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quinta-feira, 18 de junho de 2020

AYAHUASCA V1: desejos, necessidades e apegos

Oi gente,

Nesse vídeo mostro para vocês como a Ayahuasca trabalha com a gente em forma de vivências. Através dessas vivências, conseguimos absorver o aprendizado. Essa é a primeira parte do vídeos que gravei há cinco anos atras, contando sobre minha experiência no retiro do Instituto Flor de Lótus em São Carlos/SP. Dividi esse vídeos em 6 partes para conseguirmos absorver por completo todos os aprendizados que tive durante esse ritual. Desejar é algo fundamental para a psicologia humana e não há problema em fazê-lo. O real problema está na forma como lidamos com isso. Existe uma grande diferença entre termos desejos e sermos governados por eles. Na vivência com o meu cobertor, a Planta Sagrada me ensina a não ser escravizada pelas nossas necessidades, a diferenciar a voz da mente/ego. A saga do cobertor continua, então não percam os próximos vídeos dessa vivência.

Beijos no coração,

Namastê



quinta-feira, 5 de julho de 2018

AYAHUASCA E AS PESQUISAS CIENTÍFICAS


Após muitos anos consagrando e trabalhando com a Ayahuasca, só podemos ficar muito felizes e animados com a publicação  de várias  pesquisas feitas em instituições sérias e renomadas comprovando os efeitos benéficos desta bebida milenar e sagrada.

Mas não podemos deixar de alertar que as regras continuam inalteradas, as determinações do CONAD não mudaram. Ou seja, não é permitido o uso de Ayahuasca para pessoas portadoras de vários transtornos, como por exemplo:

- Bipolaridade , borderline, esquizofrenia e alguns graus de depressão.
-Tratamentos com medicamentos incompatíveis aos princípios ativos da Ayahuasca.
-Cardiopatias e  algumas doenças crônicas ( somente com autorização de um médico)

E principalmente não é permitido PARAR nenhum tratamento sem o consentimento de um médico, isto pode trazer sequelas e complicações ao paciente.
 
Sempre é pedido que caso tenha algum problema, envie um breve relato do seu caso com antecedência para o coordenador do instituto que você escolheu frequentar, que deve ser responsável e ter a consultoria de algum profissional da área da saúde .

Existem vários caminhos para o despertar, este é um deles. Se a pessoa tiver alguma restrição de saúde  não deve se sentir excluída, deve respeitar seu corpo e com certeza vai achar algo adequado e compatível com o seu momento !

quarta-feira, 27 de junho de 2018

AYAHUASCA: Como funciona os retiros do Instituto Flor de Lotus

Galera,

Muita gente me pede para recomendar um Instituto para Consagrar Ayahuasca que seja confiável.

Tomo muito cuidado ao indicar um Instituto pq. Ayahuasca é coisa séria!... então sempre recomendo os dois únicos Institutos que já frequentei e quando a indicação vem de outros Estados, peço ajuda para meus amigos das mais diversas regiões do Brasil.

Tenham sempre esse cuidado na hora de escolherem um local para se Consagrar a Medicina Sagrada, ok?

Então por falar em recomendação, hoje encontrei um vídeo muito legal do
Instituto Xamânico Flor de Lótus falando sobre como funciona seus retiros.

 #ficaadica ai pra vocês:


Mais Recomendações:
Instituto Xamânico Morada do Sol:





segunda-feira, 4 de abril de 2016

Perguntas & Respostas sobre restrições, medicamentos e psicopatologias


 




Oi gente!

Hoje trago perguntas bem polêmicas:

Pergunta 1:


Vivi, faz tempo que quero te perguntar isso... Vi o vídeo da Juliana ontem, "A Ayahuasca é para todos" e fiquei com algumas duvidas. Eu frequento uma igreja Daimista há algum tempo, lá seguimos a linha pura do Mestre Irineu, ou seja, não é permitido ritual de "Santa Maria" (maconha), nem cachimbo sagrado, nada a mais. Somente a bebida sagrada. E lá eles recebem todas as pessoas, sem restrições. Pessoas com depressão, que ainda estão tomando medicação, esquizofrênicos, pessoas com transtorno bipolar, enfim da de tudo mesmo.
Meu amigo fardado há anos nunca viu nada de ruim acontecer. Me disse que ali é uma casa de cura, e todos podem tomar.
Tenho um amigo que tem depressão há anos e TOC também, já foi internado em hospital psiquiátrico várias vezes, toma um monte de  antidepressivos por dia a mais de 10 anos, tem histórico de surto, e tomou Daime no Pronto Socorro lá da Igreja ano passado, sem suspender os medicamentos e está super  bem. Minha pergunta é: pq esta diferença entre as linhas? 
Pq uns dizem que não pode dar o chá pra esta ou aquela pessoa, não pode estar tomando antidepressivo ou antibiótico e no Santo Daime na linha do mestre Irineu, todos consagram a bebida?
Sobre tomar daime fazendo uso de medicamento cheguei a conversar com um fardado da igreja na qual me disse que não teria problema nenhum.
Disse que a espiritualidade da casa trabalha desta maneira, recebendo todas as pessoas sem restrições, e que eles confiam no Daime que eles servem, pq é justamente pra curar as pessoas, que nunca ninguém morreu ou surtou de vez , uma outra pessoa de lá me disse que o Daime age no seu espiritual, e não no seu corpo físico, e que isso que dizem por ai, de quem está tomando antidepressivo ou ansiolítico não poder consagrar o Daime, é tudo conversa de psiquiatra que não quer ver a pessoa se curando, e deixando de dar lucros pra indústria farmacêutica

