se mente, mais se reforça o vritti e o hábito de mentir, o que é um obstáculo intransponível se se quiser realmente avançar na prática.

O filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein disse que "quem sabe demais acha difícil não ter que mentir". Em certas circunstâncias, ele tem razão: às vezes, a responsabilidade de lidar com a verdade pesa bastante. Mas isso não significa que você passará a usar a "verdade" para agredir os outros "por seu próprio bem". Porque a verdade pura, aquela que vêm do coração, não machuca nem dói. Vou lhe contar a história do ladrão e o rei.
 
A história do ladrão e o rei

Uma vez, um ladrão quis aprender Yoga. Foi visitar um mestre e disse-lhe que queria praticar, mas que era ladrão, bêbado e mentiroso. O mestre falou dos yamas e niyamas, e disse que, para começar, deveria escolher um yama ou um niyama e ater-se a ele. O ladrão pensou: "minha profissão é roubar. É o que sustenta a minha família, portanto, fora de questão seguir asteya. A bebida é a minha única fonte de prazer, e tampouco vou largá-la. Ou seja, que nem shauchan nem tapas. Mas, deixar de mentir não vai me custar tanto. Vou seguir satya." E assim foi que ele decidiu falar somente a verdade.

Uma noite, o nosso ladrão foi roubar o palácio real. Eis que o rei estava passeando pelo jardim após um dia entediante, buscando algo que lhe tirasse o vazio existencial. Os dois se encontraram e o rei pergunta: "quem é você?". O ladrão disse a verdade: "sou um ladrão e vim roubar o tesouro real."

O rei viu ali a possibilidade de viver a emoção e a aventura que estava procurando desde cedo, e então falou: "eu também sou um ladrão. E sei onde se guarda a chave da sala do tesouro. Façamos juntos o trabalho e dividamos o lucro". O ladrão concordou.

Os dois aventureiros entram no palácio, chegam na sala e dividem o tesouro. Porém, acham três enormes diamantes, que não podem ser divididos sem beneficiar um deles mais do que o outro. O ladrão, apelando para aquela generosidade que ocasionalmente conseguem ter os da sua profissão, diz: "fiquemos com um diamante cada, e deixemos o terceiro para o rei. Afinal, coitado, ele acabou de perder tudo." Ao separar-se no jardim, o rei pergunta ao ladrão onde ele mora, e fala da possibilidade de contatá-lo novamente para futuros "trabalhos". O ladrão fala a verdade.

No dia seguinte, o rei vislumbra a possibilidade de testar seu primeiro ministro. Chama-o e diz: "ontem à noite tive um sonho estranho. Sonhei que o tesouro fora roubado. Vá à sala conferir, pois um pressentimento está oprimindo meu coração."

O ministro entra na sala, vê o diamante que sobrou e pensa: "o nosso rei perdeu absolutamente tudo. Este único diamante não fará nenhuma diferença". Esconde a pedra preciosa sob a túnica e volta à sala do trono, dizendo que, efetivamente, o tesouro inteiro foi roubado. O rei manda prender o ladrão. Ao ser interrogado na frente do ministro, conta o acontecido: desde o encontro com o "colega" de profissão até o detalhe do diamante que eles deixaram na sala.

Desta forma, o rei descobre que o seu ministro não é de confiança, pois mente e rouba. Manda prendê-lo imediatamente. E, em seu lugar, nomeia primeiro ministro seu novo amigo, o ladrão. Este, dada a sua nova ocupação, deixou de roubar. E, como passou a ter outros prazeres, deixou igualmente de beber.

Ou seja, se você também escolher e seguir apenas um dos yamas e niyamas, os outros acontecerão sozinhos. Se quiser, tome essa escolha como um exercício temporário, digamos durante algumas horas, dias ou semanas, para observar a suas próprias reações. Se, por exemplo, você escolheu seguir a não-violência e sentiu dificuldades, ou não ficou conforme com o resultado, há ainda as outras possibilidades.

Depois que você conseguir a firme resolução de continuar com a sua decisão, verá que fica mais e mais fácil mantê-la, em qualquer circunstância. O convite está feito.
Mas lembre que isto deve ser tomado como puro sádhana no dia a dia, e que deve servir como objeto de observação de si próprio, a cada momento, para treinar e testar o seu nível de consciência e a sua atenção, e ver como você reage ao seu próprio karma. 