Essa pessoa disse que viu gente se curando de epilepsia, esquizofrenia, transtorno bipolar e várias outras doenças com o uso da bebida. Pq esta diferença se o Daime ou Ayahuasca é o mesmo?

Vi mais uma vez o vídeo da Ju falando da Ayahuasca e a cura de doenças. Discordo totalmente de algumas coisas que ela disse. Conheço várias pessoas que conseguiram se curar da depressão, e principalmente da dependência química com o uso do Daime. O padrinho da igreja que eu frequento, foi usuário de drogas pesadas durante 13 anos, teve 5 overdoses, e se curou lá no pronto socorro da igreja. Na Conferência de Ayahuasca e Dependência Química que teve em 2011 em SP, ele estava presente. Em um outro céu são mais de 100 fardados e uns 90% eram usuários de drogas. Conversei com um estes dias que usava desde os 11 anos, e no primeiro trabalho de pronto socorro se curou das drogas. Nunca teve recaídas, hj está com 20 anos. Acredito muito no potencial de cura da depressão com o uso da bebida tbm. Pq li em uma matéria da USP que o chá age nas mesmas áreas no cérebro, que os antidepressivos. Dando um "banho de serotonina" em nós. Já um medicamento leva dias pra fazer efeito, e tem vários efeitos colaterais. Se quiser um dia fazer um vídeo sobre isso, vou adorar haha E sobre a esquizofrenia, juro pra vc que um amigo disse que já viu uma pessoa que até falava coisa com coisa, e no final do trabalho, conversar como uma pessoa normal




Pergunta 2:

Boa noite iluminada ... Agradecido por ter aceito convite. Tenho visto alguns vídeos seu e achei muito coerente suas idéias . Venho pesquisando sobre a ayahuasca algum tempo por motivo de doença ... Tenho depressão, meu caso é genético e na minha família existe caso de esquizofrenia . Nunca fui a médico e não gosto muito de remédio farmacêutico... Será recomendável ou não meu caso com relação ao chá ?






Para completar, deixo aqui a Palestra de Luís Fernando Tófoli, psiquiatra, Prof da UNICAMP, sobre as pesquisas em torno da ayahusca, seus impactos positivos na saúde, potenciais terapêuticos e riscos relacionados a este uso. Esta palestra aconteceu durante o II Simpósio de Plantas Medicinais em psiquiatria, organizado pelo CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), dia 5 de novembro de 2013. Filmado, editado e disponibilizado por Plantando Consciência com permissão dos organizadores e da palestrante.



Beijos no coração

Namastê

sexta-feira, 11 de março de 2016

Os perigos da Ayahuasca




por Eduardo Alves

Os perigos da Ayahuasca!

Não quer mudar, não tomem esse chá!

É bom esclarecer os efeitos dessa Sagrada Medicina. Um dos primeiros efeitos nocivos da Ayahuasca, é derrubar os véus e as cortinas que nos impedem de enxergar tudo que nos cerca com nitidez, tudo vai se tornando claro e é impossível não perceber que a Matrix realmente existe, que somos manipulados e conduzidos a acreditar e fazer tudo conforme um padrão de pensamentos e ações (e a mídia é um instrumento eficiente). Sim, a ayahuasca te incita a mudar, ela te chacoalha inteiro e faz você escolher qual caminho você deseja seguir e escolher o caminho oposto do senso comum, é muito, mas muito difícil mesmo, mas é uma escolha pessoal e consciente.

Fuja da Ayahuasca! Ela vai te fazer parar de beber, fumar, se drogar, vai te mostrar que você deve se importar com o que você ingere, de como você se alimenta e cuida do seu corpo e sua saúde. Não fazer mais o mesmo que antes, assusta e incomoda as pessoas, porque é um absurdo social você não mais beber, não comer mais carne e questionam, por quê isso? Deve ser esse chá que você está tomando, você está ficando louco! Estou louco sim, não quero a "sanidade" que conduz essa humanidade tão egocêntrica e nociva.

Alucinógeno! Quem não conhece só pode dizer que é um alucinógeno, para difamar o chá e quem dele comunga, só mais um ato de desinformação vinda de desinformados. Claro que causa alucinações, esse "chá dos índios" faz você perceber que quem vive corretamente são os índios, os nativos que buscam viver em harmonia com a natureza, respeitando a vida tão abundante dentre esse vasto jardim chamado Terra, respeitando os seus ciclos e tudo o que ela oferece de alimentos, de ensinamentos e de curas, ou não é na natureza que estão todos as curas?

A partir do que são desenvolvidos os medicamentos? Não seriam das plantas? Só porque você compra na "Drogaria" não vem da natureza? Mais fácil confiar numa indústria que tira a planta da terra, leva para o laboratório, cria a doença e o medicamento e faz propaganda sobre, do que confiar nas plantas que não te pedem nada em troca, simplesmente existem pra te auxiliar, estão ali, disponíveis, apenas são o que são.

PERIGO! O status quo começa a não fazer mais sentido, ganha força dentro de você uma necessidade de despertar a sua essência, o seu EU perdido, escondido sobre tantas cortinas de mentiras, paredes e quilos e mais quilos de concreto, você agora deseja ser livre e verdadeiro, ser quem realmente você é, resgatar sua verdade interior, sem que o senso comum te conduza, agora você quer sentir e agir, ao invés de só seguir o fluxo.

Em um mundo doente, onde as pessoas se drogam constantemente e ignoram esse fato, quando algo começa a ter um efeito oposto, o de fazer você deixar de se drogar, gera um incomodo tão grande em quem ainda segue o fluxo do ideal de mundo são, onde impera o ódio, o rancor, a ignorância, a arrogância, pensar em buscar viver em amor e harmonia é coisa de louco.

Eu já vi a Ayahuasca curar muita gente, inclusive eu, acontece mesmo de pessoas próximas se afastarem de você após o chá, porque a sua mudança é tão profunda que certas coisas passam a não fazer mais sentido e você não querer mais uma vida nociva, é nocivo as suas relações doentes e afasta pessoas que não compreendem que a sua mudança é porque você não quer mais estar preso nas correntes de uma falsa realidade, você deseja a realidade, a vida real.

É pura consciência, todas as mudanças são através da plena consciência, agora se questionem: o mundo está São? O que é a sanidade? Quantas histórias lindas de transformação através da Ayahuasca, Medicina Ancestral que cura alma, mente e corpo, Patrimônio Cultural da Humanidade, ferramenta que trás sanidade para mentes e espíritos doentes.

Agradeço todos os dias por estar caminhando em busca da lucidez e tendo como ferramenta essa poderosa alquimia da floresta, chamada Ayahuasca!

Que seja compreendida e respeitada a dor de uma família, mas fatalidade não tem culpado.

#RespeiteOChá
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por Bia Labate

CASO RIAN

Lamento a morte de Rian e expresso minha solidariedade à família.

Contudo, é igualmente lamentável ver a mídia repetindo velhos estereótipos sobre a ayahuasca. Escrevi bastante sobre isto na época do Glauco (veja http://bit.ly/1M7LITW, http://bit.ly/1M7LMmD, http://bit.ly/1Bt9OGK)

Sem pesquisa, ou nenhum tipo de evidência – por exemplo, detalhes sobre em que condições tomou a substância, quantas vezes, qual foi a última vez, se tinha um quadro psiquiátrico prévio, se havia  co-morbidade etc --, pulam facilmente para a conclusão de que a ayahuasca teria seria responsável pela morte. Ninguém insinua, por exemplo, que poderiam ser os medicamentos antidepressivos, temporadas isoladas na natureza, período de internação, longos jejuns, ou passagem por João de Deus (coisas que Rian também fez) os responsáveis pela morte. A ayahuasca deve ser, obviamente, a causa.

Sabe-se que a ayahuasca, classificada normalmente na família clássica dos “alucinógenos”,  é uma substância forte e poderosa, e pode sim, em determinados casos, envolver reações adversas (assim como outros psicodélicos). Publicamos dois livros que abordam de alguma maneira este assunto: Ayahuasca y Salud (Los Libros de la Liebre de Marzo, 2014) e The Therapeutic Use of Ayahuasca (Springer, 2014). O resultado da pesquisa cientifica é claro: (a) pode sim haver riscos; (b) há inúmeras evidencias de benéficos; (c) os benefícios são muito maiores do que os riscos; (d) o contexto de consumo é fundamental; (e) no Brasil, o uso da ayahuasca ocorre sobretudo em contexto ritual e religioso.

Existe um debate de 25 anos no nosso país a respeito da regulamentação da ayahuasca. A mídia, ao contar histórias como a de Rian, promove um reducionismo ao agir como se nunca tivesse havido uma discussão sobre este tema.

Indo além: ainda que fosse provada uma causalidade entre a morte de Rian e o uso da ayahuasca, a questão da regulamentação ainda se colocaria. Por exemplo, algumas celebridades famosas morreram por conta do uso indevido do álcool. Alguém cogita suprimir a existência do álcool por conta destas tragédias? Não.

A regulamentação do uso da ayahuasca no Brasil é um exemplo de política pública eficaz, que tem influenciado países de todo o mundo. É uma iniciativa única onde o governo se reuniu com praticantes e pesquisadores para chegar a acordos comuns, que funcionassem para todos.