Ver Mais:

terça-feira, 28 de março de 2017

Superinteressante MEDITAÇÃO - IMPACTO PROFUNDO



Em 2007, cientistas norte-americanos iniciaram a mais ambiciosa pesquisa sobre meditação já feita. Eles colocaram anúncios em revistas budistas para recrutar voluntários dispostos a passar três meses num retiro espiritual intenso. Quem topou a parada foi enviado ao Centro Shambhala, situado no topo das montanhas do Estado do Colorado, EUA, num lugar feito para a contemplação. Quem os orientava era Alan Wallace, que viveu 14 anos como um monge budista tibetano. As técnicas de meditação ensinadas por Wallace focavam em três princípios: acalmar o corpo, organizar a mente e iluminar a consciência. Além disso, os participantes eram encorajados a cultivar valores como bondade, empatia, sensatez e compaixão.

As sessões de meditação nas montanhas coloradas duravam de cinco a dez horas por dia. Durante três dias corridos, os participantes faziam meditações focadas na respiração e sensações. Depois, mudavam a técnica para adquirir" consciência da consciência" , e assim por diante. As práticas só eram interrompidas para que os participantes pudessem ser entrevistados pelos pesquisadores e respondessem questionários diários, nos quais apontavam o tempo e o tipo de meditação, o humor, as sensações, os insights e os sonhos que tinham.

Durante o retiro, as cabeças quase totalmente raspadas dos budistas das mais variadas origens receberam centenas de eletrodos para avaliar as mudanças cerebrais.
Os cientistas da Universidade da Califórnia queriam responder a perguntas como: é verdade que a meditação aprimora também a capacidade da pessoa de lidar com emoções ruins? E que ela se torna mais resiliente a situações de stress e mais afável às relações com os outros? Essas mudanças persistem depois que os voluntários saem do retiro e voltam à agitada vida moderna?

A hipótese dos investigadores era a de que os três meses de treinamento iriam melhorar o desempenho cerebral em geral. As medidas foram tiradas no início, no meio e ao final do período do estudo. A maior parte dos testes media habilidades cognitivas. Mas os participantes fizeram também uma série de exames de sangue. Foram avaliados hormônios e biomarcadores associados ao sistema imune para entender afinal qual é a relação entre as mudanças neuronais, cognitivas e a biologia. Foi aí que o Projeto Samatha, como foi batizado, revelou algo inédito. A psicóloga Elissa Epel, psiquiatra da Universidade da Califórnia de São Francisco, descobriu que a meditação alterava os cromossomos, especificamente nos telômeros, estruturas formadas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA.


Os telômeros funcionam como uma espécie de cronômetro regressivo do sistema imune. 

Cada vez que uma célula se divide, seus telômeros diminuem de tamanho ao mesmo tempo que uma enzima, chamada telomerase, reconstrói as estruturas. Quando os telômeros ficam muito pequenos, a célula perde sua capacidade de se multiplicar e morre. Pessoas com telôrneros curtos têm mais chances de ter um infarto, sofrer de diabetes, ser obeso, ter depressão e desenvolver doenças degenerativas como a artrite e a osteoporose. Em consequência, morrem mais cedo - até dez anos antes. Em 2009, os pesquisadores Elizabeth Blaék- burn, Jaék Szostak e Carol Greider, responsáveis por descobrir a relação entre os telômeros e o envelhecimento celular, ganharam. o Prêmio Nobel em Fisiologia.

DURANTE TRÊS MESES, MEDITADORES EXPERIENTES,
REUNIDOS NAS MONTANHAS DO COLORADO, EUA, TIVERAM
SEU CÉREBR'O E ORGANISMO AVALIADOS. OS RESULTADOS DO
EXPERIMENTO MOSTRAM QUE A PRÁTICA MILENAR PRESERVA
OS TELÔMEROS, ESTRUTURAS ASSOCIADAS À LONGEVIDADE

Ao final do retiro de três meses, Elissa Epel analisou os cromossomos dos participantes. Assim, descobriu que os meditadores estavam com a atividade da telomerase muito mais ativa na comparação com os voluntários que não me- ditaram. O resultado indicou que seus telômeros ficaram melhor protegidos no período. Em teoria, isso poderia diminuir ou reverter o envelhecimento celular.

O estudo foi o primeiro a sugerir que a meditação pode ter um papel-chave em prolongar nossos anos de vida na Terra. A prática rnilenar faz isso justamente porque nos ajuda a lidar com situações de ansiedade (leia mais nas págs. 26 e 27). A própria Elissa descobriu, em outro experimento, que o stress está associado a telôrneros mais curtos nos leucócitos e uma atividade menor da telomerase.

Os estudos de Elissa foram pioneiros. Mas, em 2013, Elizabeth Hoge, da Escola de Medicina de Harvard, trouxe mais uma evidência do impaéto da meditação sobre o DNA celular. Ela descobriu que quem praticava a meditação da compaixão tinha também telômeros mais longos em comparação com quem não meditava. Uma sessão intensa da prática em um único dia já seria capaz de mudar a forma como os nossos genes se expressam – ou seja, como produzem substâncias boas ou ruins para o organismo.