Esta regulamentação poderia ser melhor? Sim, claro. É bom utilizar este triste episódio para pensar concretamente que controles e contextos poderiam ser aprimorados? Sim. Mas a caça as bruxas, o acionar de velhos tabus e estigmas, a associação entre loucura e droga, ou droga e violência, só colabora para atrofiar a realidade existente (uma determinada população que bebe a ayahuasca ou irá beber). Este tipo de mídia faz a discussão voltar para atrás.

Termino compartilhando que realizei pesquisa etnográfica no grupo Porta do Sol em suas origens em São Paulo, retratando-o no meu livro A Reinvenção do Uso da Ayahuasca nos Centros Urbanos (Mercado de Letras, 2014). Minha pesquisa com este grupo é bem antiga, ocorreu entre 1998 e 2000. Atesto que na época encontrei pessoas responsáveis e amáveis, tanto na direção quanto entre os participantes. Não acompanhei de perto os desdobramentos da expansão e diversificação deste grupo.

Antes de vilificar a ayahuasca, como notou um colega, seria importante a mídia destacar a importância de colocar um aviso na praia onde Rian se afogou, pois os moradores da região relataram que o local não é próprio para banho devido à forte correnteza, e não há placa alguma nesta direção.


Bia_Labate_c-org(Beatriz Caiuby Labate) é Doutora em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.  Suas principais áreas de interesse são o estudo de substâncias psicoativas, políticas sobre drogas, xamanismo, ritual e religião. É Professora Visitante do Centro de Pesquisa e Estudos de Pós Graduação em Antropologia Social (CIESAS), em Guadalajara, e Professora Associada do Programa de Política de Drogas do Centro de Pesquisa e Ensino em Economia (CIDE), em Aguascalientes, México. É autora, coautora e coeditora de doze livros, de uma edição especial de um journal acadêmico e de vários artigos indexados. Também é coordenadora e editora de site do NEIP.


quinta-feira, 10 de março de 2016

O que você precisa saber antes de tomar o chá de Ayahuasca


Oi gente,

Hoje quero fazer algumas considerações para as pessoas que estão pensando em tomar o chá.

Em pleno século XXI é inadmissível alguem dizer que faltou informações a respeito de qualquer assunto, por esse motivo resolvi fazer mais um vídeo alertando o pessoal que pretende conhecer a Ayahuasca.

Numa das reportagens que li ontem, vi um trecho do depoimento da Elke Maravilha fazendo uma ressalva extremamente importante:

"...sou a favor do uso para as pessoas que querem ampliar suas consciências. O chá abre a sua mente.Se não for para autoconhecimento, é uma merda  — O risco é você ficar consciente demais dos problemas da vida e acabar pirando."

Então, se você não quer ficar consciente demais não tome o chá!!!

Ele vai ampliar a sua visão e não tem como sair de um ritual como esse sendo a mesma pessoa de antes.

Avalie bem se é isso que você está procurando.

Deixo abaixo um artigo sobre a segurança do uso de Ayahuasca.

Beijos no coração

Namastê





SOBRE A SEGURANÇA DO USO DE AYAHUASCA.
por Prof. Luis Fernando Tófoli - Unicamp

Uma de minhas linhas de pesquisas é sobre a ayahuasca, o “chá do Santo Daime”. Estamos construindo um grande grupo interdisciplinar para investigar o assunto na UNICAMP e fomos aprovados em um financiamento do Ministério da Justiça para investigar o potencial desse chá no tratamento de alcoolismo.

Os tristes acontecimentos que levaram à morte de Rian Brito, filho de Niso Neto e Brita Brazil e neto de Chico Anysio, reacenderam a discussão sobre os riscos associados ao uso desta substância psicoativa. Assim, achei que seria importante apresentar alguns dados e reflexões sobre alguns aspectos relacionados ao chá.

O primeiro ponto, e o mais importante, é que não se pode minimizar a dor de uma mãe que perde seu filho. Eu me solidarizo com o os sentimentos da Brita Brazil, e compreendo perfeitamente o movimento que ela está fazendo a partir da triste história que ela vivenciou. Ao mesmo tempo, não tenho condições de opinar sobre o caso em si somente com informações de imprensa, então vou tentar resumir algumas informações importantes sobre a ayahuasca que, a meu ver, precisam ser ponderadas neste momento.

No Brasil, o uso de ayahuasca para fins religiosos e rituais, além do científico, é autorizado. Em uma recente pesquisa online inédita com 638 pessoas que beberam o chá, Eduardo Schenberg, Dartiu Xavier da Silveira e eu evidenciamos que a maioria esmagadora (94%) o fez em contexto ritual.

Na resolução do Conselho Nacional de Políticas de Drogas em que o uso ritual é autorizado fica explícito que a comercialização do chá é vedada. A resolução também explicita que pessoas portadoras de transtornos mentais graves não devem beber ayahuasca, e que as religiões ayahuasqueira devem entrevistar previamente os interessados para evitar que isso aconteça.

Tomado esse cuidado, a chance de um evento grave associado ao uso do chá é raro, comparado ao seu uso relativamente frequente. A partir de dados que estudamos na União do Vegetal, religião ayahuasqueira que registra as ocorrências de saúde mental que acontecem em seu âmbito, pudemos verificar que o risco de incidência de um surto psicótico é semelhante ao que é esperado para pessoas da população geral (Lima & Tófoli, 2011). No entanto, é preciso frisar que a UDV (assim como outros grupos ayahuasqueiros responsáveis) faz uma triagem para evitar que pessoas que já tenham tido sintomas psicóticos bebam hoasca, que é como a UDV denomina a ayahuasca.

Outro ponto que deve ser levado em consideração é que a ayahuasca apresenta um potencial terapêutico que vem sido mais recentemente estudado pela ciência biomédica (Bogenschutz e Johnson, 2016), apesar de já ser um achado antigo das ciências sociais (Labate e Araújo, 2004). Mais detalhes sobre este assunto podem ser encontrados no livro 'The Therapeutic Use of Ayahuasca' (Labate e Cavnar, 2014).

Há no momento estudos em diversas fases de andamento para investigar o potencial terapêutico da ayahuasca em pelo menos três transtornos psiquiátricos: depressão, uso problemático de álcool e transtorno do estresse pós-traumático – e eu estou envolvido nos dois primeiros deles. Esperamos em breve poder trazer mais informações sobre isso.

São extremamente frequentes os relatos de pessoas que começaram a frequentar religiões ayahuasqueiras e se livraram do uso problemático de drogas. Também já há evidências de laboratório, com animais, de um efeito terapêutico da ayahuasca para o abuso de álcool (Oliveira-Lima et al, 2015).

Uma das reflexões importantes sobre o episódio é reforçarmos o cuidado com as pessoas que bebem o chá pela primeira vez. Estas devem se seguidas de perto, e na ocasião infrequente de apresentarem sintomas psicóticos como delírios (ideias estranhas que só a pessoa acredita) ou alucinações (ouvir ou ver coisas que outras pessoas não percebem) não devem voltar a beber o chá sem, no mínimo, consultar um profissional de saúde mental, de preferência um psiquiatra.

Eventos desse tipo são bastante raros, e devem ser avaliados diante da liberdade religiosa e dos potenciais benefícios, mas isso não significa que os grupos ayahuasqueiros não devam estar preparados para estas eventualidades.

Assim, não estamos falando somente de uma substância psicodélica com riscos – que sim, existem, como para qualquer substância psicoativa como o álcool ou remédios antidepressivos ou sedativos – mas também de benefícios. Para milhares de pessoas no Brasil, membros de religiões e grupos ayahuasqueiros, a ayahuasca é compreendida como um instrumento de crescimento pessoal e um fato de saúde mental.

Qualquer decisão política sobre o chá não pode ignorar este grande contingente de pessoas (Anderson et al., 2012). Ao mesmo tempo, qualquer discussão que aumente a chance de que as pessoas recebam o chá de mãos responsáveis e cuidadosas é também certamente bem-vinda.

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Referências bibliográficas

ANDERSON, B. T.; LABATE, B. C.; MEYER, M.; et al. Statement on ayahuasca. The International journal on drug policy, v. 23, n. 3, p. 173–5, 20 BOGENSCHUTZ, M. P.; JOHNSON, M. W. Classic hallucinogens in the treatment of addictions. Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, v. 64, p. 250–258, 2016.

LABATE, B. C.; ARAÚJO, W. S. O uso ritual da ayahuasca. Campinas: Mercado de Letras, 2004.

LABATE, B. C.; CAVNAR, C. The therapeutic use of ayahuasca. Heidelberg, Springer Verlag, 2014.

LIMA, F. A. S.; TÓFOLI, L. F. An Epidemiological surveillance System by the UDV: Mental health recommendations concerning the religious use of Hoasca. In: B. C. Labate; H. Jungaberle (Eds.); The Internationalization of Ayahuasca. p.185–189, 2011. Zurich: LIT Verlag.

OLIVEIRA-LIMA, A. J.; SANTOS, R.; HOLLAIS, A. W.; et al. Effects of ayahuasca on the development of ethanol-induced behavioral sensitization and on a post-sensitization treatment in mice. Physiology and Behavior, v. 142, p. 28–36, 2015.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Roteiros do Turismo Místico no Peru e $$$ para se participar de um ritual

Oi gente,

Hoje trago uma reportagem sobre o turismo místico no Peru e aproveito para abordar também a questão sobre quanto se paga para participar de um ritual.

Resultado de imagem para jagube e maririCada vez mais a gente vê o interesse da galera na procura de tratamentos alternativos e  de outros meios na busca espiritual, acho isso fantástico!

De três anos pra cá  vejo que a Ayahuasca / Santo Daime está ficando bem mais popular. Hoje em dia já é comum encontrar pessoas dizendo que já tiveram algum tipo de experiência com a planta ou encontrar pessoas que já ouviram falar e que tem vontade de experimentar.

Consequentemente vejo que o preconceito está diminuindo aumentando assim o respeito também.

Resultado de imagem para ayahuascaAcho que deve ser bem interessante participar de um ritual com um shaman do Peru, mas os preços são exorbitantes realmente um plus das agências de turismo ao oferecerem pacotes místicos, mas nada contra, muito pelo contrário, fico feliz de saber que a cada dia as pessoas estão buscando mais por esses tipos de tratamentos.

Percebo que as pessoas estão aderindo mais ao Universalismo não ficando tão presos a dogmas e religiões. As mentes estão se abrindo e creio que isso deve continuar cada vez mais.

Aproveitando esse assunto, como recebo muitas perguntas de seguidores querendo saber quanto custa para se participar de um ritual vou falar um pouquinho sobre isso também.

Vai depender do que você está procurando.

Os preços vão de R$30,00 até 2 mil dólares!!!

Nos Institutos que frequento por exemplo, o preço é digamos assim "tabelado" sendo R$40,00 por ritual. Preço super justo na minha opinião ao considerar custo x benefício, pois nele está incluso o valor do daime/ayahuasca, local físico, estrutura...enfim, considero isso um valor simbólico mesmo.

Sei que aqui em São Paulo tem lugares que chegam a custar até R$300,00 o ritual.

Em muitas igrejas do Santo Daime e até mesmo em alguns Institutos, dinheiro não é problema, pois paga quem pode e o quanto pode. Quem está desempregado por exemplo não vai deixar de participar só por esse motivo.

Em outros estados, já ouvi falar de Institutos onde você pode pagar uma taxa de R$120,00 mensais e participa de cerimônias que são quinzenais.

Tem um local bem bacana no Peru, inclusive um conhecido meu já foi algumas vezes que é um retiro na floresta. O local é bem estruturado, as cerimônias são comandadas por shamans mesmo, você participa praticamente de inúmeras medicinas da floresta e o "pacote" chega a custar alguns dólares...

Enfim, independente do local que você escolher pesquise bem sempre, tente ter recomendações. Isso é extremamente importante pra você não cair em nenhuma furada, pois também existem os charlatões.
Resultado de imagem para sananga colírio

Resultado de imagem para kambôResultado de imagem para rapéVeja bem o que você procura pois o "leque" de tratamentos são grandes!

Há locais que mistura outras ervas junto com Ayahuasca ou une outras medicinas como:  rapé, sananga, kambô entre outros...

Acho tudo isso super válido embora esteja satisfeita somente com Ayahuasca até o momento.

Bom, acho que é isso.

Segue abaixo um vídeo sobre os rituais em Cusco e abaixo a matéria.

Beijos no coração

Namastê

_/\_


Conheça os roteiros do turismo místico no Peru





A uma quadra da praça central de Cusco, logo atrás da Catedral, o anúncio na lousa de acrílico chama a atenção entre quadros, peças de artesanato e roupas expostos quase na calçada da Calle Triunfo: “Today Ayahuasca Ceremony 6pm. Shaman Shop”. Dentro da tal loja, depois de perguntada sobre algumas informações a respeito da cerimônia, a funcionária responde que “o tour custa 100 dólares” e já abre uma pasta para mostrar fotos do local e explicar o que está incluído ou não no preço. Como se estivesse vendendo um pacote turístico para Machu Picchu ou um passeio ao Vale Sagrado dos Incas.
A poucos metros dali, em outra agência de viagens misturada com loja de artesanato, o banner na entrada lista os produtos oferecidos. Entre visitas a ruínas, passeios a cavalo ou de bicicleta e tickets de avião, estão também cerimônias de Ayahuasca e San Pedro. Serviços parecidos, preços similares: 100 dólares para o primeiro ritual, 80 para o outro.



Na praça de San Blas, um dos bairros históricos mais visitados por turistas em Cusco, um jovem com poncho e gorro andinos cumprimenta a todos que passam em frente à sua loja/agência com um “Hola amiga! Ayahuasca? San Pedro?”. O papacho é Joel Tello Vilchez, 33 anos, um dos donos da agência Portal of Light, especializada em um mercado que vem crescendo no Peru: o chamado “turismo místico”. Além de rituais e tratamentos com plantas “sagradas” (para alguns, “alucinógenas” para outros), em Cusco este ramo do turismo envolve visitas a templos, oferendas à Pachamama (Mãe Terra) e leituras de folhas de coca feitas por xamans para visitantes interessados – e dispostos a pagar.
Mas o uso de substâncias psicotrópicas – ou enteógenas, para usar o termo popularizado pelo inventor do LSD, Albert Hofmann, que designa os preparados vegetais utilizados em contextos ritualísticos ou xamânicos – não é novidade nos Andes. A presença do cactus San Pedro ou wachuma (que contém mescalina, assim como o peyote) na iconografia da civilização Chavin, que ocupou a parte norte da sierra peruana entre 1400 a.C. e 400 a.C., é um dos exemplos mais famosos da utilização de enteógenos por culturas pré-colombianas.
O San Pedro - ou Wachuma - é usado nos Andes há mais de 3 mil anos
Talvez tão antigo quanto o consumo de San Pedro nos Andes é o uso da ayahuasca na Amazônia. Conhecida no Brasil também como Santo Daime ou Vegetal, a bebida é uma mistura de duas plantas: o cipó mariri (Banisteriopsis caapi) e a folha chacrona (Psychotria viridis). A combinação dos dois libera a substância DMT no cérebro, causando, entre outras sensações, visões tão vívidas quanto a realidade. Segundo pesquisadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, isso acontece porque o DMT atua em neurotransmissores que também participam de experiências visuais de verdade.

Tours vegetais

Seja através de livros como Food of the Gods, de Terence McKenna, dos quadros de Pablo Amaringo(artista plástico peruano conhecido por suas obras inspiradas em visões de ayahuasca) ou mesmo por documentários à la Discovery Channel, estas plantas têm despertado a curiosidade do Ocidente há algumas décadas.
Não é à toa que na antiga capital do Império Inca – e hoje um dos principais destinos turísticos da América do Sul – nem é preciso falar espanhol para encontrar uma maneira de experimentar el pedrito ou la hoasca. A agência do papacho Joel Vilchez, que, apesar da vestimenta andina, é natural de Trujillo, na costa norte peruana, é só mais uma entre tantas outras que oferecem rituais-tours em Cusco.
Cerimônias da Portal of Light são conduzidas por um xamã que deve ter a habilidade de fechar o ritual segundo o cronograma
Fundada em 2009, a Portal of Light recebe clientes através de outras operadoras de turismo e também por recomendação. Na sua é possível acessar vídeos e também o catálogo bilíngue da companhia, com uma breve explicação sobre o uso de cada uma das plantas, os itinerários dos tours de 1 dia ou 1 dia e uma noite e o que está incluído ou não nos preços, que variam de US$ 90 a US$ 400 . As “experiências místicas” estão separadas em três categorias: VIP, médio e backpacker. A diferença entre elas é somente o tipo de transporte (público ou privado) e o tamanho do grupo (de no máximo 10 pessoas, sendo que quanto mais gente, menos se paga). Todas têm horários de início e término determinados, que são assegurados, segundo Vilchez, pela habilidade do xaman de “fechar” um ritual.
Fundada em 2009, a Portal of Light recebe clientes através de outras operadoras de turismo e também por recomendação. Na sua página de Facebook é possível acessar vídeos e também o catálogo bilíngue da companhia, com uma breve explicação sobre o uso de cada uma das plantas, os itinerários dos tours de 1 dia ou 1 dia e uma noite e o que está incluído ou não nos preços, que variam de US$ 90 a US$ 400 . As “experiências místicas” estão separadas em três categorias: VIP, médio e backpacker. A diferença entre elas é somente o tipo de transporte (público ou privado) e o tamanho do grupo (de no máximo 10 pessoas, sendo que quanto mais gente, menos se paga). Todas têm horários de início e término determinados, que são assegurados, segundo Vilchez, pela habilidade do xaman de “fechar” um ritual.
Quem preferir uma cerimônia "self-service" pode encontrar plantas in natura ou as bebidas prontas à venda nos mercados de Cusco
Ele ressalta, entretanto, que o serviço não é para turistas que querem simplesmente provar uma droga nova. “O San Pedro e a Ayahuasca não são drogas, são medicinas ancestrais. Para participar das nossas cerimônias, a pessoa tem que ter uma intenção, buscar sanar algo através da medicina”, esclarece. E o fato dos rituais serem ofertados como um pacote turístico não vai contra o caráter “sagrado” das plantas? “Nós não estamos simplesmente ‘vendendo’ a medicina em um tour. Usamos ferramentas de marketing para facilitar a reconexão das pessoas com o Universo e com seu próprio ser”, explica. E completa: “Se há mais pessoas e empresas com esta missão, ótimo. Desde que tenham a intenção de difundir o aspecto medicinal das plantas”.

Ayahuasca, Buda e Yemanjá

Assim como os rituais do Santo Daime no Brasil têm uma forte influência do cristianismo e das religiões afro-brasileiras, o uso cerimonial da ayahuasca no Peru também está marcado pelo sincretismo. No templo da comunidade espiritual Ayahuasca Wasi, por exemplo, imagens de Yemanjá, Budas, Dalai Lamas convivem em harmonia com outros elementos do misticismo andino, como o palo santo, a água florida e as plumas de condor.
Sediada em uma propriedade de 3000m² com 10 bangalôs em Pisac, a 40km de Cusco, Ayahuasca Wasi promove retiros espirituais em que as principais atividades são: yoga, meditação, visitas a ruínas incas e sessões para tomar ayahuasca. A comunidade existe há mais de 10 anos e foi criada por Diego Palma, 48 anos, um engenheiro de sistemas que, cansado do stress cotidiano em Lima, encontrou no “cipó dos mortos” as respostas até para problemas de infância mal resolvidos. “Meu agradecimento à planta por estas curas abriu a oportunidade de trabalhar com isso”, conta Palma.
Entre budas, cristais e plumas de condor, Diego Palma conduz rituais com ayahuasca
A cabeça raspada, as roupas em tons alaranjados e a voz calma lhe dão um ar de monge budista. O ex-funcionário da Telefónica entrou em contato com o budismo há 15 anos, quando também conheceu a ayahuasca. “O xamanismo e as filosofias orientais têm similaridades por estarem baseados em experiências diretas, não te pedem que creias em algo só porque dizem que é certo”, explica. Ele mantém a mesma tranquilidade para dizer os preços dos serviços oferecidos: as cerimônias abertas, que acontecem às segundas e sextas-feiras, são 170 soles (cerca de R$ 145) para estrangeiros e 60 soles (R$ 50) para peruanos; os retiros de 1 semana custam US$ 1100, incluindo alojamento, alimentação, passeios turísticos e 3 rituais para beber “a planta”.
Apesar dos descontos para peruanos, a maioria das pessoas que procuram a comunidade são, segundo Palma, de outros países. Para ele, a principal causa desta diferença é a falta de interesse dos seus conterrâneos, já que “não temos problema em abaixar o preço das cerimônias abertas”. Mais da metade dos clientes vêm através de recomendações e o restante pelo site, pois ele não trabalha com agências de turismo em Cusco. “Quem chega até nós já tem que ter tomado uma decisão, já sabe a que vem”, diz.
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As cerimônias conduzidas por Diego envolvem até 32 pessoas. Atualmente está construindo um templo onde 120 ayahuasqueiros poderão alçar voo com a ajuda da “planta professora”. Ele conta que já fez trabalhos com 150 participantes e que foi até mais fácil do que em grupos de 3 ou 4. E os efeitos da bebida continuam iguais, mesmo sendo tomada fora do seu “ambiente natural”, a Amazônia? Sim. De acordo com Palma, a ayahuasca “pega” tanto na selva quanto na serra, a diferença é o tipo de experiência. Na altura ele caracteriza a viagem como sendo mais voltada ao silêncio e à meditação, enquanto na floresta há uma interação maior com a natureza e seus sons, cores e aromas. “Você pode tomar a planta onde você quiser. Sempre será um processo lindo e transformador”, afirma.

Plantas, yoga e escalada

Quase todos os anos Diego vai a outros países para realizar cerimônias com ayahuasca. Quando foi à Tailândia em 2010, conheceu a norte-americana Kristie Lonczak, de 29 anos. Na época ela ensinava yoga ali, depois de ter passado 3 anos como instrutora de escalada na China. O baque do chá foi tão forte que hoje ela também promove retiros espirituais no Peru, às vezes dentro de Ayahuasca Wasi. Isso durante uma parte do ano, nos outros meses ela continua trabalhando com yoga na Índia e na Tailândia e guiando grupos de escalada na China.
Desta fusão de plantas sagradas com yoga e meditação e esportes de aventura nasceu em março de 2012 a Flowing Spirit Journeys, a agência que ela mantém junto com seu companheiro, o músico venezuelano German Boscan. A companhia não tem um escritório, só opera através de um website, o principal canal de divulgação e contato para os interessados. “Também divulgamos muita coisa no Facebook e pelo GoogleAds”, explica Kristie. Os programas que eles oferecem no Perú são de 9, 10 ou 12 dias, custando de US$ 1590 a US$ 1980, incluindo 2 ou 3 sessões de ayahuasca e 1 de San Pedro, práticas diárias de yoga e visitas a templos incas, além de musicoterapia, especialidade de German . “Minha ideia original era conectar as pessoas a locais sagrados por causa do yoga e da meditação. No Peru, percebi que poderíamos aprofundar esta experiência com a ayahuasca”, relata.
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O casal também é responsável pelas cerimônias abertas às segundas em Ayahuasca Wasi, mas o foco deles são os retiros. Sobre os participantes, Kristie tem uma infinidade de histórias de curas quase milagrosas, de um viciado em heroína que abandonou as seringas a uma mulher com o útero atrofiado que conseguiu engravidar.
Mas para atingir estes efeitos positivos, ela afirma que é necessário saber de onde vem a “medicina” e se a pessoa que a preparou tinha as “intenções certas e os componentes certos”. Isso porque é comum, segundo Kristie, falsos xamans usarem, no lugar da chacrona, uma planta chamada toe, que, misturada com o cipó mariri, pode ser fatal.
A bebida servida por German, Kristie e Diego vem do mesmo lugar, uma família de preparadores de ayahuasca de Pucallpa, na Amazônia peruana. E ela se vê como uma xaman? Negativo. E German? Tampouco, ele se diz “um músico que serve ayahuasca”. Kristie explica que “praticamos xamanismo, mas não somos xamans”. Também porque, para ela, a planta é uma ferramenta para as pessoas entenderem o que precisam mudar em si mesmas, mas não uma solução mágica: “depois das visões é preciso aceitar o desafio de integrar à sua vida o que a ayahuasca lhe mostrou”, conta.
*Reportagem: Carú Dionísio
* Fotos: Carú Dionísio, Helard Aguilar e divulgação
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